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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 80ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

A agropecuária é uma das atividades humanas que causam maior impacto sobre o ambiente natural, alterando o equilíbrio ecológico e diminuindo a biodiversidade nos biomas. Dos seis biomas encontrados em território nacional, o que mais sofre pressão dessa atividade é o Pampa, que tem 71% da sua área ocupada com estabelecimentos agropecuários.

Disponível em: http://saladeimprensa.ibge.gov.br. Acesso em: 7 nov. 2014.

Um impacto ambiental que vem se processando no Sul do Brasil em função dos excessos praticados pela atividade econômica descrita é a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Biomas brasileiros (Pampa) e impactos ambientais da agropecuária
  • ⚡ Nível: Médio — exige o termo técnico específico "arenização" e a capacidade de diferenciá-lo de processos parecidos, como desertificação e eutrofização
  • 🎯 Tema/Habilidade: Degradação ambiental no bioma Pampa; análise de impactos socioambientais decorrentes de atividades econômicas
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual impacto ambiental o excesso de agropecuária vem causando no Sul do Brasil?"
  • Palavras-chave decisivas: Pampa, 71% da área ocupada com estabelecimentos agropecuários, Sul do Brasil
  • Armadilha típica: confundir o fenômeno com "desertificação" (visualmente parecido) ou marcar um impacto real em outros contextos, mas não característico do Pampa, como a eutrofização.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que "campos naturais do Pampa + sobrepastoreio/monocultura" gera um processo de degradação do solo específico e documentado no Rio Grande do Sul: a arenização.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Bioma Pampa: "campos sulinos" restritos ao extremo sul do RS. Vegetação campestre (gramíneas e arbustos baixos), sem grandes florestas, sobre solos rasos e frágeis, historicamente ocupados por pecuária extensiva.
  • Arenização: degradação físico-geomorfológica em que a remoção da cobertura vegetal expõe camadas arenosas do subsolo (arenitos da Formação Botucatu), sujeitas à erosão pluvial e eólica, formando "areais" que avançam sobre pastagens e lavouras.
  • Arenização × Desertificação: a desertificação ocorre em clima semiárido, por déficit hídrico regional (sertão nordestino); a arenização ocorre em clima subtropical úmido — o problema não é falta de chuva, mas a fragilidade do solo arenoso sem cobertura vegetal. Distinção consolidada pelos estudos de Dirce Maria Antunes Suertegaray sobre os "areais" de Alegrete e São Francisco de Assis (RS).
  • Causas antrópicas: sobrepastoreio (lotação excessiva de gado, que compacta o solo e destrói as gramíneas) e substituição do campo nativo por monoculturas mecanizadas (soja, arroz), que rompem a fina camada orgânica protetora.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "o que mais sofre pressão dessa atividade é o Pampa, que tem 71% da sua área ocupada com estabelecimentos agropecuários" → fixa o Pampa como bioma-alvo, e não Cerrado, Amazônia, Caatinga, Mata Atlântica ou Pantanal — o que direciona a um impacto característico dessa formação.
  • Evidência 2: "impacto ambiental que vem se processando no Sul do Brasil em função dos excessos praticados" → "excessos" remete ao sobrepastoreio e ao uso intensivo do solo, práticas ligadas ao início e à aceleração da arenização nos campos gaúchos.
  • Síntese: solo frágil (Pampa) + ocupação agropecuária excessiva (71% da área) + região específica (Sul) formam uma cadeia causal que aponta para um fenômeno de degradação do solo, não um impacto genérico aplicável a qualquer bioma.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a fragilidade natural do bioma

O Pampa é o menor bioma brasileiro em extensão, concentrado no RS. Diferente de biomas com cobertura florestal densa, é formado por campos abertos sobre substrato geológico com camadas arenosas próximas à superfície — solo naturalmente vulnerável à erosão quando perde a vegetação rasteira protetora.

