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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 130ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia

A principal explicação para a grande variedade de espécies na Amazônia é a teoria do refúgio. Nos últimos 100 000 anos, o planeta sofreu vários períodos de glaciação, em que as florestas enfrentaram fases de seca. Dessa forma, as matas expandiram-se e depois reduziram-se. Nos períodos de seca prolongados, cada núcleo de floresta ficava isolado do outro. Então, os grupos de animais dessas áreas isoladas passaram por processos de diferenciação genética, muitas vezes se transformando em espécies ou subespécies diferentes das originais e das que ficaram em outros refúgios.

Disponível em: http://ambientes.ambientebrasil.com.br. Acesso em: 22 abr. 2015.

O principal processo evolutivo relacionado ao texto é a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Evolução (mecanismos de especiação)
  • ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar cinco processos evolutivos com nomes parecidos, mas o texto entrega as pistas se for lido com atenção.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Teoria do refúgio e especiação alopátrica; competência de interpretar um fenômeno biológico descrito em texto e associá-lo ao conceito teórico correto.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual processo evolutivo está sendo descrito quando florestas se fragmentam em núcleos isolados e cada núcleo gera espécies diferentes?"
  • Palavras-chave decisivas: isolado, diferenciação genética, espécies ou subespécies diferentes
  • Armadilha típica: confundir "isolamento geográfico" com "convivência no mesmo ambiente" e marcar evolução simpátrica, ou confundir especiação (formação de novas espécies) com anagênese (mudança de uma espécie ao longo do tempo, sem separação em duas linhagens).
  • O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que a barreira física (seca isolando núcleos de floresta) é o gatilho do processo, e que esse é exatamente o critério que define um tipo específico de especiação.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Especiação: processo pelo qual uma espécie ancestral origina uma ou mais espécies novas, geralmente por acúmulo de diferenças genéticas entre populações que deixam de trocar genes entre si.
  • Evolução (especiação) alopátrica: ocorre quando uma barreira geográfica (rio, montanha, mar, ou — como no caso da Amazônia — a retração da floresta durante períodos secos) separa fisicamente populações de uma mesma espécie. Sem fluxo gênico entre elas, cada grupo acumula mutações e sofre seleção natural de forma independente, podendo divergir a ponto de se tornarem espécies distintas.
  • Evolução (especiação) simpátrica: ocorre sem separação geográfica; populações que continuam convivendo no mesmo espaço se diferenciam por outros mecanismos (ex.: especialização em recursos diferentes, poliploidia em plantas, isolamento reprodutivo por comportamento).
  • Anagênese: mudança evolutiva ao longo do tempo dentro de uma única linhagem, sem que ela se ramifique em duas ou mais espécies — é evolução "vertical", sem multiplicação de espécies.
  • Coevolução: processo em que duas espécies exercem pressões seletivas mútuas e evoluem em resposta uma à outra (ex.: predador-presa, planta-polinizador).
  • Convergência adaptativa: espécies de linhagens diferentes, sem parentesco próximo, desenvolvem estruturas ou características semelhantes por viverem sob pressões ambientais parecidas (ex.: nadadeiras de golfinhos e tubarões).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "as florestas enfrentaram fases de seca... as matas expandiram-se e depois reduziram-se" → mostra que houve fragmentação física do habitat, criando manchas de floresta separadas por áreas não florestadas — ou seja, uma barreira geográfica real.
  • Evidência 2: "cada núcleo de floresta ficava isolado do outro" → confirma que as populações de animais deixaram de se encontrar e, portanto, deixaram de cruzar entre si (interrupção do fluxo gênico), condição essencial da especiação alopátrica.
  • Evidência 3: "os grupos... passaram por processos de diferenciação genética, muitas vezes se transformando em espécies ou subespécies diferentes" → é a consequência esperada do isolamento: divergência genética que culmina em novas espécies, cada uma associada a um refúgio geográfico específico.
  • Síntese: o texto descreve, em sequência lógica, exatamente as três etapas que definem a especiação alopátrica: (1) surgimento de uma barreira geográfica, (2) interrupção do fluxo gênico entre populações isoladas e (3) divergência genética resultando em novas espécies em cada refúgio.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o tipo de isolamento descrito

O texto é explícito ao afirmar que, durante as glaciações, a floresta amazônica se retraiu e fragmentou-se em "núcleos" isolados uns dos outros pela seca. Isso é, por definição, um isolamento geográfico: populações da mesma espécie ficaram fisicamente separadas, sem possibilidade de se encontrarem e se reproduzirem. Esse é o critério central que distingue a especiação alopátrica (do grego allos = outro + pátria = pátria/lugar) de todos os demais processos listados nas alternativas.

