Mapa de questões · 1º dia
Questão 8 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia
Gírias das redes sociais caem na boca do povo
Nem adianta fazer a egípcia! Entendeu? Veja o glossário com as principais expressões da internet
Lacrou, biscoiteiro, crush. Quem nunca se deparou com ao menos uma dessas palavras no trânsito diário das redes sociais. Do dia para a noite, palavras e frases começaram a definir sentimentos e acontecimentos, e o sucesso desse tour foi parar no vocabulário de muita gente. O dialeto já não se restringe só à web. O contato constante com palavras do ambiente on-line acaba rompendo a barreira entre o mundo virtual e o mundo real. Quando menos se espera, começamos a repetir, em conversas do dia a dia, o que aprendemos na internet. A partir daí, juntamos palavras já conhecidas do nosso idioma às novas expressões.
Glossário de expressões
Biscoiteiro: alguém que faz de tudo para ter atenção o tempo inteiro, para ter curtidas.
Chamar no probleminha: conversar no privado.
Crush: alguém que desperta interesse.
Divou: estar muito produzida, sair bem em uma foto, assim como uma diva.
Fazer a egípcia: ignorar algo.
Lacrou/sambou: ganhar uma discussão com bons argumentos a ponto de não haver possibilidade de resposta.
Stalker: investigar sobre a vida de alguém nas redes sociais.
Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 19 jun. 2019 (adaptado).
Embora migrando do ambiente on-line para o vocabulário das pessoas fora da rede, essas expressões não são consideradas como características do uso padrão da língua porque
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Variação Linguística (sociolinguística: norma-padrão × gírias e dialetos sociais)
- ⚡ Nível: Fácil — o próprio texto quase entrega a resposta ao chamar as gírias de "dialeto"; basta reconhecer o conceito de variedade linguística.
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento da variação linguística e distinção entre norma-padrão e variedades sociais da língua.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Por que essas gírias da internet, mesmo migrando para o dia a dia das pessoas, não são consideradas norma-padrão?"
- Palavras-chave decisivas: "não são consideradas... uso padrão", "dialeto", glossário de gírias
- Armadilha típica: confundir "essas palavras passaram a ser usadas por muita gente" (popularização) com "essas palavras se tornaram padrão" — são fenômenos independentes.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a norma-padrão se define por neutralidade e abrangência social, e não por frequência de uso; gírias são marcas de um grupo específico, por isso ficam fora do padrão mesmo quando se espalham.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Norma-padrão: variedade da língua codificada em gramáticas normativas, empregada em contextos formais e institucionais, tomada como referência de correção gramatical, sem marcas de um grupo social específico.
- Variação linguística: toda língua viva varia conforme a região (diatópica), o grupo social (diastrática), a situação de uso (diafásica) e o tempo (diacrônica). Gíria é um caso clássico de variação diastrática, ligada a um grupo determinado — aqui, os usuários de redes sociais.
- Dialeto/gíria de grupo: vocabulário próprio que marca o pertencimento a uma comunidade (no texto, a comunidade digital); mesmo quando se populariza, a expressão continua carregando a marca de origem daquele grupo.
- Prestígio × adequação: nenhuma variedade linguística é "errada" em si — cada uma tem seu contexto adequado de uso. Usar gíria não é erro gramatical, é inadequação ao registro formal que a norma-padrão exige.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "O dialeto já não se restringe só à web" → o próprio texto classifica essas gírias como "dialeto", isto é, reconhece que elas formam uma variedade linguística própria e delimitada, distinta da língua geral.
- Evidência 2: "Lacrou/sambou: ganhar uma discussão..."; "Fazer a egípcia: ignorar algo" → são criações lexicais típicas de um grupo específico, com sentido decifrável apenas por quem compartilha o código daquela comunidade — exatamente a definição de marca de variedade.
