Mapa de questões · 1º dia
Questão 36 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia
TEXTO I

TEXTO II
O Futurismo empreende a junção entre instantaneidade e pregnância, pois o tema não é o momento ou o conjunto de momentos da ação, mas a velocidade com que essa ação se desenvolve. Representar um pássaro evoluindo no ar não é uma tarefa das mais difíceis para um artista, mas como representar a velocidade de suas manobras em pleno voo? Em Voo de andorinhas, de 1913, Giacomo Balla parece buscar uma resposta.
NEVES, A. E. História da arte. Vitória: UFES, 2011.
Na obra de Balla, os traços das andorinhas criam com o espaço uma articulação entre instantaneidade e percepção.
Esses traços são expressos pela
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Artes → Vanguardas europeias do início do século XX; Futurismo italiano; recursos plásticos de representação do movimento
- ⚡ Nível: Médio — exige articular um conceito histórico-artístico (Futurismo) com a leitura de uma descrição textual da obra, sem que a imagem seja indispensável para eliminar as alternativas mais frágeis
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer recursos formais empregados nas artes visuais para produzir sentidos (Competência de Área 6 de Linguagens — compreender e usar as linguagens artísticas como geradoras de significação)
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual recurso plástico Giacomo Balla utiliza, em Voo de andorinhas, para representar a velocidade do movimento das aves?"
- Palavras-chave decisivas: Futurismo, instantaneidade e pregnância, velocidade com que essa ação se desenvolve
- Armadilha típica: confundir Futurismo com Cubismo analítico (que decompõe formas em planos geométricos estáticos) ou com abstração pura (que abandona a figura reconhecível) — dois movimentos vizinhos no tempo, mas com projetos estéticos distintos
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que o Futurismo não retrata um instante nem decompõe a forma por decompô-la, mas usa a repetição de traços ao longo de uma trajetória para fazer o olho "ler" o deslocamento no tempo dentro de uma imagem parada
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Futurismo: vanguarda lançada por Filippo Marinetti em 1909, na Itália, que exalta a velocidade, a máquina, o dinamismo urbano e rejeita o passado estático; na pintura, artistas como Balla, Boccioni e Severini buscam formas visuais de capturar o movimento contínuo.
- Instantaneidade × pregnância: instantaneidade é a captura de um só instante (como uma fotografia); pregnância é a permanência de uma forma reconhecível na memória visual. Balla funde as duas coisas: um instante fixo que, mesmo assim, "dura" e sugere continuidade de movimento.
- Cronofotografia como referência: os futuristas se inspiraram nos estudos fotográficos de Étienne-Jules Marey e Eadweard Muybridge, que registravam múltiplas fases sucessivas de um mesmo movimento numa única chapa — Balla traduz esse princípio para a pintura, multiplicando as posições das asas e do corpo do pássaro sobre a tela.
- Diferença em relação ao Cubismo: o Cubismo analítico fragmenta o objeto em facetas geométricas para mostrar vários pontos de vista simultâneos de algo estático; o Futurismo repete e sobrepõe silhuetas para simular a passagem do tempo de algo em deslocamento — o alvo é o movimento, não o volume.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o tema não é o momento ou o conjunto de momentos da ação, mas a velocidade com que essa ação se desenvolve" → revela que o foco de Balla não é narrar o que o pássaro faz, e sim comunicar visualmente o ritmo e a rapidez desse voo.
- Evidência 2: "como representar a velocidade de suas manobras em pleno voo?" → é a pergunta-problema que a obra responde: Balla precisa de um recurso plástico (não narrativo, não simbólico) capaz de traduzir velocidade em uma superfície bidimensional e estática.
- Síntese: a solução plástica de Balla é multiplicar e repetir as silhuetas do pássaro (asas, corpo, cauda) em sequência ao longo da tela, criando um rastro visual — essa repetição de pinceladas/formas é o que o olho interpreta como "rapidez do movimento", conectando diretamente o texto de apoio à alternativa que fala em pinceladas repetitivas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o problema plástico colocado pelo texto
O texto de apoio já entrega o núcleo da questão: representar um pássaro parado ou voando é fácil; o desafio de Balla é representar a velocidade da manobra. Isso descarta, de saída, qualquer alternativa que fale em elementos estáticos, simétricos ou puramente geométricos, porque nenhum desses recursos comunica, por si, a ideia de rapidez.
