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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 116ENEM 2020 Digital

Em 2012, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou sua intenção de trabalhar na clonagem de espécies ameaçadas de extinção no Brasil, como é o caso do lobo-guará, da onça-pintada e do veado-catingueiro. Para tal, células desses animais seriam coletadas e mantidas em bancos de germoplasma para posterior uso. Dessas células seriam retirados os núcleos e inseridos em óvulos anucleados. Após um desenvolvimento inicial in vitro , os embriões seriam transferidos para úteros de fêmeas da mesma espécie. Com a técnica da clonagem, espera-se contribuir para a conservação da fauna do Cerrado e, se der certo, essa aplicação pode expandir-se para outros biomas brasileiros.

Disponível em: www.bbc.co.uk. Acesso em: 8 mar. 2013 (adaptado).

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Genética (variabilidade genética, reprodução e biotecnologia)
  • ⚡ Nível: Médio — exige entender o que a transferência nuclear realmente copia (o genoma do doador) e relacionar isso à diversidade de uma população, sem se apoiar em decoreba.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Clonagem por transferência nuclear e seus efeitos sobre a variabilidade genética de populações (Biotecnologia aplicada à conservação da biodiversidade).
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual a consequência genética de se usar a clonagem descrita para multiplicar animais de espécies ameaçadas?"
  • Palavras-chave decisivas: núcleos, óvulos anucleados, mesma espécie
  • Armadilha típica: achar que "clonagem" é sinônimo de "mais mutações" ou de "indivíduos defeituosos/estéreis/haploides" — associações intuitivas, mas biologicamente erradas para essa técnica.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que clonar é reproduzir assexuadamente um genoma já existente, e não criar novos genótipos.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Transferência nuclear (clonagem reprodutiva): técnica em que o núcleo de uma célula somática (diploide) de um animal doador é inserido em um óvulo que teve seu próprio núcleo removido (óvulo anucleado). O embrião resultante se desenvolve e nasce com o genoma praticamente idêntico ao do doador da célula somática — foi assim que a ovelha Dolly foi gerada.
  • Reprodução sexuada x assexuada: na reprodução sexuada, gametas de dois indivíduos diferentes se combinam na fecundação, misturando alelos e criando novas combinações genéticas (via meiose, crossing-over e fecundação). Na clonagem, não há meiose nem fecundação de gametas geneticamente distintos — o material genético é uma cópia de um único indivíduo.
  • Variabilidade genética: é a diversidade de alelos e genótipos presentes em uma população. Ela é a matéria-prima da seleção natural e determina a capacidade de uma espécie se adaptar a mudanças ambientais, doenças e outras pressões evolutivas. Quanto mais indivíduos geneticamente idênticos (clones) uma população tiver, menor será essa diversidade.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Dessas células seriam retirados os núcleos e inseridos em óvulos anucleados" → descreve exatamente a técnica de transferência nuclear: o material genético que definirá o novo indivíduo vem inteiramente do núcleo da célula somática do doador, não de uma combinação de dois gametas.
  • Evidência 2: "os embriões seriam transferidos para úteros de fêmeas da mesma espécie" → a fêmea receptora atua apenas como "incubadora" gestacional; ela não contribui geneticamente para o embrião, reforçando que o genoma do clone é praticamente idêntico ao do doador original.
  • Síntese: como cada clone carrega uma cópia do genoma de um único animal doador (e não uma nova combinação alélica proveniente de dois pais), o uso extensivo dessa técnica para "repovoar" espécies ameaçadas tende a produzir muitos indivíduos geneticamente semelhantes entre si, reduzindo a diversidade genética da população resultante.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o que a técnica realmente produz

A clonagem por transferência nuclear é um tipo de reprodução assexuada artificial. O núcleo diploide de uma célula somática (por exemplo, uma célula da pele ou do sangue do lobo-guará) é transferido para um óvulo anucleado da mesma espécie. Esse óvulo, agora com o núcleo do doador, é estimulado a se desenvolver como um embrião. Portanto, o indivíduo gerado (o clone) possui, em essência, o mesmo conjunto de genes do animal que forneceu a célula somática — não há combinação de material genético de dois progenitores distintos, como ocorreria na reprodução sexuada natural dessas espécies.

