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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 64ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

O Google Earth permite obter imagens aéreas do terraço da sua casa, acompanhar com detalhes a trajetória de um furacão, a temível falha geológica de San Andreas, na Califórnia, ou até mesmo passear pelo Grand Canyon. A nova tecnologia levou a Organização Australiana para a Ciência Nuclear e a Tecnologia a pedir ao Google que censurasse as imagens, tal como já fez com fotos aéreas da Casa Branca, na capital americana. O diretor de operações do organismo australiano se mostrou preocupado, não tanto pelas informações disponíveis atualmente, mas sim pelo futuro de uma tecnologia que pode ir longe demais: “Para nós, parece ser importante saber até onde esta tecnologia pode levar”.

Disponível em: www5.estadao.com.br. Acesso em: 28 jul. 2012.

O avanço das técnicas cartográficas trouxe como consequência um maior detalhamento das informações sobre o mundo. A restrição de alguns países ao amplo acesso a essas informações ocorre porque eles

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geotecnologias (sensoriamento remoto e cartografia digital) e Geopolítica da segurança nacional
  • ⚡ Nível: Fácil — a resposta correta está integralmente ancorada nos exemplos citados no próprio texto (Casa Branca e agência nuclear australiana), sem exigir cálculo ou dado externo além da interpretação atenta
  • 🎯 Tema/Habilidade: Uso político-estratégico das geotecnologias contemporâneas e a relação entre detalhamento cartográfico e soberania/segurança dos Estados
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é o motivo real que leva alguns países a restringir o acesso público a imagens de satélite muito detalhadas?"
  • Palavras-chave decisivas: Casa Branca, Organização Australiana para a Ciência Nuclear e a Tecnologia, censurasse as imagens
  • Armadilha típica: desviar a explicação para um viés econômico ou comercial (patentes, riquezas naturais, sigilo aduaneiro), já que o Google Earth é uma tecnologia associada a empresas privadas — mas o texto não menciona em nenhum momento interesses financeiros, e sim instituições ligadas à defesa e à segurança de Estado.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato identificou o elo comum entre os dois exemplos dados pelo texto (sede do Poder Executivo dos EUA e instalação nuclear australiana): ambos são alvos estratégicos cuja exposição pública fragiliza a segurança nacional.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Sensoriamento remoto e cartografia digital: ferramentas como o Google Earth utilizam imagens de satélite de alta resolução, permitindo visualizar, com nitidez antes reservada a órgãos militares e de inteligência, estruturas, rotas de acesso e instalações que antes só constavam em mapas sigilosos.
  • Geopolítica da informação: no mundo contemporâneo, o controle sobre dados geográficos tornou-se uma dimensão do poder estatal — quem detém a imagem detalhada de um território detém também uma vantagem estratégica sobre ele, o que torna a informação geográfica um recurso a ser protegido, não apenas explorado.
  • Segurança nacional e soberania territorial: Estados costumam restringir a divulgação de informações sobre instalações estratégicas (bases militares, usinas nucleares, sedes de governo) porque a exposição pública desses locais facilita o planejamento de atentados, sabotagens, espionagem ou ataques armados por parte de agentes hostis.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "pedir ao Google que censurasse as imagens, tal como já fez com fotos aéreas da Casa Branca" → mostra que o precedente de censura citado pelo texto envolve a sede do Poder Executivo norte-americano, um dos alvos de segurança nacional mais simbólicos do mundo — não um ativo econômico ou comercial.
  • Evidência 2: "a Organização Australiana para a Ciência Nuclear e a Tecnologia" solicitou a censura → instalações nucleares são, por definição, alvos estratégicos de altíssimo risco, cuja exposição em imagens detalhadas pode facilitar sabotagens, ataques terroristas ou espionagem sobre seu funcionamento e vulnerabilidades.
  • Síntese: os dois únicos exemplos concretos oferecidos pelo texto — Casa Branca e agência nuclear — pertencem ao mesmo eixo temático: proteção contra ameaças à segurança e à integridade física de instalações estratégicas, e não proteção de segredos econômicos, comerciais ou de patentes.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o padrão comum aos exemplos do texto

Observe que a Casa Branca é o centro decisório da segurança nacional dos Estados Unidos, e a instalação nuclear australiana é um ativo de altíssimo valor estratégico e de risco de sabotagem. Embora um seja "civil" (sede de governo) e outro "militar/técnico" (instalação nuclear), ambos compartilham a mesma razão de ser protegidos: evitar que agentes hostis conheçam detalhes que facilitem um ataque.

