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Questão 30ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 30 - ENEM PPL 2020

No texto, o trecho “Cê tá muito louco, véio” caracteriza um uso social da linguagem mais comum a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Variação Linguística (registro coloquial e marcas de oralidade)
  • ⚡ Nível: Fácil — a resposta depende de reconhecer marcas de oralidade e gíria facilmente associadas à fala jovem informal, sem exigir metalinguagem complexa.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento de variação linguística (registro informal/coloquial) associada a um grupo social específico — competência de leitura de linguagens verbais e não verbais em gêneros multimodais (tirinha/cartum).
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "A fala 'Cê tá muito louco, véio' é típica de qual grupo social, em qual situação de uso da língua?"
  • Palavras-chave decisivas: uso social da linguagem, mais comum, Cê tá muito louco, véio
  • Armadilha típica: confundir a informalidade da fala com contextos físicos específicos (como "cinema") só porque a cena tem óculos, ou associar erroneamente marcas de oralidade a idosos, por conta do registro "erro de norma culta".
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de relacionar marcas linguísticas (redução de "você" para "Cê", gíria "véio", construção sintática solta) ao grupo social e à situação comunicativa em que esse registro é predominante: conversas informais entre jovens.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Variação linguística: a língua muda conforme quem fala, onde fala e com quem fala — existem variações regionais, sociais, de faixa etária, de situação (formal/informal) etc. Nenhuma variedade é "errada"; cada uma é adequada a um contexto.
  • Registro coloquial (informal): modalidade de fala marcada por contrações ("cê" em vez de "você"), gírias ("véio"), sintaxe mais solta e proximidade entre os falantes — típica de situações espontâneas, sem compromisso com a norma-padrão.
  • Marcas de oralidade no texto escrito: quando um cartum ou tirinha reproduz a fala como ela soa (grafia fonética, gírias), o autor sinaliza intencionalmente o perfil social dos personagens — nesse caso, uma fala jovem e descontraída.
  • Gênero multimodal (cartum): a leitura completa exige unir texto verbal e imagem; aqui, a imagem (óculos "personificados" dialogando de forma bem-humorada) reforça o tom de informalidade e brincadeira da cena.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Cê tá muito louco, véio" → o uso de "Cê" (redução de "você") e "tá" (redução de "está") são marcas fonéticas típicas da fala espontânea e rápida, comuns no dia a dia entre pessoas próximas.
  • Evidência 2: a gíria "véio" (forma reduzida e informal de "velho", usada como forma de tratamento afetuosa/informal entre amigos, não como referência à idade) → é um vocativo típico de conversas descontraídas entre jovens, equivalente a "cara", "mano".
  • Síntese: a combinação de redução fonética + gíria de tratamento entre interlocutores indica um registro coloquial, espontâneo, próprio de conversas informais — e esse padrão de fala é reconhecido socialmente como mais recorrente entre jovens, e não entre grupos que tendem a preservar registros mais formais ou pausados de fala.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Observar o quadrinho e localizar a fala

O cartum "Realidade Inventada", de G. Bandeira, apresenta dois pares de óculos personificados dialogando de forma bem-humorada. Um deles, com o rosto de "Nicolau" desenhado nas lentes, ouve do outro par de óculos a fala: "Nicolau, você precisa parar de viajar... Cê tá muito louco, véio!". A piada se completa quando percebemos que o par de óculos que "viaja" está, na verdade, olhando uma formiguinha minúscula no chão e enxergando nela "uma formiguinha albina bailarina" — ou seja, ele está criando uma "realidade inventada" a partir de um estímulo banal.

Subpasso 4.2 — Isolar e analisar a construção linguística da fala

A questão pede que analisemos exclusivamente o uso social da linguagem revelado pelo trecho, isolado do restante da piada visual. Observe as marcas:

  • "Cê" no lugar de "Você" → apagamento de sílaba inicial, fenômeno comum na fala espontânea e rápida.
  • "Tá" no lugar de "Está" → mesma lógica de redução fonética.
  • "Véio" no lugar de "Velho", usado como vocativo de proximidade (equivalente a "cara", "mano", "brother") → gíria de tratamento entre pessoas com intimidade.

