Mapa de questões · 1º dia
Questão 75 — ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

A ironia expressa na tirinha representa uma crítica à seguinte relação entre sociedade e natureza:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Relação sociedade-natureza e modelos de desenvolvimento econômico
- ⚡ Nível: Médio — exige decodificar a ironia de uma tirinha e traduzi-la em um conceito abstrato de crítica socioambiental
- 🎯 Tema/Habilidade: Crítica ao desenvolvimentismo predatório sobre a natureza; leitura de linguagem não verbal e humor gráfico como fonte de crítica social
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que crítica sobre a relação entre sociedade e natureza está escondida na ironia da tirinha?"
- Palavras-chave decisivas: ironia, crítica, relação entre sociedade e natureza
- Armadilha típica: confundir o eixo central da crítica (destruição ambiental disfarçada de "progresso") com temas periféricos que aparecem apenas como pano de fundo cultural — como a identidade indígena dos personagens — ou com assuntos que nem chegam a ser mencionados na tirinha, como mineração e colonização.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ligar o contraste visual e verbal da tirinha (nomes afetivos dados à natureza x paisagem destruída chamada de "progresso") a um conceito geográfico preciso: o crescimento econômico que se expande à custa da exploração descontrolada dos recursos naturais.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ironia: recurso de linguagem em que se diz algo cujo sentido real é o oposto do sentido literal, criando um efeito crítico pelo choque entre a fala das personagens e a cena mostrada ao leitor.
- Crescimento econômico predatório: modelo de desenvolvimento que expande produção, ocupação de terras e consumo às custas da exploração descontrolada da natureza, sem considerar limites de reposição ou sustentabilidade.
- Relação sociedade-natureza: eixo conceitual central da Geografia que analisa como grupos humanos se apropriam, transformam e impactam o meio ambiente por meio de suas práticas econômicas e culturais.
- Saber tradicional indígena: conhecimento sobre o ambiente expresso na língua e na cultura de povos originários (por exemplo, nomes próprios para astros e animais), usado na tirinha como contraponto ao discurso vazio do "progresso".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "os Caraíbas chamam Jaci de lua... e M'Boi de cobra" → mostra a relação de proximidade cultural dos indígenas com elementos da natureza preservada: eles têm nomes próprios, carregados de significado, para a lua e para a cobra.
- Evidência 2: "E aquilo, Papa-Capim? Como os Caraíbas chamam aquilo?", seguida da imagem de um terreno tomado por tocos de árvores cortadas → o "aquilo" aponta para uma paisagem de desmatamento recente, algo que não pertence ao repertório tradicional de nomes da natureza, pois é fruto de uma intervenção humana destrutiva.
- Evidência 3 (a resposta-chave): "Progresso!" → a palavra escolhida para nomear a devastação é o centro da ironia: chamar de "progresso" uma área arrasada denuncia o discurso que disfarça a destruição ambiental como sinônimo de avanço e desenvolvimento.
- Síntese: a tirinha contrapõe o vocabulário indígena, ligado ao respeito e à intimidade com a natureza intacta, à resposta cínica "progresso" diante de uma paisagem devastada — construindo assim uma crítica direta ao modelo de crescimento econômico que avança sobre os recursos naturais sem limite.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o recurso de humor da tirinha
A tirinha se organiza em três quadros com progressão de sentido. Nos dois primeiros, Kava e Papa-Capim comentam como o povo Caraíba nomeia elementos da natureza — a lua (Jaci) e a cobra (M'Boi) —, revelando vínculo cultural afetivo com o meio ambiente. No terceiro, a expectativa de mais um nome "poético" é quebrada: a cena mostra um terreno arrasado, coberto de tocos de árvores cortadas, e a resposta é simplesmente "Progresso!". A crítica nasce desse contraste abrupto entre os nomes carregados de sentido cultural e a palavra fria usada para descrever a destruição.
Subpasso 4.2 — Interpretar o conteúdo da crítica
Ao empregar "progresso" para nomear uma paisagem desmatada, o autor constrói uma ironia: aquilo que deveria representar avanço civilizatório é, na verdade, sinônimo de destruição ambiental. A crítica não recai sobre os indígenas, mas sobre a lógica externa que avança sobre o território natural, arrasando a vegetação em nome de um "desenvolvimento" que, na prática, é a exploração ilimitada da natureza — o crescimento econômico predatório.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando essa leitura com as cinco alternativas, apenas a que menciona "crescimento econômico predatório" (B) sintetiza a crítica construída pelo contraste entre a linguagem indígena de respeito à natureza e a devastação batizada de "progresso". As demais trazem elementos ausentes da tirinha (perseguição, colonização, mineração, extrativismo sustentável), confirmando que B é a única leitura compatível com a imagem.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Perseguição étnica indígena.
❌ Incorreta: a tirinha não mostra nenhuma cena de violência, discriminação ou perseguição contra os personagens indígenas; Kava e Papa-Capim apenas conversam e observam a paisagem devastada, sem qualquer conflito étnico representado.
B) Crescimento econômico predatório.
✅ Correta: é exatamente essa a crítica construída pela ironia da tirinha — a área desmatada, chamada de "progresso" pelos personagens, denuncia um modelo de desenvolvimento que avança destruindo a natureza sem limites nem preocupação com sua reposição.
C) Modificação de práticas colonizadoras.
❌ Incorreta: a tirinha não trata de uma transformação histórica nas formas de colonização; o foco está na exploração ambiental do presente, não em um processo de mudança de práticas coloniais ao longo do tempo.
D) Comprometimento de jazidas minerais.
❌ Incorreta: não há na tirinha qualquer menção ou imagem relacionada à mineração ou a jazidas; a cena retrata desmatamento (supressão da vegetação por meio de corte de árvores), um tema distinto da exploração de recursos minerais.
E) Desenvolvimento de reservas extrativistas.
❌ Incorreta: reservas extrativistas são áreas de conservação com uso sustentável dos recursos por populações tradicionais; a cena da tirinha mostra o oposto disso — devastação ambiental sem qualquer viés de manejo sustentável ou conservação.
🏆 Gabarito: B — a fala irônica "Progresso!" diante de uma paisagem arrasada denuncia o crescimento econômico que se expande à custa da exploração predatória e descontrolada da natureza.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B nomeia com precisão a crítica construída pelo contraste entre o respeito indígena à natureza e a devastação ambiental disfarçada de "progresso"; as demais tratam de temas que simplesmente não aparecem na cena.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a charges e tirinhas como fonte de crítica social e ambiental, exigindo que o candidato identifique a ironia (o contraste entre discurso e imagem) para chegar ao conceito geográfico ou sociológico por trás dela.
- Generalização: diante de uma charge ou tirinha usada como fonte de crítica à relação sociedade-natureza, comece identificando o contraste (verbal ou visual) que gera a ironia — é nele que está escondida a mensagem crítica do autor.
- Dica de eliminação rápida: elimine em segundos as alternativas que citam elementos ausentes da imagem (mineração, colonização, perseguição étnica, extrativismo sustentável) — são distratores que usam vocabulário técnico da Geografia/História para parecer plausíveis, mas não têm respaldo na cena representada.
- Conexões: desenvolvimento sustentável versus crescimento predatório; valorização dos saberes tradicionais dos povos indígenas como contraponto à lógica de exploração ambiental.
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