Subpasso 4.2 — Conectar o isolamento à divergência genética

Uma vez isoladas geograficamente, as populações de cada refúgio florestal deixaram de trocar genes entre si (o fluxo gênico foi interrompido). A partir daí, cada população passou a acumular mutações próprias e a responder à seleção natural e à deriva genética de forma independente das demais. Com o tempo, esse acúmulo de diferenças foi suficiente para gerar espécies ou subespécies distintas — exatamente o resultado clássico previsto pelo modelo de especiação alopátrica, que é o mecanismo evolutivo mais aceito para explicar a formação de novas espécies quando há barreiras físicas ao fluxo gênico.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando a síntese do texto (barreira geográfica → isolamento reprodutivo → divergência genética → novas espécies) com a definição de cada alternativa, apenas a "evolução alopátrica" descreve fielmente esse encadeamento. Isso confirma que a resposta é a alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) anagênese.

❌ Incorreta: a anagênese descreve a transformação gradual de uma linhagem ao longo do tempo, sem que ela se divida em espécies distintas. No texto, porém, uma população originária se ramifica em várias espécies/subespécies diferentes em refúgios distintos — há multiplicação de linhagens (cladogênese), não apenas transformação de uma única linhagem.

B) coevolução.

❌ Incorreta: coevolução exige uma relação de pressão seletiva recíproca entre duas espécies diferentes (como planta e polinizador). O texto não menciona nenhuma interação entre espécies distintas influenciando a evolução uma da outra; o fator causador é puramente geográfico/climático (isolamento por seca), não uma relação interespecífica.

C) evolução alopátrica.

✅ Correta: o texto descreve com precisão os três elementos que caracterizam esse processo — surgimento de uma barreira física (retração da floresta), isolamento geográfico de populações antes contínuas e divergência genética resultante em espécies/subespécies novas, cada uma associada a um refúgio distinto.

D) evolução simpátrica.

❌ Incorreta: a especiação simpátrica ocorre sem separação geográfica, com populações convivendo na mesma área. O texto afirma exatamente o oposto: "cada núcleo de floresta ficava isolado do outro", ou seja, há separação espacial explícita, o que invalida a hipótese simpátrica.

E) convergência adaptativa.

❌ Incorreta: a convergência adaptativa ocorre entre espécies de linhagens não aparentadas que passam a se parecer por viverem sob pressões ambientais semelhantes. No texto, o processo é o inverso: uma população ancestral comum se diferencia (diverge) em várias espécies distintas — é divergência, não convergência.

🏆 Gabarito: C — o texto descreve o isolamento geográfico de populações de uma mesma espécie em refúgios florestais durante períodos de seca, seguido de divergência genética e formação de novas espécies, que é a definição-modelo de evolução (especiação) alopátrica.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a evolução alopátrica explica a sequência "barreira geográfica → isolamento → divergência → novas espécies" descrita no texto; nenhuma das demais alternativas envolve separação espacial como causa da especiação.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora usar a teoria dos refúgios florestais (Amazônia, glaciações do Pleistoceno) como estudo de caso para especiação alopátrica, porque é um exemplo real, bem documentado e didático de como barreiras geográficas geram biodiversidade.
  • Generalização: sempre que o texto mencionar uma barreira física (rio, montanha, oceano, fragmentação de habitat) separando populações antes de elas se diferenciarem, o processo é alopátrico; se não houver separação espacial, pense em especiação simpátrica ou em outros mecanismos de isolamento reprodutivo.
  • Dica de eliminação rápida: procure a palavra que indica "separação no espaço" (isolado, fragmentado, barreira) — isso já elimina simpátrica (que exige convivência) e anagênese (que exige linhagem única, sem ramificação); depois verifique se há interação entre duas espécies diferentes — se não houver, elimina coevolução e convergência adaptativa.
  • Conexões: compare com a teoria da seleção natural de Darwin-Wallace (mecanismo geral por trás de toda divergência) e com exemplos clássicos de especiação alopátrica no Brasil, como as diferenças entre populações de aves e primatas em margens opostas de grandes rios amazônicos (hipótese dos rios como barreira).

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