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Mapa de questões · 1º dia
EspanholEspanholMédio

Questão 4ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Agosto
    9
    Día de Los Pueblos Indígenas

Rigoberta Menchú nació en Guatemala, cuatro siglos y medio después de la conquista de Pedro de Alvarado y cinco años después de la conquista de Dwight Eisenhower.
    En 1982, cuando el ejército arrasó las montañas mayas, casi toda la familia de Rigoberta fue exterminada, y fue borrada del mapa la aldea donde su ombligo había sido enterrado para que echara raíz.
    Diez años después, ella recibió el Premio Nobel de la Paz. Y declaró:
    — Recibo este premio como un homenaje al pueblo maya, aunque llegue con quinientos años de demora.
    Los mayas son gente de paciencia. Han sobrevivido a cinco siglos de carnicerías.
    Ellos saben que el tiempo, como la araña, teje despacio.

GALEANO, E. Los hijos de los días. Buenos Aires: Siglo Veintiuno, 2012.

A trajetória pessoal de Rigoberta Menchú se confunde com a da própria civilização maia.
No texto, ressalta-se como característica desse povo o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Espanhol → Interpretação de texto (compreensão global e leitura crítica)
  • ⚡ Nível: Médio — o vocabulário em espanhol é acessível, mas exige captar o sentido figurado ("teje despacio", "gente de paciencia") e não apenas informações explícitas.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificação da ideia central de um texto literário-jornalístico e reconhecimento de valores culturais/históricos de um povo indígena
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual característica do povo maia o texto destaca, ao aproximar a vida de Rigoberta Menchú da história de sua civilização?"
  • Palavras-chave decisivas: trajetória pessoal, se confunde com a da civilização maia, ressalta-se como característica desse povo
  • Armadilha típica: confundir um detalhe cultural pontual (o costume de enterrar o umbigo, citado na abertura) com a mensagem central do texto, que na verdade está na conclusão, sobre a capacidade maia de suportar séculos de opressão.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que o texto não descreve um costume isolado, mas constrói uma tese sobre a persistência do povo maia diante de violências históricas — da conquista espanhola às ditaduras do século XX.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Contexto histórico de Rigoberta Menchú: ativista guatemalteca indígena maia, sobrevivente da guerra civil da Guatemala (1960-1996), na qual o Exército promoveu massacres contra comunidades maias, especialmente nos anos 1980. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1992.
  • Estrutura do texto de Eduardo Galeano: o autor entrelaça datas e fatos (a conquista de Pedro de Alvarado no século XVI, a intervenção de Eisenhower na Guatemala em 1954, o massacre de 1982 e o Nobel de 1992) para mostrar uma linha contínua de dominação sofrida pelos maias — e a resposta deles a essa dominação.
  • Metáfora final ("el tiempo, como la araña, teje despacio"): a aranha tece devagar, mas tece sem parar; a metáfora sintetiza a ideia de resistência prolongada e paciente, não de aceitação passiva.
  • Diferença entre resistir e conformar-se: resistir implica persistir e sobreviver apesar da opressão, sem se submeter definitivamente a ela; conformar-se implica aceitação resignada, sem qualquer forma de enfrentamento ou continuidade da luta — o texto aponta para a primeira ideia, não para a segunda.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "cuatro siglos y medio después de la conquista de Pedro de Alvarado y cinco años después de la conquista de Dwight Eisenhower" → situa o nascimento de Rigoberta como herdeiro de sucessivos ciclos de dominação sobre os maias, do colonialismo espanhol às intervenções políticas dos EUA no século XX.
  • Evidência 2: "Los mayas son gente de paciencia. Han sobrevivido a cinco siglos de carnicerías." → afirma explicitamente que o traço central do povo maia é a sobrevivência contínua a violências extremas ao longo de cinco séculos — ou seja, resistência prolongada.
  • Evidência 3: "Ellos saben que el tiempo, como la araña, teje despacio." → fecha o texto com uma metáfora de perseverança ativa: tecer é construir, persistir, seguir existindo apesar do tempo e da dor — reforça a ideia de resistência, não de resignação.
  • Síntese: o texto costura a biografia de Rigoberta (perda da família, destruição da aldeia, recebimento do Nobel "com quinhentos anos de atraso") à história coletiva maia, e a conclusão do trecho deixa claro que essa história é marcada pela capacidade de sobreviver e persistir diante de sucessivas dominações — não pela aceitação passiva do sofrimento nem por um traço cultural isolado como o enterro do umbigo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mapear os fatos narrados e sua função no texto

O texto apresenta uma sequência de violências históricas contra os maias: a conquista de Pedro de Alvarado (século XVI), a intervenção de Eisenhower na Guatemala (1954, que apoiou o golpe contra o governo reformista de Jacobo Árbenz) e o massacre de 1982, que dizimou a família de Rigoberta e destruiu sua aldeia natal. Cada um desses eventos é um episódio de dominação e violência sofrido pelo povo maia ao longo de cinco séculos.

