Mapa de questões · 2º dia
Questão 150 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia
Um país decide investir recursos na educação em suas cidades que tenham um alto nível de analfabetismo. Os recursos serão divididos de acordo com a idade média da população que é analfabeta, conforme apresentado no quadro.

Uma cidade desse país possui 60/100 do total de analfabetos de sua população composto por mulheres. A média de idade das mulheres analfabetas é de 30 anos, e a média de idade dos homens analfabetos é de 35 anos.
Considerando a média de idade da população analfabeta dessa cidade, ela receberá o recurso
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da questão
- Matéria: Matemática → Estatística → média ponderada
- Habilidade: H25 — resolver problema com dados apresentados em tabelas ou gráficos
- Nível: Médio — a conta é curta, mas o item cobra duas coisas ao mesmo tempo: usar o peso certo e ler a desigualdade da faixa com atenção ao sinal
- Gabarito: revelado no Passo 4
🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando
- O comando, em uma linha: calcular a idade média de toda a população analfabeta da cidade e localizar esse valor no quadro de faixas.
- Palavras-chave decisivas: 60/100 do total de analfabetos é composto por mulheres; média de idade das mulheres, 30 anos; média de idade dos homens, 35 anos; idade média da população analfabeta.
- A armadilha: somar 30 com 35 e dividir por 2. Esse caminho dá 32,5 e cai numa faixa vizinha — o item foi montado para que a média simples e a média ponderada caiam em recursos diferentes. Quem erra o tipo de média não percebe, porque o número obtido também está no quadro.
- O que a resposta precisa mostrar: que você reconhece que os dois grupos têm tamanhos diferentes e por isso pesam diferente na média — e que sabe ler o sinal ≤ no limite da faixa.
📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo
- Média aritmética simples: soma dos valores dividida pela quantidade de valores. Só vale quando todos os valores têm a mesma importância — ou seja, quando os grupos têm o mesmo tamanho.
- Média aritmética ponderada: cada valor entra multiplicado por um peso, e a soma é dividida pela soma dos pesos. Fórmula: M = (x₁ × p₁ + x₂ × p₂) ÷ (p₁ + p₂). Aqui os pesos são as frações da população que cada grupo representa.
- Peso em forma de fração da unidade: quando os pesos já somam 1 (ou 100%), o denominador some e a conta vira só a soma dos produtos. É o caso deste item: 0,60 + 0,40 = 1.
- Complementar de uma fração: se 60/100 dos analfabetos são mulheres, o restante é 100/100 − 60/100 = 40/100. Esse dado não está escrito no enunciado; é você que precisa deduzi-lo.
- Leitura de intervalo com ≤: o símbolo ≤ significa "menor ou igual". Numa faixa escrita como 27 < M ≤ 32, o valor 32 pertence à faixa; o valor 27 não. Confundir os dois extremos é o segundo erro mais comum deste tipo de item.
🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado
- Evidência 1: "possui 60/100 do total de analfabetos de sua população composto por mulheres" → peso das mulheres = 0,60. Por complementaridade, peso dos homens = 0,40.
- Evidência 2: "A média de idade das mulheres analfabetas é de 30 anos" → valor 30, associado ao peso maior.
- Evidência 3: "a média de idade dos homens analfabetos é de 35 anos" → valor 35, associado ao peso menor.
- Evidência 4 (quadro): as cinco faixas de idade média M são: recurso I para M ≤ 22; II para 22 < M ≤ 27; III para 27 < M ≤ 32; IV para 32 < M ≤ 37; V para M > 37. Repare que os limites 22, 27, 32 e 37 pertencem sempre à faixa de baixo, por causa do sinal ≤.
- Síntese: o grupo mais velho é o menor dos dois. A média final tem de ficar mais perto de 30 do que de 35 — e essa observação já indica a faixa antes de qualquer conta.
🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo
4.1 — Escrever os pesos
O enunciado dá só a fração das mulheres. A dos homens sai por diferença:
- mulheres: 60/100 = 0,60
- homens: 100/100 − 60/100 = 40/100 = 0,40
- verificação dos pesos: 0,60 + 0,40 = 1,00 ✓
Como os pesos somam 1, não é preciso dividir por nada no final.
4.2 — Aplicar a média ponderada
M = (30 × 0,60) + (35 × 0,40)
- 30 × 0,60 = 18 → contribuição das mulheres, que são 60% do grupo
- 35 × 0,40 = 14 → contribuição dos homens, que são 40% do grupo
- M = 18 + 14 = 32 anos
Se preferir trabalhar com números inteiros, imagine 100 analfabetos: 60 mulheres e 40 homens.
