Mapa de questões · 2º dia
Questão 95 — ENEM 2020 Digital
Acredita-se que os olhos evoluíram de órgãos sensores de luz para versões que formam imagens. O olho humano atua como uma câmera, coletando, focando e convertendo a luz em sinal elétrico, que é traduzido em imagens pelo cérebro. Mas em vez de um filme fotográfico, é uma retina que detecta e processa os sinais, utilizando células especializadas. Moluscos cefalópodes (como as lulas) possuem olhos semelhantes aos dos humanos, apesar da distância filogenética.
LAMB, T. D. A fascinante evolução do olho: cientistas já têm uma visão clara de como surgiram nossos olhos tão
complexos. Scientific American Brasil , ed. 111, ago. 2011 (adaptado).
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Evolução (mecanismos evolutivos: convergência, divergência e homologia)
- ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar com precisão conceitos que soam parecidos (convergência × homologia × divergência), não bastando "decorar nomes"
- 🎯 Tema/Habilidade: Evolução convergente e semelhança estrutural entre linhagens não aparentadas (habilidade de interpretar processos evolutivos a partir de um texto de divulgação científica)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Como se chama o processo evolutivo que explica por que humanos e lulas têm olhos parecidos mesmo sendo filogeneticamente muito distantes?"
- Palavras-chave decisivas: "apesar da distância filogenética", "olhos semelhantes", moluscos cefalópodes
- Armadilha típica: confundir semelhança estrutural com parentesco evolutivo próximo, ou trocar "convergente" por "homóloga" — dois termos que os vestibulandos costumam misturar porque ambos remetem a "parecido"
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que estruturas semelhantes podem surgir de forma independente em linhagens não aparentadas, por pressões seletivas parecidas — e não por herança de um ancestral comum
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Evolução convergente: processo pelo qual espécies de linhagens evolutivas distintas (sem parentesco próximo) desenvolvem, de modo independente, estruturas ou funções semelhantes por estarem submetidas a pressões seletivas parecidas. O resultado são órgãos análogos: mesma função, origem embrionária e genética diferentes.
- Homologia (evolução divergente a partir de ancestral comum): estruturas que têm a mesma origem embrionária e genética por compartilharem um ancestral comum, mesmo que hoje exerçam funções diferentes. Exemplo clássico: o membro anterior de humanos, morcegos e baleias.
- Analogia: conceito irmão da convergência — estruturas com função semelhante, mas origem evolutiva independente. O olho câmera de vertebrados e o olho câmera de cefalópodes são um caso-escola de analogia por convergência.
- Distância filogenética: medida de quão afastados dois grupos estão na árvore da vida a partir do último ancestral comum. Humanos (vertebrados, deuterostômios) e lulas (moluscos, protostômios) se separaram há centenas de milhões de anos, muito antes de qualquer olho complexo existir.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Acredita-se que os olhos evoluíram de órgãos sensores de luz para versões que formam imagens" → mostra que o olho complexo é um produto de seleção natural ao longo do tempo, não uma estrutura "pronta" herdada de um único ancestral com esse desenho.
- Evidência 2: "Moluscos cefalópodes (como as lulas) possuem olhos semelhantes aos dos humanos, apesar da distância filogenética" → é a evidência-chave: o próprio texto avisa que humanos e lulas NÃO são parentes próximos, mas mesmo assim os olhos se parecem.
- Síntese: se dois grupos muito distantes na árvore evolutiva chegam a soluções estruturais parecidas de forma independente, o nome técnico desse fenômeno é evolução convergente — as pressões do ambiente (necessidade de captar, focar e converter luz em imagem) "convergiram" para um mesmo tipo de solução anatômica em linhagens separadas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno biológico descrito
O texto compara dois grupos: vertebrados (humanos) e moluscos cefalópodes (lulas). Ambos desenvolveram olhos do tipo câmera — com córnea, lente/cristalino, íris e uma superfície fotossensível (retina, no caso humano) que converte luz em sinal elétrico interpretado pelo sistema nervoso. A questão explicita que essa semelhança ocorre "apesar da distância filogenética", ou seja, apesar de humanos e lulas não compartilharem um ancestral comum recente que já tivesse esse tipo de olho.
