Mapa de questões · 2º dia
Questão 133 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia
Pesquisadores descobriram que uma espécie de abelha sem ferrão nativa do Brasil — a mandaguari (Scaptotrigona depilis) — cultiva um fungo nos ninhos dentro da colmeia. Após observações, verificaram que a sobrevivência das larvas da abelha depende da ingestão de filamentos do fungo, que produz metabólitos secundários com ação antimicrobiana, antitumoral e imunológica, além da alimentação convencional. Por sua vez, o fungo depende da abelha para se reproduzir e garante a sua multiplicação ao longo das gerações.
MIURA, J. Pequenas agricultoras: abelhas Mandaguari cultivam fungos para alimentar suas larvas. Disponível em: www.embrapa.br. Acesso em: 3 maio 2019 (adaptado).
O uso de fungicida ocasionaria à colmeia dessa espécie o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (relações ecológicas entre espécies)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas interpretar o texto e reconhecer uma relação de mutualismo, sem cálculos ou memorização de nomenclatura complexa.
- 🎯 Tema/Habilidade: Relações harmônicas interespecíficas (mutualismo obrigatório) e suas consequências ecológicas
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Se um fungicida eliminasse o fungo cultivado pela abelha mandaguari, o que aconteceria com a colmeia?"
- Palavras-chave decisivas: sobrevivência das larvas depende, fungo depende da abelha para se reproduzir, fungicida
- Armadilha típica: o candidato lê "fungicida" e pensa automaticamente em "controle de pragas" (alternativa A), associando o termo ao seu uso agrícola comum, sem perceber que, nesse contexto específico, o fungo NÃO é uma praga — é um parceiro essencial da abelha.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que eliminar um dos parceiros de uma relação mutualística obrigatória compromete a sobrevivência do outro, e não apenas um efeito colateral secundário.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Mutualismo: relação ecológica harmônica interespecífica em que ambas as espécies envolvidas se beneficiam do convívio. Quando a dependência é tão forte que uma espécie não sobrevive sem a outra, o mutualismo é chamado de obrigatório.
- Relação obrigatória vs. facultativa: no mutualismo facultativo, as espécies se beneficiam da associação, mas conseguem sobreviver isoladamente; no obrigatório (como o das abelhas cortadeiras/mandaguari com fungos, ou cupins com protozoários intestinais), a ausência do parceiro leva à morte ou ao colapso reprodutivo de uma ou de ambas as partes.
- Fungicida: substância química que elimina ou inibe o crescimento de fungos. Seu efeito é seletivo ao "alvo biológico" fungo, independentemente de esse fungo ser prejudicial (patógeno) ou benéfico (simbionte) para o organismo que convive com ele.
- Cadeia de dependência nutricional: no caso da mandaguari, o fungo não é apenas "alimento extra" — ele é fonte de metabólitos secundários (antimicrobianos, antitumorais, imunológicos) que as larvas ingerem diretamente dos filamentos fúngicos, ou seja, faz parte da dieta obrigatória larval.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a sobrevivência das larvas da abelha depende da ingestão de filamentos do fungo" → isso mostra que o fungo não é um item alimentar opcional, mas uma condição necessária para que as larvas se desenvolvam e sobrevivam até a fase adulta.
- Evidência 2: "o fungo depende da abelha para se reproduzir e garante a sua multiplicação ao longo das gerações" → isso confirma que a relação é de mão dupla (mutualismo) e não de parasitismo — o fungo também é beneficiado, sendo disseminado pelas próprias abelhas dentro da colmeia.
- Síntese: como o texto estabelece uma dependência mútua e obrigatória entre abelha e fungo, qualquer agente que elimine o fungo (como um fungicida) rompe essa cadeia de sustento larval. Sem os filamentos fúngicos, as larvas perdem parte essencial de sua alimentação e das substâncias que garantem seu desenvolvimento saudável, o que compromete diretamente a sobrevivência das novas gerações de abelhas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o tipo de relação ecológica descrita
O enunciado descreve, com clareza, uma relação de mutualismo obrigatório entre a abelha mandaguari e o fungo que ela cultiva dentro da colmeia. As larvas dependem da ingestão dos filamentos fúngicos para sobreviver (o fungo fornece nutrientes e metabólitos com ação antimicrobiana, antitumoral e imunológica), enquanto o fungo depende das abelhas para se reproduzir e se espalhar ao longo das gerações. Trata-se, portanto, de uma via de mão dupla: cada espécie beneficia e é indispensável à outra.