Subpasso 4.2 — Relacionar o conceito de Futurismo com a técnica de Balla
Sabendo que o Futurismo se apoia na cronofotografia (múltiplas fases de um movimento sobrepostas), o passo seguinte é lembrar como isso aparece na tela: Balla pinta o pássaro (e, em obras similares, cães e automóveis) em várias posições sucessivas, sobrepostas e repetidas, formando uma espécie de "trilha" de asas e corpos. Essa repetição é literalmente pintada com pinceladas que se multiplicam ao longo da trajetória — é esse acúmulo de marcas semelhantes, e não uma forma única e definida, que cria a sensação de deslocamento rápido.
Subpasso 4.3 — Verificação
Voltando às cinco alternativas com esse raciocínio consolidado: a única que descreve corretamente o procedimento — "pinceladas repetitivas que sugerem velocidade" — é a alternativa C. As demais descrevem procedimentos de outras correntes (decomposição cubista, abstração, perspectiva/tonalidade, simetria de contornos) que não correspondem ao efeito de movimento buscado pelo Futurismo. A resposta converge, portanto, para a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) decomposição gradual da imagem do pássaro.
❌ Incorreta: "decomposição" remete ao procedimento do Cubismo analítico, que fragmenta o objeto em facetas geométricas para expor vários ângulos de um volume estático. Balla não fragmenta a forma do pássaro em planos — ele a repete inteira, várias vezes, ao longo de uma trajetória, o que é um procedimento de multiplicação, não de decomposição.
B) abstração dominante na escolha dos elementos da pintura.
❌ Incorreta: a obra de Balla permanece figurativa — o pássaro e suas asas continuam reconhecíveis mesmo com a repetição das formas. Abstração implicaria abandonar a referência ao real, o que contraria a própria descrição do texto, que fala em "representar" o pássaro e suas "manobras em pleno voo".
C) composição com pinceladas repetitivas que sugerem velocidade.
✅ Correta: é exatamente o procedimento futurista descrito no texto de apoio — repetir e sobrepor silhuetas/traços do pássaro em sequência para que o olho leia como rastro de movimento, traduzindo em pintura estática a "velocidade com que essa ação se desenvolve".
D) inovação da representação da perspectiva ao explorar o contraste de tonalidade.
❌ Incorreta: o texto não menciona perspectiva nem contraste tonal como o recurso central da obra; o problema colocado é temporal/dinâmico (velocidade), não espacial (profundidade) ou cromático (luz e sombra). Confundir esses eixos é o erro mais comum de quem lê a alternativa rápido demais.
E) manutenção da simetria por meio da definição dos contornos dos pássaros representados.
❌ Incorreta: o efeito de velocidade em Balla depende justamente do embaçamento e da multiplicação dos contornos, não da definição precisa e simétrica deles. Contornos nítidos e simétricos comunicariam estabilidade e repouso — o oposto do que o Futurismo busca.
🏆 Gabarito: C — a obra de Balla traduz a velocidade do voo por meio da repetição de pinceladas ao longo da trajetória do pássaro, procedimento típico do Futurismo inspirado na cronofotografia, o que torna a alternativa C a única coerente com o texto de apoio.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a alternativa C descreve um procedimento plástico (repetição de pinceladas/formas) capaz de gerar, numa imagem parada, a sensação de velocidade exigida pelo enunciado; todas as outras alternativas remetem a técnicas de outros movimentos ou a efeitos (simetria, tonalidade, abstração) que não produzem esse resultado.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer um pequeno texto teórico sobre uma vanguarda (Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Surrealismo) associado a uma obra específica, pedindo que o aluno identifique o traço formal que materializa o conceito descrito — a resposta quase sempre está "escondida" na própria descrição textual, sem precisar de conhecimento prévio aprofundado da obra.
- Generalização: ao ver "Futurismo" numa questão de artes, associe automaticamente a três palavras-chave: velocidade, máquina/urbano e repetição/multiplicação de formas — esse é o "DNA" formal do movimento.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa com "abstração" (o Futurismo é figurativo) e qualquer alternativa com "simetria"/"contornos definidos" (o movimento busca justamente borrar e multiplicar contornos); depois, escolha entre a que fala em repetição/multiplicação (correta) e a que fala em decomposição (armadilha do Cubismo).
- Conexões: Cubismo analítico (Picasso, Braque) por contraste; cronofotografia de Muybridge e Marey como base técnica; Umberto Boccioni e sua escultura Formas únicas da continuidade no espaço, outro exemplo clássico de Futurismo cobrado em provas.
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