Subpasso 4.2 — Conectar a atividade agropecuária ao impacto específico

Com 71% da área ocupada por estabelecimentos agropecuários (dado do enunciado), o Pampa sofre pecuária extensiva com lotação excessiva de animais e expansão de lavouras mecanizadas. Essas práticas removem a vegetação nativa e compactam ou revolvem o solo. Sem a proteção das raízes, as camadas arenosas ficam expostas à erosão eólica e hídrica, formando "areais" que se espalham e inutilizam a terra. Esse processo — a arenização — é hoje um dos problemas ambientais mais documentados do Pampa gaúcho, com registros em municípios como Alegrete, Quaraí e São Francisco de Assis.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando com as alternativas, apenas a arenização (B) corresponde ao impacto historicamente associado ao excesso de agropecuária sobre o Pampa. As demais descrevem fenômenos reais em outros contextos ou inexistentes, mas nenhuma é o processo caracteristicamente ligado à degradação do Pampa. A resposta B fecha a cadeia lógica do enunciado.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) uniformização da cobertura vegetal.

❌ Incorreta: ocorre o oposto — fragmentação e perda da cobertura vegetal nativa, substituída por solo exposto (areais) ou monoculturas. Não há um processo de "uniformização vegetal" reconhecido como impacto típico da região.

B) arenização dos solos regionais.

✅ Correta: degradação físico-geomorfológica causada pela remoção da vegetação protetora em solos de origem arenítica, expondo a areia à erosão. É o impacto ambiental mais documentado do Pampa gaúcho, ligado diretamente ao sobrepastoreio e à monocultura mecanizada indicados pelos "excessos" do enunciado.

C) alteração da incidência solar.

❌ Incorreta: não existe fenômeno ambiental reconhecido com esse nome associado à agropecuária. A incidência solar depende de fatores astronômicos e climáticos (latitude, estação, nebulosidade), não de atividades agropecuárias regionais.

D) eutrofização dos cursos de água.

❌ Incorreta: eutrofização é o excesso de nutrientes (nitrogênio, fósforo) em corpos d'água, geralmente por fertilizantes ou esgoto, causando proliferação de algas e queda do oxigênio dissolvido. É impacto real da agricultura, mas não o processo específico associado ao Pampa — o enunciado aponta degradação do solo, não da água.

E) ampliação das queimadas controladas.

❌ Incorreta: queimada controlada é técnica de manejo (renovação de pastagens), não um dano decorrente de "excessos". Também não é o fenômeno destacado pela bibliografia geográfica sobre o Pampa, que enfatiza a arenização.

🏆 Gabarito: B — a arenização dos solos regionais é o impacto ambiental característico da ocupação agropecuária excessiva do bioma Pampa, resultado da remoção da cobertura vegetal protetora sobre um substrato arenoso frágil.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa B nomeia o processo de degradação do solo consolidado cientificamente para o Pampa sob pressão agropecuária; as demais são fenômenos inexistentes ou pertencem a outros contextos ambientais.
  • Padrão de cobrança: o ENEM associa cada bioma a um impacto "marca registrada": desmatamento e queimadas na Amazônia e no Cerrado, desertificação no semiárido nordestino (Caatinga), fragmentação na Mata Atlântica, assoreamento no Pantanal e arenização no Pampa.
  • Generalização: sempre que a questão citar "Pampa" + "agropecuária" + "solo", a resposta esperada tende a ser arenização — associação quase automática na geografia física do Brasil.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas com fenômenos genéricos ou inexistentes (alteração da incidência solar, uniformização da cobertura vegetal); depois, desconfie de termos plausíveis de outro processo (eutrofização = água; arenização = solo) — o enunciado fala em solo ocupado por agropecuária, logo o impacto é sobre o solo.
  • Conexões: arenização × desertificação (causas climáticas distintas); pesquisas de Dirce Suertegaray sobre os areais de Alegrete e São Francisco de Assis (RS); pecuária extensiva no Rio Grande do Sul.

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