Mapa de questões · 1º dia
Questão 69 — ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia
O horário brasileiro de verão consiste em adiantar em uma hora a hora legal (oficial) de determinados estados. Ele é adotado por iniciativa do Poder Executivo com vistas a limitar a máxima carga a que o sistema fica sujeito no período do ano de maior consumo, aumentando, assim, sua confiabilidade, constituída pelas linhas de transmissão e pelas usinas que atendem as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte da Região Norte.
Disponível em: www12.senado.gov.br. Acesso em: 29 jun. 2015 (adaptado).
A ação governamental descrita é possibilitada por meio da seguinte estratégia:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Matriz energética brasileira e gestão de recursos naturais
- ⚡ Nível: Médio — exige conectar o texto motivador ao conceito técnico de fotoperíodo e pico de consumo elétrico, não bastando a leitura literal
- 🎯 Tema/Habilidade: Horário de verão como estratégia de gestão da demanda energética; competência de interpretar intervenções do Estado sobre infraestrutura e recursos naturais
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual estratégia torna possível adiantar o relógio para reduzir a carga máxima do sistema elétrico?"
- Palavras-chave decisivas: adiantar em uma hora, carga máxima, confiabilidade
- Armadilha típica: confundir o mecanismo real do horário de verão (deslocar o pico de consumo aproveitando a luz solar) com efeitos econômicos indiretos, como "redução da conta de luz", ou com ideias sem relação direta com o texto, como "geração de energia limpa".
- O que a resposta precisa demonstrar: compreender que a base da política é temporal e solar — reorganizar o relógio para que as horas de maior atividade humana coincidam com as horas de luz natural (fotoperíodo) — e não uma mudança na forma de gerar, distribuir ou precificar energia.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fotoperíodo: duração da luz solar ao longo de um dia, que varia conforme a estação do ano e a latitude; no verão, os dias são mais longos, com mais horas de luz natural disponíveis.
- Horário de pico (carga máxima): intervalo do dia, em geral entre o fim da tarde e o início da noite, em que a demanda por eletricidade é maior, pois residências, comércio e indústria usam energia simultaneamente (iluminação, chuveiros, eletrodomésticos).
- Confiabilidade do sistema elétrico: capacidade de usinas e linhas de transmissão atenderem à demanda sem sobrecarga; picos muito altos e concentrados aumentam o risco de falhas e apagões.
- Horário de verão: política pública que adianta os relógios em 1 hora durante os meses de maior fotoperíodo, fazendo com que a população realize suas atividades mais cedo em relação ao horário solar, "esticando" o aproveitamento da luz do dia e adiando o acionamento maciço da iluminação artificial noturna.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "adiantar em uma hora a hora legal (oficial)" → mostra que a intervenção é puramente temporal, sobre o relógio, e não sobre a forma de produção ou o preço da energia.
- Evidência 2: "limitar a máxima carga a que o sistema fica sujeito no período do ano de maior consumo" → o alvo da política é o pico de demanda simultânea, não o volume total de energia gerada nem sua distribuição espacial.
- Evidência 3: "aumentando, assim, sua confiabilidade, constituída pelas linhas de transmissão e pelas usinas" → reforça que o objetivo final é proteger a infraestrutura elétrica da sobrecarga, o que se consegue deslocando o consumo para um horário em que ainda há luz solar disponível.
- Síntese: as três evidências convergem para o mesmo raciocínio: ao mover o relógio uma hora à frente durante o verão, quando os dias são mais longos, as pessoas passam a sair do trabalho, fazer compras e jantar ainda sob luz do dia. Isso adia o momento em que a iluminação artificial se torna necessária em massa, aproveitando de forma estendida o fotoperíodo e evitando que o pico de consumo elétrico se concentre num curto intervalo do início da noite.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Entender o que muda ao adiantar o relógio
Quando o Poder Executivo decreta o horário de verão, o relógio oficial passa a marcar, por exemplo, 19h no exato instante em que o Sol está na posição que corresponderia às 18h no horário normal. Isso não altera a duração real do dia solar — o fotoperíodo continua o mesmo, definido pela posição da Terra em relação ao Sol —, mas altera a forma como as pessoas organizam suas rotinas em relação a essa luz natural.
