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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 60ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

A partir da década de 1990, parte significativa da agricultura brasileira sofreu grandes transformações com a adoção de novas tecnologias de informação, menor intervenção estatal e maior regulação das empresas mundiais de insumos e comércio agricola. Trata-se da emergência de uma agricultura científica e globalizada.

FEDERICO, S. Agricultura científica globalizada e fronteira agrícola no mundo moderno. Disponível em: www.confins.revues.org. Acesso em: 11 fev. 2015 (adaptado).

No campo brasileiro, as transformações descritas no texto tiveram como efeito o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → agricultura globalizada, agronegócio e organização do espaço rural
  • ⚡ Nível: Médio — exige relacionar um conceito teórico (agricultura científica e globalizada) a seus efeitos concretos na estrutura fundiária e produtiva do Brasil
  • 🎯 Tema/Habilidade: Modernização técnico-científica da agricultura e concentração fundiária (Competência de Área 5 do ENEM — dinâmica do espaço agrário)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "As transformações descritas no texto (tecnologia da informação, menos Estado, mais empresas globais de insumos) tiveram como efeito no campo brasileiro o quê?"
  • Palavras-chave decisivas: novas tecnologias de informação, menor intervenção estatal, maior regulação das empresas mundiais de insumos e comércio agrícola
  • Armadilha típica: confundir "menor intervenção estatal" com abertura para pequenos produtores e práticas alternativas (como o cultivo orgânico ou os saberes tradicionais), quando na verdade o vácuo deixado pelo Estado é ocupado por grandes corporações do agronegócio.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a globalização agrícola, apoiada em ciência, tecnologia e capital transnacional, produz um padrão espacial específico — a especialização produtiva em larga escala, isto é, a monocultura.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Agricultura científica e globalizada: modelo em que a produção agrícola é planejada e controlada a partir de pacotes tecnológicos (sementes geneticamente modificadas, agrotóxicos, fertilizantes, maquinário de precisão, monitoramento por satélite) fornecidos por empresas transnacionais, integrando o campo diretamente aos circuitos financeiros e comerciais globais.
  • Meio técnico-científico-informacional: conceito de Milton Santos que descreve como a informação e a tecnologia passam a comandar a organização do território produtivo — no campo, isso se traduz em fazendas altamente mecanizadas e conectadas a bolsas de commodities internacionais.
  • Commodities agrícolas e monocultura: produtos primários padronizados e voltados à exportação (soja, milho, cana-de-açúcar, algodão) cuja produção em larga escala exige extensas áreas cultivadas com uma única espécie, maximizando ganhos de escala e lucratividade.
  • Concentração fundiária e fronteira agrícola: a expansão desse modelo avança sobre áreas de Cerrado e Amazônia (fronteira agrícola), reforçando a concentração de terras em grandes propriedades e acirrando disputas por território.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "adoção de novas tecnologias de informação" → indica um salto de produtividade e padronização técnica, típico de sistemas produtivos em grande escala orientados por dados e mercado global.
  • Evidência 2: "menor intervenção estatal e maior regulação das empresas mundiais de insumos e comércio agrícola" → mostra que quem passa a comandar a produção não é o pequeno produtor nem o Estado, mas corporações multinacionais interessadas em commodities padronizadas.
  • Síntese: um campo comandado por tecnologia de ponta e por empresas globais de insumos tende a se especializar em poucas culturas de alto valor comercial, plantadas em grandes extensões — ou seja, a se organizar em torno da monocultura.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o eixo da transformação descrita

O texto de Federico descreve três mudanças simultâneas a partir dos anos 1990: (1) incorporação de tecnologia de informação à produção agrícola, (2) recuo do Estado como regulador direto do setor e (3) avanço de empresas multinacionais de insumos (sementes, fertilizantes, agrotóxicos) e de comercialização (tradings). Esse conjunto configura o que a geografia agrária chama de "agricultura científica globalizada": um sistema produtivo pensado para inserir o campo brasileiro nas cadeias globais de valor.

