Mapa de questões · 1º dia
Questão 66 — ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia
A erosão laminar tem origem na desagregação e movimentação de pequenas partículas do solo causadas pela ação da água. Para evitá-la, deve-se eliminar o desprendimento causado pelas gotas das chuvas que golpeiam o terreno.
ROCHA, J. S. M. Educação ambiental técnica para os ensinos fundamental, médio e superior.
Santa Maria: Imprensa Universitária, 1999 (adaptado).
O processo erosivo descrito no texto é minimizado pela
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Degradação ambiental e manejo do solo
- ⚡ Nível: Fácil — o texto já entrega o mecanismo da erosão (impacto das gotas de chuva) e basta associar a causa ao seu antídoto natural mais conhecido, sem exigir cálculos ou dados adicionais.
- 🎯 Tema/Habilidade: Erosão laminar e conservação do solo — competência de reconhecer relações entre a sociedade, o manejo do espaço agrário e a degradação/conservação ambiental.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual prática impede que as gotas de chuva atinjam diretamente o solo e o desagreguem, evitando a erosão laminar?"
- Palavras-chave decisivas: desagregação de partículas, gotas das chuvas que golpeiam o terreno, eliminar o desprendimento
- Armadilha típica: confundir "conter a erosão" com "conter a água" ou "conter o relevo" — alternativas como barreiras de contenção (D) e alteração da declividade (C) parecem soluções de engenharia plausíveis, mas não atacam a causa descrita no texto, que é o impacto direto da gota da chuva sobre o solo exposto.
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a erosão laminar começa no momento exato em que a gota de chuva colide com partículas de solo desprotegido, e que a única alternativa capaz de neutralizar esse impacto físico é a existência de uma barreira orgânica entre a chuva e o solo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Erosão laminar: também chamada de erosão em lençol, é o tipo de erosão hídrica mais difundido e menos perceptível a olho nu, pois remove uma fina camada de solo de forma uniforme sobre toda a superfície, sem formar sulcos ou ravinas visíveis.
- Splash erosion (erosão por salpicamento): fase inicial do processo, na qual o impacto mecânico da gota de chuva sobre o solo nu quebra os agregados do solo, soltando partículas que depois são carreadas pelo escoamento superficial (runoff).
- Cobertura vegetal como interceptação: a copa das árvores, os arbustos e a serrapilheira (folhas em decomposição) dissipam a energia cinética da gota de chuva antes que ela toque o solo, além de as raízes aumentarem a coesão e a infiltração da água, reduzindo o escoamento superficial.
- Manejo conservacionista do solo: conjunto de técnicas (cobertura vegetal permanente, plantio direto, curvas de nível, rotação de culturas) que visam manter a estrutura física do solo e evitar sua exposição direta aos agentes erosivos.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "desagregação e movimentação de pequenas partículas do solo causadas pela ação da água" → revela que o agente causador é a água em contato direto com o solo, e não fatores como declividade ou uso do solo por si só.
- Evidência 2: "eliminar o desprendimento causado pelas gotas das chuvas que golpeiam o terreno" → é a frase-chave: o texto pede explicitamente uma solução que impeça o golpe da gota de chuva sobre o solo, ou seja, algo que se interponha fisicamente entre a chuva e a superfície do terreno.
- Síntese: o enunciado constrói uma cadeia de causa e efeito muito clara — chuva golpeia solo exposto → partículas se desprendem → erosão laminar se instala. A solução lógica precisa quebrar exatamente o primeiro elo dessa cadeia: o contato direto entre a gota de chuva e o solo desnudo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o mecanismo físico da erosão laminar
O texto descreve com precisão técnica o fenômeno do "splash effect": cada gota de chuva, ao atingir uma velocidade terminal em queda livre, carrega energia cinética suficiente para romper os agregados do solo exposto, projetando partículas a centímetros de distância. Repetido por milhões de gotas ao longo de uma chuva, esse processo desagrega progressivamente a camada superficial do solo, que passa então a ser facilmente arrastada pelo escoamento superficial (runoff), configurando a erosão laminar — perda uniforme e quase imperceptível de solo em toda a extensão do terreno.
