Mapa de questões · 1º dia
Questão 21 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia
A prática de jogos, esportes, lutas, danças e ginásticas é considerada, no senso comum, como sinônimo de saúde. Essa relação direta de causa e efeito linear e incondicional é explorada e estimulada pela indústria cultural, do lazer e da saúde ao reforçar conceitos e cultivar valores, no mínimo contestáveis, de dieta, de forma física e de modelos de corpos ideais.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1998.
O texto demonstra uma compreensão de saúde baseada na
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Educação Física → concepção ampliada de saúde nos PCN; crítica à indústria do corpo, do lazer e do bem-estar
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar uma crítica sociológica embutida em um texto oficial (PCN), não apenas localizar uma informação explícita
- 🎯 Tema/Habilidade: Compreensão crítica da saúde como fenômeno multifatorial; leitura de textos que articulam corpo, sociedade e indústria cultural
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual noção de saúde o texto defende, ao criticar a ideia simplista de que praticar esporte é sinônimo automático de saúde?"
- Palavras-chave decisivas: relação direta de causa e efeito linear e incondicional, indústria cultural, do lazer e da saúde, valores, no mínimo contestáveis
- Armadilha típica: confundir o que o texto descreve como crítica (o senso comum e a indústria) com o que o texto defende. Várias alternativas repetem literalmente os elementos criticados (exercício = boa forma, ginástica = sucesso, dieta = padrão corporal), tentando capturar quem lê rápido demais.
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que o texto rejeita a equação simplista "atividade física = saúde" e propõe, em seu lugar, uma visão de saúde como resultado de múltiplos fatores.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Conceito ampliado de saúde: desde a Constituição de 1988 e a criação do SUS, saúde deixou de ser definida apenas como "ausência de doença" para incorporar determinantes sociais, econômicos, culturais, emocionais e biológicos — um conceito multifatorial, não reduzido à prática esportiva.
- Crítica dos PCN de Educação Física à visão biomédica-mercadológica: o documento alerta que a mídia e o mercado do fitness vendem a ideia de que "malhar = ser saudável", naturalizando padrões estéticos e mascarando que saúde depende de acesso a saneamento, alimentação, condições de trabalho, lazer e bem-estar psicológico, entre outros fatores.
- Indústria cultural (conceito de Adorno/Horkheimer aplicado ao corpo): o texto usa essa chave para mostrar que o discurso "corpo saudável" é, em parte, um produto vendido — não uma verdade científica neutra — o que reforça a necessidade de uma leitura crítica e não linear da relação entre exercício e saúde.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Essa relação direta de causa e efeito linear e incondicional é explorada e estimulada pela indústria cultural, do lazer e da saúde" → o texto classifica a equação "esporte = saúde" como uma simplificação interessada, fabricada e reforçada comercialmente, não como um fato absoluto.
- Evidência 2: "ao reforçar conceitos e cultivar valores, no mínimo contestáveis, de dieta, de forma física e de modelos de corpos ideais" → o texto explicita que dieta, forma física e "corpo ideal" são apenas alguns dos elementos manipulados por esse discurso — e que são "contestáveis", isto é, insuficientes para definir saúde sozinhos.
- Síntese: ao desmontar a lógica "senso comum" de que praticar esporte garante saúde de forma automática e incondicional, o texto sinaliza — pela negação do simplismo — que a saúde real depende de múltiplas variáveis interligadas, não de uma única causa isolada como exercício físico ou dieta.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o alvo da crítica
O texto não está descrevendo "o que é saúde" diretamente; está criticando uma forma equivocada de entendê-la. Essa crítica recai sobre o "senso comum", que trata prática esportiva e saúde como sinônimos automáticos, numa "relação direta de causa e efeito linear e incondicional". Ou seja: o erro apontado é tratar um fenômeno complexo (saúde) como se fosse resultado de uma única causa (exercício).
Subpasso 4.2 — Inferir a posição do texto por oposição
Toda crítica a uma simplificação implica, por contraste, a defesa de uma visão mais complexa. Se o texto rejeita "causa e efeito linear e incondicional", ele está, ao mesmo tempo, afirmando que a saúde não se explica por um único fator — ela resulta da interação de vários elementos (biológicos, sociais, econômicos, culturais, emocionais). Essa é a leitura padrão dos PCN de Educação Física: superar o reducionismo biomédico/esportivo em favor de uma concepção ampliada e multifatorial de saúde.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando essa conclusão contra as alternativas: a única opção que descreve esse entendimento complexo e multifatorial — em vez de repetir os clichês criticados pelo texto (boa forma, sucesso, prazer, padrão corporal) — é a alternativa que fala em "complexidade dos diversos fatores para sua manutenção". As demais alternativas reproduzem, cada uma à sua maneira, exatamente a visão simplista que o texto rejeita. Isso confirma a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) realização de exercícios físicos para uma boa forma.
❌ Incorreta: reproduz literalmente a equação "exercício = saúde/boa forma" que o texto classifica como uma relação "linear e incondicional" — justamente o alvo da crítica, não a posição defendida.
B) complexidade dos diversos fatores para sua manutenção.
✅ Correta: é a única alternativa que capta a rejeição do simplismo causal. Ao negar que saúde decorra de um único elemento (esporte, dieta ou forma física), o texto afirma implicitamente que ela depende de múltiplos fatores articulados — biológicos, sociais e culturais.
C) prática de ginástica como sinônimo de sucesso e bem-estar.
❌ Incorreta: trata-se de outra faceta do senso comum criticado pelo texto; transformar uma atividade específica em "sinônimo" de bem-estar repete a lógica linear que o PCN contesta.
D) superação de limites no esporte como forma de satisfação e prazer.
❌ Incorreta: esse é um tema legítimo da Educação Física (dimensão subjetiva do esporte), mas não aparece no texto e não tem relação com a crítica apresentada, que fala de indústria cultural e valores contestáveis, não de superação pessoal.
E) alimentação balanceada para o alcance do padrão corporal hegemônico.
❌ Incorreta: inverte o sentido do texto. O trecho afirma que os "modelos de corpos ideais" são valores "no mínimo contestáveis" — ou seja, o texto critica a busca pelo padrão corporal hegemônico, não a recomenda como base da saúde.
🏆 Gabarito: B — o texto rejeita a relação simplista e linear entre exercício físico e saúde, evidenciando que a manutenção da saúde depende da interação de diversos fatores, e não de uma causa isolada.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa B descreve uma concepção de saúde compatível com a crítica do texto; todas as outras reproduzem, com palavras diferentes, o próprio simplismo que o autor rejeita.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa trechos dos PCN e de textos de Educação Física para testar se o estudante distingue "senso comum" de "conhecimento científico/crítico" — sempre valorizando visões multicausais, contextualizadas e críticas à indústria do corpo.
- Generalização: quando um texto de base critica uma relação "automática", "linear" ou "óbvia" entre dois elementos, a alternativa correta quase sempre defende uma visão mais complexa, multifatorial ou contextual — e nunca repete o clichê que foi criticado.
- Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que reafirme, com outras palavras, a fórmula "X garante saúde/sucesso/bem-estar" (aqui, A, C e E caem nessa armadilha); entre as sobras, escolha a que fala em multiplicidade de fatores, não em causa única.
- Conexões: determinantes sociais de saúde (SUS/OMS); crítica da indústria cultural (Adorno e Horkheimer) aplicada ao corpo e à estética contemporânea.
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