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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 49ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Grileiro de terra

O jagunço falou com o caboclo

Conversando na sua varanda

Meu patrão vai tomar suas terras

Tá cercado por todas as bandas

Acho bom sair quanto antes

Pegue a sua família e se manda

Porque saibas que um mal acordo

É melhor do que boa demanda

TAVIANO & TAVARES. Disponível em: www.kboing.com.br. Acesso em: 16 abr. 2015 (fragmento).

A situação de conflito descrita é característica de espaços rurais onde ocorre o processo de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Estrutura fundiária brasileira e conflitos no campo
  • ⚡ Nível: Médio — exige decodificar uma linguagem poética (cordel/música regional) e associá-la a um conceito técnico específico da geografia agrária
  • 🎯 Tema/Habilidade: Grilagem de terras e violência no campo (Competência de Área 5 do ENEM — analisar transformações no espaço agrário brasileiro)
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "A letra da música descreve um tipo de conflito rural: qual processo do campo brasileiro ela representa?"
  • Palavras-chave decisivas: jagunço, patrão vai tomar suas terras, é melhor do que boa demanda
  • Armadilha típica: confundir o conflito violento e ilegal narrado na música com formas legais e pacíficas de organização do trabalho rural, como parceria ou cooperativismo — alternativas que "soam" do campo, mas descrevem relações contratuais, não usurpação de terra
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar, num texto literário/musical, o fenômeno socioespacial da grilagem — apropriação ilegal de terras mediante fraude documental, sustentada por coação e violência armada

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Grilagem de terras: processo de apropriação ilegal de terras públicas ou de posseiros/pequenos proprietários por meio da falsificação de documentos de propriedade (escrituras, títulos), muitas vezes seguido de expulsão violenta dos ocupantes originais. O nome vem do método antigo de envelhecer artificialmente papéis falsos guardando-os em gavetas com grilos.
  • Jagunço/pistoleiro: trabalhador armado contratado por grandes proprietários de terra (fazendeiros, "coronéis") para intimidar, ameaçar ou expulsar posseiros e pequenos agricultores, garantindo pela força a expansão do latifúndio.
  • Concentração fundiária: característica histórica e estrutural do campo brasileiro, herdada do sistema de sesmarias e da Lei de Terras de 1850, em que a posse da terra se concentra em poucas mãos, gerando conflitos crônicos entre grandes proprietários e trabalhadores rurais sem-terra.
  • Conflito agrário: disputa pela posse e uso da terra que, no Brasil, frequentemente extrapola a esfera jurídica e resulta em violência, monitorada por órgãos como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), especialmente em áreas de fronteira agrícola (Amazônia, Cerrado, Norte de Minas).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "O jagunço falou com o caboclo" → estabelece os dois polos do conflito rural: o agente armado a serviço do grande proprietário e o pequeno morador/posseiro da terra, dinâmica típica de áreas de disputa fundiária no Brasil.
  • Evidência 2: "Meu patrão vai tomar suas terras / Tá cercado por todas as bandas" → descreve o cerco físico da propriedade, tática usada para forçar a saída do ocupante antes mesmo de qualquer decisão judicial, o que é característico de grilagem — a terra é "tomada" na prática antes de qualquer legitimação legal.
  • Síntese: a letra narra uma ameaça de expulsão sustentada pela força ("um mal acordo é melhor do que boa demanda", ou seja, é preferível ceder sem lutar na Justiça), o que corresponde ao modus operandi da grilagem: primeiro o grileiro invade/cerca a área e intimida o ocupante, depois regulariza (ou tenta regularizar) a posse com documentos fraudados, evitando que o caso chegue a tribunal.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o cenário social descrito

A canção "Grileiro de Terra" já entrega uma pista poderosa no próprio título. Um jagunço, capanga a serviço de um "patrão" (grande proprietário rural), vai até a casa de um caboclo — camponês, pequeno morador ou posseiro — para avisá-lo de que suas terras serão tomadas. A ordem é clara: vá embora antes que a situação piore, pois "um mal acordo é melhor do que boa demanda", isto é, ceder sem resistência é mais seguro do que tentar recorrer à Justiça contra alguém poderoso.

