Mapa de questões · 2º dia
Questão 165 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia
Um pintor cobra R$ 240,00 por dia de trabalho, que equivale a 8 horas de trabalho num dia. Quando é chamado para um serviço, esse pintor trabalha 8 horas por dia com exceção, talvez, do seu último dia nesse serviço. Nesse último dia, caso trabalhe até 4 horas, ele cobra metade do valor de um dia de trabalho. Caso trabalhe mais de 4 horas, cobra o valor correspondente a um dia de trabalho. Esse pintor gasta 8 horas para pintar uma vez uma área de 40 m2. Um cliente deseja pintar as paredes de sua casa, com uma área total de 260 m2. Ele quer que essa área seja pintada o maior número possível de vezes para que a qualidade da pintura seja a melhor possível. O orçamento desse cliente para a pintura é de R$ 4 600,00.
Quantas vezes, no máximo, as paredes da casa poderão ser pintadas com o orçamento do cliente?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Razão e proporção aplicadas a problemas de custo com função definida por partes
- ⚡ Nível: Médio — exige encadear várias etapas (taxa de rendimento, conversão de unidades, regra de cobrança por faixas e testagem de valores) sem nenhuma delas ser, isoladamente, complexa
- 🎯 Tema/Habilidade: Proporcionalidade e resolução de situação-problema com restrição orçamentária (Competência de Área 5 — grandezas e suas relações)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Quantas vezes, no máximo, o pintor consegue pintar a área de 260 m² sem que o custo total ultrapasse o orçamento de R$ 4.600,00?"
- Palavras-chave decisivas: maior número possível de vezes, orçamento de R$ 4.600,00, último dia
- Armadilha típica: aplicar a regra do "último dia" (cobrança pela metade se trabalhar até 4h) a cada repetição da pintura, em vez de aplicá-la uma única vez, sobre o resto de horas do total do serviço inteiro.
- O que a resposta precisa demonstrar: o cálculo correto da taxa de pintura (m² por hora), a conversão do total de horas necessárias em dias de trabalho, a aplicação da regra de cobrança por faixas no resto de horas e a comparação sistemática com o orçamento disponível para achar o maior N possível.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Razão/taxa de trabalho: relação entre área pintada e tempo gasto (m²/hora), usada para prever quanto tempo qualquer área exigirá.
- Função definida por partes (custo por faixas): o valor cobrado no último dia de serviço depende do intervalo em que a fração de horas trabalhadas se encaixa (até 4h ou mais de 4h).
- Divisão euclidiana (quociente e resto): o total de horas de um serviço se decompõe em dias completos (quociente) e horas restantes (resto), que é exatamente o que decide a cobrança do último dia.
- Otimização com restrição: o cliente quer o maior N (número de repetições) tal que custo(N) ≤ orçamento — a estratégia é testar valores crescentes de N até o custo ultrapassar o limite.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "cobra R$ 240,00 por dia de trabalho, que equivale a 8 horas" → define o valor da diária e a duração-padrão do dia de serviço (base para toda a conta de custo).
- Evidência 2: "caso trabalhe até 4 horas, cobra metade... caso trabalhe mais de 4 horas, cobra o valor de um dia inteiro" → regra de arredondamento que se aplica apenas ao resto de horas do total trabalhado no serviço, não a cada "camada" de tinta separadamente.
- Evidência 3: "gasta 8 horas para pintar uma vez uma área de 40 m²" → fornece a taxa de rendimento do pintor: 40 m² a cada 8 horas.
- Evidência 4: "pintada o maior número possível de vezes... orçamento... R$ 4.600,00" → o problema pede o maior número inteiro N de repetições completas da pintura de 260 m² cujo custo total não ultrapasse R$ 4.600,00.
