Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 34ENEM 2020 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 34 - ENEM PPL 2020

NOVAES, C. O menino sem imaginação. São Paulo: Ática, 1993.

O gênero capa de livro tem, entre outras, a função de antecipar uma possível leitura a ser feita da obra em questão. Pela leitura dessa capa, infere-se que seu criador teve como propósito

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de linguagem não verbal (capa de livro)
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar o título da obra com os elementos visuais da ilustração para captar a crítica implícita, sem se deixar levar por alternativas com foco parecido mas deslocado (pais, isolamento social)
  • 🎯 Tema/Habilidade: Leitura de imagem e funções da linguagem em gêneros multimodais — competência de área de Linguagens: reconhecer usos de recursos verbais e não verbais para atribuir sentido a textos.
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi a intenção do criador da capa ao combinar o título 'O Menino sem Imaginação' com a ilustração de um corpo infantil com cabeça de televisão?"
  • Palavras-chave decisivas: capa de livro, antecipar leitura, propósito do criador
  • Armadilha típica: confundir o alvo da crítica — achar que a capa fala dos pais (alternativas B e E) ou de isolamento social (C), quando na verdade o foco está no efeito da mídia sobre a própria criança.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de decodificar a metáfora visual (cabeça = TV) e associá-la ao sentido do título (perda de imaginação), chegando à crítica social que a capa constrói.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Gênero capa de livro: texto multimodal (verbal + não verbal) que funciona como paratexto, orientando a expectativa de leitura antes mesmo do contato com o conteúdo da obra.
  • Metáfora visual: recurso de linguagem não verbal em que um elemento gráfico substitui outro para sugerir uma ideia abstrata — aqui, a TV no lugar da cabeça sugere que o pensamento/imaginação da criança foi "tomado" pelo aparelho.
  • Crítica social/sátira: construção de sentido que expõe, de forma irônica ou denunciativa, um comportamento ou fenômeno da sociedade — no caso, o consumo excessivo de televisão/mídia de massa por crianças.
  • Alienação: conceito de perda da autonomia de pensar/criar por conta da exposição constante a conteúdos prontos, veiculados pelos meios de comunicação de massa.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: título "O Menino sem Imaginação" → nomeia diretamente a "falta" central da personagem: a ausência de imaginação, que é a criação livre e pessoal.
  • Evidência 2: ilustração — corpo pequeno de menino com uma televisão antiga no lugar da cabeça, com linhas onduladas (chuvisco/estática) saindo da tela → substitui o órgão do pensamento (cabeça) pelo aparelho que emite conteúdo pronto e padronizado; a "estática" no lugar dos cabelos reforça que o que ocupa a mente da criança não é pensamento próprio, mas sinal de TV.
  • Evidência 3: nome da coleção "Série Sinal Aberto" → reforça o campo semântico da transmissão televisiva/radiofônica, ampliando a ironia: o "sinal" que deveria ser de comunicação livre se torna o que anula a imaginação infantil.
  • Síntese: título e imagem convergem para uma única leitura: a criança perdeu a capacidade de imaginar porque sua mente foi substituída pelo conteúdo passivo da televisão — ou seja, a capa constrói uma crítica à alienação infantil provocada pelas mídias de massa.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o propósito comunicativo da capa

Uma capa de livro nunca é neutra: ela é planejada para gerar, antes da leitura do texto verbal completo, uma primeira impressão que já direciona a interpretação do leitor. Aqui, o ilustrador não desenhou apenas "um menino olhando TV" — ele fundiu o corpo da criança com o próprio aparelho, criando uma imagem impactante: o menino não possui mais uma cabeça pensante, e sim uma televisão ligada, com interferência (estática) saindo dela. Esse recurso de linguagem não verbal é o núcleo de sentido da capa.

