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Questão 26ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

Não cobra assinatura. Não cobra para fazer o download. Não tem anúncios. Não tem compras dentro do aplicativo. Mas, então, como o WhatsApp ganha dinheiro? Ou melhor, que tipo de magia fez o Facebook decidir comprar o app por R$ 19 bilhões, em 2014?

Quando fundado em 2009, o WhatsApp cobrava US$ 1 por instalação em alguns países. Em outros, a empresa cobrava US$ 1 por ano como forma simbólica de assinatura. E, em alguns outros, o app era completamente gratuito, caso do Brasil.

Em agosto de 2014, ano da compra pelo Facebook, cerca de 600 milhões de pessoas usavam o aplicativo de mensagens. Até setembro do mesmo ano, os relatórios financeiros do Facebook apontavam que o faturamento da empresa não ultrapassava a casa de US$ 1,3 milhão, o mesmo em centésimos do valor do compra. Se você se questiona “então o WhatsApp não dá dinheiro”, isso faz algum sentido. O que levou o Facebook a gastar tanto, então?

Especialistas apontam o big data — campo da tecnologia que lida com grandes volumes de dados digitais — como impulsionador da compra. Com mais informações, a empresa pode analisar melhor o comportamento dos usuários.

Em agosto de 2016, o WhatsApp começou a compartilhar dados com o Facebook. O objetivo? Fomentar relações entre as bases de Facebook. WhatsApp e Instagram — sugerir amizades em uma rede com base em contatos da outra, por exemplo — mas, principalmente, otimizar a recomendação de publicidade. Afinal, é aí que está o maior faturamento do Facebook.

Disponível em: https://noticias.uol.com.br. Acesso em: 4 jun. 2019 (adaptado).

As estratégias descritas no texto para a obtenção de lucro de forma indireta fundamentam-se no(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto jornalístico/artigo de divulgação sobre tecnologia
  • ⚡ Nível: Médio — exige inferir o fundamento por trás de fatos concretos (compra bilionária, coleta de dados), e não apenas localizar informação explícita
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificação da tese/fundamento argumentativo de um texto expositivo — competência de leitura crítica de textos que articulam economia, tecnologia e comportamento do usuário
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é o fundamento (a base lógica) das estratégias que o Facebook usou para lucrar indiretamente com o WhatsApp?"
  • Palavras-chave decisivas: big data, analisar melhor o comportamento dos usuários, otimizar a recomendação de publicidade
  • Armadilha típica: confundir o meio (compra da empresa, app gratuito) ou o efeito colateral (conhecer o comportamento do usuário) com o fundamento real da estratégia, que é o valor econômico da informação em si.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende a diferença entre a causa estrutural (dados como ativo econômico) e as consequências/táticas mencionadas no texto (integração de bases, publicidade direcionada, gratuidade do app).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Lucro indireto: modelo de negócio em que a empresa não cobra do usuário final, mas monetiza a plataforma por outras vias — no caso, usando os dados gerados pelo uso do serviço para vender publicidade mais eficiente a terceiros.
  • Big data: conjunto de tecnologias e práticas para coletar, armazenar e analisar grandes volumes de dados digitais, permitindo identificar padrões de comportamento em escala.
  • Economia da atenção/dos dados: no capitalismo digital contemporâneo, informações pessoais (hábitos, contatos, preferências) tornaram-se um ativo tão ou mais valioso que produtos físicos, pois permitem prever e direcionar o consumo.
  • Texto de divulgação jornalística: gênero que apresenta fatos (datas, valores, números) organizados em torno de uma tese implícita, que o leitor precisa reconstruir a partir da progressão argumentativa do texto.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Especialistas apontam o big data [...] como impulsionador da compra. Com mais informações, a empresa pode analisar melhor o comportamento dos usuários." → revela que a motivação central da compra não foi o app em si (que não gerava lucro direto relevante), mas o acesso a um volume massivo de dados de usuários.
  • Evidência 2: "[...] mas, principalmente, otimizar a recomendação de publicidade. Afinal, é aí que está o maior faturamento do Facebook." → confirma que o objetivo final de toda a operação — comprar o WhatsApp, integrá-lo ao Facebook, compartilhar dados — é transformar informação em publicidade mais precisa e, portanto, em lucro.
  • Síntese: o texto constrói uma cadeia causal: app gratuito → gera dados de 600 milhões de usuários → dados alimentam o big data → big data melhora a publicidade → publicidade é a fonte real de faturamento. O elo que sustenta toda essa cadeia, do início ao fim, é o valor econômico atribuído às informações dos usuários. Esse é o fundamento pedido pelo comando.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o que o texto está, de fato, explicando

O texto abre com uma pergunta retórica: se o WhatsApp não cobra nada de ninguém, como o Facebook justifica pagar R$ 19 bilhões por ele? Essa estrutura de pergunta-resposta é a chave do texto: tudo que vem depois (fundação, faturamento baixo, big data, compartilhamento de dados em 2016) serve para responder a essa pergunta inicial. Portanto, a resposta correta precisa sintetizar essa resposta do texto, não apenas repetir um dos fatos citados ao longo dele.