Esse conjunto de marcas não é neutro: ele constrói, para o leitor, a imagem sonora de uma conversa informal, espontânea e despretensiosa, do tipo que ocorre tipicamente entre jovens em momentos de descontração — seja entre amigos, colegas, em bate-papos casuais.

Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação

Comparando o registro identificado com as alternativas, apenas a opção que menciona "jovens em situação de conversa informal" reúne, ao mesmo tempo, o perfil etário/social (jovens) coerente com o uso de gírias como "véio" e a situação comunicativa (informalidade) coerente com as reduções fonéticas "cê" e "tá". As demais alternativas trazem contextos (cinema, problemas de visão, roda de idosos, brincadeira infantil) que não têm nenhuma relação direta com as marcas linguísticas do trecho.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) jovens em situação de conversa informal.

✅ Correta: as marcas de oralidade "cê", "tá" e a gíria de tratamento "véio" são traços linguísticos amplamente reconhecidos como próprios da fala espontânea entre jovens em contextos descontraídos, sem compromisso com a norma-padrão — exatamente o "uso social da linguagem" que a questão pede para identificar.

B) pessoas conversando num cinema.

❌ Incorreta: essa alternativa tenta associar a cena (óculos, "óculos 3D" sugerindo tela de cinema) ao contexto físico da fala, mas a questão pergunta sobre o uso social da linguagem revelado pelo trecho verbal, não sobre o cenário da imagem. Nada na construção linguística remete a comportamento típico de plateia de cinema.

C) homens com problemas de visão.

❌ Incorreta: é uma leitura literal e equivocada da metáfora visual (óculos = personagens), confundindo o suporte pictórico (óculos que "enxergam mal" e inventam realidades) com o conteúdo linguístico da fala. O trecho não contém nenhuma marca de linguagem associada a deficiência visual.

D) idosos numa roda de bate-papo.

❌ Incorreta: embora "véio" pareça remeter a "velho", no contexto é gíria de tratamento afetivo entre próximos (equivalente a "mano", "cara"), não uma referência à idade dos falantes. Além disso, reduções como "cê" e "tá" são características de fala ágil e informal, associadas culturalmente mais a jovens do que a conversas entre idosos.

E) crianças brincando de viajar.

❌ Incorreta: a palavra "viajar" no trecho tem sentido figurado (fantasiar, "viajar na maionese"), não se refere a uma brincadeira infantil literal de viagem. Além disso, o vocabulário e a estrutura da fala ("cê", "véio") não são típicos da fala infantil, e sim de um registro coloquial mais próximo da linguagem jovem/adulta informal.

🏆 Gabarito: A — o trecho reúne marcas fonéticas de redução ("cê", "tá") e gíria de tratamento ("véio") que caracterizam o registro coloquial típico de conversas informais entre jovens, tornando a alternativa A a única coerente com o uso social da linguagem evidenciado no texto.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A conecta corretamente as marcas linguísticas (redução fonética + gíria de proximidade) ao grupo social e à situação de uso (jovens, conversa informal); as demais recorrem a leituras literais da imagem ou a associações equivocadas de vocabulário.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa tirinhas, memes e cartuns para testar a habilidade de reconhecer variação linguística — sempre pedindo para identificar o grupo social, a região ou a situação comunicativa que explica determinado registro de fala.
  • Generalização: sempre que a questão apresentar gírias, contrações e desvios da norma-padrão dentro de um discurso direto, pense primeiro em quem fala e em que situação — o registro linguístico é uma "assinatura social" do falante, não um erro a ser corrigido.
  • Dica de eliminação rápida: ignore o cenário visual da imagem (óculos, cinema, formiguinha) quando a pergunta for sobre a linguagem da fala; foque apenas nas marcas do texto verbal (contrações, gírias, sintaxe) — isso já elimina de cara as alternativas B, C e E, que se prendem à cena e não à língua.
  • Conexões: esse tema dialoga com "níveis de linguagem" (formal x informal), "gêneros multimodais" (texto + imagem construindo sentido) e "preconceito linguístico" — assuntos recorrentes em Português no ENEM.

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