Mapa de questões · 1º dia
Questão 35 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

Produzida em 1919, a obra O crítico de arte, de Hausmann, utiliza procedimentos de composição que revelam a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Artes → Vanguardas europeias do início do século XX; Dadaísmo berlinense; fotomontagem como linguagem crítica
- ⚡ Nível: Médio — exige decodificar uma imagem (não um texto verbal) e associar seus elementos plásticos a um contexto histórico-artístico específico
- 🎯 Tema/Habilidade: Leitura de obra visual de vanguarda e reconhecimento de seu discurso crítico (Competência de Área 6 de Linguagens — compreender e usar sistemas de signos verbais e não verbais em diferentes linguagens artísticas)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que a fotomontagem O crítico de arte, de Raoul Hausmann, expressa por meio de sua composição visual?"
- Palavras-chave decisivas: fotomontagem, crítico de arte, 1919 (pós-guerra/Dadá berlinense)
- Armadilha típica: confundir a agressividade visual da colagem (rosto deformado, letras recortadas, carimbos) com uma defesa da "nova estética" perante o público (B) ou com uma crítica à "formação acadêmica" dos artistas (E) — quando, na verdade, o alvo do ataque é a instituição que valida e comercializa a arte, não o artista novato nem o público leigo.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que a deformação grotesca do "crítico" é um recurso satírico deliberado, típico do Dadaísmo, que ridiculariza as convenções e a autoridade da arte burguesa institucionalizada.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Dadaísmo: movimento de vanguarda surgido em 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, como reação niilista e anti-arte contra os valores da sociedade burguesa que, segundo os dadaístas, havia produzido a guerra e sustentava um sistema artístico hipócrita.
- Dadá berlinense e fotomontagem: ramo do movimento sediado em Berlim (Raoul Hausmann, Hannah Höch, George Grosz, John Heartfield), que radicalizou o uso da fotomontagem — colagem de recortes fotográficos, tipográficos e gráficos — como arma de crítica política e social, rompendo com a pintura tradicional.
- Crítico de arte como alvo: na hierarquia da arte burguesa do início do século XX, o crítico era a figura que legitimava (ou condenava) obras perante o mercado e o público; atacá-lo era atacar o próprio sistema de validação da arte oficial.
- Sátira visual: técnica retórica que usa exagero, distorção e justaposição absurda de elementos para ridicularizar um alvo — na imagem, a cabeça desproporcional, os olhos vazados e a boca deformada convertem uma figura de autoridade em caricatura grotesca.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (legenda da obra): "HAUSMANN, R. O crítico de arte. Litografia e fotocolagem em papel [...] 1919." → identifica o alvo direto da obra (o crítico) e a técnica empregada (fotocolagem/fotomontagem), marca registrada do Dadá berlinense.
- Evidência 2 (composição visual): cabeça enorme e desproporcional, olhos como buracos vazios, boca recortada em formato grotesco, rosto marcado por carimbos e assinaturas sobrepostas, corpo de terno "engessado" por linhas de alfaiataria, tudo colado sobre um fundo de letras de jornal recortadas ("...bakis", "e t...") → a fragmentação caótica de tipos gráficos e a deformação anatômica denunciam, pelo próprio método construtivo (recortar e colar o "lixo" da imprensa), a rejeição da técnica acadêmica e da figura idealizada, convencional, da pintura tradicional.
- Síntese: a obra não celebra nem enobrece o crítico — ela o transforma em boneco grotesco, montado com sobras de material impresso, revelando uma postura de deboche do artista diante da autoridade que sustenta as convenções da arte burguesa.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o gênero e a técnica da obra
A obra é uma fotomontagem/fotocolagem, técnica típica do Dadá berlinense, que rompe com a pintura de cavalete ao incorporar recortes de fotografias e material impresso (jornais, cartazes, carimbos) diretamente na composição. Essa escolha técnica já é, em si, um manifesto: recusa da "arte nobre" feita à mão com pincel e tinta em favor de uma montagem mecânica, rápida e "suja", associada à cultura de massa.