- soma das idades das mulheres: 60 × 30 = 1 800 anos
- soma das idades dos homens: 40 × 35 = 1 400 anos
- soma total: 1 800 + 1 400 = 3 200 anos
- M = 3 200 ÷ 100 = 32 anos ✓
Os dois caminhos dão o mesmo valor, como esperado.
4.3 — Localizar 32 no quadro
Agora vem a parte em que o item cobra atenção. Onde está o número 32?
- faixa III: 27 < M ≤ 32 → inclui o 32, porque o sinal é ≤
- faixa IV: 32 < M ≤ 37 → exclui o 32, porque o sinal é <
O valor 32 é exatamente o extremo superior da faixa III, e o ≤ o coloca dentro dela.
4.4 — Verificação
Confira o resultado pelo bom senso antes de marcar: a média ponderada tem de cair entre 30 e 35, mais próxima de 30, já que o grupo de 30 anos é maior. O valor 32 está a 2 anos de 30 e a 3 anos de 35 — coerente com a proporção 60 para 40.
Confira também o desvio da armadilha: a média simples seria (30 + 35) ÷ 2 = 32,5, que cai em 32 < M ≤ 37, ou seja, no recurso IV. Como os grupos não têm o mesmo tamanho, a média simples não se aplica. Gabarito: C.
✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas
❌ (A) I — Corresponde a M ≤ 22. Nenhum caminho de cálculo com os dados dados leva a um valor tão baixo: a média ponderada de dois grupos precisa ficar entre os dois valores originais, e o menor deles é 30. Marcar I significa ter perdido a relação entre média e os valores que a compõem.
❌ (B) II — Corresponde a 22 < M ≤ 27. Mesmo problema de A: 27 é menor que 30, e nenhuma média de 30 com 35 pode ficar abaixo de 30. Atrai quem tenta ponderar invertendo a operação, multiplicando as idades pelos pesos e dividindo de novo por 2.
✅ (C) III — Corresponde a 27 < M ≤ 32. A média ponderada é (30 × 0,60) + (35 × 0,40) = 18 + 14 = 32 anos, e o sinal ≤ no limite superior coloca o 32 dentro desta faixa. É a única alternativa compatível com o peso maior do grupo mais jovem.
❌ (D) IV — Corresponde a 32 < M ≤ 37. É o distrator forte, e captura dois erros diferentes. O primeiro é usar a média simples: (30 + 35) ÷ 2 = 32,5, que de fato cai aqui. O segundo é acertar o 32 e ler mal a desigualdade, colocando o valor na faixa que começa em 32 — mas essa faixa é aberta no 32, e portanto o exclui.
❌ (E) V — Corresponde a M > 37. O valor 37 é maior que as duas médias fornecidas. Marcar V exige ter somado as idades sem dividir (30 + 35 = 65) ou ter trocado pesos por multiplicadores independentes. Nenhuma média de 30 e 35 ultrapassa 35.
Gabarito: C — a idade média ponderada é 32 anos, e o intervalo 27 < M ≤ 32 contém esse valor porque seu limite superior é fechado.
🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova
- Por que só C se sustenta: A, B e E ficam fora do intervalo de 30 a 35, onde toda média desses dois grupos obrigatoriamente cai. D só é alcançada por média simples ou por leitura errada do sinal ≤.
- Como o ENEM cobra isso: o exame quase nunca usa a palavra "ponderada". Ele dá dois ou mais grupos de tamanhos diferentes com suas médias e pergunta a média do conjunto. Já apareceu com notas por turma, salários por setor, consumo por faixa de renda. Sempre que houver grupos desiguais, a média é ponderada.
- A regra geral: média de médias só vale quando os grupos têm o mesmo tamanho. Fora disso, cada média entra multiplicada pela fração que seu grupo representa no total.
- Eliminação em 30 segundos: a média ponderada fica sempre entre o menor e o maior valor, e mais perto do valor do grupo maior. Aqui: entre 30 e 35, puxada para 30. Isso já derruba I, II e V sem nenhuma conta, e deixa só III e IV — decididas pelo sinal da desigualdade.
- Temas que costumam vir junto: média, mediana e moda em quadro de frequências, porcentagem como peso, leitura de intervalos com < e ≤, e o cálculo de nota final com pesos diferentes por avaliação.
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