Subpasso 4.2 — Associar a narrativa ao conceito geográfico correto

Esse tipo de cena — expulsão de posseiros mediante intimidação armada, seguida da tomada da terra pelo grande proprietário — é o retrato clássico da grilagem de terras: um processo em que fazendeiros (ou empresas) se apropriam de terras públicas devolutas ou já ocupadas por posseiros, produzindo documentos falsos de propriedade e, com frequência, recorrendo à violência de jagunços para "limpar" a área antes ou depois da fraude documental. É um fenômeno histórico e ainda atual no Brasil, sobretudo nas fronteiras agrícolas do Centro-Oeste e da Amazônia, e é sistematicamente registrado por órgãos como a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e o INCRA.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando a interpretação com as alternativas, apenas a opção que menciona diretamente a fraude sobre a documentação de propriedade da terra ("falsificação de títulos de propriedades") descreve com precisão o mecanismo por trás da cena narrada: a "tomada" das terras do caboclo só se sustenta juridicamente se o patrão puder apresentar um título de propriedade — mesmo que falso — sobre a área. As demais alternativas descrevem relações de trabalho ou institucionais legais e pacíficas, incompatíveis com o tom de ameaça e violência da letra.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) formação de sistema de parceria.

❌ Incorreta: parceria é um contrato agrário legal e consensual, em que o proprietário cede a terra a um trabalhador em troca de parte da produção. É uma relação negociada e regulamentada, o oposto da expulsão violenta e da usurpação narradas na música.

B) homologação de reservas extrativistas.

❌ Incorreta: reservas extrativistas são unidades de conservação criadas pelo Estado para garantir a populações tradicionais o uso sustentável dos recursos naturais. Trata-se de um instrumento de proteção fundiária e ambiental, não de conflito ou expulsão de moradores.

C) falsificação de títulos de propriedades.

✅ Correta: é exatamente a definição de grilagem de terras — apropriação fraudulenta de área alheia ou pública mediante documentos falsos, frequentemente acompanhada de coação armada, como a do jagunço da canção, para efetivar na prática a expulsão do posseiro antes de qualquer disputa judicial.

D) terceirização de mão de obra empregada.

❌ Incorreta: terceirização refere-se à contratação de empresas intermediárias para fornecer trabalhadores rurais, uma questão trabalhista, sem relação com a disputa pela posse da terra descrita na letra.

E) desagregação de organizações cooperativistas.

❌ Incorreta: cooperativismo é uma forma de organização coletiva de produtores rurais; sua "desagregação" (enfraquecimento) não tem qualquer relação com a ameaça de expulsão de um posseiro por um jagunço a mando de um fazendeiro.

🏆 Gabarito: C — a letra retrata a violência típica da grilagem, em que o grande proprietário usa força e fraude documental para se apropriar da terra do pequeno posseiro, tornando a "falsificação de títulos de propriedades" a única alternativa coerente com o cenário descrito.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra "C" é a única que nomeia o mecanismo estrutural por trás da cena — a fraude sobre a propriedade da terra —, enquanto as demais alternativas descrevem arranjos legais (parceria, cooperativismo) ou temas sem relação direta com disputa fundiária (reserva extrativista, terceirização).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a letras de música, cordel ou trechos literários regionais (nordestinos, sertanejos) para introduzir temas de geografia agrária — concentração fundiária, êxodo rural, reforma agrária, conflito no campo — testando a leitura interpretativa aliada ao domínio conceitual.
  • Generalização: sempre que um texto trouxer cerco de terras, jagunços/pistoleiros, ameaça a posseiros e recusa a resolver o conflito pela Justiça, o tema é grilagem/conflito fundiário — associe imediatamente à concentração de terras e à fragilidade da regularização fundiária no Brasil.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que descrevem relações contratuais legais e pacíficas do campo (parceria, cooperativismo, terceirização) — elas não combinam com o tom de ameaça e violência do texto; entre as restantes, escolha a que envolva fraude ou apropriação ilegítima da terra.
  • Conexões: o tema dialoga diretamente com a Lei de Terras de 1850 (que dificultou o acesso à terra por não proprietários), com a atuação do MST e do INCRA na reforma agrária, e com os conflitos fundiários contemporâneos na Amazônia Legal, ligados também ao desmatamento e à grilagem de terras públicas.

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