Subpasso 4.2 — Conectar a mudança de horário ao consumo de energia
Como as pessoas passam a sair do trabalho, das escolas e a realizar tarefas domésticas "mais cedo" em relação ao relógio, mas na prática ainda com luz do dia, o momento em que a iluminação artificial e outros equipamentos elétricos precisam ser ligados em massa é adiado. Em vez de o pico de consumo se concentrar entre 18h e 19h — horário em que, sem o horário de verão, o Sol já teria se posto em boa parte do país —, ele passa a ocorrer mais tarde e de forma mais distribuída, aliviando a pressão instantânea sobre usinas e linhas de transmissão. A estratégia que viabiliza a redução da carga máxima é, portanto, o aproveitamento estendido da luz solar disponível nas horas de maior atividade da população.
Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas
Buscamos, entre as opções, a que descreve exatamente esse mecanismo: usar por mais tempo a luz natural do dia para postergar o acionamento em massa da iluminação elétrica noturna. A alternativa E ("Aproveitamento do fotoperíodo de forma estendida") nomeia com precisão esse mecanismo. Nenhuma das demais trata da variável tempo/luz solar, que é o cerne da medida descrita no texto.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Redução do valor das contas de luz.
❌ Incorreta: o texto fala em "confiabilidade" do sistema elétrico — evitar sobrecarga de usinas e linhas de transmissão —, não em impacto tarifário sobre o consumidor. Uma menor pressão sobre o sistema pode até ter reflexos econômicos indiretos, mas essa não é a estratégia descrita nem o objetivo central da política.
B) Estímulo à geração de energia limpa.
❌ Incorreta: o horário de verão não altera a fonte de geração de energia (hidrelétrica, termelétrica, eólica etc.); ele apenas reorganiza no tempo o momento em que a energia já disponível é consumida. O texto não menciona qualquer incentivo a novas formas de geração.
C) Diminuição de produção da matriz hidrelétrica.
❌ Incorreta: o objetivo é exatamente o oposto — preservar a capacidade das usinas, incluindo as hidrelétricas, base da matriz nacional, evitando que sejam exigidas além de sua carga segura nos horários de pico. Reduzir a produção hidrelétrica comprometeria o abastecimento, contrariando a ideia de "aumentar a confiabilidade" citada no texto.
D) Distribuição da eletricidade de modo equitativo.
❌ Incorreta: a medida não trata de equidade espacial ou social no acesso à energia entre regiões ou grupos populacionais; ela atua sobre a dimensão temporal do consumo — quando a energia é usada —, não sobre como ela é repartida entre os consumidores.
E) Aproveitamento do fotoperíodo de forma estendida.
✅ Correta: ao adiantar o relógio, a população passa a realizar suas atividades cotidianas ainda sob luz natural por mais tempo, adiando o acionamento maciço da iluminação artificial e de outros usos elétricos concentrados no início da noite. Esse deslocamento é exatamente o que reduz a carga máxima simultânea sobre usinas e linhas de transmissão, aumentando a confiabilidade do sistema — a estratégia descrita no comando.
🏆 Gabarito: E — o horário de verão funciona porque desloca as atividades humanas para coincidir com um período mais longo de luz solar, adiando o pico de consumo elétrico noturno e protegendo a infraestrutura de geração e transmissão de energia.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra E é a única alternativa que aborda a variável real por trás da política descrita — a relação entre luz solar disponível (fotoperíodo) e horário de maior consumo elétrico; as demais tratam de aspectos ausentes do texto, como preço, fonte de geração ou distribuição espacial.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma cobrar, em Geografia, a relação entre organização do território, infraestrutura energética brasileira (matriz elétrica, sazonalidade hidrológica) e políticas públicas de gestão de recursos, exigindo leitura atenta a termos técnicos como "carga máxima", "confiabilidade" e "fotoperíodo".
- Generalização: em questões sobre políticas públicas ligadas a recursos naturais ou infraestrutura, a resposta correta quase sempre repete, com outras palavras, o mecanismo explicitamente descrito no texto-base — desconfie de alternativas que introduzem conceitos ausentes do enunciado, por mais plausíveis que pareçam no senso comum.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa que fale em "geração" de energia (B e C), pois o texto trata de horário e consumo, não de produção; depois descarte "distribuição equitativa" (D) e "conta de luz" (A), pois nenhum desses termos aparece no comando — resta apenas a opção que menciona tempo e luz, a correta.
- Conexões: o tema dialoga com fusos horários e o movimento de rotação da Terra, além da geografia da matriz energética brasileira — predomínio hidrelétrico, Sistema Interligado Nacional e sazonalidade das chuvas —, assuntos recorrentes em questões de Geografia do ENEM.
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