- Síntese: basta transformar "quantas vezes pintar 260 m²" em "quantas horas de trabalho isso exige", converter essas horas em dias (usando a regra do último dia) e comparar o custo resultante com o teto de R$ 4.600,00, testando N = 1, 2, 3…
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Taxa de rendimento do pintor
O enunciado informa que 8 horas de trabalho pintam 40 m². Logo, a taxa de rendimento é:
40 m² ÷ 8 h = 5 m²/hora
Isso significa que, para pintar a área do cliente (260 m²) uma única vez, o tempo necessário é:
260 m² ÷ 5 m²/h = 52 horas
Subpasso 4.2 — Modelando o custo para N repetições
Se o cliente quer pintar a área N vezes, o total de horas de trabalho é:
H(N) = 52 × N horas
Convertendo H(N) em dias completos de 8h, com resto r (0 ≤ r < 8):
H(N) = 8·q + r
E a regra de cobrança do enunciado se traduz em:
- se r = 0 → custo = 240·q (só dias cheios, sem sobra de horas)
- se 0 < r ≤ 4 → custo = 240·q + 120 (dias cheios + meia diária no resto)
- se r > 4 → custo = 240·q + 240 (dias cheios + diária inteira no resto)
Subpasso 4.3 — Testando N crescente até estourar o orçamento
N = 1: H = 52 h = 8×6 + 4 → q = 6, r = 4 (≤ 4h) → Custo = 240×6 + 120 = R$ 1.560,00 (cabe, com folga)
N = 2: H = 104 h = 8×13 + 0 → q = 13, r = 0 → Custo = 240×13 = R$ 3.120,00 (ainda cabe nos R$ 4.600,00)
N = 3: H = 156 h = 8×19 + 4 → q = 19, r = 4 (≤ 4h) → Custo = 240×19 + 120 = 4.560 + 120 = R$ 4.680,00 (ultrapassa o orçamento em R$ 80,00)
Subpasso 4.4 — Verificação
O custo cresce de forma determinística com o número de dias trabalhados — não há como "economizar" horas dentro da regra dada. Pintar 3 vezes exige, obrigatoriamente, R$ 4.680,00, R$ 80,00 além do orçamento. Já pintar 2 vezes custa R$ 3.120,00 e cabe com folga. Logo, o maior número possível de repetições é 2, confirmando a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 1
❌ Incorreta: pintar a área apenas uma vez custaria R$ 1.560,00, valor bem abaixo do orçamento de R$ 4.600,00. Como ainda sobrariam R$ 3.040,00 — suficientes para bancar uma segunda pintura completa (R$ 3.120,00 no total acumulado) —, essa alternativa subutiliza o orçamento e não representa o "maior número possível de vezes".
B) 2
✅ Correta: pintar a área duas vezes custa exatamente R$ 3.120,00, dentro do limite de R$ 4.600,00. Uma terceira repetição elevaria o custo para R$ 4.680,00, ultrapassando o orçamento em R$ 80,00. Logo, 2 é o maior número de repetições completas que o cliente pode pagar.
C) 3
❌ Incorreta: exigiria R$ 4.680,00, valor que excede o orçamento de R$ 4.600,00. Esse erro costuma surgir de esquecer que, mesmo o resto de horas sendo pequeno (4h no último dia), ele ainda gera uma cobrança adicional de meia diária (R$ 120,00), que empurra o total para além do limite disponível.
D) 5
❌ Incorreta: pintar a área 5 vezes exigiria 260 horas de trabalho (32 dias completos + 4h), resultando em um custo de R$ 7.800,00 — mais de 1,5 vez o orçamento disponível. Esse valor só pareceria plausível se o candidato ignorasse a taxa real de rendimento (5 m²/hora) ou não convertesse corretamente a área total em horas de serviço.
E) 6
❌ Incorreta: pintar a área 6 vezes exigiria 312 horas de trabalho (39 dias completos, sem resto), custando R$ 9.360,00 — mais que o dobro do orçamento. Esse resultado costuma aparecer quando o candidato superestima o rendimento do pintor ou aplica a diária de R$ 240,00 apenas uma vez para todo o serviço, em vez de multiplicá-la pelo número real de dias trabalhados.
🏆 Gabarito: B — pintar a área duas vezes custa R$ 3.120,00 (dentro do orçamento), enquanto uma terceira repetição custaria R$ 4.680,00, ultrapassando os R$ 4.600,00 disponíveis; logo, 2 é o maior número de vezes possível.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente N = 2 satisfaz simultaneamente a condição de ser o maior valor inteiro e respeitar o teto orçamentário de R$ 4.600,00; N = 1 desperdiça orçamento e N = 3 (ou mais) o ultrapassa.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente combina razão/proporção com uma "tabela de preços por faixa" (aqui, o valor do último dia), testando se o candidato consegue transformar uma regra verbal em uma condição matemática (r ≤ 4 ou r > 4) e aplicá-la corretamente ao problema.
- Generalização: em problemas de "quantas vezes cabe no orçamento", a estratégia mais segura é sempre calcular o custo de cada quantidade inteira em ordem crescente (N = 1, 2, 3…) até o primeiro valor que ultrapassa o limite — a resposta é sempre o último valor que ainda coube.
- Dica de eliminação rápida: calcule primeiro o custo do caso mais simples (N = 1 ou N = 2, que costuma dar número redondo de dias) para descartar de imediato as alternativas absurdamente altas (como D e E), que normalmente resultam de erro de conversão de unidades (m² ↔ horas) e não de erro na regra de cobrança.
- Conexões: este tipo de questão se conecta a problemas de "razão e proporção com restrição de recursos" (como litros de tinta por m², rendimento de combustível por km) e a problemas de "função por partes" que aparecem em contas de água, luz e tarifas com faixas de consumo.
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