Subpasso 4.2 — Rastrear a lógica argumentativa até o fundamento

O texto elimina, passo a passo, as explicações óbvias: não é assinatura (o app é grátis), não é anúncio dentro do app, não é compra interna. A explicação apontada pelos "especialistas" é o big data: quanto mais usuários e mais dados sobre esses usuários, maior a capacidade de vender publicidade direcionada — que é onde está "o maior faturamento do Facebook". Ou seja, o texto define explicitamente que o valor da operação está nos dados, não no produto (app) nem no usuário isoladamente, mas na informação que ele gera ao usar o serviço.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao reler o comando — "as estratégias descritas no texto para a obtenção de lucro de forma indireta fundamentam-se no(a)..." — e comparar com a síntese do texto, a resposta que expressa esse fundamento de forma mais precisa e abrangente é: o valor das informações no mundo contemporâneo. Essa formulação cobre tanto a compra do app quanto o compartilhamento de dados entre WhatsApp, Facebook e Instagram, pois em ambos os casos a lógica é a mesma — dados valem dinheiro. Alternativa D confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) reconhecimento da mudança de comportamento dos usuários.

❌ Incorreta: analisar o comportamento dos usuários é uma ferramenta usada pelo big data para extrair valor dos dados, não o fundamento da estratégia. O texto não trata de uma "mudança" de comportamento observada, mas do uso analítico do comportamento já existente — trocar a causa (valor dos dados) pelo instrumento (análise comportamental) é o erro desta alternativa.

B) necessidade de monopolizar o mercado de redes sociais.

❌ Incorreta: o texto não menciona monopólio, concorrência ou domínio de mercado em nenhum momento. A integração citada (sugerir amizades entre Facebook e Instagram usando contatos do WhatsApp) tem finalidade de aprimorar publicidade, não de eliminar concorrentes — essa alternativa introduz um conceito ausente do texto.

C) importância de arriscar na compra de concorrentes.

❌ Incorreta: o texto discute a compra do WhatsApp como fato histórico e busca explicar seu motivo econômico, mas não defende "arriscar" como estratégia nem trata o WhatsApp como concorrente do Facebook (eram serviços complementares, não rivais diretos). Essa alternativa foca no ato da compra, quando o texto quer explicar o que justificou economicamente esse ato.

D) valor das informações no mundo contemporâneo.

✅ Correta: é exatamente o que a cadeia argumentativa do texto demonstra — do big data ao compartilhamento de dados entre plataformas, tudo converge para o fato de que informações sobre os usuários são o verdadeiro ativo econômico por trás do lucro indireto do Facebook/WhatsApp.

E) impacto social de oferecer soluções gratuitas.

❌ Incorreta: a gratuidade é apenas a isca que atrai usuários e gera dados em massa — é o meio operacional, não o fundamento do lucro. O texto não discute "impacto social", mas sim a lógica econômica por trás de oferecer um serviço sem custo direto ao usuário.

🏆 Gabarito: D — as estratégias de lucro indireto descritas (compra do WhatsApp, big data, compartilhamento de dados entre plataformas) fundamentam-se todas na mesma premissa: no mundo digital contemporâneo, a informação sobre o usuário é o ativo mais valioso, pois viabiliza publicidade direcionada, principal fonte de faturamento das big techs.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa D nomeia diretamente a causa estrutural (valor da informação) que sustenta toda a cadeia de fatos apresentada no texto; as demais alternativas confundem meios, efeitos ou introduzem ideias que o texto não desenvolve.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos jornalísticos/de divulgação sobre tecnologia, redes sociais e big data, pedindo que o aluno identifique a tese ou o fundamento por trás de fatos concretos (fusões, aquisições, mudanças de política de dados) — não a mera repetição de informações do texto.
  • Generalização: em questões de "fundamenta-se em", a resposta correta é sempre a ideia mais abstrata e abrangente que explica todos os fatos citados — nunca um detalhe pontual ou uma consequência isolada desses fatos.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que citam elementos ausentes do texto (monopólio, risco, concorrência — cortam B e C de imediato) e depois compare o que resta: A e E descrevem consequências/meios (comportamento, gratuidade), enquanto D nomeia a causa — fique com a causa.
  • Conexões: capitalismo de vigilância (Shoshana Zuboff); economia digital e monetização de dados; leitura de textos argumentativos e identificação de tese em gêneros jornalísticos.

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