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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaFácil

Questão 79ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

Tão bem há muito pau-brasil nestas Capitanias de que os mesmos moradores alcançam grande proveito: o qual pau se mostra claro ser produzido da quentura do Sol, e criado com a influência de seus raios, porque não se acha se não debaixo da tórrida Zona, e assim quando mais perto está da linha Equinocial, tanto é mais fino e de melhor tinta; e esta é a causa porque o não há na Capitania de São Vicente nem daí para o Sul.

GÂNDAVO, P. M. Tratado da Terra do Brasil: História da Província Santa Cruz. Belo Horizonte: Itatiaia, 1980 (adaptado).

O registro efetuado pelo cronista nesse texto harmoniza-se com a seguinte iniciativa do período inicial da colonização portuguesa:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Colônia; período pré-colonial (1500-1530); sistema de feitorias e extrativismo do pau-brasil
  • ⚡ Nível: Fácil — a associação entre extração do pau-brasil e feitorias litorâneas é um dos conteúdos mais trabalhados sobre os primeiros anos da colonização
  • 🎯 Tema/Habilidade: Economia extrativista pré-colonial e organização comercial das feitorias; habilidade de interpretar uma fonte histórica primária (crônica quinhentista) e relacioná-la a um processo histórico mais amplo
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual iniciativa do início da colonização portuguesa explica o que Gândavo descreve sobre a exploração do pau-brasil?"
  • Palavras-chave decisivas: muito pau-brasil, moradores alcançam grande proveito, período inicial da colonização
  • Armadilha típica: o texto menciona "Capitanias", o que induz o candidato a associar a resposta ao sistema de capitanias hereditárias (posse de terra, povoamento, monocultura). Mas a pergunta não trata da divisão territorial, e sim da lógica econômica por trás da exploração do recurso descrito — o pau-brasil, coletado antes mesmo da fixação de colonos.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que a extração comercial de um produto florestal litorâneo, sem cultivo e sem povoamento fixo, corresponde ao modelo de entrepostos comerciais fortificados na costa — as feitorias — e não a formas posteriores de ocupação do território.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Período pré-colonial (1500-1530): fase inicial em que Portugal, sem estrutura de povoamento organizado, explorou o litoral brasileiro por meio de expedições de reconhecimento e do arrendamento comercial a particulares, como o contrato firmado com o mercador Fernão de Loronha em 1502.
  • Feitorias: postos fortificados instalados na costa, modelo já testado por Portugal na África e na Ásia, destinados a estocar mercadorias extraídas e aguardar o embarque para a metrópole, sem qualquer intenção de colonização efetiva do interior.
  • Escambo e o ciclo do pau-brasil: a coleta e o transporte da madeira até a feitoria eram realizados majoritariamente por indígenas, em troca de objetos europeus (facas, machados, espelhos, tecidos) — daí o "proveito" mencionado por Gândavo referir-se ao lucro comercial, não à posse da terra.
  • Diferença para a fase seguinte (pós-1530): diante da ameaça de contrabando estrangeiro (especialmente franceses interessados no próprio pau-brasil) e do esgotamento do modelo de arrendamento, a Coroa instituiu as capitanias hereditárias e, depois, o Governo-Geral, introduzindo a monocultura açucareira e a escravidão africana em larga escala — processo distinto do relatado no texto.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "muito pau-brasil nestas Capitanias de que os mesmos moradores alcançam grande proveito" → mostra que a riqueza vem diretamente do comércio de um recurso natural extraído da mata litorânea, e não de plantio ou de propriedade fundiária consolidada — perfil típico da economia de entreposto comercial.
  • Evidência 2: "não se acha se não debaixo da tórrida Zona... quando mais perto está da linha Equinocial, tanto é mais fino" → reforça que o produto tem localização geográfica específica na faixa tropical litorânea, o que exigia pontos fixos de coleta e embarque junto à costa — exatamente a função cumprida pelas feitorias.
  • Síntese: Gândavo descreve o produto símbolo do primeiro modelo econômico da colonização — o extrativismo comercial do pau-brasil —, cuja viabilização dependeu da rede de feitorias litorâneas instaladas ao longo da costa brasileira.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Contextualizando a crônica de Gândavo

Pero de Magalhães Gândavo escreveu o "Tratado da Terra do Brasil" no século XVI com o objetivo de valorizar a colônia perante a Coroa e futuros investidores, destacando as riquezas naturais da terra. O trecho em questão enaltece o pau-brasil como produto de alto valor comercial, associando sua qualidade à proximidade da linha do Equador — um detalhe que reforça o caráter geográfico e mercantil da exploração, não agrícola.

