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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 45ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Seu nome define seu destino. Será?

“O nome próprio da pessoa marca a sua identidade e a sua experiência social e, por isso, é um dado essencial na sua vida”, diz Francisco Martins, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília e autor do livro Nome próprio (Editora UnB). “Mas não dá para dizer que ele conduz a um destino específico. É você quem constrói a sua identidade. Existe um processo de elaboração, em que você toma posse do nome que lhe foi dado. Então, ele pesa, mas não é decisivo”. De acordo com Martins, essa apropriação do nome se dá em várias fases: na infância, quando se desenvolve a identidade sexual; na adolescência, quando a pessoa começa a assinar o nome; no casamento, quando ela adiciona (ou não) o sobrenome do marido ao seu. “O importante é a pessoa tomar posse do nome, e não ficar brigando com ele”.

CHAMARY, J. V.; GIL, M. A. Knowledge, jul. 2010.

Pronomes funcionam nos textos como elementos de coesão referencial, auxiliando a manutenção do tema abordado. No trecho da reportagem, o vocábulo “nome” é retomado pelo pronome destacado em

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto argumentativo, identificação de tese e conclusão
  • ⚡ Nível: Médio — exige distinguir a hipótese contestada pelo texto (o senso comum do título) da conclusão efetivamente defendida pelo especialista
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento da tese central de um texto de opinião/entrevista, a partir de marcadores linguísticos de conclusão (Competência de Área 1 — compreensão de textos em diferentes situações de comunicação)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Entre os trechos destacados, qual sintetiza a conclusão argumentativa defendida pelo psicólogo entrevistado sobre a relação entre nome e identidade?"
  • Palavras-chave decisivas: tese, conclusão, síntese do argumento
  • Armadilha típica: marcar a alternativa A por ela reproduzir literalmente o título da reportagem — o candidato lê rápido e assume que o título resume "a ideia principal", sem perceber que o título é uma pergunta retórica ("Será?") que o texto vai desconstruir, não confirmar
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de acompanhar a progressão argumentativa do texto (afirmação popular → contra-argumento do especialista → explicação do processo → conclusão final) e identificar em qual ponto o autor efetivamente fecha seu raciocínio

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Texto dissertativo-argumentativo por entrevista: o jornalista constrói o texto citando a fala de uma autoridade (o professor Francisco Martins) para sustentar ou refutar uma tese; a estrutura típica é apresentar o senso comum, contestá-lo e propor uma visão mais elaborada.
  • Pergunta retórica no título: "Seu nome define seu destino. Será?" — o "Será?" é um sinal textual explícito de dúvida/ironia; títulos com pergunta retórica quase sempre anunciam que o corpo do texto vai relativizar ou refutar a afirmação anterior, não confirmá-la.
  • Marcadores de conclusão: expressões como "mas", "então" e, principalmente, "o importante é" funcionam como sinalizadores metatextuais que apontam para onde está o núcleo do argumento — quem escreve costuma usar esse tipo de expressão exatamente para fechar a ideia central.
  • Progressão argumentativa: o texto avança do genérico (o nome marca identidade) para o específico (como e quando essa apropriação do nome acontece), até culminar numa recomendação prática, que é o verdadeiro ponto de chegada do raciocínio do entrevistado.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Seu nome define seu destino. Será?" → é a hipótese popular colocada em xeque pelo próprio título; a interrogação sinaliza que o texto não vai endossá-la, e sim problematizá-la.
  • Evidência 2: "Mas não dá para dizer que ele conduz a um destino específico. É você quem constrói a sua identidade." → o "Mas" marca a virada argumentativa: o especialista refuta a ideia do título e desloca o eixo da explicação — o nome pesa, mas não determina; quem determina é o sujeito.
  • Evidência 3: "O importante é a pessoa tomar posse do nome, e não ficar brigando com ele." → a expressão "O importante é" é o marcador explícito de conclusão: depois de explicar o processo de apropriação em fases (infância, adolescência, casamento), o especialista resume tudo numa única orientação prática — essa é a tese que o texto constrói até o fim.
  • Síntese: o texto tem um movimento claro de "afirmação popular → refutação → explicação do processo → conclusão prática", e a alternativa correta precisa corresponder exatamente ao último elo dessa cadeia, não a nenhum dos elos intermediários.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mapear a arquitetura argumentativa do texto

O texto se organiza em quatro movimentos: (1) o título lança a pergunta popular "seu nome define seu destino?"; (2) o especialista concorda parcialmente ("o nome... é um dado essencial"), mas imediatamente introduz a ressalva com "Mas não dá para dizer que ele conduz a um destino específico"; (3) ele detalha o mecanismo — existe um "processo de elaboração" de apropriação do nome, que ocorre em fases (infância, adolescência, casamento); (4) ele fecha a entrevista com a frase-síntese, introduzida pelo conectivo conclusivo "O importante é...". Esse quarto movimento é o ápice do raciocínio — é para ali que todo o texto converge.