Subpasso 4.2 — Relacionar causa e solução conservacionista
Se a causa raiz é o "golpe" direto da gota sobre o solo nu, a solução mais eficaz é reduzir ou eliminar esse contato direto. É exatamente essa a função ecológica da cobertura vegetal: a copa das árvores e a manta de folhas, galhos e restos orgânicos sobre o solo (serrapilheira) atuam como um amortecedor natural, dissipando a energia cinética da chuva antes que ela alcance a superfície. Além disso, o sistema radicular das plantas amarra as partículas do solo entre si, aumentando sua coesão, e facilita a infiltração da água (em vez do escoamento superficial), diminuindo tanto o impacto quanto o carreamento de sedimentos. Por isso, a manutenção (ou recomposição) da cobertura vegetal é reconhecida mundialmente como a principal medida preventiva contra a erosão laminar em áreas agrícolas e desmatadas.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando com as alternativas, apenas a opção que trata da cobertura vegetal ataca diretamente a causa apontada no texto (o impacto da gota de chuva sobre o solo desprotegido). As demais alternativas ou agravam o problema (pecuária extensiva compacta e expõe o solo), ou atuam sobre consequências e não sobre a causa (barreiras de contenção, alteração de declividade), ou nem sequer combatem fisicamente a erosão (medidores pluviométricos apenas monitoram a chuva). Isso confirma que a alternativa B é a única coerente com o enunciado.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) inserção de pecuária extensiva.
❌ Incorreta: a pecuária extensiva é uma das principais causas de erosão do solo, e não sua solução. O pisoteio constante do gado compacta o solo (reduzindo a infiltração de água) e, principalmente, reduz a cobertura vegetal pelo pastejo excessivo, deixando o solo ainda mais exposto ao impacto direto das gotas de chuva — o oposto do que a questão pede.
B) manutenção da cobertura vegetal.
✅ Correta: a vegetação (copa, serrapilheira e raízes) intercepta a energia cinética da gota de chuva antes que ela atinja o solo, evitando o desprendimento de partículas descrito no texto, e ainda favorece a infiltração da água em detrimento do escoamento superficial. É a medida conservacionista mais direta e eficaz contra a erosão laminar.
C) alteração da declividade do relevo.
❌ Incorreta: modificar a declividade (por exemplo, com terraceamento) pode reduzir a velocidade do escoamento superficial e mitigar erosão em sulcos ou ravinas, mas não impede o "golpe" da gota de chuva sobre o solo nu — que é a causa específica citada no texto para a erosão laminar. Além disso, alterar o relevo é uma intervenção de engenharia bem mais complexa e onerosa do que a solução buscada pela questão.
D) construção de barreiras de contenção.
❌ Incorreta: barreiras de contenção (como muros de arrimo ou diques) servem para conter sedimentos e água já em movimento, atuando sobre a consequência do processo erosivo, não sobre sua causa. Elas não evitam o desprendimento inicial das partículas pelo impacto da chuva, que é exatamente o que o enunciado pede para "eliminar".
E) instalação de medidores pluviométricos.
❌ Incorreta: pluviômetros são instrumentos de monitoramento que apenas medem o volume de chuva; não exercem nenhuma ação física de proteção do solo. Conhecer o índice pluviométrico pode ajudar no planejamento agrícola, mas não minimiza, por si só, o processo erosivo em curso.
🏆 Gabarito: B — a manutenção da cobertura vegetal é a única alternativa que interrompe fisicamente o contato direto entre a gota de chuva e o solo exposto, eliminando o desprendimento de partículas que o texto identifica como origem da erosão laminar.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra B é a única alternativa que corresponde a uma ação preventiva direta sobre a causa descrita — o impacto da gota de chuva no solo desprotegido —, enquanto as demais tratam de consequências, agravantes ou fatores irrelevantes ao mecanismo explicado no texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a textos técnicos curtos sobre degradação ambiental (erosão, desertificação, assoreamento) e espera que o candidato reconheça a cobertura vegetal como solução transversal a praticamente todos esses processos, dado seu papel na proteção e estruturação do solo.
- Generalização: sempre que uma questão descrever solo exposto sendo degradado pela água (chuva, escoamento, assoreamento de rios), a resposta gira, na imensa maioria dos casos, em torno da preservação, recomposição ou manejo adequado da cobertura vegetal — seja mata ciliar, seja vegetação de encosta, seja cultura de cobertura em lavouras.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que descrevem práticas agressivas ao solo (pecuária extensiva, desmatamento, monocultura sem rotação) e alternativas que são apenas monitoramento passivo (medidores, sensores, mapeamento) — nenhuma delas resolve fisicamente um processo erosivo já em curso.
- Conexões: o mesmo raciocínio se aplica a questões sobre desertificação no semiárido nordestino, assoreamento de rios por falta de mata ciliar e práticas de manejo conservacionista do solo (plantio direto, curvas de nível, terraceamento), temas recorrentes na geografia agrária do ENEM.
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