Subpasso 4.2 — Identificar a virada interpretativa do texto

Depois de narrar essas violências, o texto muda de tom: em vez de terminar em desolação, afirma que "los mayas son gente de paciencia" e que "han sobrevivido a cinco siglos de carnicerías". O verbo "sobrevivir" é a chave: não se trata de esquecer, aceitar ou se acomodar à violência, mas de persistir apesar dela, mantendo sua identidade e existência coletiva viva ao longo do tempo. A frase final, comparando o tempo a uma aranha que "tece devagar", reforça essa ideia de continuidade ativa e paciente — um processo de resistência, não de rendição.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao reler o comando — "a trajetória pessoal de Rigoberta Menchú se confunde com a da própria civilização maia" e "ressalta-se como característica desse povo o(a)..." — confirma-se que a característica buscada é exatamente essa: a capacidade do povo maia de resistir, ao longo de séculos, aos processos de dominação (conquista espanhola, intervenções políticas, massacres militares) sem deixar de existir como povo. Essa leitura converge diretamente com a alternativa que fala em "resistência aos processos de dominação aos quais foi submetido".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) trabalho minucioso e incansável para manter sua cultura viva ao longo da história.

❌ Incorreta: o texto não descreve um "trabalho" cultural específico (como práticas, artesanato ou rituais mantidos deliberadamente); ele fala em sobrevivência a violências históricas. A ideia de "trabalho minucioso" desvia o foco da resistência diante da opressão para uma suposta dedicação cultural que o texto não desenvolve.

B) tradição de enterrar o umbigo dos recém-nascidos para vinculá-los à terra.

❌ Incorreta: esse costume aparece apenas como um detalhe pontual, ligado à aldeia de Rigoberta ("la aldea donde su ombligo había sido enterrado"), e serve para mostrar o quanto essa aldeia foi apagada pela violência — não é a característica geral do povo maia que o texto quer ressaltar, mas um elemento secundário da biografia pessoal dela.

C) conformismo ao lidar com os eventos traumáticos pelos quais passou.

❌ Incorreta: essa é a armadilha mais perigosa da questão, pois inverte o sentido do texto. "Gente de paciencia" e "sobrevivir" não significam aceitação passiva ou resignação; significam persistência ativa diante da violência. Conformismo sugere ausência de reação, enquanto o texto celebra justamente a continuidade da existência maia apesar de tudo.

D) resistência aos processos de dominação aos quais foi submetido.

✅ Correta: o texto encadeia a conquista espanhola, a intervenção de Eisenhower e o massacre de 1982 como etapas de um mesmo processo histórico de dominação, e conclui que, apesar disso, os maias "han sobrevivido a cinco siglos de carnicerías". A metáfora final do tempo que "teje despacio" reforça essa persistência paciente e ativa — a essência da resistência a séculos de opressão.

E) busca por reconhecimento após uma história de dificuldades.

❌ Incorreta: o Prêmio Nobel é mencionado no texto, mas a fala de Rigoberta ("Recibo este premio como un homenaje al pueblo maya, aunque llegue con quinientos años de demora") trata o prêmio como uma homenagem tardia ao povo, não como o objetivo de uma busca. O núcleo do texto está na sobrevivência histórica, não numa suposta busca por reconhecimento internacional.

🏆 Gabarito: D — o texto constrói, do início ao fim, uma linha histórica de dominação (conquista, intervenções políticas, massacre) que os maias "sobreviveram" com paciência, caracterizando-os como um povo que resiste aos processos de dominação a que foi submetido.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa D é a única que capta o movimento argumentativo completo do texto — da enumeração das violências históricas à conclusão sobre a sobrevivência paciente do povo maia — sem se prender a detalhes secundários (o umbigo) nem inverter o sentido do texto (conformismo).
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente usa textos de Eduardo Galeano e outros autores latino-americanos para tratar de povos indígenas, colonização e resistência cultural; a resposta correta costuma exigir a leitura do texto como um todo, e não de uma frase isolada.
  • Generalização: em questões de interpretação que perguntam pela "característica" ou "ideia central" ressaltada num texto, priorize sempre a conclusão/síntese do texto (geralmente no último parágrafo), pois é ali que o autor costuma revelar o juízo de valor que orienta toda a leitura.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que citam detalhes pontuais e não a mensagem geral (como a alternativa B, sobre o umbigo) e alternativas que contradizem o tom do texto (como a C, que fala em conformismo onde há resistência) — isso já elimina duas opções em segundos.
  • Conexões: este texto dialoga com temas recorrentes do ENEM como identidade e resistência de povos originários na América Latina, e com o gênero da crônica histórico-literária, comum em provas de espanhol e português que exploram textos de Eduardo Galeano.

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