Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 109ENEM 2020 Digital

A ampla diversidade genética é uma característica presente nas plantas fanerógamas, que ocorreu em razão da presença de estruturas reprodutivas que lhes garantiram o sucesso adaptativo. Os insetos contribuem para a manutenção e o aumento da variabilidade genética, ao transportarem diretamente para o órgão reprodutivo da flor uma importante estrutura desse grupo vegetal.

Qual estrutura vegetal carregada pelos insetos está diretamente relacionada ao incremento do referido processo nesse grupo vegetal?

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da questão

  • Matéria: Biologia → Botânica → reprodução das angiospermas e polinização
  • Habilidade: H14 — identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos
  • Nível: Médio — o vocabulário do enunciado é denso, e três das cinco alternativas trazem estruturas reprodutivas verdadeiras usadas fora de contexto
  • Gabarito: revelado no Passo 4

🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando

  • O comando, em uma linha: qual estrutura vegetal os insetos transportam até o órgão reprodutor da flor e que aumenta a variabilidade genética.
  • Palavras-chave decisivas: transportarem diretamente para o órgão reprodutivo da flor, variabilidade genética, fanerógamas.
  • A armadilha: responder pela dispersão em vez de responder pela fecundação. Fruto e semente também são carregados por animais, e também são estruturas das fanerógamas — mas eles se formam depois da fecundação e espalham indivíduos já formados, sem gerar combinação genética nova.
  • O que a resposta precisa mostrar: que você distingue polinização (antes da fecundação, gera variabilidade) de dispersão (depois da fecundação, espalha o que já existe).

📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo

  • Fanerógamas: plantas com semente, grupo que reúne gimnospermas e angiospermas. Nome literal: "gametas visíveis", em oposição às criptógamas (briófitas e pteridófitas), que dependem de água para a fecundação. Só as angiospermas têm flor e fruto.
  • Grão de pólen: é o gametófito masculino da planta, produzido nas anteras do estame. Não é um gameta solto: é uma estrutura pluricelular resistente que carrega dentro de si os núcleos espermáticos. Sua parede impermeável é o que permitiu à planta reproduzir-se fora da água — a grande inovação evolutiva das fanerógamas.
  • Polinização: transporte do grão de pólen da antera até o estigma, extremidade do pistilo, que é o órgão reprodutor feminino da flor. É a etapa que precede a fecundação. Quando feita por insetos, chama-se entomofilia; por vento, anemofilia.
  • Polinização cruzada e variabilidade: quando o pólen vem de uma flor de outro indivíduo, os gametas que se unem carregam genomas diferentes. A recombinação resultante gera descendentes geneticamente distintos dos pais — é essa a origem da "ampla diversidade genética" citada no enunciado. A autopolinização, ao contrário, reduz a variabilidade.
  • Dispersão x polinização: dispersão é o espalhamento de sementes e frutos já formados, portanto depois de a fecundação ter ocorrido. Ela distribui indivíduos no espaço, mas não cria combinação genética nenhuma. Confundir as duas é o eixo dos distratores C e E.

🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado

  • Evidência 1: "plantas fanerógamas (…) presença de estruturas reprodutivas que lhes garantiram o sucesso adaptativo" → o item situa a resposta entre estruturas ligadas à reprodução, o que já afasta qualquer estrutura vegetativa.
  • Evidência 2: "os insetos contribuem para a manutenção e o aumento da variabilidade genética" → o processo procurado tem de gerar combinação genética nova, não apenas espalhar plantas. Esse é o filtro que derruba fruto, semente alada e broto.
  • Evidência 3: "ao transportarem diretamente para o órgão reprodutivo da flor" → o destino do transporte é a própria flor, e mais especificamente o estigma. Uma estrutura que é levada para longe da flor, como o fruto, faz o caminho contrário ao descrito.
  • Evidência 4: "uma importante estrutura desse grupo vegetal" → a estrutura tem de existir nas fanerógamas. Arquegônio, presente em briófitas, pteridófitas e gimnospermas, está ausente nas angiospermas, o grupo com flor a que o enunciado se refere.
  • Síntese: o enunciado descreve três condições — ser reprodutiva, ser transportada até a flor e produzir variabilidade genética. Só uma estrutura reúne as três, e ela é a que caracteriza a etapa que antecede a fecundação.

🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo

4.1 — Separar o que vem antes e o que vem depois da fecundação

A reprodução das angiospermas tem uma linha do tempo rígida, e quase todos os distratores desta questão vivem do lado errado dela:

  • antes da fecundação: produção do grão de pólen na antera → polinização (transporte até o estigma) → crescimento do tubo polínico → fecundação
  • depois da fecundação: óvulo → semente; ovário → fruto; dispersão da semente e do fruto

Variabilidade genética nova só pode surgir no primeiro bloco, porque é ali que dois genomas diferentes se encontram. Depois da fecundação, o genótipo do descendente já está definido, e nada que aconteça com o fruto ou com a semente altera isso.

