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Questão 18ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 18 - ENEM PPL 2020

Ronda Jean Rousey definitivamente é uma daquelas mulheres que ficará marcada na história. Ela foi capaz de fazer o que pouquíssimos conseguem: atrair o público normal, que não está acostumado a acompanhar o MMA regularmente.

RESENDE, I. Disponível em: http://espn.uol.com.br. Acesso em: 31 ago. 2017.

Ronda Rousey é uma atleta de MMA (Mixed Martial Arts – Artes Marciais Mistas), campeã nessa modalidade. Por seu desempenho na área das lutas, ela se contrapõe ao modelo de feminilidade normativo.

No contexto da sociedade contemporânea, no qual mulheres têm conquistado diferentes espaços, Ronda

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Gênero e relações sociais (com apoio de Português para leitura interpretativa do texto jornalístico)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a leitura do texto motivador com um conceito sociológico específico (fronteira/papéis de gênero), e não apenas "concordar" com a mensagem óbvia do texto
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relações de gênero e ocupação de espaços tradicionalmente masculinos — competência de leitura crítica de textos que tratam de diversidade e movimentos sociais (Linguagens/Ciências Humanas, eixo transversal)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual conceito descreve corretamente o que Ronda Rousey representa ao se destacar no MMA, um esporte historicamente associado à masculinidade?"
  • Palavras-chave decisivas: contrapõe-se ao modelo de feminilidade normativo, conquistado diferentes espaços, atrair o público normal
  • Armadilha típica: interpretar o sucesso de Ronda como uma "masculinização" da atleta (confundindo desempenho físico de alto nível com perda de identidade de gênero) ou como uma simples questão de estética/patrocínio, ignorando o verdadeiro fenômeno social em jogo: a ruptura de uma barreira historicamente reservada aos homens
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o feito de Ronda não é sobre "parecer homem" nem sobre "manter a feminilidade a qualquer custo", mas sobre romper uma divisão social de espaços — o MMA como território historicamente masculino sendo ocupado por uma mulher em posição de destaque e reconhecimento

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Modelo de feminilidade normativo: conjunto de expectativas sociais tradicionais sobre como uma mulher "deve" ser, agir e se apresentar (delicadeza, passividade, distância de esportes de contato/violência). O enunciado já afirma que Ronda "se contrapõe" a esse modelo.
  • Fronteira de gênero: conceito sociológico que descreve as divisões simbólicas que separam espaços, profissões e práticas consideradas "de homem" ou "de mulher". Cruzar essa fronteira significa ocupar um espaço do qual o gênero de alguém foi historicamente excluído, sem que isso signifique adotar a identidade do outro gênero.
  • Área de reserva masculina: setores da vida social (esportivos, profissionais, políticos) historicamente dominados e "reservados" a homens, seja por tradição cultural, seja por barreiras institucionais explícitas ou implícitas. O MMA, esporte de combate com forte apelo à força física e à violência controlada, é um exemplo clássico.
  • Diferença entre romper fronteira e "masculinizar-se": romper uma fronteira de gênero é um ato social e simbólico de ocupação de espaço; masculinizar-se implicaria alterar a própria identidade de gênero — são fenômenos distintos, e a questão testa exatamente essa distinção conceitual.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Ela foi capaz de fazer o que pouquíssimos conseguem: atrair o público normal, que não está acostumado a acompanhar o MMA regularmente" → mostra que Ronda não apenas competiu no MMA, mas expandiu a visibilidade e o alcance do esporte, indicando um feito de ruptura, não de adequação a um padrão.
  • Evidência 2: "ela se contrapõe ao modelo de feminilidade normativo" → afirma explicitamente que Ronda desafia expectativas tradicionais sobre o que é "ser mulher", mas isso não equivale a dizer que ela deixa de ser mulher ou se torna "masculina" — apenas que ela não segue o padrão esperado.
  • Evidência 3 (imagem): a fotografia mostra Ronda Rousey sorridente, em pose confiante, durante uma pesagem oficial de UFC (identificável pelo cenário "UFC 193" e pela marca Reebok, patrocinadora oficial da organização à época) → reforça visualmente que ela ocupa, com naturalidade e reconhecimento público, um espaço de protagonismo dentro de uma organização esportiva historicamente masculina, sem abrir mão de sua presença como mulher.
  • Síntese: o texto e a imagem convergem para mostrar uma mulher que se tornou referência em um esporte de combate — território simbólico "reservado" aos homens — sem que isso implique masculinização, submissão a padrões masculinos ou preocupação com estética. O verbo que resume esse movimento é "cruzar", "atravessar" ou "romper" uma fronteira de gênero.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno social central

O enunciado constrói uma narrativa de ruptura: Ronda Rousey se destaca em um esporte (MMA) tradicionalmente identificado com atributos "masculinos" — força física intensa, combate corporal, violência controlada. Ao mesmo tempo, o texto afirma que ela "se contrapõe ao modelo de feminilidade normativo", ou seja, ela não corresponde ao estereótipo tradicional de "mulher frágil, delicada, alheia à força física". A questão pede que se nomeie corretamente esse fenômeno sociológico.

