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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 25ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

Na tarefa diária de fazer jornalismo, bons títulos que apresentem de maneira clara o conteúdo da matéria são uma arte. Um leitor tem apontado, insistentemente, ao longo deste ano, títulos com sentido ambíguo em O Povo.

No dia 8 de agosto, na editora Brasil, o título destacava: “Justiça suspende processo por homicídio de acidente em Mariana”. Mas uma vez, ele apontou: “Do jeito como está escrito, ficou a dúvida: o acidente de Mariana cometeu ou sofreu um homicídio? Matou ou morreu?”. O leitor ainda deu a sugestão de como poderia ser: “Poderia ter sido assim: Suspenso o processo por homicídio resultante de acidente em Mariana”.

Entendo que a insistência do leitor em ambiguidade nos títulos é uma manifestação de cobrar mais atenção com eles. E nossa obrigação, como jornalistas, oferecer títulos precisos e coerentes, mesmo que o espaço para escrevê-los seja delimitado por colunas e caracteres.

Disponível em: www.opovo.com.br. Acesso em: 10 out. 2017 (adaptado).

Esse texto é de uma coluna de jornal escrita por um ombudsman, profissional que, de maneira independente, critica o material publicado e responde às queixas dos leitores. Quais trechos do texto ratificam o papel desse profissional?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → interpretação de texto jornalístico (gênero coluna de ombudsman)
  • ⚡ Nível: Médio — exige identificar a voz autoral do jornalista-crítico em meio a citações de terceiros (o leitor)
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento da função social e discursiva de um gênero textual (H5/H6 — Linguagens: relacionar informações e marcas linguísticas ao contexto de produção do texto)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Quais trechos do texto comprovam, na prática, que o autor está exercendo a função de ombudsman (crítica independente + resposta às queixas dos leitores)?"
  • Palavras-chave decisivas: ratificam, papel desse profissional, ombudsman
  • Armadilha típica: confundir a fala do leitor (que é citada dentro do texto) com a fala do ombudsman (que é quem escreve a coluna). As alternativas A e E exploram exatamente essa troca de vozes.
  • O que a resposta precisa demonstrar: dois trechos em que o autor da coluna, em primeira pessoa, (1) reconhece/valida a crítica recebida e (2) assume, como categoria profissional, o compromisso de corrigir a falha apontada.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Ombudsman: profissional de imprensa que atua como mediador crítico entre o veículo e o público — recebe reclamações, analisa o material publicado com isenção e cobra correções da própria redação, mesmo sendo funcionário dela.
  • Discurso relatado (citação): quando o texto reproduz a fala de outra pessoa (o leitor), usando aspas ou travessão; essa fala não representa a opinião de quem escreve a coluna, apenas documenta a reclamação.
  • Marcas de primeira pessoa e modalização: verbos e expressões como "entendo que", "é nossa obrigação" revelam o julgamento autoral — é aí que a voz do ombudsman efetivamente aparece, distinta da voz do leitor citado.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Um leitor tem apontado, insistentemente, ao longo deste ano, títulos com sentido ambíguo" → estabelece que existe uma queixa recorrente, mas essa frase ainda é descritiva/contextual, não é a manifestação do papel crítico do ombudsman.
  • Evidência 2: "Entendo que a insistência do leitor em ambiguidade nos títulos é uma manifestação de cobrar mais atenção com eles" → aqui o autor passa a falar em primeira pessoa e valida a crítica do leitor como legítima — isso é acolhimento da queixa, um dos dois pilares da definição de ombudsman.
  • Evidência 3: "E [é] nossa obrigação, como jornalistas, oferecer títulos precisos e coerentes" → o autor se inclui na categoria profissional ("nossa", "como jornalistas") e assume publicamente um compromisso de correção — isso é a cobrança/autocrítica dirigida à redação, o segundo pilar da função.
  • Síntese: os dois pilares da definição dada pelo enunciado ("critica o material publicado" + "responde às queixas dos leitores") só aparecem, simultaneamente, no trecho da avaliação pessoal do autor sobre a queixa e no trecho em que ele assume a obrigação profissional de melhorar — exatamente os dois excertos da alternativa B.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Separar as vozes do texto

O texto tem duas vozes distintas: (1) a voz do leitor, sempre entre aspas ou marcada como fala citada ("Do jeito como está escrito, ficou a dúvida...", "Poderia ter sido assim..."); e (2) a voz do ombudsman, que aparece nos parágrafos finais, sem aspas, em primeira pessoa. Isolar essas vozes é o primeiro filtro para eliminar alternativas que misturam as duas.