Subpasso 4.2 — Relacionar a técnica ao efeito populacional

Se a Embrapa usa essa técnica repetidas vezes para aumentar o número de indivíduos de uma espécie ameaçada, o resultado prático é a multiplicação de cópias genéticas de um número limitado de doadores (aqueles cujas células foram armazenadas no banco de germoplasma). Em vez de aumentar a diversidade de alelos circulando na população — como faria a reprodução sexuada entre indivíduos diferentes —, a clonagem tende a concentrar a população em torno de poucos genótipos repetidos. Isso caracteriza uma diminuição da variabilidade genética da população conservada.

Subpasso 4.3 — Verificação

Esse raciocínio é coerente com um princípio central da Biologia da Conservação: populações clonadas ou com baixa diversidade genética ficam mais vulneráveis a doenças, parasitas e mudanças ambientais, justamente porque "todos reagem da mesma forma" diante de uma pressão seletiva — não há alelos alternativos que possam conferir resistência a alguns indivíduos. Ao confrontar essa conclusão com as cinco alternativas, apenas a opção que fala em "diminuição da variabilidade genética" é compatível com o que foi deduzido: a alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) gera clones haploides inférteis.

❌ Incorreta: a célula somática transferida é diploide (possui o número completo de cromossomos do animal doador), e é justamente esse núcleo diploide que substitui o núcleo do óvulo. O clone resultante é diploide como qualquer outro indivíduo da espécie, e nada no texto indica infertilidade — ao contrário, a proposta é justamente formar populações viáveis para conservação.

B) aumenta a possibilidade de mutantes.

❌ Incorreta: a clonagem não é um mecanismo gerador de mutações; ela apenas copia o genoma já existente de um doador. Mutações podem ocorrer eventualmente durante qualquer divisão celular (inclusive nas células somáticas usadas), mas isso não é uma consequência característica ou esperada da técnica — o texto não menciona nenhum processo que aumente a taxa de mutação.

C) leva a uma diminuição da variabilidade genética.

✅ Correta: como os clones são cópias genéticas dos animais doadores, a multiplicação de indivíduos por essa via reduz a diversidade de genótipos na população, em contraste com o que ocorreria pela reprodução sexuada, que recombina alelos de diferentes indivíduos a cada geração.

D) acarreta numa perda completa da variabilidade fenotípica.

❌ Incorreta: o erro está na palavra "completa". Mesmo clones geneticamente idênticos podem apresentar diferenças fenotípicas, pois o fenótipo resulta da interação entre genótipo e ambiente (alimentação, condições de desenvolvimento intrauterino, epigenética etc.). Além disso, a questão fala em diminuição de variabilidade genética, não em eliminação total de qualquer variação observável.

E) amplia o número de indivíduos sem capacidade de realizar diferenciação celular.

❌ Incorreta: os embriões clonados passam por desenvolvimento in vitro e depois gestação completa em útero, ou seja, sofrem diferenciação celular normalmente (formação de tecidos, órgãos etc.), assim como qualquer embrião gerado por fecundação natural. Não há nada na técnica que impeça a diferenciação celular dos clones.

🏆 Gabarito: C — a clonagem por transferência nuclear multiplica cópias genéticas de um número limitado de doadores, sem a recombinação alélica típica da reprodução sexuada, o que reduz a variabilidade genética da população conservada.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a única consequência genética coerente com a técnica descrita (transferência nuclear de células somáticas) é a redução da diversidade de genótipos na população, pois cada clone repete o genoma de um único doador — por isso a alternativa C é a única cientificamente sustentável.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma explorar biotecnologias reprodutivas (clonagem, transgenia, seleção artificial) pedindo que o estudante compare seus efeitos com os da reprodução sexuada e da seleção natural, avaliando ganhos e riscos para a conservação de espécies.
  • Generalização: sempre que uma questão descrever reprodução assexuada (clonagem, partenogênese, propagação vegetativa), lembre-se de que ela tende a reduzir a variabilidade genética, ao passo que a reprodução sexuada (com meiose, crossing-over e fecundação entre indivíduos diferentes) tende a aumentá-la.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas com termos absolutos como "completa" (D) e afirmações que contradizem a biologia básica da técnica, como "haploides" (A, pois núcleo de célula somática é diploide) e "sem diferenciação celular" (E, pois há desenvolvimento embrionário normal). Entre as que sobram, escolha a que trata de população e diversidade genética, não de taxa de mutação.
  • Conexões: este tema se conecta a questões sobre banco de germoplasma e conservação ex situ da biodiversidade, e também a exercícios sobre a importância da variabilidade genética para a seleção natural e a resiliência de populações frente a mudanças ambientais.

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