Mapa de questões · 1º dia
Questão 88 — ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia
A ampliação das áreas urbanizadas, devido à construção de áreas impermeabilizadas, repercute na capacidade de infiltração das águas no solo, favorecendo o escoamento superficial, a concentração das enxurradas e a ocorrência de ondas de cheia. A urbanização afeta o funcionamento do ciclo hidrológico, pois interfere no rearranjo dos armazenamentos e na trajetória das águas.
CHRISTOFOLETTI, A. Aplicabilidade do conhecimento geomorfológico nos projetos de planejamento. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. (Org.). Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.
Considerando esse contexto, que fator contribui para a diminuição das enchentes em áreas urbanas?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Urbanização e Meio Ambiente (Hidrologia Urbana)
- ⚡ Nível: Fácil — exige relacionar impermeabilização do solo com escoamento superficial, um raciocínio direto quando o texto-base é bem interpretado.
- 🎯 Tema/Habilidade: Impactos ambientais da urbanização sobre o ciclo hidrológico e medidas de mitigação de enchentes (Competência de Área 5 — ENEM: reconhecer a dinâmica da natureza e o papel das ações humanas na transformação do espaço geográfico).
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual ação urbana reduz as enchentes ao restabelecer a capacidade de infiltração da água no solo?"
- Palavras-chave decisivas: impermeabilização, infiltração, escoamento superficial
- Armadilha típica: confundir "adensamento" ou "verticalização" com solução urbanística moderna e supor que otimizam o uso do solo — mas o enunciado pede o que reduz enchentes, e ambas aumentam (ou não alteram) a área impermeável, não a infiltração.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que enchentes urbanas nascem da perda de permeabilidade do solo, logo a solução precisa devolver superfície permeável à cidade.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ciclo hidrológico: circuito contínuo da água entre atmosfera, superfície e subsolo, envolvendo precipitação, infiltração, escoamento superficial (runoff) e evapotranspiração. Qualquer alteração na superfície terrestre interfere nesse equilíbrio.
- Impermeabilização do solo: substituição da cobertura vegetal e do solo exposto por asfalto, concreto e telhados, que bloqueiam a infiltração da água da chuva e a obrigam a escoar pela superfície.
- Escoamento superficial (runoff): volume de água que corre sobre o terreno em vez de infiltrar; quanto maior a área impermeabilizada, maior e mais rápido é esse escoamento, o que sobrecarrega galerias pluviais e rios urbanos.
- Infraestrutura verde (áreas permeáveis): parques, praças, jardins de chuva e faixas vegetadas que funcionam como "esponjas urbanas", absorvendo parte da precipitação, retardando o pico de vazão e reduzindo o volume que chega aos canais de drenagem.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a construção de áreas impermeabilizadas [...] repercute na capacidade de infiltração das águas no solo" → o texto atribui a causa das enchentes diretamente à perda de permeabilidade, não à falta de canalização ou de outra estrutura.
- Evidência 2: "favorecendo o escoamento superficial, a concentração das enxurradas e a ocorrência de ondas de cheia" → mostra a cadeia causal: impermeabilização → mais escoamento → picos de vazão concentrados → enchente.
- Síntese: se a causa da enchente é a queda da infiltração, a solução lógica é qualquer intervenção que devolva à cidade superfícies capazes de absorver água — exatamente o papel dos espaços verdes, o que aponta para a alternativa B antes mesmo de descartar as demais.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a causa-raiz descrita no texto
Christofoletti é explícito: a urbanização substitui solo permeável por superfícies impermeáveis (asfalto, calçadas, telhados, lajes), o que reduz drasticamente a infiltração. Sem infiltração, a água da chuva não é retida nem retardada — ela escorre rapidamente pela superfície, converge para os pontos baixos da cidade e forma as enxurradas e ondas de cheia mencionadas no enunciado.