Subpasso 4.2 — Localizar a função dupla exigida pelo enunciado

A definição do enunciado é bipartida: "critica o material publicado" e "responde às queixas dos leitores". Um trecho que ratifica o papel precisa, no conjunto das duas opções escolhidas, cobrir essas duas frentes. "Entendo que a insistência do leitor..." responde à queixa (valida o leitor); "E nossa obrigação, como jornalistas, oferecer títulos precisos e coerentes" faz a autocrítica ao veículo (crítica ao material publicado, projetada como compromisso de mudança).

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando contra a definição do enunciado: o primeiro trecho prova que o autor "responde às queixas dos leitores" (ele dá razão ao leitor); o segundo prova que ele "critica o material publicado" ao reconhecer a falha coletiva da redação e cobrar padrão melhor. Nenhuma outra combinação de trechos do texto atende às duas exigências simultaneamente — confirmando a alternativa B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) "Do jeito como está escrito, ficou a dúvida" e "No dia 8 de agosto, na editora Brasil".

❌ Incorreta: o primeiro trecho é fala citada do leitor (não do ombudsman) e o segundo é apenas uma informação factual de data/editoria — nenhum dos dois expressa juízo crítico ou compromisso profissional.

B) "Entendo que a insistência" e "E nossa obrigação, como jornalistas".

✅ Correta: reúne exatamente os dois elementos da definição — validação da queixa do leitor ("entendo que... é uma manifestação de cobrar mais atenção") e autocrítica/compromisso da categoria ("nossa obrigação, como jornalistas"), ambos na voz autoral do ombudsman.

C) "Na tarefa diária de fazer jornalismo" e "Suspenso o processo por homicídio".

❌ Incorreta: o primeiro é a abertura genérica do texto (contextualização do tema, não crítica); o segundo é parte da sugestão de reescrita dada pelo leitor, portanto também não é voz do ombudsman.

D) "O leitor ainda deu a sugestão" e "apontar ambiguidades nos títulos".

❌ Incorreta: o primeiro é um relato factual sobre a ação do leitor; o segundo é uma paráfrase descritiva do problema, sem carregar avaliação ou compromisso — não ratificam a função crítica/mediadora do ombudsman.

E) "O acidente de Mariana cometeu ou sofreu um homicídio?" e "Matou ou morreu?".

❌ Incorreta: ambos os trechos são perguntas retóricas feitas pelo leitor dentro de sua própria fala citada — ilustram o problema de ambiguidade, mas não são manifestação da posição do ombudsman.

🏆 Gabarito: B — apenas essa alternativa combina, na voz do próprio ombudsman, o reconhecimento da queixa do leitor com a cobrança de responsabilidade profissional à redação, cumprindo integralmente a definição dada no enunciado.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente "Entendo que a insistência..." e "E nossa obrigação, como jornalistas..." reúnem simultaneamente crítica ao veículo e resposta à queixa do leitor — os dois requisitos da definição de ombudsman apresentada no enunciado.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma testar gêneros jornalísticos de opinião (editorial, coluna, ombudsman, carta do leitor) pedindo que o candidato identifique QUEM fala em cada trecho e QUAL a função social daquela fala.
  • Generalização: em textos com discurso citado, sempre separe mentalmente "fala de quem é citado" de "fala de quem escreve"; a resposta quase sempre está na voz autoral, marcada por primeira pessoa, verbos de opinião ("entendo", "considero", "avalio") e adjetivos avaliativos.
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que contenha frases entre aspas dentro do texto-fonte atribuídas ao leitor (indícios: "Do jeito como está...", "Poderia ter sido...", "cometeu ou sofreu") — elas nunca representam a voz do autor da coluna.
  • Conexões: gêneros jornalísticos de opinião; discurso direto x indireto; modalização e subjetividade no texto argumentativo.

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