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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 46ENEM 2021 PPLCaderno azul · 1º Dia

A riqueza que fez de Manaus uma cidade cosmopolita foi gerada por uma árvore da floresta, a seringueira. No final do século XIX, a borracha, flexível e à prova-d'água, causou furor em um mundo em plena expansão industrial, mas acostumado a lidar apenas com madeira e ferro. O látex, suco que emana da seringueira e é a matriz da borracha, respondia em 1920 por um quarto de todas as exportações brasileiras e saía da Amazônia em barcos a vapor direto para a Europa e os Estados Unidos, onde fábricas produziam de espartilho a mola para porta e zepelins.

National Geographic, n. 143, fev. 2012 (adaptado).

A atividade econômica mencionada no texto propiciou ao Brasil e à Europa desempenhar, respectivamente, os papéis de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → economia primário-exportadora no Brasil Republicano; Ciclo da Borracha; Divisão Internacional do Trabalho (DIT)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular um texto de divulgação com o conceito de DIT, sem que o termo apareça explicitamente
  • 🎯 Tema/Habilidade: O papel periférico do Brasil na economia-mundo do início do século XX (compreender transformações econômicas decorrentes da modernização capitalista)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi o papel do Brasil na cadeia produtiva mundial durante o ciclo da borracha, considerando de onde saía a matéria-prima e onde ela virava produto acabado?"
  • Palavras-chave decisivas: látex (matéria-prima bruta), saía da Amazônia... direto para a Europa e os Estados Unidos, fábricas produziam (a transformação ocorre fora do Brasil)
  • Armadilha típica: confundir "riqueza" e "cidade cosmopolita" (Manaus, com sua ópera e luxo europeu) com sofisticação produtiva — o texto fala de circulação de capital e consumo suntuário, não de capacidade industrial brasileira
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o Brasil ocupava a ponta inicial (extração de matéria-prima) da cadeia global, enquanto a inovação tecnológica acontecia nos países centrais

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Divisão Internacional do Trabalho (DIT): modelo consolidado após a Revolução Industrial em que países periféricos, como o Brasil, especializam-se em exportar matérias-primas, enquanto países centrais (Europa e EUA) concentram industrialização e inovação tecnológica.
  • Ciclo da Borracha (1879-1912): exploração extrativista do látex na Amazônia, sustentada por seringueiros em regime de trabalho semiescravo (sistema de aviamento), até a concorrência das plantações asiáticas encerrar o ciclo.
  • Belle Époque amazônica: enriquecimento de uma elite de exportadores e modernização de Manaus e Belém (Teatro Amazonas, energia elétrica, bondes) financiada pela renda do látex — sem que se desenvolvesse parque industrial local.
  • Economia primário-exportadora: padrão estrutural brasileiro desde a colônia até o início da industrialização: produzir bens primários para exportação e importar manufaturados dos países centrais.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "O látex... saía da Amazônia em barcos a vapor direto para a Europa e os Estados Unidos" → o Brasil exporta a matéria-prima bruta, sem beneficiamento industrial local.
  • Evidência 2: "onde fábricas produziam de espartilho a mola para porta e zepelins" → é no destino que ocorre a transformação tecnológica do látex em produtos de alto valor agregado, do vestuário ao transporte aéreo.
  • Síntese: o texto desenha, sem nomeá-lo, o mecanismo da Divisão Internacional do Trabalho: o Brasil entra na engrenagem capitalista mundial fornecendo matéria-prima, e as potências industriais entram como produtoras da inovação que dá valor final a esse insumo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o fluxo de mercadoria descrito

O enunciado narra um trajeto: látex extraído na floresta → embarcado em Manaus/Belém → transportado por navios a vapor → transformado em fábricas europeias e estadunidenses em espartilhos, molas de porta e estruturas de zepelins. O trajeto é unidirecional em complexidade: sai matéria-prima bruta, e o valor tecnológico é adicionado apenas no destino.

