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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 59ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 059 - ENEM PPL 2020 -

A divisão representada do território alemão refletia um contexto geoestratégico de busca por

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Segunda Guerra Mundial, Ordem Bipolar e origens da Guerra Fria
  • ⚡ Nível: Médio — exige distinguir dois conceitos próximos ("espólio de guerra" x "áreas de influência") a partir da leitura de um mapa histórico
  • 🎯 Tema/Habilidade: Divisão da Alemanha em zonas de ocupação (1945) como origem geoestratégica da Guerra Fria — competência de leitura de documentos cartográficos e compreensão de processos históricos do século XX
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após a resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que a divisão da Alemanha em zonas administradas por quatro potências, em 1945, revela sobre as intenções geopolíticas dessas potências no pós-guerra?"
  • Palavras-chave decisivas: divisão do território, contexto geoestratégico, busca por
  • Armadilha típica: confundir a divisão administrativa de 1945 com um simples "espólio de guerra" (like partilha de despojos entre vencedores), ignorando que a lógica por trás da ocupação já era a disputa política e ideológica que originaria a Guerra Fria.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o aluno entende a ocupação da Alemanha não como um fim em si (punir/saquear o país derrotado), mas como o primeiro desenho territorial da futura bipolarização do mundo entre capitalismo (EUA, Inglaterra, França) e socialismo soviético (URSS).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Conferências de Ialta e Potsdam (1945): reuniões entre as potências vencedoras (EUA, URSS, Reino Unido e, em Potsdam, a França) que definiram a rendição da Alemanha e sua divisão temporária em quatro zonas de ocupação militar.
  • Zonas de ocupação: não eram anexações permanentes, mas áreas sob controle administrativo e militar de cada potência, usadas para reorganizar a economia, a política e a sociedade alemãs segundo o modelo de cada ocupante.
  • Áreas de influência: conceito-chave da Guerra Fria — divisão de um território em zonas onde cada superpotência exerce controle político, econômico e ideológico, sem necessariamente anexá-lo, mas moldando seu regime e suas alianças.
  • Bipolarização e Guerra Fria: a rivalidade EUA x URSS, já desenhada nas negociações sobre o destino da Alemanha, consolidou-se com a criação da RFA (capitalista) e da RDA (socialista) em 1949.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

O mapa mostra o território alemão fragmentado em quatro zonas, cada uma rotulada com o nome de uma potência vencedora: Inglaterra (noroeste), França (enclaves a oeste e sudoeste), EUA (sul) e URSS (leste, a maior fatia). Berlim, situada dentro da zona soviética, aparece igualmente repartida em quatro pequenos setores, evidenciando que mesmo a capital, isolada em território sob controle soviético, foi mantida sob administração conjunta das quatro potências.

  • Evidência 1: o mapa mostra quatro zonas distintas, cada uma associada a um país vencedor da guerra → revela que a divisão não foi um único vencedor "tomando" o território, mas um acordo entre as quatro potências para repartir a administração.
  • Evidência 2: Berlim, cercada pelo setor soviético, também é dividida em quatro → mostra que o interesse não era apenas ocupar fisicamente um espaço, mas garantir presença política de cada bloco até no coração da capital, antecipando a disputa que geraria o Muro de Berlim (1961).
  • Síntese: a distribuição territorial, especialmente o cuidado em manter as quatro potências presentes em Berlim, indica que o objetivo estratégico era garantir influência política e ideológica sobre o futuro da Alemanha — não apenas repartir despojos de guerra ou recursos econômicos pontuais.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o momento histórico retratado

O mapa registra a Alemanha logo após sua derrota na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). As potências vencedoras — Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e França — decidiram, nas conferências de Ialta (fevereiro de 1945) e Potsdam (julho-agosto de 1945), ocupar militarmente o país derrotado, dividindo-o em quatro zonas administrativas para supervisionar sua desnazificação, desmilitarização e reconstrução.

