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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 56ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

A enorme fenda que pode separar o Chifre da Africa do resto do continente

Em 18 de março, algo estranho aconteceu: a terra começou a se abrir. “Minha mulher começou a gritar para os vizinhos, pedindo ajuda para tirar nossos pertences de casa”, contou Eliud Njoroge. Desde então, a fenda no piso de cimento de sua casa não parou de crescer, fazendo com que a família de Njoroge e muitas outras fossem evacuadas.

Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 5 nov. 2018 (adaptado).

O fenômeno apresentado no texto ocorre devido ao(à)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geologia estrutural e tectônica de placas (Rift Valley africano)
  • ⚡ Nível: Médio — exige conhecimento específico sobre limites divergentes de placas, não apenas interpretação textual
  • 🎯 Tema/Habilidade: Dinâmica interna da Terra e formação de relevo por tectonismo (competência de área de Geografia física — ENEM)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual fenômeno geológico explica a fenda que está separando o Chifre da África do restante do continente?"
  • Palavras-chave decisivas: fenda, separar... do resto do continente, terra começou a se abrir
  • Armadilha típica: confundir "fenda no solo" com fenômenos superficiais e mais familiares ao cotidiano — erosão, seca ou obras humanas (assoreamento, desmatamento) — em vez de reconhecer um processo de escala geológica profunda.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de associar um evento noticiado (uma rachadura real, ocorrida no Quênia, em 2018) a um processo geodinâmico de longuíssimo prazo, ligado à estrutura interna do planeta, e não a fatores climáticos ou de uso do solo.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Tectônica de placas: teoria que explica a litosfera terrestre como um mosaico de placas rígidas que se deslocam sobre a astenosfera (manto superior, mais plástico), gerando terremotos, vulcões e formação de relevo nos seus limites.
  • Limite divergente (construtivo): ocorre onde duas placas se afastam uma da outra, permitindo que o magma suba e crie nova crosta. É o processo responsável pela expansão do assoalho oceânico (dorsais mesoceânicas) e, em estágio inicial sobre continentes, pela formação de vales de rifte (rift valleys).
  • Grande Vale do Rift (East African Rift): fenda continental de cerca de 6 mil km que corta a África Oriental, do Mar Vermelho a Moçambique. Resulta da separação lenta da Placa Africana em duas sub-placas menores — a Placa Núbia (a oeste) e a Placa Somali (a leste) — a uma taxa de poucos milímetros por ano.
  • Chifre da África: península que compreende Somália, Etiópia, Eritreia e Djibuti, coincidindo justamente com a porção da placa Somali que está se afastando do restante do continente africano — é essa a região citada na notícia.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A enorme fenda que pode separar o Chifre da África do resto do continente" → o texto já entrega a chave interpretativa: uma fratura no terreno com potencial de dividir fisicamente uma porção do continente africano — exatamente a definição geográfica de um rift em formação.
  • Evidência 2: "a terra começou a se abrir" e "a fenda no piso de cimento de sua casa não parou de crescer" → descreve um processo ativo e progressivo, não um evento pontual como uma inundação ou um desabamento por chuva; fendas que "crescem" ao longo do tempo indicam um afastamento contínuo de blocos rochosos, característico de movimento tectônico.
  • Síntese: o relato jornalístico (o episódio real do vilarejo de Mai Mahiu, no Vale do Rift queniano, em março de 2018) é a manifestação superficial de um processo de escala continental: o afastamento das placas Núbia e Somali, que está literalmente rasgando a África Oriental ao longo de milhões de anos — o movimento de placas tectônicas.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a escala do fenômeno

A notícia fala em uma fenda capaz de "separar o Chifre da África do resto do continente" — ou seja, um processo com potencial de redesenhar a geografia física em escala continental. Fatores como clima, desmatamento ou assoreamento atuam na superfície e em escala local/regional, mas nenhum deles tem capacidade de fragmentar um continente. Isso já reduz drasticamente as alternativas plausíveis.