4.2 — Ligar o inseto ao ponto certo da linha do tempo

O enunciado diz que o inseto leva a estrutura para o órgão reprodutivo da flor. Ora, o órgão reprodutivo feminino da flor é o pistilo, cuja porção receptiva é o estigma. O que chega ao estigma, e apenas isso, é o grão de pólen.

Encadeando: o inseto visita a flor em busca de néctar → o pólen adere ao seu corpo → ele voa até outra flor, de outro indivíduo → deposita o pólen no estigma → o tubo polínico cresce pelo estilete → os núcleos espermáticos alcançam o óvulo → ocorre a fecundação cruzada.

4.3 — Fechar o vínculo com a variabilidade

Como o pólen depositado veio de outra planta, os gametas que se fundem trazem cargas genéticas distintas. Cada semente formada é, portanto, uma combinação nova. Repetido ao longo de gerações e em populações inteiras, esse mecanismo é justamente o que sustenta a "ampla diversidade genética" mencionada na primeira linha do texto.

Repare que o inseto é, aqui, um agente de transporte de gametas — o papel que a água cumpre nas criptógamas. Foi essa terceirização do transporte que liberou as fanerógamas da dependência de ambientes úmidos.

4.4 — Verificação

A estrutura procurada precisa satisfazer as três condições ao mesmo tempo: existir nas fanerógamas com flor, ser transportada pelo inseto até o órgão reprodutor e produzir combinação genética nova. Só o grão de pólen satisfaz as três. Gabarito: D.

✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas

(A) Arquegônio, que protege o embrião multicelular — A descrição da função está correta: o arquegônio é o órgão feminino que abriga a oosfera e protege o embrião em briófitas, pteridófitas e gimnospermas. O erro é duplo. Primeiro, ele é uma estrutura fixa ao gametófito, não transportável por inseto. Segundo, nas angiospermas — o grupo com flor a que o enunciado se refere — o arquegônio nem existe: foi reduzido ao saco embrionário.

(B) Broto, que propaga vegetativamente as plantas — Aqui a contradição é frontal com o objetivo declarado no texto. Propagação vegetativa é reprodução assexuada: o broto origina indivíduos geneticamente idênticos à planta-mãe, verdadeiros clones. Em vez de aumentar a variabilidade genética, ela a mantém constante. E broto não é estrutura reprodutiva sexuada nem é levado à flor por polinizador.

(C) Fruto, que garante uma maior eficiência na dispersão — A função descrita é verdadeira, mas está fora do tempo. O fruto se forma a partir do ovário depois da fecundação, quando a combinação genética do embrião já está definida. Além disso, o animal que carrega o fruto o leva para longe da flor, movimento oposto ao "transportarem diretamente para o órgão reprodutivo da flor" do enunciado. Dispersar não é gerar variabilidade: é espalhar indivíduos que já existem.

(D) Grão de pólen, que favorece a fecundação cruzada — Única alternativa alinhada às três condições do texto. O grão de pólen é o gametófito masculino, é a estrutura que o inseto carrega e deposita no estigma — o órgão reprodutivo feminino da flor — e, vindo de outro indivíduo, faz com que a fecundação combine genomas distintos. É exatamente esse encontro de cargas genéticas diferentes que produz a diversidade citada na abertura do enunciado.

(E) Semente alada, que favorece a dispersão aérea — Erra no agente e no momento. A semente alada é uma adaptação à anemocoria, a dispersão pelo vento, e não ao transporte por inseto. Como toda semente, ela é posterior à fecundação: o material genético do embrião já está definido antes de a asa entrar em cena. Dispersão eficiente amplia a área ocupada pela espécie, não a variabilidade do seu genoma.

Gabarito: D — o grão de pólen é a única estrutura que o inseto leva até o estigma, e é o encontro de pólen de um indivíduo com o óvulo de outro que produz a fecundação cruzada e, com ela, a variabilidade genética.

🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova

  • Por que só D se sustenta: B propõe reprodução assexuada, que reduz variabilidade; C e E falam de dispersão, que é posterior à fecundação; A cita uma estrutura ausente nas angiospermas e imóvel. Apenas D está antes da fecundação, é móvel e recombina genomas.
  • Como o ENEM cobra isso: a prova gosta de dar a função correta para a estrutura errada, como faz em C e E. Ler só a segunda metade da alternativa e achá-la verdadeira não basta — é preciso testar se a estrutura serve ao processo que o comando descreveu.
  • A regra geral: variabilidade genética nasce sempre de meiose e fecundação cruzada. Se a alternativa fala de clone, broto, estaca ou dispersão, ela não pode responder a uma pergunta sobre diversidade genética, por mais correta que seja em si mesma.
  • Eliminação em 30 segundos: localize a palavra dispersão. Ela aparece em C e E e é o sinal de que a estrutura vem depois da fecundação. Some a isso o "propaga vegetativamente" de B, que é assexuado, e restam apenas duas alternativas antes de qualquer raciocínio fino.
  • Temas que costumam vir junto: alternância de gerações e redução do gametófito, dupla fecundação e origem do endosperma, coevolução entre flores e polinizadores, e comparação entre briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.