Mapa de questões · 1º dia
Questão 74 — ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia
Hoje o Rio de Janeiro é famoso pela bela alcunha de “Cidade Maravilhosa”, mas seu passado esconde apelidos muito menos lisonjeiros. “Porto Sujo” e “Cidade da Morte” eram os nomes que os estrangeiros usavam para se referir à capital fluminense antes da Reforma Pereira Passos. Muitos navios passaram a evitar a Baía de Guanabara por medo. Em um episódio dramático, em 1895, 333 marinheiros do navio italiano Lombardia, que tinha 340 tripulantes, contraíram febre amarela, e 234 morreram.
BIAS, M. Passado a limpo. Disponível em: www.revistadehistoria.com.br. Acesso em: 14 abr. 2015 (adaptado).
Os termos pelos quais a cidade era conhecida no passado, antes da reforma mencionada no texto, são explicados pela associação entre os seguintes fatores:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil República Velha; urbanização e saúde pública no Rio de Janeiro na virada do século XIX-XX
- ⚡ Nível: Fácil — o texto já entrega a causa (epidemia mortal) e o efeito (apelidos), bastando reconhecer o par insalubridade/desordem urbana
- 🎯 Tema/Habilidade: Reforma Pereira Passos e reforma sanitarista de Oswaldo Cruz; associar um processo histórico à reorganização do espaço urbano e às condições de vida da população
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual dupla de fatores explica os apelidos 'Porto Sujo' e 'Cidade da Morte' dados ao Rio antes da Reforma Pereira Passos?"
- Palavras-chave decisivas: febre amarela, 234 morreram, Reforma Pereira Passos
- Armadilha típica: associar os apelidos a "pobreza e corrupção" (D) ou "criminalidade e decadência moral" (C), projetando estereótipos em vez de se prender ao que o texto narra: uma tragédia sanitária.
- O que a resposta precisa demonstrar: que os apelidos nasceram da combinação entre cidade doente (epidemias) e cidade mal planejada (ocupação caótica), não de fatores econômicos, morais ou demográficos isolados.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Rio pré-reforma: capital da República desde 1889, mas com traçado colonial estreito, cortiços superlotados (o Cabeça de Porco abrigava milhares) e ausência quase total de esgoto, água tratada e coleta de lixo.
- Epidemias urbanas: febre amarela (mosquito hoje identificado como Aedes aegypti), varíola e peste bubônica se espalhavam com facilidade em ambiente sem saneamento e grande aglomeração populacional.
- Reforma Pereira Passos (1902-1906): o "bota-abaixo" — demolição de cortiços e abertura de avenidas largas (atual Rio Branco), inspirada no urbanismo higienista de Haussmann — resposta direta à ocupação desordenada.
- Campanha sanitarista de Oswaldo Cruz: extermínio de focos do mosquito, isolamento de doentes e vacinação obrigatória — resposta direta à insalubridade. Gerou a Revolta da Vacina (1904), sintoma do conflito entre elite higienista e população pobre expulsa do centro.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "'Porto Sujo' e 'Cidade da Morte' eram os nomes que os estrangeiros usavam" → apelidos cunhados por quem observava a cidade de fora, pelo porto e pelo rastro de mortes que ele deixava.
- Evidência 2: "333 marinheiros... contraíram febre amarela, e 234 morreram" → prova quantificada da letalidade das epidemias ligadas à falta de controle sanitário do porto. Dos 340 tripulantes, 333 se infectaram (≈97,9%) e 234 morreram (≈68,8% do total), números que explicam por que "Cidade da Morte" não era exagero.
- Síntese: o texto liga causa (ambiente urbano sujo, sem saneamento, ocupação irregular) a efeito (epidemias fatais que afugentavam navios) — o par "insalubridade + ocupação desordenada" da alternativa B.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar o gatilho dos apelidos
Os apelidos surgem no contexto de uma epidemia que dizimou uma tripulação inteira — não há menção a dívidas, crimes, corrupção ou fluxo migratório. O gatilho é exclusivamente sanitário: doença, contágio e morte em massa.
Subpasso 4.2 — Ligar a epidemia à forma como a cidade estava organizada
A febre amarela prospera onde há água parada, esgoto a céu aberto e cortiços amontoados sem planejamento. Insalubridade e ocupação desordenada se retroalimentam: essa combinação torna o Rio um "porto sujo" (visível, imediato) e uma "cidade da morte" (consequência letal recorrente).
Subpasso 4.3 — Verificação cruzada com a própria reforma citada
A Reforma Pereira Passos atacou justamente duas frentes — demolir cortiços e abrir vias (reorganizar a ocupação) e sanear a cidade contra epidemias (combater a insalubridade). O problema que ela veio resolver só pode ser esse mesmo par: a "cura" espelha a "doença", confirmando a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Endividamento e dependência financeira.
❌ Incorreta: o texto não menciona dívidas públicas nem dependência de credores; a narrativa gira em torno de doença e morte, não de finanças.
B) Insalubridade e ocupação desordenada.
✅ Correta: reúne os dois elementos evidenciados — a insalubridade explica as epidemias (febre amarela, mortes em massa) e a ocupação desordenada explica por que elas se espalhavam tão rápido (cortiços, ausência de saneamento). É esse par que a Reforma Pereira Passos e a campanha de Oswaldo Cruz vieram combater.
C) Criminalidade e decadência moral.
❌ Incorreta: não há no texto referência a crimes, violência ou julgamento moral; seria projetar um estereótipo do senso comum sobre cidades portuárias.
D) Pobreza e corrupção política.
❌ Incorreta: a pobreza estava presente na paisagem urbana, mas não é o fator citado para explicar os apelidos, e corrupção política sequer é mencionada. O texto aponta uma epidemia, não um problema de gestão pública.
E) Imigração e êxodo rural.
❌ Incorreta: são fenômenos demográficos que ajudaram a inchar a população carioca, mas não são a explicação direta dada pelo texto — o foco do trecho é a tragédia sanitária do navio Lombardia, não o crescimento populacional.
🏆 Gabarito: B — os apelidos só fazem sentido quando se entende que insalubridade (epidemias) e ocupação desordenada (cortiços, sem saneamento) se retroalimentavam, formando o problema que a Reforma Pereira Passos e a campanha de Oswaldo Cruz vieram resolver.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: nenhuma outra alternativa dialoga com o núcleo do texto — uma epidemia associada à falta de controle sanitário e urbano. Só a letra B nomeia os dois fatores por trás da sujeira do porto e da mortandade da "Cidade da Morte".
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora a virada do século XIX-XX no Rio — Reforma Pereira Passos, campanha de Oswaldo Cruz e a Revolta da Vacina (1904) — amarrando urbanismo higienista a controle epidêmico e conflitos sociais.
- Generalização: diante de um "antes e depois" de reforma urbana ou sanitária, busque o par causa (problema relatado) → solução (política pública citada); a alternativa correta costuma espelhar o que a reforma buscou resolver.
- Dica de eliminação rápida: elimine alternativas com fatores ausentes do texto (moral, crime, corrupção, dívida, migração) e fique com os substantivos literais do relato.
- Conexões: Revolta da Vacina; campanha sanitarista de Oswaldo Cruz contra febre amarela, varíola e peste bubônica.
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