Subpasso 4.2 — Traduzir a causa em solução
Se o problema é "menos área permeável = mais enchente", a solução matemática e ambiental é inversa: "mais área permeável = menos enchente". Espaços verdes (parques, praças arborizadas, jardins de infiltração, telhados e canteiros vegetados) recompõem, mesmo que parcialmente, a capacidade de absorção do solo urbano. Eles funcionam como reservatórios naturais que:
1) retêm parte do volume de chuva na vegetação e no solo;
2) atrasam o tempo de chegada da água aos bueiros e rios (reduzindo o pico de vazão);
3) diminuem a velocity e o volume total de escoamento superficial.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando cada alternativa com a lógica "aumenta ou diminui a impermeabilização": pavimentação (A), verticalização (C), adensamento (D) e assoreamento de canais (E) todas pioram ou não resolvem o problema de infiltração/drenagem descrito no texto. Apenas "criação de espaços verdes" (B) age diretamente na causa apontada por Christofoletti — a perda de capacidade de infiltração —, restaurando-a. A alternativa B é, portanto, coerente com a cadeia causal do texto-base.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Pavimentação das vias.
❌ Incorreta: pavimentar é justamente o processo de impermeabilização que o texto aponta como causa das enchentes. Mais pavimento significa menos infiltração e mais escoamento superficial — o oposto de uma solução.
B) Criação de espaços verdes.
✅ Correta: parques, praças e áreas vegetadas devolvem ao solo urbano capacidade de infiltração e retenção de água da chuva, reduzindo o volume e a velocidade do escoamento superficial que gera enxurradas. É a única alternativa que ataca a causa estrutural descrita no texto.
C) Verticalização das moradias.
❌ Incorreta: verticalizar concentra mais pessoas e construções sobre uma mesma área, geralmente aumentando (ou mantendo) a impermeabilização do entorno — estacionamentos, calçadas e acessos pavimentados —, sem devolver capacidade de infiltração ao solo.
D) Adensamento das construções.
❌ Incorreta: adensar significa multiplicar edificações e superfícies impermeáveis em um mesmo espaço, reduzindo ainda mais as áreas permeáveis remanescentes e agravando o escoamento superficial.
E) Assoreamento dos canais de drenagem.
❌ Incorreta: assoreamento é o acúmulo de sedimentos no leito de rios e canais, o que reduz a capacidade de vazão desses canais e piora — não diminui — as inundações, pois a água escoa com mais dificuldade.
🏆 Gabarito: B — apenas a criação de espaços verdes restaura a permeabilidade do solo urbano, atacando a causa das enchentes identificada no próprio texto de Christofoletti: a perda de infiltração pela impermeabilização.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a única alternativa que reverte o processo descrito no texto — impermeabilização reduzindo infiltração — é a criação de espaços verdes, que recompõe a permeabilidade do solo urbano.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a relação causa-consequência entre urbanização desordenada, impermeabilização do solo e enchentes, quase sempre citando autores de geomorfologia ou geografia urbana (como Christofoletti) para embasar o texto-motivador.
- Generalização: em questões sobre enchentes urbanas, a resposta correta quase sempre envolve aumentar a permeabilidade ou a capacidade de retenção de água (áreas verdes, bacias de detenção, pavimentos drenantes); a resposta errada quase sempre envolve mais impermeabilização, mais adensamento ou obstrução da drenagem.
- Dica de eliminação rápida: pergunte-se de cada alternativa "isso aumenta ou diminui a área impermeável/obstrução dos canais?". Pavimentação, verticalização, adensamento e assoreamento sempre pioram o cenário — sobra a opção que recupera solo natural.
- Conexões: o tema dialoga com "ilhas de calor urbanas", infraestrutura verde e drenagem urbana sustentável (bacias de retenção, pavimentos permeáveis, telhados verdes) e com problemas de planejamento urbano em cidades brasileiras, temas frequentes em questões de Geografia sobre o espaço urbano.
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