- Síntese: o texto mostra que essas expressões nasceram e circulam dentro de uma variedade social específica (a gíria das redes sociais). Por mais que estejam migrando para o uso cotidiano, continuam identificadas como marcas dessa variedade, e é justamente essa identidade de grupo que as impede de ser norma-padrão — a qual, por definição, é neutra e não marcada socialmente.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que está sendo perguntado
A questão não pergunta o que essas palavras significam nem como elas se espalharam pelo Brasil; ela pergunta por que essas expressões NÃO são norma-padrão. É uma pergunta de natureza conceitual sobre sociolinguística: exige uma resposta sobre a natureza dessas palavras — o que elas são do ponto de vista da variação linguística — e não sobre seu uso cotidiano ou seu conteúdo semântico.
Subpasso 4.2 — Aplicar o conceito ao texto
Toda gíria nasce dentro de um grupo social determinado — nesse caso, os usuários de redes sociais, sobretudo o público jovem — e carrega a marca desse grupo mesmo quando se dissemina para outros ambientes. A norma-padrão, ao contrário, é uma convenção supraestrutural: definida por gramáticas normativas e usada em contextos formais, sem vínculo com uma faixa etária, uma geração ou um meio tecnológico específico. Assim, "biscoiteiro", "crush" e "lacrou" são marcas específicas de uma variedade (a gíria digital/juvenil), e é essa identidade de grupo — não a popularidade, não o significado, não quem as usa — o motivo estrutural de essas expressões não pertencerem ao padrão.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando essa conclusão com as cinco alternativas, apenas a opção B enuncia o critério corretamente e por completo: "constituem marcas específicas de uma determinada variedade". Ela coincide exatamente com a leitura sociolinguística que o próprio texto sugere ao usar a palavra "dialeto". As demais alternativas tratam de uso, frequência ou perfil de quem fala — não do critério que efetivamente define a exclusão da norma-padrão.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) definem sentimentos e acontecimentos corriqueiros na web.
❌ Incorreta: descreve o conteúdo semântico das gírias (o que elas significam no dia a dia da internet), não o critério linguístico que as exclui da norma-padrão.
B) constituem marcas específicas de uma determinada variedade.
✅ Correta: é exatamente o critério sociolinguístico em jogo — as gírias identificam um grupo social (variação diastrática), e a norma-padrão exige neutralidade social, por isso essas expressões ficam fora dela.
C) passaram a integrar a fala das pessoas em conversas cotidianas.
❌ Incorreta: descreve a migração e a popularização das gírias, mas essa disseminação não define nem impede o status de norma-padrão — não é o critério cobrado pela questão.
D) são empregadas por quem passa muito tempo nas redes sociais.
❌ Incorreta: fala do perfil do usuário (quem usa a expressão), não da natureza linguística dela; o tempo de uso de redes sociais não determina se uma palavra é ou não padrão.
E) complementam palavras e expressões já conhecidas do português.
❌ Incorreta: descreve um processo de combinação lexical (juntar termos novos a palavras já conhecidas), mas complementar o vocabulário não é incompatível com pertencer ao padrão — não justifica a exclusão.
🏆 Gabarito: B — as gírias analisadas são marcas de uma variedade linguística específica (a gíria das redes sociais); por isso, mesmo populares, não atendem ao critério de neutralidade social exigido pela norma-padrão.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que aponta o critério linguístico correto — "marca de variedade específica" — coerente com o próprio texto, que chama essas gírias de "dialeto".
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a distinção entre norma-padrão e variedades linguísticas (gírias, regionalismos, jargões de grupo), usando textos de gêneros digitais e informais como estímulo.
- Generalização: sempre que a questão perguntar "por que X não é norma-padrão", a resposta correta tende a apontar para "ser marca/identidade de um grupo ou variedade", nunca para popularidade, frequência de uso ou perfil de quem usa.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara as alternativas que descrevem USO ou POPULARIDADE (quem usa, quando, quanto tempo) — elas respondem "como a expressão se espalhou", não "por que não é padrão"; procure a alternativa que fale em "variedade", "grupo" ou "marca social".
- Conexões: sociolinguística (variação diastrática e diafásica), preconceito linguístico, gêneros digitais e novas tecnologias da comunicação.
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