Subpasso 4.2 — Cruzar imagem e título para extrair a crítica

O título "O Menino sem Imaginação" funciona como uma legenda interpretativa da imagem: ele nomeia o problema (falta de imaginação) que a ilustração representa visualmente (cabeça-TV). Quando cabeça e imaginação são substituídas por um aparelho de televisão, o efeito de sentido é claro: a criança se tornou um receptor passivo de conteúdo — ela não cria mais, apenas "sintoniza" o que a mídia transmite. Esse é o núcleo do conceito de alienação: a pessoa perde a autonomia crítica e criativa por estar imersa, de forma constante e acrítica, nos produtos da mídia de massa.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando essa leitura contra as alternativas: a única que nomeia exatamente esse fenômeno — a alienação infantil causada pela presença maciça das mídias de massa no cotidiano — é a alternativa A. As demais deslocam o foco para os pais (B e E), para o isolamento social (C) ou generalizam para "aparatos eletrônicos" sem capturar a ideia central de perda de imaginação por consumo midiático (D). A leitura converge, portanto, para a alternativa A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) criticar a alienação das crianças promovida pela forte presença das mídias de massa em seu cotidiano.

✅ Correta: é exatamente o que a fusão visual "corpo de criança + cabeça de televisão" representa — a substituição do pensamento próprio pelo conteúdo passivo da mídia, ou seja, alienação infantil causada pelo consumo excessivo de TV, reforçada pelo título "sem imaginação".

B) alertar os pais sobre a má influência das tecnologias para o desenvolvimento infantil.

❌ Incorreta: a capa não se dirige aos pais nem os representa em nenhum elemento visual ou verbal; o foco integral da imagem e do título está na própria criança e no efeito da mídia sobre ela, não em um "alerta" educativo endereçado a terceiros.

C) satirizar o nível de criatividade de meninos isolados do convívio com seu grupo.

❌ Incorreta: não há nenhum elemento na capa que sugira isolamento social ou ausência de convívio com outras crianças; a crítica não é sobre solidão, e sim sobre a mente ocupada pela televisão — a causa da falta de imaginação apontada é a mídia, não o isolamento do grupo.

D) condenar o uso recorrente de aparatos eletrônicos pelos jovens na atualidade.

❌ Incorreta: generaliza demais o alvo da crítica ("aparatos eletrônicos" e "jovens") quando a imagem é específica — um aparelho de televisão substituindo a cabeça de uma criança —, e a obra (1993) não trata de "atualidade" tecnológica ampla, mas do fenômeno televisivo já consolidado da época.

E) censurar o comportamento dos pais em relação à educação dada aos filhos.

❌ Incorreta: assim como em B, não há qualquer representação de pais, educação familiar ou comportamento parental na capa; toda a crítica visual recai sobre a própria criança transformada em receptor de TV.

🏆 Gabarito: A — a fusão entre o corpo infantil e o aparelho de televisão, somada ao título "sem imaginação", constrói uma crítica direta à alienação das crianças causada pelo consumo excessivo das mídias de massa.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A nomeia com precisão o fenômeno retratado — a substituição da mente infantil pela mídia televisiva, ou seja, alienação por mídia de massa; as demais alternativas erram o sujeito da crítica (pais) ou o fenômeno (isolamento social, tecnologia genérica).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa capas de livro, charges, cartuns e tirinhas como gêneros multimodais para testar a habilidade de "ler" recursos não verbais (cores, composição, metáforas visuais) associados ao texto verbal (título, legenda) — sempre pedindo o "propósito" ou "efeito de sentido" pretendido pelo autor.
  • Generalização: em questões de leitura de imagem, a resposta correta é sempre a que nomeia com precisão QUEM é criticado e O QUE está sendo criticado, sustentada por elementos concretos da imagem — nunca a alternativa mais "genérica" ou que desloca o foco para um sujeito não representado visualmente.
  • Dica de eliminação rápida: primeiro pergunte "quem aparece na imagem?" — se pais não aparecem, elimine imediatamente alternativas que falam de pais (aqui, B e E); depois cheque se há isolamento social retratado (não há, elimine C); por fim, prefira o termo mais específico e coerente com o título ("mídias de massa"/"alienação") a termos vagos ("aparatos eletrônicos", D).
  • Conexões: compare com outras questões ENEM que usam charges/cartuns sobre o mesmo tema (crítica ao consumo excessivo de tecnologia e TV) e com textos sobre "geração de vidro" ou "nativos digitais", que exploram a mesma discussão sob outro gênero textual.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.