Subpasso 4.2 — Eliminar interpretações equivocadas de "contrapor-se ao padrão"

"Contrapor-se ao modelo normativo" NÃO significa deixar de ser mulher (o que eliminaria a alternativa A, que fala em "masculinizar-se"), nem significa usar a feminilidade como estratégia de marketing (o que eliminaria a alternativa B), nem significa se submeter a características masculinas para ser aceita (o que eliminaria a alternativa C), nem significa que ela sacrifica sua identidade de gênero para ter alto desempenho (o que eliminaria a alternativa E). Em todos esses casos, o erro está em tratar a feminilidade e o alto desempenho esportivo como grandezas opostas, incompatíveis, quando o texto não sugere isso em nenhum momento.

Subpasso 4.3 — Verificação: aplicar o conceito de "fronteira de gênero"

O que de fato acontece é que Ronda ocupa, com legitimidade e reconhecimento, um espaço historicamente definido como masculino — o octógono do MMA — sem perder ou negociar sua identidade de mulher. Esse movimento é descrito com precisão pelo conceito de "cruzar uma fronteira de gênero", pois é isso que a sociologia das relações de gênero chama quando um indivíduo rompe as barreiras simbólicas que separam "espaços de homem" e "espaços de mulher". Confrontando com as cinco alternativas, apenas a alternativa D nomeia esse fenômeno sem atribuir a Ronda qualquer perda, submissão ou instrumentalização de sua identidade feminina — ela apenas atravessa uma fronteira, ocupando um espaço de "reserva masculina".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) masculiniza-se em função das características necessárias a essa prática esportiva.

❌ Incorreta: essa alternativa contradiz diretamente o enunciado, que já afirma que Ronda "se contrapõe ao modelo de feminilidade normativo" — ou seja, ela desafia um padrão esperado, mas isso não significa que ela adquire uma identidade masculina. Praticar um esporte de força e combate não torna ninguém "menos mulher"; essa leitura reproduz justamente o estereótipo que o texto contesta, associando força física exclusivamente ao masculino.

B) aproveita-se do padrão estético para conquistar patrocínios e manter-se no esporte.

❌ Incorreta: o texto não menciona nada sobre estética, aparência ou patrocínios como estratégia de Ronda. Essa alternativa desvia o foco do feito esportivo e social genuíno (quebrar uma barreira de gênero) para uma leitura rasa e reducionista, centrada em vaidade ou marketing — algo ausente e contrário ao espírito do texto motivador.

C) submete-se aos elementos da identidade masculina para se manter no esporte.

❌ Incorreta: "submeter-se" indica passividade, subordinação, como se Ronda precisasse abrir mão de si para se adequar a um padrão masculino imposto. O texto, ao contrário, celebra sua capacidade de romper expectativas e atrair um público novo — um protagonismo ativo, não uma submissão.

D) cruza uma fronteira de gênero ao se inserir numa área de reserva masculina.

✅ Correta: esta é a única alternativa que descreve com precisão conceitual o fenômeno narrado — Ronda ingressa e se consagra em um esporte historicamente dominado por homens (área de reserva masculina), rompendo a divisão simbólica de espaços por gênero, sem que isso implique perda, submissão ou instrumentalização de sua identidade feminina. É exatamente o que o texto descreve ao dizer que ela "se contrapõe ao modelo normativo" e "atrai o público que não está acostumado" a esse universo.

E) mantém sua feminilidade em detrimento de um alto desempenho esportivo.

❌ Incorreta: a expressão "em detrimento de" sugere um trade-off, como se feminilidade e alto desempenho fossem incompatíveis e Ronda tivesse escolhido uma coisa em prejuízo da outra. O texto não sugere essa oposição em nenhum momento — pelo contrário, Ronda é justamente reconhecida por seu altíssimo desempenho, e isso não compromete sua identidade de gênero.

🏆 Gabarito: D — Ronda Rousey rompe uma fronteira de gênero ao se destacar em um esporte identificado como "área de reserva masculina", sem que isso implique masculinização, submissão ou conflito entre feminilidade e desempenho — as demais alternativas erram justamente por sugerir alguma dessas falsas oposições.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra D é a única alternativa que nomeia o fenômeno social corretamente — a ocupação, por uma mulher, de um espaço historicamente reservado a homens — sem recorrer a ideias de perda de identidade, submissão ou incompatibilidade entre gênero e desempenho, que são os erros conceituais das demais opções.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos sobre mulheres em espaços de destaque tradicionalmente masculinos (esportes, política, ciência, mercado de trabalho) para testar se o candidato reproduz estereótipos de gênero ou compreende conceitos sociológicos como papéis sociais, normas de gênero e ruptura de fronteiras simbólicas.
  • Generalização: em questões sobre gênero, desconfie sempre de alternativas que colocam "feminilidade" e "competência/força/sucesso" em oposição (como em "em detrimento de", "às custas de", "abrindo mão de") — essa é quase sempre a armadilha, pois reforça o estereótipo que o texto normalmente está desconstruindo.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que sugira que a mulher "se torna menos mulher", "se masculiniza" ou "se submete" para ter sucesso — são sempre pistas de erro conceitual nesse tipo de questão; procure a alternativa que descreve conquista e ocupação de espaço, não perda de identidade.
  • Conexões: o tema dialoga diretamente com questões sobre divisão sexual do trabalho, teto de vidro no mercado profissional e movimentos feministas que discutem a ocupação de espaços de poder e visibilidade historicamente masculinos.

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