Mapa de questões · 2º dia
Questão 132 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia
Um foguete viaja pelo espaço sideral com os propulsores desligados. A velocidade inicial v tem módulo constante e direção perpendicular à ação dos propulsores, conforme indicado na figura. O piloto aciona os propulsores para alterar a direção do movimento quando o foguete passa pelo ponto A e os desliga quando o módulo de sua velocidade final é superior a 2 | v |, o que ocorre antes de passar pelo ponto B. Considere as interações desprezíveis.

A representação gráfica da trajetória seguida pelo foguete, antes e depois de passar pelo ponto B, é:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Cinemática Vetorial e Leis de Newton (composição de movimentos, trajetória sob força perpendicular à velocidade)
- ⚡ Nível: Difícil — exige traduzir um enunciado físico em leitura gráfica precisa, combinando a 2ª Lei de Newton (força ⇒ curva) com a 1ª Lei (sem força ⇒ reta) em trechos diferentes da mesma trajetória.
- 🎯 Tema/Habilidade: Composição de movimentos (análogo ao lançamento horizontal de projéteis) e aplicação das Leis de Newton na interpretação de uma trajetória gráfica.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual gráfico mostra a curva de A até antes de B, enquanto os propulsores empurram, seguida de reta a partir do desligamento?"
- Palavras-chave decisivas: perpendicular à ação dos propulsores, desliga... antes de passar por B, superior a 2|v|
- Armadilha típica: achar que a mudança de direção é abrupta (uma "quina") ou que a trajetória continua curvando depois de B, mesmo com o motor já desligado.
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que só existe curva entre A e o desligamento (antes de B); depois disso, sem força, o movimento é retilíneo.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- 1ª Lei de Newton (Inércia): sem força resultante (interações desprezíveis, motor desligado), a velocidade vetorial permanece constante — trajetória retilínea uniforme.
- Composição de movimentos: força constante perpendicular a uma velocidade inicial soma um MRU (direção original) a um MRUV (direção da força) — a mesma matemática do lançamento horizontal, que produz uma parábola.
- 2ª Lei de Newton: enquanto os propulsores atuam há aceleração constante perpendicular a v, curvando a trajetória de forma suave e crescente — nunca em "quinas".
- Módulo da velocidade final: vf² = vx² + vy², usado para checar a inclinação mínima da reta após o desligamento.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "v... direção perpendicular à ação dos propulsores" → antes de A, MRU horizontal; a futura força será vertical.
- Evidência 2: "aciona os propulsores... quando passa por A" → só a partir de A existe força e, portanto, curva.
- Evidência 3: "desliga quando... superior a 2|v|, o que ocorre antes de B" → a curva termina antes de B; dali em diante, inclusive em B e depois, a trajetória volta a ser reta.
- Síntese: a resposta certa tem duas fases: curva de A até um ponto antes de B, e reta a partir desse ponto, atravessando B e seguindo depois dele sem nova curvatura.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Antes de A: MRU
Propulsores desligados e interações desprezíveis ⇒ sem força resultante. Pela 1ª Lei, o foguete mantém v constante, em reta horizontal, até A.
Subpasso 4.2 — De A até o desligamento: trajetória parabólica
A partir de A, a força dos propulsores é perpendicular a v (vertical no esquema), gerando aceleração constante nessa direção — mesma situação do lançamento horizontal: x(t) = v·t (vx não muda) e y(t) = ½·a·t² (componente perpendicular, crescente). O resultado é um arco parabólico que se inclina progressiva e continuamente — a velocidade nunca "salta" de direção, o que já descarta qualquer quina abrupta em A.
Subpasso 4.3 — Verificação: inclinação da reta final
Como a força é perpendicular a v, vx permanece igual a |v| durante toda a fase acelerada; só vy cresce. No desligamento, |vf| > 2|v|, logo:
vf² = vx² + vy² > (2v)² ⟹ v² + vy² > 4v² ⟹ vy > v√3 ⟹ tan θ = vy/vx > √3 ⟹ θ > 60°
Ou seja, ao desligar (antes de B) o foguete já se move numa direção bastante inclinada — mais próxima da vertical que da diagonal de 45°. Sem força a partir daí, a 1ª Lei garante trajetória retilínea (θ > 60°) atravessando B e seguindo reta depois, sem qualquer curvatura extra. Só o gráfico C reproduz essa combinação: curva até pouco antes de B, e reta íngreme dali em diante.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Reta única, já inclinada desde A, atravessando B sem nenhuma curva
❌ Incorreta: sugere mudança instantânea de direção em A, como se a velocidade "saltasse" de horizontal para inclinada. Viola a 2ª Lei — força finita não muda a direção da velocidade abruptamente; enquanto há força perpendicular, a trajetória tem de ser curva.
B) Reta de A até B e, depois de B, nova reta com inclinação diferente (mais horizontal), formando uma segunda quina em B
❌ Incorreta: repete o erro de A (quina em A) e ainda cria uma quina em B. Como o motor já foi desligado antes de B, não pode haver mudança de direção nesse ponto — a inércia exige reta constante dali em diante.
C) Curva suave de A até pouco antes de B, seguida de reta inclinada que atravessa B e segue reta depois
✅ Correta: reproduz as duas fases do movimento — arco parabólico enquanto a força perpendicular atua (2ª Lei) e, após o desligamento antes de B, reta uniforme por inércia (1ª Lei), com inclinação coerente com θ > 60° calculado acima.
D) Curva que se acentua perto de B e, logo depois, inverte a concavidade, voltando a curvar em outro sentido
❌ Incorreta: uma inflexão de concavidade só existiria se surgisse outra força, de sentido diferente, depois de B — mas o motor já estava desligado antes desse ponto, sem força alguma para justificar essa curvatura extra.
E) Curva que começa suave em A e continua se fechando mesmo depois de B
❌ Incorreta: mostra a força (e a curvatura) ainda agindo depois de B, contrariando o enunciado. Com o motor desligado antes de B, a trajetória a partir desse ponto tem de ser retilínea.
🏆 Gabarito: C — única alternativa que combina o arco parabólico (força perpendicular atuando de A até pouco antes de B) com a reta subsequente por inércia (após o desligamento, ainda antes de B), sem quinas nem curvaturas indevidas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: C respeita simultaneamente a 2ª Lei (força constante e perpendicular ⇒ curva contínua, sem quinas) no trecho A–desligamento e a 1ª Lei (sem força ⇒ reta) no trecho que atravessa e sucede B.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma testar as Leis de Newton por meio de trajetórias gráficas, exigindo que o estudante "leia" a física escondida no desenho — padrão recorrente em questões de projéteis, foguetes e partículas carregadas em campos.
- Generalização: força constante perpendicular à velocidade gera trajetória parabólica; assim que a força cessa, o corpo passa a se mover em reta, na direção da velocidade daquele instante.
- Dica de eliminação rápida: descarte alternativas com "quina" (mudança abrupta de direção sem transição suave) — forças reais não mudam a direção instantaneamente; depois, descarte qualquer curva que continue se fechando após o ponto em que a força já deveria ter cessado.
- Conexões: lançamento horizontal/oblíquo de projéteis; movimento de partículas carregadas em campos elétricos e magnéticos uniformes.
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