Subpasso 4.2 — Ligar a divisão territorial ao contexto geoestratégico mais amplo

Embora tenha nascido como medida de ocupação militar pós-guerra, a divisão rapidamente revelou sua função geoestratégica real: cada potência passou a moldar "sua" zona segundo seus próprios interesses políticos e econômicos. Os três setores ocidentais (EUA, Inglaterra e França) foram unificados em 1949, dando origem à República Federal da Alemanha (RFA), capitalista e, depois, membro da OTAN. O setor soviético tornou-se a República Democrática Alemã (RDA), socialista e alinhada ao Pacto de Varsóvia. Esse desfecho só faz sentido se entendermos a divisão de 1945 como o primeiro traçado de fronteiras entre dois projetos de mundo rivais — ou seja, como a demarcação de áreas de influência.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando o mapa com o desdobramento histórico posterior (formação de RFA e RDA, Guerra Fria, Muro de Berlim), confirma-se que a lógica da partilha não era predatória (tomar bens e territórios do inimigo) nem estritamente logística (rotas, petróleo, comércio): era o desenho antecipado de zonas sob controle político-ideológico de cada superpotência, o que corresponde exatamente à alternativa B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) espólio de guerra.

❌ Incorreta: espólio de guerra remete à apropriação de bens, territórios ou recursos do derrotado como "prêmio" pela vitória — algo associado a anexações definitivas (como a Alsácia-Lorena em guerras anteriores). A divisão de 1945 não foi anexação: as zonas eram administradas temporariamente, com vistas à reorganização política do país, não à extração de despojos.

B) áreas de influência.

✅ Correta: a divisão em quatro zonas — reforçada pela partilha simétrica de Berlim, mesmo cercada pelo setor soviético — mostra que cada potência buscava consolidar presença política, ideológica e militar em seu território de ocupação. Esse arranjo é a origem direta da bipolarização do pós-guerra: Ocidente capitalista (EUA, Inglaterra, França) versus Oriente socialista (URSS), consolidada na formação da RFA e da RDA e na própria Guerra Fria.

C) rotas de navegação.

❌ Incorreta: o mapa não indica portos, rios navegáveis ou corredores marítimos/fluviais como critério de divisão. As zonas seguem lógica de controle político-administrativo, não de acesso a vias de transporte.

D) controle do petróleo.

❌ Incorreta: a Alemanha de 1945 não era uma região com reservas petrolíferas relevantes que justificassem a partilha; o petróleo é disputa geoestratégica típica de outras regiões (como o Oriente Médio), não o motor da ocupação alemã.

E) monopólio do comércio.

❌ Incorreta: embora questões econômicas estivessem em jogo na reconstrução alemã, o traço central do mapa — quatro zonas político-militares e a divisão simbólica de Berlim — evidencia disputa por controle político e ideológico, não por exclusividade em relações comerciais.

🏆 Gabarito: B — a partilha da Alemanha (e de Berlim) em quatro zonas administradas pelas potências vencedoras expressa a disputa por áreas de influência que definiria o mundo bipolar da Guerra Fria, não uma simples divisão de despojos, rotas, petróleo ou comércio.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa B é a única que capta a dimensão geoestratégica de longo prazo da divisão de 1945 — o embrião da Guerra Fria — enquanto as demais descrevem motivações econômicas ou logísticas ausentes do contexto retratado.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa mapas de zonas de ocupação, do Muro de Berlim ou da Europa dividida pela "Cortina de Ferro" para testar se o estudante entende a Guerra Fria como disputa de influência política e ideológica, não como guerra armada direta entre EUA e URSS.
  • Generalização: sempre que um mapa mostrar um território fragmentado entre potências vencedoras logo após um conflito, verifique se a fragmentação é permanente (anexação/espólio) ou temporária e ligada a alianças políticas futuras (área de influência) — o desfecho histórico posterior costuma confirmar qual dos dois casos se aplica.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas ligadas a recursos naturais específicos (petróleo) ou a infraestrutura (rotas de navegação, comércio) quando o mapa não trouxer nenhum elemento econômico ou geográfico desse tipo — sobra a disputa política, núcleo da Guerra Fria.
  • Conexões: aprofunde com "Muro de Berlim e reunificação alemã (1989-1990)" e "Plano Marshall e Doutrina Truman", que mostram como as áreas de influência de 1945 se consolidaram ao longo da Guerra Fria.

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