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Questão 35ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 35 - ENEM PPL 2020

As vanguardas europeias trouxeram novas perspectivas para as artes plásticas brasileiras. Na obra O mamoeiro, a pintora Tarsila do Amaral valoriza

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → História da Arte Brasileira (Semana de 22 / Modernismo / fase Pau-Brasil de Tarsila do Amaral)
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura visual da obra com o conhecimento histórico sobre a incorporação do Cubismo europeu pelos modernistas brasileiros
  • 🎯 Tema/Habilidade: Vanguardas europeias e Modernismo brasileiro — competência de leitura de imagem associada a movimentos artísticos (linguagens não verbais)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual traço das vanguardas europeias Tarsila do Amaral incorpora, do ponto de vista formal, na tela O mamoeiro?"
  • Palavras-chave decisivas: vanguardas europeias, novas perspectivas, valoriza
  • Armadilha típica: confundir o tema retratado (paisagem rural, casario, família na ponte) com a inovação que a questão pede, que é de natureza formal/estilística, não temática.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que a "nova perspectiva" trazida pela vanguarda europeia à pintura de Tarsila é a estilização dos elementos da cena em formas geométricas — herança direta do Cubismo.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Semana de Arte Moderna (1922): marco de ruptura com o academicismo brasileiro, em que artistas passam a dialogar com as vanguardas europeias (Cubismo, Futurismo, Expressionismo) sem abandonar temas e paisagens nacionais.
  • Tarsila do Amaral e a fase Pau-Brasil (a partir de 1923): após estudar em Paris com André Lhote, Fernand Léger e Albert Gleizes, Tarsila absorve os princípios cubistas e volta ao Brasil aplicando-os a cenas do interior paulista, como em O mamoeiro (1925).
  • Geometrização cubista: princípio (originado em Cézanne — "tratar a natureza pelo cilindro, a esfera e o cone") de reduzir objetos, figuras e paisagens a volumes geométricos simplificados, com contornos nítidos e sombreados que criam a ilusão de tridimensionalidade sintética.
  • Distinção tema × forma: uma coisa é o que a obra retrata (o "conteúdo": casario, ponte, família, mamoeiro); outra é como ela é construída visualmente (o "estilo": a linguagem geométrica vanguardista). A questão cobra exatamente esse segundo aspecto.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "As vanguardas europeias trouxeram novas perspectivas para as artes plásticas brasileiras" → sinaliza que a resposta certa precisa expressar uma inovação de linguagem visual (plástica), de origem europeia, e não uma escolha temática.
  • Evidência 2 (a imagem): em O mamoeiro, as árvores e os morros são pintados como volumes esféricos e arredondados; as casas aparecem como prismas simples com telhados triangulares; a ponte é construída por uma trama de retas e diagonais; os troncos e o poste central assumem formas cilíndricas estilizadas. Natureza e construções humanas convivem reduzidas a formas geométricas elementares.
  • Síntese: o enunciado pede o que há de "vanguarda" na tela, e a imagem mostra justamente a tradução cubista da paisagem brasileira em esferas, cones, cilindros e prismas — a marca formal que conecta Tarsila à vanguarda europeia sem perder o tema nacional.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Situar a obra no contexto histórico-artístico

O mamoeiro (1925, óleo sobre tela) pertence à fase Pau-Brasil de Tarsila do Amaral, período em que a artista, recém-chegada da Europa, funde o repertório cubista aprendido em Paris com motivos e paisagens do Brasil rural. É esse encontro — vanguarda formal europeia + tema nacional — que o enunciado descreve como "novas perspectivas para as artes plásticas brasileiras".

