Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 85ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

A Inglaterra não só os produzia em condições técnicas mais avançadas do que o resto dos países, como os transportava e distribuía. Tinha, pois, necessidades de mercados, e foi por isso que se esforçou, naquela etapa de sua história, para criá-los e desenvolvê-los. O Tratado de Methuen em 1703 estabelecia a compra dos tecidos ingleses por parte de Portugal, enquanto a Inglaterra se comprometia a adquirir a produção vinícola dos lusitanos.

SODRÉ, N. W. As razões da independência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969 (adaptado).

No contexto político-econômico da época, esse tratado teve como consequência para os britânicos a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Idade Moderna, mercantilismo e relações econômicas Portugal-Inglaterra
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular o conceito de mercantilismo com a leitura crítica de um tratado histórico específico
  • 🎯 Tema/Habilidade: Tratado de Methuen (1703) e a lógica das trocas comerciais assimétricas na Idade Moderna; competência de analisar processos históricos de dominação econômica entre metrópoles europeias
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi a consequência do Tratado de Methuen (1703) para a Inglaterra, considerando o contexto político-econômico da época?"
  • Palavras-chave decisivas: Tratado de Methuen, necessidades de mercados, consequência para os britânicos
  • Armadilha típica: confundir a lógica do tratado com "livre-comércio" ou "liberalismo econômico" — doutrina que só se consolidaria décadas depois, com Adam Smith (1776). Em 1703, a Europa ainda operava sob a lógica mercantilista, protecionista e voltada à conquista de vantagens exclusivas, não à troca espontânea e equilibrada entre nações.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreender que o tratado não foi um acordo simétrico de "tecido por vinho", mas um instrumento que garantiu à Inglaterra acesso preferencial e vantajoso ao mercado português — e, por extensão, ao mercado colonial brasileiro.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Mercantilismo: práticas econômicas das monarquias europeias (séculos XVI-XVIII), baseadas no protecionismo alfandegário, na busca por balança comercial favorável e no acúmulo de metais preciosos.
  • Tratado de Methuen (1703): acordo negociado pelo diplomata inglês John Methuen durante a Guerra de Sucessão Espanhola, quando Portugal buscava apoio militar inglês. Portugal reduzia tarifas para tecidos ingleses; a Inglaterra fazia o mesmo para vinhos portugueses.
  • Assimetria de valor entre os produtos trocados: tecidos são bens manufaturados, de maior valor agregado e demanda crescente; vinho é bem agrícola primário, de demanda mais limitada. Essa diferença fez a balança comercial pender a favor da Inglaterra.
  • Ciclo do ouro e dependência portuguesa: para cobrir o déficit gerado pela compra de tecidos, Portugal pagava parte da diferença com ouro de Minas Gerais, que escoava da colônia direto para os cofres ingleses.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A Inglaterra não só os produzia em condições técnicas mais avançadas (...) como os transportava e distribuía." → revela a superioridade produtiva, tecnológica e logística inglesa, fruto de sua manufatura têxtil e de sua marinha mercante.
  • Evidência 2: "Tinha, pois, necessidades de mercados, e foi por isso que se esforçou (...) para criá-los e desenvolvê-los." → mostra que o tratado nasceu de uma estratégia deliberada da Inglaterra para garantir escoadouros certos para sua produção têxtil.
  • Evidência 3: "(...) a compra dos tecidos ingleses por parte de Portugal, enquanto a Inglaterra se comprometia a adquirir a produção vinícola dos lusitanos." → reciprocidade apenas formal: os dois produtos trocados têm potenciais econômicos muito diferentes.
  • Síntese: a Inglaterra usou sua vantagem produtiva para transformar o tratado em mecanismo de garantia de mercado, obtendo posição de privilégio comercial frente a Portugal.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Contextualizando o tratado

Em 1703, no auge da Guerra de Sucessão Espanhola, Portugal precisava de um aliado militar forte contra Espanha e França. A Inglaterra ofereceu essa proteção em troca de condições comerciais vantajosas. O resultado foi um tratado desigual na prática: cada país reduzia tarifas para o produto do outro, mas essa "troca justa" escondia uma assimetria de fundo.

