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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaDifícil

Questão 126ENEM 2020 Digital

Pesquisadores delimitaram Unidades Evolutivas Significativas (UES) de cinco espécies pertencentes a diferentes grupos de vertebrados, distribuídos em oito áreas distintas, como mostra o quadro. Cada UES representa uma população isolada histórica e geneticamente diferenciada e apresenta prioridade para manejo e conservação.

MIRANDA, N. E. O.; ALMEIDA JR., E. B.; COLLEVATTI, R. G. Priorizando áreas para a conservação com base em

Unidades Evolutivas Significativas (ESU). Genética na Escola , n.1, 2015 (adaptado).

Considerando a área 4, a espécie que terá prioridade nas estratégias de conservação pertence a que grupo?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Genética de Populações / Biologia da Conservação (Unidades Evolutivas Significativas)
  • ⚡ Nível: Difícil — exige cruzar, linha por linha e coluna por coluna, os dados de uma tabela com 8 áreas × 5 espécies para descobrir qual valor não se repete em nenhum outro lugar.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Critérios de priorização para conservação da biodiversidade genética a partir da leitura e interpretação de dados científicos organizados em tabela.
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Na área 4, qual grupo de vertebrado possui uma UES que não aparece em nenhuma outra área — e por isso deve ser prioridade de conservação?"
  • Palavras-chave decisivas: área 4, prioridade para manejo e conservação, população isolada histórica e geneticamente diferenciada
  • Armadilha típica: escolher a espécie cujo número de UES é o "mais alto" (UES4) achando que número maior significa "mais evoluído" ou "mais raro" isoladamente, sem checar se aquele mesmo número se repete em outras áreas para a mesma espécie. O número da UES é apenas um rótulo de identidade genética, não uma escala de importância.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de comparar a UES de cada espécie na área 4 com as UES da mesma espécie nas outras 7 áreas, identificando qual delas é exclusiva — pois é essa exclusividade (e não o valor numérico) que define a prioridade de conservação.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • UES (Unidade Evolutiva Significativa / ESU): subpopulação de uma espécie que ficou historicamente isolada de outras subpopulações e, por isso, acumulou diferenças genéticas próprias. Cada número de UES no quadro (UES1, UES2...) identifica uma linhagem genética distinta dentro daquela espécie.
  • Critério de prioridade por singularidade genética: em biologia da conservação, prioriza-se proteger a linhagem genética que existe em um único local. Se essa área for destruída, aquela variabilidade genética desaparece para sempre — é uma perda irreversível.
  • Redundância genética entre áreas: quando a mesma UES aparece em duas ou mais áreas, a informação genética daquela linhagem está "duplicada" na natureza; mesmo perdendo uma das áreas, a linhagem sobrevive nas demais, o que reduz a urgência de proteção daquele ponto específico.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Cada UES representa uma população isolada histórica e geneticamente diferenciada" → cada célula do quadro não é só um "código", é a identidade genética exclusiva daquela população dentro da espécie.
  • Evidência 2: "apresenta prioridade para manejo e conservação" → o enunciado já entrega o critério de decisão: quem tem prioridade é definido pela condição genética da população, não pela espécie em si.
  • Evidência 3 (quadro): a linha "Área 4" traz cinco valores, um para cada grupo — Anfíbio: UES4; Ave: UES3; Lagarto: UES3; Morcego: UES2; Roedor: UES3.
  • Síntese: para resolver, é preciso isolar a linha da área 4 e, para cada uma das cinco colunas, verificar em quantas das 8 áreas aquele mesmo número de UES volta a aparecer. A espécie cuja UES na área 4 for única (não repetida em nenhuma outra área) é a que deve receber prioridade máxima de conservação.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Organizar os dados da Área 4

Isolando a linha 4 do quadro:

| Anfíbio | Ave | Lagarto | Morcego | Roedor |

|---|---|---|---|---|

| UES4 | UES3 | UES3 | UES2 | UES3 |

Cinco espécies, cinco valores de UES. Nenhum deles se repete dentro da mesma linha — mas isso não importa: o que decide a prioridade é a comparação na coluna, ou seja, essa mesma espécie nas outras 7 áreas.

