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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 26ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Um dos aspectos essenciais da mídia virtual é a centralidade da escrita, pois a tecnologia digital depende totalmente da escrita. Assim, nesta era eletrônica não se pode mais postular como propriedade típica da escrita a relação assíncrona, caracterizada pela defasagem temporal entre produção e recepção, pois os bate-papos virtuais são síncronos, ou seja, realizados em tempo real e essencialmente escritos. Assim, se com o telefonema tornou-se um dia impossível continuar postulando a copresença física dos interlocutores como característica exclusiva da oralidade, já que era possível interagir oralmente estando em espaços diversos, hoje se retira dela também a concomitância temporal.

MARCUSCHI, L. A. Disponível em: http://www.progesp.ufba.br. Acesso em: 9 jul. 2012.

O trecho discute algumas mudanças que surgiram com os avanços das tecnologias de comunicação e informação, fazendo uma comparação entre o telefonema e os bate-papos virtuais. Ao comparar esses dois meios de comunicação, constata-se que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Língua Portuguesa → Linguística textual (relação fala x escrita, gêneros orais e escritos, impacto das tecnologias digitais na comunicação)
  • ⚡ Nível: Médio — exige comparar dois raciocínios paralelos do texto (mudança na oralidade quanto ao espaço e mudança na escrita quanto ao tempo) sem trocar os elementos de posição
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre fala e escrita mediada por tecnologia; competência de leitura que exige reconhecer efeitos de sentido e relações lógico-argumentativas em texto teórico (Habilidade EM13LP relacionada à compreensão de gêneros digitais e à variação da língua conforme o suporte)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Ao comparar telefonema e bate-papo virtual, qual conclusão sobre oralidade e escrita o texto de Marcuschi sustenta?"
  • Palavras-chave decisivas: assíncrona/síncrona, copresença física, concomitância temporal
  • Armadilha típica: trocar as relações — atribuir a mudança de espaço ao bate-papo virtual e a mudança de tempo ao telefonema, ou generalizar demais (dizer que "toda" escrita ou "toda" oralidade mudou, quando o texto fala de propriedades específicas sendo relativizadas)
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de isolar, dentro de um período longo e concatenado, dois eixos de análise distintos (tempo e espaço) e associá-los corretamente a cada tecnologia (escrita/chat → tempo; oralidade/telefone → espaço)

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Assincronia da escrita: propriedade clássica atribuída à escrita — quem escreve e quem lê normalmente não compartilham o mesmo momento (uma carta é lida depois de escrita). É uma propriedade relativa ao tempo.
  • Copresença física da oralidade: propriedade clássica atribuída à fala — tradicionalmente, conversar exigia que os falantes estivessem no mesmo espaço físico. É uma propriedade relativa ao espaço.
  • Bate-papo virtual (chat): gênero escrito (usa o sistema da escrita), mas síncrono (ocorre em tempo real). Por isso, rompe a ideia de que toda escrita é assíncrona — muda a concepção de escrita quanto ao tempo.
  • Telefonema: gênero oral, mas dispensa a copresença física dos falantes, pois interlocutores em locais diferentes conseguem interagir oralmente. Por isso, rompe a ideia de que a fala exige presença física — muda a concepção de oralidade quanto ao espaço.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "não se pode mais postular como propriedade típica da escrita a relação assíncrona [...] pois os bate-papos virtuais são síncronos [...] e essencialmente escritos" → o bate-papo virtual é escrita (mantém-se escrito), mas quebra a propriedade temporal da escrita (deixa de ser assíncrono).
  • Evidência 2: "com o telefonema tornou-se [...] impossível continuar postulando a copresença física dos interlocutores como característica exclusiva da oralidade [...] hoje se retira dela também a concomitância temporal" → o telefonema é oralidade (mantém-se fala), mas quebra a propriedade espacial da oralidade (dispensa a presença física); a "concomitância temporal" retirada da oralidade, no fechamento do parágrafo, remete de volta ao ponto sobre a escrita/chat, fechando o paralelo entre as duas tecnologias.
  • Síntese: o texto constrói um paralelismo simétrico: telefonema altera a compreensão da oralidade no eixo espaço (não precisa mais de copresença física); bate-papo virtual altera a compreensão da escrita no eixo tempo (não precisa mais ser assíncrona). A resposta correta precisa reproduzir exatamente essa correspondência cruzada.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar os dois pares de conceitos em jogo

O texto trabalha com duas modalidades (oralidade e escrita) e dois eixos (espaço e tempo). É essencial montar o esquema mental:

  • Escrita → eixo tempo → propriedade clássica: assincronia → quebrada pelo bate-papo virtual (que é síncrono).
  • Oralidade → eixo espaço → propriedade clássica: copresença física → quebrada pelo telefonema (que dispensa presença física).