Subpasso 4.2 — Analisar a construção visual da tela

Observando a imagem: os maciços de vegetação e os morros ao fundo são pintados como grandes formas esféricas e ovaladas, sobrepostas em camadas; as casas se reduzem a blocos retangulares com telhados triangulares, sem detalhamento realista; a ponte que atravessa o primeiro plano é montada por uma estrutura de linhas retas entrecruzadas; o poste central e os troncos das árvores aparecem como cilindros estilizados. Não há naturalismo fotográfico: cada elemento da paisagem — natural ou construído — é simplificado para uma forma geométrica básica, com volumes marcados por gradações de cinza (sombreado sintético), técnica típica do Cubismo pós-cezanniano.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao confrontar essa leitura com as alternativas, apenas uma expressão sintetiza corretamente o que a imagem evidencia: a tela não privilegia retas sobre círculos (há as duas formas em equilíbrio), não é sobre trabalho rural (a família apenas atravessa a ponte, sem cena de labor), não reproduz padrões nacionalistas tradicionais (pelo contrário, rompe com eles) e não traz objetos mecânicos (não há máquinas ou indústria). A única leitura compatível com a composição é a valorização da representação por formas geométricas — confirmando a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) a representação de trabalhadores do campo.

❌ Incorreta: a cena mostra uma família (um adulto e duas crianças) caminhando pela ponte, em atitude de passeio, não em atividade de trabalho agrícola. Além disso, mesmo que houvesse figuras rurais, isso seria um traço temático, não a "nova perspectiva" formal que a questão pede.

B) as retas em detrimento dos círculos.

❌ Incorreta: a tela combina retas (casas, ponte, poste) e formas circulares/esféricas (copas das árvores, morros, frutos do mamoeiro) de modo equilibrado e simultâneo. Não há predominância de um tipo de forma sobre o outro — pelo contrário, a convivência entre volumes retos e arredondados é característica central da composição.

C) os padrões tradicionais nacionalistas.

❌ Incorreta: o enunciado fala em "novas perspectivas" trazidas pela vanguarda europeia, ou seja, uma ruptura com padrões estabelecidos, não sua manutenção. Embora o tema seja brasileiro (fase Pau-Brasil), a forma de representar esse tema é justamente inovadora e não tradicional/acadêmica.

D) a representação por formas geométricas.

✅ Correta: Tarsila aplica à paisagem brasileira a lição cubista de reduzir natureza e construções a volumes geométricos básicos — esferas nas árvores e morros, prismas e triângulos nas casas, cilindros nos troncos e no poste, retas estruturadas na ponte. É essa geometrização, herdada das vanguardas europeias, que dá à obra sua "nova perspectiva".

E) os padrões e objetos mecânicos.

❌ Incorreta: a valorização de máquinas, velocidade e elementos mecânicos é marca do Futurismo, não do Cubismo que orienta essa fase de Tarsila. Em O mamoeiro não há qualquer elemento industrial ou mecânico — a cena é inteiramente rural.

🏆 Gabarito: D — a obra traduz a paisagem brasileira por meio da geometrização cubista (esferas, cones, cilindros e prismas), síntese formal entre a vanguarda europeia e o tema nacional.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que descreve um traço formal — e não temático — presente de modo evidente na composição de O mamoeiro: a redução de árvores, morros, casas e ponte a formas geométricas simples.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora a Semana de Arte Moderna de 1922 e obras de Tarsila do Amaral (Abaporu, A negra, Operários) pedindo que o estudante associe elementos visuais de uma imagem ao movimento artístico e ao contexto histórico que a originou.
  • Generalização: em questões de leitura de obra de arte, sempre separe "o que é retratado" (tema) de "como é retratado" (estilo/forma); quando o enunciado menciona vanguarda, movimento ou "nova perspectiva", a resposta quase sempre está no plano formal.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que só descrevem o assunto da cena (trabalhadores, nacionalismo) sem tocar na forma, e desconfie de termos de outros "ismos" (objetos mecânicos = Futurismo) quando a obra em questão é cubista.
  • Conexões: Semana de Arte Moderna de 1922; Movimento Antropofágico e o Manifesto Antropófago (1928), fase seguinte de Tarsila do Amaral.

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