Subpasso 4.2 — Conectar a causa ao efeito espacial no campo brasileiro

Empresas globais de insumos e de comércio agrícola não financiam qualquer tipo de cultivo: elas priorizam commodities de alta liquidez no mercado internacional — soja, milho, cana, algodão. Para viabilizar economicamente o pacote tecnológico (maquinário caro, sementes patenteadas, logística de exportação), é necessário produzir em grande escala e em áreas contínuas e homogêneas. Esse é exatamente o desenho da monocultura: extensas propriedades dedicadas a uma única cultura, otimizadas para exportação.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando o raciocínio com a realidade geográfica do Brasil pós-1990 (expansão da soja no Centro-Oeste, do Matopiba, da cana no interior paulista, do algodão na Bahia), confirma-se que a modernização técnico-científica do campo, tal como descrita, resultou no fortalecimento de grandes áreas monocultoras voltadas ao agronegócio exportador — coerente apenas com a alternativa E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) primazia do cultivo orgânico.

❌ Incorreta: o cultivo orgânico é um nicho de produção de pequena escala, com baixo uso de insumos industriais e voltado a mercados diferenciados. O modelo descrito no texto é justamente o oposto — depende intensamente de insumos químicos e biotecnológicos fornecidos por grandes empresas, o que inviabiliza a ideia de "primazia" do orgânico nesse contexto.

B) superação do modelo exportador.

❌ Incorreta: o texto afirma haver "maior regulação das empresas mundiais de insumos e comércio agrícola", ou seja, aprofundamento — e não superação — da inserção do Brasil no comércio internacional. A agricultura científica globalizada reforça o papel do país como grande exportador de commodities, não o abandona.

C) valorização de saberes tradicionais.

❌ Incorreta: pacotes tecnológicos padronizados (sementes geneticamente modificadas, agrotóxicos, maquinário de precisão) tendem a substituir e marginalizar práticas camponesas, indígenas e quilombolas de manejo da terra, como o uso de sementes crioulas e sistemas agroflorestais, e não a valorizá-las.

D) abrandamento dos conflitos violentos.

❌ Incorreta: a expansão desse modelo sobre a fronteira agrícola (Cerrado e Amazônia) intensifica a concentração fundiária e os conflitos por terra envolvendo posseiros, indígenas e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra — o oposto de um abrandamento.

E) fortalecimento de atividades monocultoras.

✅ Correta: a combinação de tecnologia de informação, recuo do Estado e domínio de empresas globais de insumos e comércio direciona a produção para commodities padronizadas cultivadas em larga escala — o núcleo da agricultura científica globalizada é, precisamente, o fortalecimento da monocultura de exportação.

🏆 Gabarito: E — as transformações descritas (tecnologia, desregulamentação estatal e domínio de corporações globais de insumos) convergem estruturalmente para a especialização produtiva em commodities, isto é, para o fortalecimento das atividades monocultoras.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E traduz corretamente o efeito espacial de um campo comandado por tecnologia e capital transnacional: a especialização produtiva em larga escala, típica da monocultura de commodities.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente relaciona modernização agrícola/agronegócio a temas como concentração fundiária, conflitos no campo, êxodo rural e degradação ambiental — sempre associando tecnologia + capital global a monocultura exportadora.
  • Generalização: sempre que o enunciado descrever "menos Estado + mais empresas globais + alta tecnologia" no campo, a resposta correta tende a apontar para intensificação da monocultura, concentração de terra e conflitos agrários — nunca para inclusão social, orgânicos ou saberes tradicionais.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa que sugira "menos conflito", "mais orgânico" ou "mais saber tradicional" — esses são efeitos do modelo oposto (agricultura familiar/camponesa), não da agricultura científica globalizada.
  • Conexões: meio técnico-científico-informacional (Milton Santos); expansão da fronteira agrícola sobre o Cerrado e o Matopiba; conflitos fundiários e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

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