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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaQuímicaMédio

Questão 129ENEM 2020 Digital

No final do século XIX, muitos cientistas estavam interessados nos intrigantes fenômenos observados nas ampolas de raios catódicos, que são tubos sob vácuo em que se ligam duas placas a uma fonte de alta tensão. Os raios catódicos passam através de um orifício no ânodo e continuam o percurso até a outra extremidade do tubo, onde são detectados pela fluorescência produzida ao chocarem-se com um revestimento especial, como pode ser observado na figura. Medições da razão entre a carga e a massa dos constituintes dos raios catódicos mostram que a sua identidade independe do material do cátodo ou do gás dentro das ampolas.

CHANG, R.; GOLDSBY, K. A. Química . Porto Alegre: Bookman, 2013 (adaptado).

Essa radiação invisível detectada nas ampolas é constituída por

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → Modelos Atômicos (descoberta do elétron, experimento dos raios catódicos)
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar um dado experimental (invariância da razão carga/massa) com a leitura de um esquema de deflexão elétrica
  • 🎯 Tema/Habilidade: Natureza elétrica da matéria e evolução dos modelos atômicos — interpretar um fenômeno científico a partir de dados experimentais e de representação esquemática
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Descubra de que partícula é feita a radiação do tubo de raios catódicos, sabendo que a razão carga/massa dela não muda, seja qual for o metal do cátodo ou o gás dentro da ampola."
  • Palavras-chave decisivas: independe do material do cátodo, independe do gás, razão entre a carga e a massa
  • Armadilha típica: confundir raios catódicos com os "raios positivos" (canal rays), que de fato variam conforme o gás usado, ou supor que, por serem "radiação subatômica", só poderiam ser prótons ou partículas alfa.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que uma propriedade constante e universal (mesma razão e/m em qualquer ampola) só pode pertencer a uma partícula fundamental presente em todos os átomos — não a um íon específico de um elemento.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Tubo de raios catódicos: ampola de vidro sob vácuo com dois eletrodos — cátodo (–) e ânodo (+) — ligados a uma fonte de alta tensão; ao aplicar a diferença de potencial, surge um feixe que parte do cátodo, atravessa um orifício no ânodo e produz fluorescência ao atingir o revestimento no fim do tubo.
  • Deflexão eletromagnética: ao passar entre duas placas carregadas (uma positiva e outra negativa), o feixe se curva na direção da placa de carga oposta à sua — comportamento típico de partículas eletricamente carregadas, regido pela atração e repulsão coulombianas.
  • Razão carga/massa (e/m): grandeza medida por J. J. Thomson em 1897 a partir do grau de deflexão do feixe sob campos elétrico e magnético conhecidos; o valor obtido foi sempre o mesmo, independentemente do metal do cátodo ou do gás residual na ampola.
  • Critério de universalidade: se uma propriedade física de uma partícula não muda ao trocar o material de origem, ela não pode ser um fragmento específico de um elemento (como um íon) — precisa ser um constituinte elementar, presente da mesma forma em toda a matéria.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Medições da razão entre a carga e a massa dos constituintes dos raios catódicos mostram que a sua identidade independe do material do cátodo ou do gás dentro das ampolas." → mostra que a partícula é idêntica em qualquer condição experimental — logo, é um componente universal da matéria, não um íon químico específico.
  • Evidência 2 (figura): o esquema mostra o cátodo marcado com "–" e o ânodo com "+"; o feixe de "raios catódicos" atravessa o orifício do ânodo, entra na região entre a "placa negativa" (acima) e a "placa positiva" (abaixo) e se curva claramente para baixo, em direção à placa positiva. → revela que a radiação tem carga elétrica negativa, pois é atraída pela placa de carga oposta.
  • Síntese: a radiação é negativa (evidência 2) e idêntica em qualquer ampola, qualquer que seja o metal do cátodo ou o gás usado (evidência 1). A única partícula subatômica que reúne simultaneamente carga negativa e presença universal em toda a matéria é o elétron.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Determinando o sinal da carga pela trajetória do feixe

Na figura, o cátodo (eletrodo negativo, "–") está ligado à fonte de alta tensão junto com o ânodo (eletrodo positivo, "+"). O feixe de raios catódicos parte do cátodo, atravessa o orifício central do ânodo e segue em linha reta até a região das placas defletoras. Ali, a placa superior é a "placa negativa" e a inferior é a "placa positiva" — e a trajetória desenhada mostra o feixe se curvando para baixo, na direção da placa positiva. Pela lei de Coulomb, cargas de sinais opostos se atraem. Logo, se o feixe é atraído pela placa positiva, a radiação deve ter carga elétrica negativa. Esse único dado já elimina, de partida, prótons e partículas alfa (ambos positivos) e coloca em xeque cátions (também positivos).