Subpasso 4.2 — A lógica econômica por trás da "troca justa"

Tecidos são produtos industrializados, com produção escalável e demanda que cresce junto com a população e os hábitos de consumo. O vinho português, ao contrário, tem produção e consumo com limites mais rígidos. Por isso as exportações inglesas de tecido cresceram muito mais rápido que as portuguesas de vinho, gerando superávit crescente para a Inglaterra e déficit crônico para Portugal, pago com ouro vindo do Brasil.

Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas

Se a Inglaterra obteve acesso garantido, preferencial e vantajoso a um mercado consumidor (Portugal e, indiretamente, sua colônia), isso caracteriza exatamente a "obtenção de privilégios comerciais" — não uma prática liberal, nem equidade, nem equiparação de reservas. A alternativa que sintetiza esse resultado histórico é a C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) aplicação de práticas liberais.

❌ Incorreta: o liberalismo econômico é doutrina posterior, sistematizada por Adam Smith apenas em 1776, pregando mínima intervenção estatal e trocas espontâneas. O Tratado de Methuen foi negociado e imposto pelo Estado inglês justamente para garantir uma vantagem específica e protegida — o oposto do livre mercado.

B) estagnação de superávit mercantil.

❌ Incorreta: o efeito histórico foi o inverso — o superávit comercial inglês cresceu continuamente ao longo do século XVIII, alimentado pelo fluxo de ouro brasileiro que Portugal usava para cobrir seu déficit. "Estagnação" contradiz esse processo de expansão da riqueza inglesa.

C) obtenção de privilégios comerciais.

✅ Correta: o tratado assegurou à Inglaterra acesso preferencial e protegido ao mercado português — e, por extensão, ao mercado colonial brasileiro — para escoar sua produção têxtil em condições que nenhum outro país obteve. Essa exclusividade é a essência de um "privilégio comercial", coerente com a busca por mercados descrita no texto de Nelson Werneck Sodré.

D) promoção de equidade alfandegária.

❌ Incorreta: não houve equidade nas trocas. A assimetria entre um produto manufaturado de demanda expansível (tecido) e um produto agrícola de demanda limitada (vinho) gerou desequilíbrio estrutural e crescente a favor da Inglaterra, não igualdade de condições tarifárias.

E) equiparação de reservas monetárias.

❌ Incorreta: não houve equiparação alguma — o fluxo de metais preciosos (ouro de Minas Gerais) foi majoritariamente unidirecional, de Portugal para a Inglaterra, ampliando a disparidade entre as reservas monetárias dos dois países em vez de equilibrá-las.

🏆 Gabarito: C — o Tratado de Methuen garantiu à Inglaterra privilégios comerciais exclusivos junto ao mercado português, consolidando sua supremacia manufatureira e comercial no século XVIII.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa C é a única compatível com o texto de Sodré e com o contexto histórico — o tratado consolidou uma relação de dependência que favoreceu estruturalmente a Inglaterra, não um acordo de igual para igual.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente tratados coloniais e mercantilistas (Methuen, Tordesilhas, Madri) pedindo que o estudante identifique quem se beneficiou de fato e por quê, exigindo leitura crítica de fontes historiográficas.
  • Generalização: em questões sobre tratados econômicos do período mercantilista, desconfie de alternativas que sugerem "equilíbrio", "equidade" ou "liberalismo" — quase sempre há assimetria de poder por trás da linguagem formal do texto.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas com "equidade", "equiparação" ou "práticas liberais" em contexto mercantilista (séculos XVI-XVIII) — são anacronismos que contradizem a lógica protecionista da era.
  • Conexões: compare com o Pacto Colonial luso-brasileiro e o Tratado de Tordesilhas (1494) — exemplos clássicos de acordos que, sob aparência de reciprocidade, consolidam vantagens desiguais entre potências.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.