Mapa de questões · 1º dia
Questão 65 — ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia
A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Não fez senão substituir velhas classes, velhas condições de opressão, velhas formas de luta por outras novas. Entretanto, a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes.
MARX, K.; ENGELS, F. O manifesto comunista. São Paulo: Paz e Terra, 1998.
Na perspectiva dos autores, os antagonismos entre as classes sociais no capitalismo decorrem da separação entre aqueles que detêm os meios de produção e aqueles que
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Teoria social clássica (Karl Marx e Friedrich Engels) e conceito de luta de classes
- ⚡ Nível: Fácil — o próprio texto de Marx e Engels entrega, em poucas linhas, a chave conceitual necessária para responder, bastando reconhecer o vocabulário marxista
- 🎯 Tema/Habilidade: Antagonismo de classes no capitalismo e a relação capital × trabalho (competência de identificar processos sociais, econômicos e históricos a partir de textos-fonte)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo Marx e Engels, o conflito entre as classes sociais no capitalismo nasce da divisão entre quem é dono dos meios de produção e quem faz o quê?"
- Palavras-chave decisivas: meios de produção, antagonismos de classes, separação
- Armadilha típica: confundir "classe dominada" no capitalismo com categorias de outros modos de produção — nobreza (feudalismo) ou proprietários de terra (sociedade agrária) — que não são a divisão específica que Marx e Engels apontam como estruturante do capitalismo industrial.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que, para o marxismo, a classe que não possui meios de produção só tem para oferecer sua própria capacidade de trabalho, e é essa relação de compra e venda que gera o antagonismo com a burguesia.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Meios de produção: conjunto de bens necessários para produzir mercadorias — fábricas, máquinas, matérias-primas, terra usada como capital. Quem os possui, no capitalismo, é a burguesia (classe capitalista).
- Força de trabalho: a capacidade humana de trabalhar (energia física e intelectual), que o proletariado vende ao capitalista em troca de salário, pois não possui meios de produção próprios para gerar sua subsistência.
- Mais-valia (excedente): a diferença entre o valor que o trabalhador produz e o salário que recebe; é apropriada pelo capitalista e é, para Marx, a fonte do lucro e da exploração — origem material do antagonismo de classes.
- Luta de classes: para o materialismo histórico, toda sociedade dividida em classes com interesses opostos vive em conflito latente ou aberto; no capitalismo, esse conflito opõe burguesia (proprietária) e proletariado (vendedor de força de trabalho).
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "A sociedade burguesa moderna [...] não aboliu os antagonismos de classes. Não fez senão substituir velhas classes [...] por outras novas" → revela que o antagonismo de classes é uma constante histórica, mas suas formas concretas mudam conforme o modo de produção (escravismo, feudalismo, capitalismo).
- Evidência 2: "a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes" → indica que, no capitalismo, a multiplicidade de estamentos e camadas sociais do feudalismo (nobres, servos, clero, artesãos, comerciantes) se reduz a duas grandes classes polarizadas: burguesia e proletariado.
- Síntese: o enunciado pede exatamente o critério que separa essas duas classes simplificadas — e, na obra completa do Manifesto, esse critério é a posse (ou não) dos meios de produção, o que obriga quem não os possui a vender sua força de trabalho para sobreviver.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o critério de divisão de classes em Marx
No materialismo histórico, uma classe social não se define por título, prestígio ou renda isoladamente, mas pela posição que ocupa na estrutura de produção — isto é, pela relação que mantém com os meios de produção (fábricas, máquinas, terra como capital, matéria-prima). A burguesia é a classe que detém a propriedade privada desses meios; o proletariado é a classe que, justamente por não possuir nada disso, precisa vender algo que lhe resta: sua capacidade de trabalhar.
Subpasso 4.2 — Conectar a posse dos meios de produção ao antagonismo
O antagonismo surge porque essa relação é estruturalmente desigual: o capitalista compra a força de trabalho pagando um salário, mas se apropria de todo o valor que o trabalho produz, incluindo o excedente (mais-valia). Assim, o interesse do capitalista (reduzir custos, aumentar produtividade e lucro) entra em choque permanente com o interesse do trabalhador (salário maior, jornada menor, melhores condições). É essa dependência assimétrica — de um lado quem possui, de outro quem só tem a força de trabalho para vender — que gera o conflito de classes descrito no Manifesto Comunista.