Subpasso 4.2 — Usando a razão carga/massa para eliminar íons

O enunciado dá uma informação experimental decisiva: a razão carga/massa (e/m) dos raios catódicos é a mesma, não importa o metal do cátodo nem o gás residual da ampola. Se a radiação fosse formada por ânions — átomos ou moléculas do gás residual que capturaram elétron(s) —, a razão e/m variaria de ampola para ampola, porque cada gás (hidrogênio, nitrogênio, oxigênio etc.) tem massa atômica diferente, alterando o valor de m no denominador. O mesmo raciocínio vale para eventuais cátions do gás ionizado. Como e/m é constante e não depende da composição química do sistema, a partícula não pode ser um íon "emprestado" de um elemento específico: ela precisa ser um constituinte elementar, presente igualmente em todos os átomos de todos os elementos.

Subpasso 4.3 — Verificação com o contexto histórico

Esse é exatamente o experimento de J. J. Thomson (1897): usando a constância da razão e/m associada à deflexão em campos elétrico e magnético, ele identificou uma partícula muito menor que o átomo de hidrogênio, de carga negativa e presente em qualquer material testado — o elétron. Esse achado derrubou o modelo do átomo indivisível de Dalton e deu origem ao modelo do "pudim de passas" de Thomson. Conferindo com o que se pede: carga negativa (bate com a deflexão observada) e partícula fundamental e universal, não iônica (bate com a invariância de e/m). As duas condições convergem para a mesma resposta: elétrons.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ânions.

❌ Incorreta: ânions são átomos ou moléculas que ganharam elétron(s) e, por isso, têm carga negativa — mas sua massa (e, portanto, sua razão carga/massa) depende diretamente do elemento ou gás de origem. Um ânion formado a partir de oxigênio teria e/m diferente de um formado a partir de nitrogênio, o que contraria o dado do enunciado de que a razão é a mesma em qualquer ampola.

B) cátions.

❌ Incorreta: além de cátions terem carga positiva — o que já contraria a deflexão do feixe em direção à placa positiva, já que cargas de mesmo sinal se repelem —, eles também teriam razão carga/massa variável conforme o gás ou metal envolvido, repetindo o problema apontado em A.

C) prótons.

❌ Incorreta: prótons têm carga positiva, de modo que seriam repelidos pela placa positiva e atraídos pela negativa — o oposto do que a figura mostra. Além disso, o próton tem massa cerca de 1.836 vezes maior que a do elétron, o que geraria uma razão e/m muito menor; historicamente, partículas positivas só foram evidenciadas em experimentos posteriores (raios canais, de Goldstein), que variam justamente conforme o gás da ampola — diferente do que descreve o enunciado.

D) elétrons.

✅ Correta: carga elétrica negativa, coerente com a deflexão do feixe em direção à placa positiva, e razão carga/massa universal — idêntica em qualquer ampola, seja qual for o metal do cátodo ou o gás residual. Essa é justamente a assinatura de uma partícula subatômica fundamental, presente em todos os átomos.

E) partículas alfa.

❌ Incorreta: partículas alfa são núcleos de hélio (2 prótons + 2 nêutrons), possuem carga positiva e massa muito maior que a de um elétron; são emitidas em processos de decaimento radioativo de núcleos instáveis, fenômeno distinto do que ocorre em um tubo de raios catódicos sob alta tensão.

🏆 Gabarito: D — os raios catódicos são feixes de elétrons: a deflexão em direção à placa positiva comprova a carga negativa, e a razão carga/massa constante, independente do cátodo ou do gás, comprova que se trata de uma partícula fundamental e universal da matéria.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas os elétrons explicam, ao mesmo tempo, a atração do feixe pela placa positiva (carga negativa) e a invariância da razão carga/massa em qualquer condição experimental (partícula fundamental, presente em toda a matéria).
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de reconstruir experimentos históricos da Química/Física (Thomson, Rutherford, Millikan, Chadwick) e pedir que o candidato raciocine a partir dos dados fornecidos no texto, sem precisar decorar nomes — as pistas decisivas costumam estar no próprio enunciado, como aqui a constância de e/m.
  • Generalização: sempre que uma propriedade de uma "radiação" ou partícula for constante e independente do material de origem em um experimento, ela aponta para uma partícula fundamental e universal, e não para um íon ou fragmento específico de um elemento químico.
  • Dica de eliminação rápida: primeiro use a direção da deflexão na figura para descartar as cargas erradas (feixe vai para a placa positiva → partícula é negativa → elimina C, E e B em poucos segundos); depois use a constância da razão carga/massa para eliminar qualquer opção que dependa da composição do material (A).
  • Conexões: modelo atômico de Thomson ("pudim de passas"), experimento da gota de óleo de Millikan (medida da carga elementar do elétron) e experimento de Rutherford (descoberta do núcleo atômico a partir do espalhamento de partículas alfa).

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