Subpasso 4.2 — Relacionar ao contexto geológico da região

A área onde ocorreu o episódio (Vale do Rift, no Quênia) é conhecida cientificamente como parte do East African Rift System, um dos exemplos mais estudados de limite de placa divergente em estágio continental. Nessa região, a Placa Africana está se dividindo em duas: a Placa Núbia e a Placa Somali. O afastamento entre elas, de poucos milímetros por ano, provoca o adelgaçamento e a fratura da crosta continental — exatamente o que se observa nas fendas que "crescem" com o tempo.

Subpasso 4.3 — Verificação

Projetando esse processo no longuíssimo prazo (milhões de anos), o vale de rifte tende a se aprofundar, ser invadido pelo mar e, eventualmente, dar origem a um novo oceano — como já aconteceu no passado geológico com a formação do Oceano Atlântico, quando África e América do Sul se separaram. Esse desfecho só é compatível com um processo de tectonismo, confirmando que a alternativa correta trata do movimento de placa tectônica.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) movimento de placa tectônica.

✅ Correta: a fenda é a expressão superficial do afastamento entre as placas Núbia e Somali no Grande Vale do Rift africano — um limite divergente de placas, processo geológico de escala continental compatível com a possibilidade de "separar" o Chifre da África do restante do continente.

B) alteração de fatores climáticos.

❌ Incorreta: mudanças climáticas podem provocar secas, erosão ou desertificação, mas não geram fraturas profundas e progressivas na crosta terrestre capazes de dividir um continente; clima atua sobre a superfície, não sobre a estrutura tectônica interna.

C) desmatamento de vegetação nativa.

❌ Incorreta: a remoção da cobertura vegetal favorece processos como erosão laminar e assoreamento, mas não tem relação causal com a formação de riftes; o fenômeno descrito ocorre independentemente da vegetação, pois sua origem está no manto terrestre, não no solo superficial.

D) intemperismo da estrutura pedológica.

❌ Incorreta: intemperismo é o processo de desagregação físico-química das rochas na superfície (formando o solo), atuando em escala milimétrica a métrica; não explica uma fratura contínua com potencial de separar uma região inteira do continente africano.

E) assoreamento de mananciais hídricos.

❌ Incorreta: assoreamento é o acúmulo de sedimentos no leito de rios, lagos ou represas — processo de deposição, e não de abertura/fratura do terreno; trata-se de um conceito hidrográfico incompatível com a descrição de uma fenda que se expande no solo.

🏆 Gabarito: A — a fenda relatada é manifestação do afastamento das placas Núbia e Somali no Grande Vale do Rift, um limite divergente de placas tectônicas, único processo capaz de explicar uma fratura continental progressiva como a descrita na notícia.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas o movimento de placas tectônicas (alternativa A) opera na escala continental e profunda necessária para justificar uma fenda com potencial de separar uma porção inteira do território africano; todas as demais alternativas descrevem processos superficiais, climáticos ou hidrográficos, incompatíveis com o relato.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa notícias e situações concretas (aqui, um episódio real no Quênia) como porta de entrada para conceitos de geografia física — tectônica de placas, vulcanismo, sismicidade — cobrando do estudante a capacidade de traduzir um relato jornalístico em um conceito científico.
  • Generalização: sempre que o enunciado mencionar fendas, terremotos, vulcões ou formação/separação de blocos continentais em regiões como África Oriental, Islândia ou dorsais oceânicas, associe imediatamente a limites divergentes de placas tectônicas.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que descrevem processos de superfície (clima, vegetação, sedimentação) quando o enunciado falar em escala continental ou fenômeno que "separa" territórios — esse vocabulário é a marca registrada de tectonismo, não de agentes climáticos ou hidrográficos.
  • Conexões: dorsais mesoceânicas e expansão do assoalho oceânico; formação do Oceano Atlântico pela separação de África e América do Sul (Pangeia/Gondwana); vulcanismo e sismicidade associados a limites de placas (Círculo de Fogo do Pacífico como contraponto de limite convergente/transformante).

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