Subpasso 4.2 — Relacionando o texto ao processo histórico

Entre 1500 (chegada de Cabral) e por volta de 1530, Portugal não tinha interesse em povoar o território: faltavam mão de obra europeia disponível e capital para tanto, e a prioridade da Coroa ainda era o comércio com as Índias. A solução encontrada foi arrendar a exploração do litoral a mercadores, que instalaram feitorias — pequenos entrepostos fortificados, como a de Cabo Frio — para armazenar a madeira cortada pelos indígenas via escambo e embarcá-la para a Europa. É exatamente esse cenário, de extração comercial sem colonização efetiva, que o relato de Gândavo retrata.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando a síntese do Passo 3 com as cinco alternativas, apenas uma reproduz com precisão esse modelo: "implantação de feitorias litorâneas para garantir a extração de recursos naturais". As demais tratam de processos históricos posteriores ou distintos (monocultura, diplomacia territorial, substituição de mão de obra, repressão religiosa), que não correspondem ao que o texto descreve.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) introdução da lavoura monocultora para efetivar a ocupação do território americano.

❌ Incorreta: a monocultura (cana-de-açúcar) é característica da fase posterior da colonização, ligada ao sistema de capitanias hereditárias e à fixação de povoamento — algo ausente no texto, que fala de coleta de madeira nativa, não de plantio.

B) implantação de feitorias litorâneas para garantir a extração de recursos naturais.

✅ Correta: o texto descreve exatamente o produto (pau-brasil) extraído por meio do modelo comercial das feitorias, entrepostos litorâneos criados para viabilizar essa extração sem exigir povoamento efetivo do território.

C) regulamentação do direito de posse para enfrentar os interesses espanhóis.

❌ Incorreta: refere-se a acordos diplomáticos de fronteira (como o Tratado de Tordesilhas, de 1494), um tema de delimitação territorial entre Coroas, sem relação direta com a extração comercial do pau-brasil narrada por Gândavo.

D) substituição da escravidão indígena para apoiar a rede do comércio europeu.

❌ Incorreta: no período retratado, a relação com os indígenas era de escambo (troca de mercadorias), não de escravização; a substituição por escravidão africana em massa é processo que só se consolida décadas depois, com a economia açucareira.

E) restrição da atividade missionária para sufocar a penetração protestante.

❌ Incorreta: o texto não aborda religião ou catequese; a repressão a incursões protestantes (como a França Antártica no Rio de Janeiro) é episódio posterior e sem relação com o comércio do pau-brasil descrito.

🏆 Gabarito: B — o relato de Gândavo sobre a exploração comercial do pau-brasil corresponde diretamente ao modelo das feitorias litorâneas, mecanismo criado por Portugal para extrair recursos naturais do litoral brasileiro no período inicial da colonização.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa B descreve um modelo econômico compatível com um recurso extraído em mata litorânea, sem cultivo e sem posse fundiária — exatamente o que Gândavo relata sobre o pau-brasil.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente contrapõe o "ciclo do pau-brasil" (extrativismo, feitorias, escambo, 1500-1530) à fase seguinte de colonização efetiva (capitanias hereditárias, monocultura açucareira, escravidão africana), cobrando do aluno a capacidade de situar o trecho no tempo correto.
  • Generalização: sempre que um texto de época falar em extração de recurso natural nos primeiros anos após 1500, sem menção a plantio, propriedade de terra ou povoamento, a resposta tende a apontar para feitorias e extrativismo comercial.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato alternativas que mencionem "lavoura", "posse de terra", "substituição de mão de obra" ou "atividade religiosa" quando o texto-base falar apenas de um produto natural sendo comercializado — esses temas pertencem a etapas posteriores da colonização.
  • Conexões: ciclo do pau-brasil; capitanias hereditárias e Governo-Geral; Tratado de Tordesilhas; expansão marítima portuguesa.

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