Subpasso 4.2 — Checar, coluna por coluna, se a UES da área 4 se repete em outra área

| Espécie (grupo) | UES na Área 4 | Reaparece em quais áreas? | Nº de ocorrências totais | Exclusiva da Área 4? |

|---|---|---|---|---|

| Anfíbio | UES4 | nenhuma outra área | 1 | ✅ Sim |

| Ave | UES3 | Áreas 4, 5 e 6 | 3 | ❌ Não |

| Lagarto | UES3 | Áreas 4 e 8 | 2 | ❌ Não |

| Morcego | UES2 | Áreas 4, 5 e 6 | 3 | ❌ Não |

| Roedor | UES3 | Áreas 1, 4 e 8 | 3 | ❌ Não |

Percorrendo a coluna Anfíbio completa (Área 1 a 8): UES5, UES3, UES3, UES4, UES1, UES2, UES5, UES2. O valor UES4 aparece uma única vez, exatamente na área 4. Já nas colunas Ave, Lagarto, Morcego e Roedor, o valor encontrado na área 4 sempre reaparece em pelo menos mais uma outra área.

Subpasso 4.3 — Verificação

Se a área 4 fosse degradada, a UES3 da Ave continuaria protegida nas áreas 5 e 6; a UES3 do Lagarto continuaria na área 8; a UES2 do Morcego continuaria nas áreas 5 e 6; a UES3 do Roedor continuaria nas áreas 1 e 8. Em nenhum desses quatro casos haveria perda genética irreversível. Já a UES4 do Anfíbio só existe na área 4 — se essa área desaparecer, essa linhagem genética é extinta por completo. Logo, o Anfíbio é o grupo prioritário, confirmando a alternativa B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Ave

❌ Incorreta: a UES3 encontrada na área 4 para a Ave também está presente nas áreas 5 e 6. Como a mesma linhagem genética está representada em três áreas diferentes, sua perda na área 4 não seria irreversível — não há justificativa para priorizá-la.

B) Anfíbio

✅ Correta: a UES4 do Anfíbio aparece uma única vez em todo o quadro, exatamente na área 4. Nenhuma outra das oito áreas abriga essa mesma linhagem genética. Por isso, essa população é insubstituível e recebe prioridade máxima de conservação.

C) Roedor

❌ Incorreta: a UES3 do Roedor na área 4 se repete também nas áreas 1 e 8, totalizando três ocorrências. A variabilidade genética dessa linhagem está protegida em outros locais, reduzindo a urgência de conservação específica da área 4.

D) Lagarto

❌ Incorreta: a UES3 do Lagarto na área 4 reaparece na área 8. Como existe um "backup" natural dessa linhagem em outra área, ela não é a prioridade entre as cinco espécies analisadas.

E) Morcego

❌ Incorreta: a UES2 do Morcego na área 4 também ocorre nas áreas 5 e 6. Assim como nos casos da Ave e do Roedor, essa redundância geográfica torna a perda da área 4 menos crítica para a sobrevivência dessa linhagem genética.

🏆 Gabarito: B — o Anfíbio é o único grupo cuja UES na área 4 (UES4) não se repete em nenhuma das outras sete áreas, tornando essa população geneticamente insubstituível e, portanto, prioritária para conservação.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco espécies, somente a UES4 do Anfíbio é um valor único no quadro inteiro; todas as demais UES da área 4 se repetem em pelo menos uma outra área, o que elimina Ave, Lagarto, Morcego e Roedor como resposta.
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de testar Biologia da Conservação usando tabelas ou matrizes de dados (distribuição geográfica, genética de populações, índices de biodiversidade), exigindo que o estudante aplique um critério lógico de "raridade/exclusividade" em vez de decorar conceitos soltos.
  • Generalização: sempre que uma questão envolver "prioridade de conservação" a partir de dados de distribuição genética ou geográfica, o critério quase sempre é o mesmo: quanto mais exclusivo (raro, não repetido) for o dado, maior a prioridade, porque sua perda seria irreversível.
  • Dica de eliminação rápida: percorra a coluna da espécie de interesse e conte quantas vezes o valor da área-alvo se repete nas outras linhas. Se aparecer mais de uma vez, elimine a alternativa na hora — sobra apenas a espécie cujo valor for único.
  • Conexões: o mesmo raciocínio de "singularidade define prioridade" aparece em temas como endemismo (espécies exclusivas de um bioma), hotspots de biodiversidade e complementaridade em planejamento sistemático de áreas protegidas.

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