Subpasso 4.2 — Relacionar a deformação da figura ao título "O crítico de arte"
O título ancora a leitura: o personagem retratado não é um artista, um operário ou um soldado anônimo — é o crítico, aquele que, na estrutura da arte burguesa do início do século XX, detinha o poder de legitimar ou descartar obras perante museus, galerias e público. Ao transformar essa figura de autoridade em uma cabeça monstruosa, de olhos vazados e boca disforme, carimbada como um documento oficial, Hausmann não está descrevendo objetivamente um crítico — está zombando da pretensão de autoridade estética dessa função dentro do sistema da arte burguesa.
Subpasso 4.3 — Verificação: o contexto histórico confirma a leitura satírica
O Dadá nasce em 1916 como resposta niilista à Primeira Guerra Mundial, que os dadaístas viam como produto direto dos valores "civilizados" e burgueses da Europa. Em Berlim, o grupo radicalizou esse ataque, misturando arte e panfleto político. Uma obra de 1919 chamada O crítico de arte, construída com recortes agressivos e um rosto ridicularizado, encaixa-se perfeitamente nesse projeto: sátira deliberada contra as convenções — inclusive as convenções de julgamento — da arte burguesa. Isso confirma que a alternativa correta fala em "visão satírica" e "convenções da arte burguesa", exatamente o que a imagem constrói.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) visão satírica do artista em relação às convenções da arte burguesa.
✅ Correta: a deformação caricatural do crítico, somada à técnica de fotomontagem com recortes de jornal e carimbos, materializa exatamente uma crítica bem-humorada e agressiva às normas e à autoridade da arte burguesa — essência do projeto dadaísta.
B) necessidade de reconhecimento social de uma nova estética.
❌ Incorreta: o Dadá não busca aprovação ou reconhecimento do público burguês; pelo contrário, ele deliberadamente choca e rejeita os padrões de aceitação social da arte, recusando-se a pedir legitimação ao sistema que ataca.
C) valorização da vanguarda artística pelo mercado de arte.
❌ Incorreta: inverte o sentido da obra. Longe de ser valorizada pelo mercado, a vanguarda dadaísta se posiciona contra a lógica de mercantilização e institucionalização da arte, da qual o "crítico" retratado é justamente um agente.
D) beleza da arte em meio às turbulências do pós-guerra.
❌ Incorreta: a imagem não busca beleza — é intencionalmente grotesca, fragmentada e feia, recusando o ideal estético clássico de harmonia; o Dadá rejeita a categoria de "belo" como critério de valor artístico.
E) fragilidade da formação acadêmica dos novos artistas.
❌ Incorreta: a crítica não recai sobre a formação de artistas iniciantes, mas sobre a instituição crítica que julga e legitima obras; o alvo é o sistema de validação da arte, não a competência técnica de quem produz.
🏆 Gabarito: A — a fotomontagem de Hausmann satiriza, por meio da caricatura grotesca do crítico e da técnica anti-acadêmica da colagem, as convenções e a autoridade da arte burguesa institucionalizada.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa A capta o duplo movimento da obra — o alvo (as convenções da arte burguesa, personificadas no crítico) e o tom (sátira, deboche, deformação), sustentado tanto pelo título quanto pela técnica de fotomontagem dadaísta.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz obras de vanguardas europeias (Dadá, Futurismo, Expressionismo, Surrealismo) pedindo que o estudante reconheça a postura crítica do movimento diante da sociedade burguesa e da guerra, não apenas dados biográficos do artista.
- Generalização: diante de uma obra de vanguarda do início do século XX com deformação, colagem ou fragmentação, pergunte sempre "o que este movimento rejeitava?" — quase sempre a resposta envolve crítica às convenções sociais, à guerra ou à arte acadêmica/burguesa, nunca elogio à beleza clássica ou busca de aprovação do mercado.
- Dica de eliminação rápida: alternativas que falam em "beleza", "valorização pelo mercado" ou "reconhecimento social" tendem a contradizer o espírito anti-institucional das vanguardas de ruptura (Dadá, Futurismo) — elimine-as primeiro quando a obra apresentada for visualmente agressiva ou grotesca.
- Conexões: Dadaísmo berlinense e fotomontagem política (Hannah Höch, John Heartfield); crítica da arte burguesa nas vanguardas europeias pós-Primeira Guerra Mundial.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.