Mapa de questões · 1º dia
Questão 65 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

Uma consequência socioeconômica para os países que vivenciam a situação apresentada é a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → migrações internacionais, fuga de cérebros (brain drain) e desenvolvimento desigual
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar um gráfico numérico com um conceito geográfico específico (brain drain), sem que o termo apareça explicitamente no enunciado
- 🎯 Tema/Habilidade: Consequências socioeconômicas da emigração de mão de obra qualificada em países periféricos (competência de leitura e interpretação de dados geográficos aplicados a dinâmicas populacionais)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o efeito socioeconômico, para o país de origem, de ter uma altíssima proporção de seus formados trabalhando no exterior?"
- Palavras-chave decisivas: consequência socioeconômica, formados que trabalham fora do país de origem, países (no plural, indicando um padrão regional, não um caso isolado)
- Armadilha típica: associar migração automaticamente a "mais dinheiro entrando no país" (remessas) e marcar a alternativa B, ignorando que o gráfico fala de profissionais formados — capital humano qualificado — e não de trabalhadores em geral
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que a saída maciça de mão de obra qualificada gera uma perda estrutural para o país de origem, e não apenas um efeito financeiro pontual
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Brain drain (fuga de cérebros): fenômeno migratório em que profissionais qualificados — engenheiros, médicos, cientistas, professores — deixam países periféricos ou semiperiféricos rumo a economias centrais, atraídos por melhores salários, infraestrutura de pesquisa e condições de trabalho.
- Capital humano: conjunto de conhecimentos, habilidades e formação técnica de uma população, considerado hoje um dos principais fatores de produção e de inovação em uma economia globalizada.
- Desenvolvimento tecnológico dependente de capital humano: pesquisa, inovação e avanço tecnológico não ocorrem sem uma massa crítica de profissionais qualificados atuando localmente; quando esses profissionais emigram, o país perde justamente quem produziria ciência e tecnologia.
- Caribe e pequenas economias insulares: Guiana, Granada, Jamaica e Haiti são economias pequenas, com mercados de trabalho limitados para profissionais de alta qualificação, o que intensifica o estímulo à emigração qualificada rumo a EUA, Canadá e Europa.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: o título do gráfico — "Porcentagem de formados que trabalham fora do país de origem" → o recorte é especificamente sobre pessoas com formação (ensino superior/técnico), não sobre migração de trabalhadores em geral.
- Evidência 2: os valores apresentados — Guiana 89%, Granada 85,1%, Jamaica 85,1% e Haiti 83,6% → em todos os quatro países caribenhos, mais de 8 em cada 10 formados atuam fora do território nacional, configurando um padrão extremo e generalizado, não uma exceção pontual.
- Síntese: o gráfico retrata uma fuga de cérebros massiva e sistemática em pequenas economias caribenhas; a pergunta pede a consequência socioeconômica dessa perda de capital humano qualificado para os países de origem, o que aponta diretamente para o esvaziamento da capacidade de inovação e avanço tecnológico local.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que o gráfico mede
O gráfico de barras não trata de migração genérica, mas de um recorte muito específico: o percentual de pessoas com formação (superior ou técnica) que trabalha fora do país onde nasceu/se formou. Isso é crucial, porque o dado filtra justamente o segmento da população mais associado à geração de conhecimento, inovação e desenvolvimento tecnológico — médicos, professores, engenheiros, técnicos especializados.
Subpasso 4.2 — Interpretar a magnitude dos números
Guiana (89%), Granada (85,1%), Jamaica (85,1%) e Haiti (83,6%) são taxas extraordinariamente altas. Em termos práticos, isso significa que, para cada 10 pessoas que esses países formam com investimento público em educação, aproximadamente 8 a 9 delas nunca chegam a exercer sua profissão dentro do próprio país — elas migram para trabalhar em economias centrais, como Estados Unidos, Canadá e países da Europa Ocidental, que oferecem salários mais altos e melhores condições de trabalho e pesquisa.