Subpasso 4.2 — Testar a coerência com a fala do diretor australiano

O texto reproduz a preocupação do diretor de operações: "Para nós, parece ser importante saber até onde esta tecnologia pode levar". Note que ele não fala em perda de receita, vazamento de dados comerciais ou concorrência — fala em risco futuro de uma tecnologia que "pode ir longe demais". Essa fala reforça uma leitura de segurança e defesa, e descarta qualquer leitura econômica.

Subpasso 4.3 — Verificação cruzada com as alternativas

Ao confrontar essa síntese com as cinco alternativas, apenas uma menciona diretamente "ataques de potenciais inimigos" associados a "pontos militares e civis" — formulação que espelha com exatidão os dois exemplos do texto (militar/estratégico: instalação nuclear; civil de alta relevância governamental: Casa Branca). Essa é a alternativa D, o que confirma e fecha o raciocínio construído nos subpassos anteriores.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) tentam proteger as bases de dados patenteadas por algumas empresas nacionais, resguardando seus direitos econômicos.

❌ Incorreta: transforma a questão em um problema de propriedade intelectual e direito comercial. O texto não menciona patentes, empresas nacionais nem direitos econômicos em nenhum momento — os dois exemplos citados (Casa Branca e agência nuclear) são instituições públicas ligadas à segurança de Estado, não empresas privadas defendendo ativos comerciais.

B) receiam divulgar suas riquezas nacionais, tornando-se alvos fáceis para a agenda de expansão e exploração das multinacionais.

❌ Incorreta: desloca o argumento para uma leitura de imperialismo econômico e exploração de recursos naturais, tema ausente do texto. Não há qualquer menção a riquezas nacionais, recursos naturais ou multinacionais interessadas em explorá-los; os exemplos dados são de segurança institucional, não de geografia econômica.

C) pretendem ocultar dados econômicos cartografados de natureza sigilosa, muito úteis nas negociações de acordos aduaneiros.

❌ Incorreta: insiste no mesmo desvio econômico das alternativas anteriores, agora associado a comércio exterior e acordos aduaneiros. Nenhum dos dois exemplos do texto (sede de governo e instalação nuclear) tem relação com negociações comerciais entre países.

D) temem ficar expostos a ataques de potenciais inimigos, que estudam sua geografia e de seus pontos militares e civis.

✅ Correta: é a única alternativa que enquadra corretamente os dois exemplos do texto sob o mesmo guarda-chuva conceitual — a Casa Branca como ponto civil de altíssima relevância estratégica e a instalação nuclear australiana como ponto militar/técnico sensível. Ambos ilustram o temor de que o detalhamento cartográfico seja usado por "potenciais inimigos" para planejar ataques.

E) almejam manter segredo sobre o potencial atômico que cada nação desenvolve em suas usinas nucleares, evitando sanções da ONU.

❌ Incorreta: é uma alternativa parcial e com erro adicional. Ela cobre apenas o exemplo da agência nuclear, ignorando completamente o caso da Casa Branca, e ainda erra o motivo: o texto fala em temor de ataques e em "até onde a tecnologia pode ir", não em evitar sanções internacionais por proliferação nuclear — tema que sequer é mencionado.

🏆 Gabarito: D — apenas essa alternativa generaliza corretamente os dois exemplos do texto (Casa Branca e instalação nuclear) sob o motivo comum de temor a ataques contra pontos estratégicos, sejam eles militares ou civis.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa D é a única que abrange, ao mesmo tempo, o exemplo civil (Casa Branca) e o exemplo militar/técnico (instalação nuclear) citados no texto, exatamente sob o argumento de segurança nacional e temor de ataque.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma testar geotecnologias (GPS, sensoriamento remoto, Sistemas de Informação Geográfica) associadas a temas de geopolítica contemporânea, como vigilância digital, soberania territorial e o dilema entre transparência da informação e segurança do Estado.
  • Generalização: quando o enunciado apresenta exemplos concretos e específicos (instituições, casos, fatos citados na reportagem), a alternativa correta é sempre aquela capaz de explicar TODOS os exemplos citados de forma coerente — nunca apenas parte deles.
  • Dica de eliminação rápida: em textos sobre segurança e censura de informações, desconfie de alternativas que introduzem vocabulário econômico-comercial (patente, riqueza, multinacional, acordo aduaneiro) sem que o texto-base tenha mencionado nada disso — normalmente são distratores construídos para testar a leitura superficial.
  • Conexões: geopolítica da vigilância e da informação; tecnologias de sensoriamento remoto e SIG aplicadas à defesa; fronteiras, soberania territorial e conflitos armados no mundo contemporâneo.

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