Subpasso 4.2 — Verificar qual tecnologia rompe qual propriedade

Reforçando com o texto: o bate-papo virtual "é essencialmente escrito", logo pertence à escrita, e é síncrono, logo rompe a assincronia (propriedade de tempo). Já o telefonema permite "interagir oralmente estando em espaços diversos", logo pertence à oralidade, e dispensa a copresença física (propriedade de espaço). Não há troca possível entre os pares: quem mexe no tempo é a escrita/chat, quem mexe no espaço é a oralidade/telefone.

Subpasso 4.3 — Verificação cruzada com as alternativas

Buscando entre as opções aquela que reproduz exatamente "escrita quanto ao tempo" + "oralidade quanto ao espaço", chega-se à alternativa D: "tanto o telefonema quanto o bate-papo virtual mudaram algumas concepções sobre a oralidade e a escrita: essa [escrita] quanto ao tempo e aquela [oralidade] quanto ao espaço." A ordem dos pronomes demonstrativos "essa" (o mais próximo, escrita) e "aquela" (o mais distante, oralidade) está gramaticalmente correta e semanticamente compatível com o texto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) tanto a escrita quanto a oralidade, atualmente, são modalidades realizadas sempre em tempo real.

❌ Incorreta: o texto não afirma que TODA escrita e TODA oralidade passaram a ser síncronas — apenas que o bate-papo virtual, um gênero específico da escrita, é síncrono. Cartas, e-mails e outros gêneros escritos continuam assíncronos. O advérbio "sempre" generaliza indevidamente um fenômeno pontual.

B) tanto o telefonema quanto o bate-papo virtual são considerados gêneros com características exclusivas da oralidade.

❌ Incorreta: contraria diretamente o texto, que classifica o bate-papo virtual como "essencialmente escrito", não oral. Confundir os dois gêneros quanto à modalidade (fala x escrita) é o erro central desta alternativa.

C) enquanto o telefonema exige a presença física dos interlocutores, o bate-papo virtual não apresenta essa característica.

❌ Incorreta: inverte o argumento do autor. O texto diz exatamente o oposto — foi o telefonema que dispensou a exigência de presença física dos interlocutores (permitindo conversar oralmente "estando em espaços diversos"). Além disso, a questão da presença física nunca foi levantada em relação ao bate-papo virtual, cujo ponto de discussão é a temporalidade (síncrono/assíncrono), não o espaço.

D) tanto o telefonema quanto o bate-papo virtual mudaram algumas concepções sobre a oralidade e a escrita: essa quanto ao tempo e aquela quanto ao espaço.

✅ Correta: reproduz com precisão o paralelismo do texto — a escrita ("essa", termo mais próximo) teve sua concepção alterada quanto ao tempo (deixou de ser necessariamente assíncrona, graças ao bate-papo virtual); a oralidade ("aquela", termo mais distante) teve sua concepção alterada quanto ao espaço (deixou de exigir copresença física, graças ao telefonema).

E) enquanto a conversação não mais exige que os interlocutores estejam no mesmo local graças ao advento do telefone, os bate-papos virtuais não têm mais a escrita como essencial.

❌ Incorreta: a primeira parte está certa (o telefone dispensou a copresença física), mas a segunda contraria o texto de forma explícita — o autor afirma que os bate-papos virtuais são "essencialmente escritos", ou seja, a escrita continua sendo o elemento essencial desse gênero; o que muda é apenas a sincronia temporal, não a natureza escrita do chat.

🏆 Gabarito: D — é a única alternativa que atribui corretamente cada mudança conceitual à modalidade certa: a escrita muda quanto ao tempo (bate-papo virtual síncrono) e a oralidade muda quanto ao espaço (telefonema sem copresença física), espelhando com fidelidade a argumentação de Marcuschi.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa D é a única que preserva a correspondência exata entre modalidade e eixo de mudança (escrita-tempo / oralidade-espaço) apresentada no texto; todas as demais invertem, generalizam ou contradizem essa relação.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos de linguística (frequentemente de autores como Marcuschi) discutindo como tecnologias digitais borram as fronteiras tradicionais entre fala e escrita — é um tema clássico da área de "linguagens e suas tecnologias".
  • Generalização: em textos que comparam dois fenômenos ou tecnologias, monte sempre um quadro mental de correspondências (o quê muda, em qual elemento, por causa de qual tecnologia) antes de olhar as alternativas — isso evita cair em trocas de posição, a armadilha mais comum desse tipo de questão.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que use quantificadores absolutos como "sempre" ou "exclusivas" (alternativas A e B) quando o texto trata de um gênero específico, não da modalidade inteira; depois, confira se a alternativa inverte causa e efeito (como fazem C e E) comparando cada afirmação com o trecho literal do texto-base.
  • Conexões: relação entre gêneros digitais e continuum fala-escrita (Marcuschi, "Da fala para a escrita"); variação linguística conforme o suporte e o contexto de produção (tema recorrente em questões de multiletramento no ENEM).

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