Subpasso 4.3 — Verificação: conectar o dado à consequência socioeconômica pedida
Se o país forma profissionais e os perde quase integralmente, ele fica sem a massa crítica de capital humano necessária para desenvolver ciência, tecnologia e inovação internamente. Isso trava a modernização produtiva, a pesquisa aplicada e a diversificação econômica — o país permanece dependente de tecnologia importada e de setores de baixo valor agregado. Confrontando esse raciocínio com as cinco alternativas, apenas a opção que fala em "restrição do avanço tecnológico" traduz corretamente esse efeito estrutural da fuga de cérebros, confirmando a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) retração do emprego informal.
❌ Incorreta: o gráfico trata de formados — profissionais de setores formais e qualificados — e não de trabalhadores do mercado informal. Não há qualquer relação de causa e efeito entre a emigração de mão de obra qualificada e o comportamento do emprego informal no país de origem; esse dado sequer é sugerido pela figura.
B) evasão de divisas internacionais.
❌ Incorreta: essa alternativa inverte o sentido real do fenômeno. Emigrantes qualificados costumam enviar remessas para seus países de origem, o que representa entrada de divisas (e não evasão). "Evasão de divisas" descreveria dinheiro saindo do país, o oposto do que a emigração de trabalhadores tende a gerar em termos de fluxo financeiro.
C) redução do custo de produção.
❌ Incorreta: a saída de profissionais qualificados não reduz custos de produção — ao contrário, tende a encarecer processos produtivos que dependem de mão de obra especializada, pois o país passa a ter escassez desse tipo de trabalhador, podendo inclusive precisar importar know-how ou pagar mais caro pelos poucos profissionais que permanecem.
D) flexibilização da estrutura social.
❌ Incorreta: "flexibilização da estrutura social" é um conceito vago que não corresponde ao efeito descrito no gráfico. A fuga de cérebros tende, na verdade, a reforçar desigualdades e limitações estruturais (menos serviços qualificados disponíveis internamente), e não a tornar a estrutura social mais flexível ou dinâmica.
E) restrição do avanço tecnológico.
✅ Correta: com 83% a 89% dos formados atuando fora do país de origem, esses países ficam esvaziados justamente do capital humano capaz de produzir inovação, pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico endógeno. Sem engenheiros, cientistas e técnicos atuando localmente, a capacidade de modernização produtiva e tecnológica do país fica severamente restringida — exatamente a consequência socioeconômica retratada pelos dados.
🏆 Gabarito: E — a fuga maciça de profissionais formados (brain drain), evidenciada pelas altíssimas taxas de emigração qualificada em Guiana, Granada, Jamaica e Haiti, esvazia o capital humano necessário à inovação, restringindo o avanço tecnológico desses países.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a alternativa E traduz corretamente o efeito estrutural de longo prazo da perda de mão de obra qualificada — a incapacidade de gerar e sustentar inovação tecnológica internamente — enquanto as demais alternativas descrevem efeitos inexistentes, invertidos ou irrelevantes ao recorte do gráfico.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz gráficos ou tabelas sobre fluxos migratórios (Sul-Norte, Caribe-EUA, África-Europa) pedindo a interpretação das causas (desigualdade de renda, falta de oportunidades) ou das consequências (perda de mão de obra, dependência tecnológica, remessas) desses deslocamentos populacionais.
- Generalização: sempre que a questão apresentar dados sobre emigração de profissionais qualificados/formados, a resposta tende a girar em torno da perda de capital humano e de seus desdobramentos (menos inovação, menos serviços especializados, dependência tecnológica externa) — e não em torno de efeitos financeiros diretos como remessas ou custos de produção.
- Dica de eliminação rápida: leia o título do gráfico com atenção — se ele fala de "formados" ou "profissionais qualificados", já é possível descartar alternativas sobre emprego informal (A) e custo de produção (C), que não dialogam com esse recorte específico da população.
- Conexões: diáspora caribenha e migração Sul-Norte; desenvolvimento desigual e dependência tecnológica de países periféricos.
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