Subpasso 4.3 — Verificação
Voltando à pergunta: "os antagonismos entre as classes sociais no capitalismo decorrem da separação entre aqueles que detêm os meios de produção e aqueles que..." — a resposta deve completar a frase com a ação que caracteriza quem NÃO detém os meios de produção. Essa ação, no vocabulário marxista, é precisamente vender a força de trabalho. Nenhuma das outras alternativas descreve uma relação estruturalmente oposta à posse dos meios de produção no capitalismo industrial analisado por Marx e Engels no século XIX.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) vendem a força de trabalho.
✅ Correta: é exatamente o par dialético proposto por Marx e Engels — de um lado, a burguesia, proprietária dos meios de produção; de outro, o proletariado, que não possuindo tais meios, só pode subsistir vendendo sua capacidade de trabalho ao capitalista em troca de salário. Essa relação de compra e venda da força de trabalho é o fundamento do antagonismo de classes no capitalismo.
B) exercem a atividade comercial.
❌ Incorreta: o comércio (compra e venda de mercadorias) é uma atividade que pode ser exercida tanto por burgueses quanto, em menor escala, por outros agentes; não é o critério que define a classe oposta aos donos dos meios de produção. Comerciantes não são, por definição, a classe explorada no esquema de Marx — muitos deles integram a própria burguesia.
C) possuem os títulos de nobreza.
❌ Incorreta: títulos de nobreza são categoria típica do feudalismo (a "velha classe" mencionada no texto), superada justamente pela ascensão da sociedade burguesa. O enunciado deixa claro que o capitalismo "substituiu velhas classes" por outras novas — logo, nobreza não é a categoria que explica o antagonismo na sociedade burguesa moderna.
D) controlam a propriedade da terra.
❌ Incorreta: o controle da terra caracteriza relações de classe pré-capitalistas ou agrárias (como a aristocracia fundiária feudal), não a divisão estrutural específica do capitalismo industrial descrita no Manifesto, que opõe donos do capital (meios de produção em sentido amplo) a trabalhadores assalariados.
E) monopolizam o mercado financeiro.
❌ Incorreta: o monopólio financeiro é uma característica associada a fases posteriores do capitalismo (capitalismo financeiro/monopolista), não ao critério geral e atemporal apontado por Marx e Engels em 1848 para explicar o antagonismo de classes, que é a posse dos meios de produção versus a venda da força de trabalho.
🏆 Gabarito: A — os antagonismos de classe no capitalismo decorrem da separação entre quem possui os meios de produção (burguesia) e quem, não os possuindo, precisa vender sua força de trabalho para sobreviver (proletariado).
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A descreve a relação estrutural e específica que Marx e Engels usam para explicar a "simplificação" das classes sociais no capitalismo — a dependência de quem vende força de trabalho em relação a quem detém os meios de produção.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa trechos originais do Manifesto Comunista ou de O Capital para testar se o estudante reconhece os conceitos-chave do marxismo: mais-valia, alienação, luta de classes, meios de produção e força de trabalho.
- Generalização: sempre que uma questão trouxer um excerto de Marx/Engels sobre classes sociais, procure a alternativa que menciona a relação de propriedade (quem tem x quem não tem meios de produção) e a consequente venda da força de trabalho — esse é o núcleo da teoria.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que remeta a categorias de outros modos de produção (nobreza, terra) e a fenômenos de fases específicas do capitalismo (comércio, finanças) — a resposta marxista clássica sobre classes no capitalismo industrial gira em torno de capital (meios de produção) versus trabalho (força de trabalho vendida).
- Conexões: aprofunde com os conceitos de mais-valia e alienação do trabalho (Marx) e compare com a teoria da estratificação social de Max Weber, que usa critérios adicionais (poder e prestígio) além da classe econômica.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.