Subpasso 4.2 — Aplicar o conceito correto ao caso
Quando estruturas semelhantes surgem em linhagens sem parentesco próximo, cada uma "inventando" a solução de forma independente ao longo de sua própria história evolutiva, o processo se chama evolução convergente. Isso ocorre porque ambos os grupos enfrentaram o mesmo tipo de pressão seletiva — a necessidade de detectar luz e formar imagens para se orientar, caçar e escapar de predadores — e a seleção natural "convergiu" para uma arquitetura funcional parecida (o desenho tipo câmera), mesmo partindo de estruturas embrionárias e genéticas completamente diferentes.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando com as alternativas, apenas o termo "convergente" descreve corretamente um processo evolutivo em que espécies não aparentadas chegam a soluções estruturais semelhantes por pressões seletivas equivalentes. Os demais termos (aleatória, homóloga, divergente, progressiva) descrevem outros fenômenos ou não são termos técnicos consolidados da genética evolutiva para esse caso — a resposta correta é a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Aleatória
❌ Incorreta: mutação e deriva genética têm componente aleatório, mas a seleção natural que molda o olho câmera em duas linhagens distintas não é aleatória — é direcionada pela pressão ambiental de formar imagens nítidas. "Aleatória" não é o nome de nenhum processo evolutivo reconhecido para explicar semelhanças estruturais entre espécies.
B) Homóloga
❌ Incorreta: homologia descreve estruturas com a mesma origem embrionária/genética, herdadas de um ancestral comum (como o braço humano e a asa do morcego). O próprio enunciado descarta essa hipótese ao afirmar que humanos e lulas estão a uma grande "distância filogenética" — logo, os olhos não vêm de um ancestral comum com esse desenho, o que exclui homologia.
C) Divergente
❌ Incorreta: evolução divergente ocorre quando uma população ou espécie ancestral se diversifica em características diferentes ao longo do tempo (por exemplo, os diferentes bicos dos tentilhões de Darwin, a partir de um ancestral comum). Aqui o fenômeno é o oposto: duas linhagens distintas caminham para uma mesma solução estrutural, não para soluções diferentes.
D) Progressiva
❌ Incorreta: "progressiva" sugere uma ideia ultrapassada de evolução como avanço linear rumo a formas "mais complexas" ou "melhores" — uma visão anacrônica que a biologia evolutiva moderna rejeita, já que a seleção natural não tem direção predeterminada nem hierarquia de "progresso". Esse termo não descreve o fenômeno de semelhança entre linhagens distantes.
E) Convergente
✅ Correta: é exatamente o nome do processo em que espécies sem parentesco próximo desenvolvem, de forma independente, estruturas semelhantes (análogas) em resposta a pressões seletivas equivalentes — como aconteceu com os olhos câmera de vertebrados e cefalópodes.
🏆 Gabarito: E — o texto descreve um caso clássico de evolução convergente: humanos e lulas, apesar de filogeneticamente distantes, desenvolveram independentemente olhos de estrutura semelhante por estarem sujeitos a pressões seletivas parecidas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só "convergente" nomeia corretamente o processo evolutivo em que grupos não aparentados chegam a soluções estruturais semelhantes de forma independente; as demais alternativas descrevem fenômenos diferentes (homologia, divergência) ou não são termos técnicos válidos (aleatória, progressiva).
- Padrão de cobrança: o ENEM adora comparar estruturas de espécies diferentes e pedir para o aluno classificar o mecanismo evolutivo — geralmente usando exemplos de órgãos análogos (olho de polvo/lula × olho de vertebrado, asa de inseto × asa de ave, corpo fusiforme de tubarão × golfinho × ictiossauro).
- Generalização: sempre que o enunciado disser "espécies distantes/sem parentesco" + "estrutura ou função parecida", pense em convergência/analogia; sempre que disser "ancestral comum" + "estruturas com origem igual, funções diferentes", pense em homologia.
- Dica de eliminação rápida: leia a frase-chave sobre parentesco. Se o texto afirma distância filogenética, já elimine "homóloga" de cara; se descreve semelhança (não diversificação), elimine "divergente"; termos vagos como "aleatória" e "progressiva" quase nunca são a resposta certa em questões de mecanismos evolutivos.
- Conexões: compare com órgãos vestigiais e radiação adaptativa (evolução divergente) e com o conceito de seleção natural como motor de ambos os processos — convergente e divergente partem do mesmo mecanismo (seleção agindo sobre variação), mas geram padrões opostos de semelhança entre espécies.
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