Subpasso 4.2 — Projetar o efeito da introdução de um fungicida
Um fungicida é uma substância desenvolvida especificamente para matar ou inibir fungos. Se aplicado dentro da colmeia, ele não distingue "fungo cultivado benéfico" de "fungo indesejado" — ele simplesmente elimina o organismo fúngico. Ao eliminar o fungo simbionte, o fungicida corta a principal (e, segundo o texto, essencial) fonte de alimento e de compostos protetores das larvas. Sem filamentos de fungo para ingerir, as larvas deixam de receber parte fundamental de sua nutrição, o que compromete seu desenvolvimento e, em muitos casos, leva à morte larval antes de atingirem a fase adulta.
Subpasso 4.3 — Verificação: conectar a causa ao efeito populacional
Se um número significativo de larvas não sobrevive por falta do fungo, menos indivíduos completam o ciclo de vida e chegam à fase adulta reprodutiva. Isso significa, na prática, uma redução do número de novas abelhas incorporadas à colônia — ou seja, uma redução da população da colmeia. Esse raciocínio bate exatamente com a alternativa D, confirmando que o efeito do fungicida é o oposto de "benefício" (como sugerem A, C e E): ele é destrutivo para a colônia, porque ataca um parceiro mutualístico indispensável.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) controle de pragas.
❌ Incorreta: essa alternativa só faria sentido se o fungo fosse um organismo prejudicial (parasita ou patógeno) à colmeia — o que é o contrário do que o texto descreve. O fungo é um parceiro mutualístico, não uma praga, então o fungicida não estaria "controlando" nada útil; estaria destruindo um recurso vital.
B) acúmulo de resíduos.
❌ Incorreta: o texto não menciona qualquer processo de acúmulo de matéria orgânica ou resíduos associado ao fungo. Essa opção tenta confundir o candidato ao sugerir uma consequência física genérica de manejo de colmeia, sem qualquer base na relação ecológica descrita.
C) ampliação de espaço.
❌ Incorreta: eliminar o fungo cultivado não libera espaço útil relevante para a colônia — o fungo é cultivado em pequenas estruturas dentro do ninho para fins nutricionais, não ocupando espaço que, ao ser "liberado", beneficiaria a colmeia. Essa alternativa distorce a lógica de causa e efeito.
D) redução da população.
✅ Correta: como a sobrevivência das larvas depende diretamente da ingestão do fungo, eliminar esse fungo com fungicida interrompe uma fonte nutricional essencial. Isso leva ao aumento da mortalidade larval e, consequentemente, à redução do número de indivíduos que sobrevivem para compor e sustentar a população da colmeia.
E) incremento de alimento.
❌ Incorreta: essa alternativa inverte completamente a relação de causa e efeito. O fungicida elimina uma fonte de alimento (o fungo), não a aumenta. Trata-se de uma armadilha clássica para quem lê rápido e associa "fungicida" a algum benefício indireto, sem atentar à lógica ecológica do texto.
🏆 Gabarito: D — a eliminação do fungo simbionte por fungicida rompe uma relação de mutualismo obrigatório, privando as larvas de uma fonte de alimento essencial e provocando redução da população da colmeia.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra D é a única alternativa coerente com o texto, pois é a única que reconhece o fungo como recurso vital (e não como praga, resíduo, espaço ocupado ou algo dispensável), de modo que sua remoção prejudica — e não beneficia — a colônia.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente apresenta textos sobre relações ecológicas pouco convencionais (mutualismo entre insetos e fungos/bactérias, líquens, micorrizas, bactérias do trato digestivo de cupins e ruminantes) para testar se o aluno consegue aplicar o conceito de interdependência biológica a um cenário novo, em vez de decorar exemplos de livro didático.
- Generalização: sempre que o enunciado descrever uma relação em que "a espécie X depende de Y para sobreviver/se reproduzir, e Y depende de X para se reproduzir/se dispersar", trata-se de mutualismo obrigatório — e qualquer fator que elimine um dos parceiros prejudicará necessariamente o outro.
- Dica de eliminação rápida: leia a pergunta identificando se o agente citado (aqui, o fungicida) ataca algo que o texto descreve como benéfico ou prejudicial. Se for benéfico, elimine de cara todas as alternativas com tom positivo ("controle", "ampliação", "incremento") — elas contradizem a lógica de dano causado pela substância.
- Conexões: compare com outros mutualismos clássicos cobrados no ENEM — líquens (fungo + alga/cianobactéria), micorrizas (fungo + raízes de plantas) e a digestão de celulose em cupins e ruminantes por microrganismos simbiontes.
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