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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsFácil

Questão 7ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Considerando-se os contextos de uso de “Todas chora”, essa expressão é um exemplo de variante linguística

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Variação Linguística (sociolinguística) e Funções da Linguagem
  • ⚡ Nível: Fácil — exige apenas relacionar o contexto de uso (propaganda) à função da linguagem empregada, sem conceitos técnicos complexos
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer as variedades linguísticas e sua adequação a diferentes contextos comunicativos (competência de linguagens do ENEM)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que a expressão 'Todas chora', usada em uma peça publicitária, representa uma variante linguística?"
  • Palavras-chave decisivas: estilista, pegou carona no Twitter, bordões
  • Armadilha típica: confundir "erro de concordância proposital" com "descuido do falante" e marcar a alternativa que trata o desvio como falta de cuidado com a norma-padrão (opção A), ignorando que o próprio texto afirma que o erro é proposital
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que a variação linguística, quando usada intencionalmente em um contexto publicitário, cumpre uma função persuasiva e mercadológica — não é um erro nem um traço regional aleatório

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Variação linguística: fenômeno pelo qual a língua se manifesta de formas diferentes conforme a região, o grupo social, a faixa etária, o meio de comunicação ou o contexto de uso — não existe "erro" absoluto, existe adequação ou inadequação à situação comunicativa.
  • Norma-padrão x variantes populares: a norma-padrão é a variedade prestigiada, ensinada na escola e cobrada em contextos formais; construções como "Todas chora" (sem a concordância verbal de número entre sujeito e verbo) pertencem a variantes populares/coloquiais, frequentes na fala espontânea e na internet.
  • Função apelativa/conativa da linguagem: função voltada para o receptor, buscando convencê-lo, chamar sua atenção ou provocar uma reação (típica da publicidade). Um "erro" gramatical proposital, usado como bordão, é um recurso estilístico dessa função.
  • Intertextualidade e viralização (bordão de internet): o texto explica que a estilista "pegou carona" em uma expressão que já circulava no Twitter — ou seja, apropriou-se de um traço de linguagem popular e viral para criar identificação imediata com o público-alvo do produto.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "O erro de concordância impresso na sandália ao lado é proposital" → deixa explícito que não se trata de descuido linguístico, mas de escolha deliberada de estilo.
  • Evidência 2: "Uma estilista pegou carona no Twitter e, por extensão, nos bordões 'todas comemora' e 'todas chora', muito usados na rede" → mostra que a expressão já era popular e reconhecível nas redes sociais, funcionando como referência cultural compartilhada com o público jovem/conectado.
  • Evidência 3: "Em versão rasteirinha, custa R$ 49" → reforça que o texto é, antes de tudo, uma peça de venda (publicidade de um produto de moda), o que direciona a interpretação para a função persuasiva da linguagem.
  • Síntese: o conjunto das evidências mostra que a variante linguística "Todas chora" foi incorporada de forma estratégica a um produto comercial, com o objetivo de dialogar com um público que já reconhece e usa esse bordão — ou seja, a variação linguística funciona aqui como ferramenta de marketing e identificação com o consumidor.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza do "erro"

O texto de apoio informa, já na primeira linha, que o desvio de concordância verbal em "Todas chora" (em vez de "Todas choram") é proposital. Isso elimina de imediato qualquer leitura que trate a expressão como descuido, ignorância da norma-padrão ou "erro" no sentido pejorativo. O candidato deve entender que se trata de um recurso linguístico usado conscientemente.

Subpasso 4.2 — Relacionar a origem da expressão ao seu efeito

A expressão não foi criada pela marca: ela já circulava como bordão nas redes sociais ("muito usados na rede"). Ao estampá-la em uma sandália vendida por R$ 49, a estilista busca dialogar com um público que reconhece esse traço de linguagem coloquial/viral, gerando identificação imediata, humor e apelo de originalidade — características que atraem a atenção do consumidor e o tornam mais propenso a comprar o produto.

Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas

Se a função da variação linguística nesse texto é atrair atenção e dialogar com o público-consumidor por meio de um traço de linguagem popular, a alternativa que descreve exatamente esse uso estratégico e comunicativo é a que corresponde a um recurso de chamar a atenção de interlocutores/consumidores — confirmando a convergência com o gabarito B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) típica de pessoas despreocupadas em seguir as regras de escrita.

❌ Incorreta: contraria diretamente o texto, que afirma que o "erro" é proposital. Não se trata de descuido ou desleixo com a norma-padrão, mas de uso consciente e planejado de uma variante para fins comerciais.

B) usada como recurso para atrair a atenção de interlocutores e consumidores.

✅ Correta: a estilista incorpora um bordão popular da internet a um produto de moda justamente para chamar atenção, gerar identificação e engajamento com o público consumidor — a variação linguística é explorada como estratégia publicitária (função apelativa da linguagem).

C) transposta de situações de interação típicas de ambientes rurais do interior do Brasil.

❌ Incorreta: o texto não associa a expressão a ambientes rurais; pelo contrário, situa sua origem nas redes sociais (Twitter), um ambiente digital e urbano, sem qualquer marca de regionalismo rural.

D) incompatível com ambientes frequentados por usuários da norma-padrão da língua.

❌ Incorreta: o texto não discute compatibilidade ou não com falantes da norma-padrão; além disso, a própria peça publicitária demonstra que a variante circula e é aceita amplamente, inclusive em contextos de consumo de moda, sem qualquer indício de rejeição por parte de determinado grupo.

E) condenável em produtos voltados para uma clientela exigente e interessada em novidades.

❌ Incorreta: o texto mostra exatamente o oposto — a expressão foi valorizada e usada como diferencial criativo do produto, e não condenada; o uso do bordão é apresentado como algo moderno e conectado às novidades da internet, não como algo a ser evitado.

🏆 Gabarito: B — a expressão "Todas chora" é empregada de forma proposital como estratégia de aproximação com o público consumidor, explorando um bordão popular da internet para atrair atenção e gerar identificação — função central da linguagem publicitária.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa B descreve corretamente a função comunicativa da variante: atrair e engajar o público-alvo, coerente com o caráter proposital do "erro" afirmado no texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente apresenta variantes linguísticas (regionais, populares, de internet, de gírias) em contextos reais — publicidade, tirinhas, letras de música, reportagens — para testar se o candidato entende variação como fenômeno natural da língua, e não como "erro" a ser condenado.
  • Generalização: sempre que um texto explicitar que um desvio da norma-padrão é intencional e ligado a um contexto de venda, entretenimento ou identidade de grupo, a resposta correta tende a valorizar a função comunicativa/persuasiva da variante, e não seu suposto "erro" ou "incompatibilidade" com a norma culta.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que trate o desvio como "descuido", "incompatibilidade" ou algo "condenável" sempre que o enunciado disser que o uso foi proposital — esse é o sinal mais forte de que a variação está sendo usada como recurso estilístico, não como falha.
  • Conexões: o tema dialoga com "preconceito linguístico" (Marcos Bagno) e com questões sobre funções da linguagem, especialmente a função apelativa/conativa em textos publicitários.

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