Subpasso 4.2 — Testar cada alternativa contra a posição que ela ocupa nessa arquitetura

Alternativa A reproduz o título, que é a pergunta a ser contestada, não a resposta do especialista. Alternativas B, C e D são etapas do desenvolvimento do argumento — cada uma delas é verdadeira e está no texto, mas nenhuma fecha o raciocínio sozinha: B afirma que a identidade é construída (mas não diz como), C introduz o "processo de elaboração" (mas ainda está em aberto, seguido de exemplos de fases), e D apenas repete parte de C, isolando o verbo "tomar posse" sem a segunda metade da ideia. Só a alternativa E reúne, numa única frase, tanto a apropriação ativa do nome ("tomar posse") quanto o desfecho emocional/comportamental que o professor elege como o ponto crucial ("não ficar brigando com ele") — e o faz sob o comando explícito do marcador conclusivo "O importante é".

Subpasso 4.3 — Verificação

Reler a última frase da entrevista confirma o padrão: sempre que um texto jornalístico fecha uma citação com uma oração iniciada por "o importante é", "o que importa é" ou equivalente, essa oração carrega o resumo do argumento que o autor quer que o leitor retenha. Aplicando esse teste, apenas a alternativa E corresponde à frase marcada por esse recurso — o que confirma, por eliminação e por análise estrutural, que ela é a tese central buscada pelo comando.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) "Seu nome define seu destino".

❌ Incorreta: é o título da reportagem, formulado como pergunta retórica ("Será?") justamente para ser posto em dúvida. O corpo do texto existe para refutar essa ideia, não para confirmá-la — tomá-la como tese do especialista inverte o sentido argumentativo do texto.

B) "É você quem constrói a sua identidade".

❌ Incorreta: é um passo intermediário do argumento, a primeira correção que o especialista faz ao senso comum do título. É verdadeira, mas genérica — ainda não explica como essa construção acontece nem chega à recomendação final que fecha a entrevista.

C) "Existe um processo de elaboração, em que você toma posse do nome […]".

❌ Incorreta: introduz o conceito-chave (processo de apropriação do nome), mas essa frase é seguida, no texto, por uma explicação das fases desse processo — ou seja, ainda é desenvolvimento, não fechamento do raciocínio.

D) "[…] você toma posse do nome que lhe foi dado".

❌ Incorreta: é um recorte parcial da mesma ideia de C, isolando apenas a ação de "tomar posse" e descrevendo a origem passiva do nome ("que lhe foi dado"). Falta exatamente o complemento que torna a ideia uma conclusão prática — a orientação sobre não entrar em conflito com o nome.

E) "[…] não ficar brigando com ele".

✅ Correta: é a segunda metade da frase final da entrevista, explicitamente apresentada pelo marcador conclusivo "O importante é a pessoa tomar posse do nome, e não ficar brigando com ele". Essa frase amarra os dois elementos centrais do argumento — apropriação ativa (tomar posse) e aceitação (não brigar) — funcionando como o resumo definitivo da tese do especialista.

🏆 Gabarito: E — é o único trecho introduzido pelo marcador conclusivo "O importante é...", que sintetiza, numa só frase, a apropriação ativa do nome e a aceitação dele, fechando o raciocínio construído ao longo de toda a entrevista.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa E é a única que corresponde ao fechamento argumentativo do texto, marcado linguisticamente por "O importante é"; todas as demais são ou a hipótese contestada (A) ou etapas intermediárias do raciocínio (B, C, D).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a textos de entrevista ou reportagem em que o título formula uma pergunta ou afirmação de senso comum e o corpo do texto a relativiza — a banca testa se o candidato confunde a "isca" do título com a tese real do autor/entrevistado.
  • Generalização: em textos argumentativos, a tese raramente está no título quando este vem em forma de pergunta retórica; ela costuma aparecer perto do final, sinalizada por conectivos conclusivos como "o importante é", "em suma", "portanto", "no fundo" — treine o olho para esses marcadores.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que seja apenas o título/pergunta inicial do texto (quase sempre é a armadilha) e procure a alternativa que contenha conectivos de fechamento ("o importante é", "por isso", "então", "no final das contas") — ela costuma carregar a resposta certa em questões de "tese central".
  • Conexões: esse mesmo raciocínio se aplica a questões sobre "ideia principal do texto", "posicionamento do autor" e "efeito de sentido de perguntas retóricas em títulos", temas recorrentes na prova de Linguagens do ENEM.

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