Subpasso 4.2 — Relacionar o fluxo ao papel estrutural do Brasil

Nenhuma etapa de industrialização ou inovação aparece ligada ao território brasileiro. A riqueza de Manaus vinha da renda da exportação, não da manufatura. Isso posiciona o Brasil como "provedor de matéria-prima", enquanto Europa e EUA são os "produtores de inovação tecnológica" que convertiam látex em zepelim.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando a síntese do Passo 3 com a alternativa D, a correspondência é direta: o primeiro termo descreve o Brasil, o segundo descreve os países centrais citados no texto. Nenhuma outra alternativa reproduz essa relação sem contradizer alguma evidência textual, como o Passo 5 confirma.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) instrutor de mão de obra estrangeira — formador de profissionais especializados.

❌ Incorreta: o texto não menciona transferência de conhecimento técnico do Brasil ao exterior. A mão de obra amazônica (seringueiros) era explorada em condições precárias, sem qualificação reconhecida; quem detinha o saber técnico sobre vulcanização e usos industriais da borracha era o eixo EUA-Europa.

B) fornecedor de produtos manufaturados — distribuidor da produção artesanal.

❌ Incorreta: inverte a lógica do texto. O Brasil exportava látex bruto, não manufaturados; quem produzia bens acabados (espartilhos, molas, zepelins) eram as fábricas estrangeiras. Também não há qualquer menção a "distribuição de produção artesanal".

C) renovador de técnicas extrativistas — despachador de insumos industriais.

❌ Incorreta: a segunda parte até se aproxima da ideia de exportar matéria-prima, mas a primeira é falsa — não houve renovação técnica no extrativismo da borracha; o método de coleta do látex permaneceu artesanal e rudimentar do início ao fim do ciclo, sustentado pela exploração da mão de obra, não por inovação.

D) provedor de matéria-prima — produtor de inovação tecnológica.

✅ Correta: reflete com exatidão o fluxo descrito — o látex sai do Brasil e é transformado, nas fábricas europeias e estadunidenses, em produtos tecnologicamente inovadores para a época. É a essência da DIT que caracterizou o ciclo da borracha: periferia fornece insumo, centro industrializa e inova.

E) criador de trocas comerciais — inventor de câmbios mercantis.

❌ Incorreta: generaliza sem respaldo textual. O Brasil não "criou" trocas comerciais internacionais, que já existiam havia séculos, nem "inventou" mecanismos de câmbio; apenas se inseriu, como fornecedor, num sistema já estruturado pelas potências industriais.

🏆 Gabarito: D — o texto mostra o Brasil como exportador de látex bruto e a Europa/EUA como produtores da inovação tecnológica que transformava esse látex em bens de consumo, caracterizando o padrão típico da Divisão Internacional do Trabalho.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D reproduz, sem inversão nem invenção, a relação de troca desigual descrita no texto — Brasil como origem da matéria-prima, países centrais como destino da industrialização.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorre a textos de divulgação (como a National Geographic aqui) para testar se o estudante reconhece, por trás de uma narrativa aparentemente neutra, o padrão da economia primário-exportadora e da DIT — vale para borracha, café, açúcar e minério em diferentes períodos.
  • Generalização: sempre que um texto de História Econômica descrever um produto saindo bruto do Brasil e retornando (ou sendo consumido fora) como bem industrializado, a resposta gira em torno do par "fornecedor de matéria-prima / periferia" versus "produtor de manufaturados-tecnologia / centro do capitalismo".
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que atribua ao Brasil produção de manufaturados, formação de mão de obra estrangeira ou invenção de mecanismos comerciais — sobra sempre a opção que trata o Brasil como fornecedor de insumo primário.
  • Conexões: compare com o Ciclo do Café (economia cafeeira e imigração) e com a crise da borracha após 1912 (concorrência asiática e queda de Manaus).

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