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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 117ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia

O mangue é composto por três tipos de árvores (Rhizophora mangle — mangue-bravo ou vermelho, Avicennia schaueriana — mangue-seriba, e Laguncularia racemosa — mangue-branco). Uma característica morfológica comum aos três tipos de árvores encontradas no mangue está relacionada à pouca disponibilidade de oxigênio encontrado em seu solo.

ALVES, J. R. P. (Org.). Manguezais: educar para proteger. Rio de Janeiro: Femar; Semads, 2001 (adaptado).

A característica morfológica de valor adaptativo referenciada no texto é a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia (adaptações morfofisiológicas de vegetais a solos hipóxicos)
  • ⚡ Nível: Médio — exige vocabulário técnico específico de morfologia vegetal para diferenciar estruturas parecidas (pneumatóforos × raízes-escoras).
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre estrutura morfológica e fator abiótico limitante em ecossistemas costeiros (manguezal) — interpretação de texto científico associada a conhecimento de Botânica.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após a resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual estrutura morfológica aparece nas três espécies de árvores do mangue citadas e resolve o problema da baixa oxigenação do solo?"
  • Palavras-chave decisivas: pouca disponibilidade de oxigênio, solo, comum aos três tipos
  • Armadilha típica: marcar a alternativa D ("raízes-escoras"), pois essa estrutura é real, famosa e realmente associada ao mangue — só que é exclusiva de Rhizophora mangle, não aparecendo em Avicennia nem em Laguncularia.
  • O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer a característica compartilhada pelas três espécies (Rhizophora mangle, Avicennia schaueriana e Laguncularia racemosa) que resolve especificamente o déficit de oxigênio no solo, e não confundi-la com outras adaptações do mangue (à salinidade, por exemplo).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Solo de manguezal (hipóxico/anóxico): sedimento lodoso, encharcado e compactado, com pouquíssima circulação de ar entre as partículas. A decomposição intensa de matéria orgânica por bactérias consome rapidamente o oxigênio livre, criando um ambiente redutor abaixo da superfície.
  • Pneumatóforos: raízes aéreas modificadas, de crescimento negativamente geotrópico (para cima, em direção ao ar), cobertas por lenticelas (poros) que captam O2 atmosférico e o conduzem, por meio de um tecido esponjoso chamado aerênquima, até as porções da raiz que ficam submersas na lama anóxica.
  • Raízes-escoras (rizóforos): raízes adventícias que partem do caule e se fixam obliquamente no substrato, com função primária de sustentação mecânica em solo instável e móvel; são a marca registrada de Rhizophora mangle, mas não ocorrem em Avicennia ou Laguncularia.
  • Adaptações à salinidade (contexto, não é a resposta): glândulas de sal nas folhas, folhas suculentas, viviparidade dos propágulos — resolvem outro problema (excesso de sal), não a hipóxia do solo, e por isso não devem ser confundidas com a característica pedida no enunciado.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "pouca disponibilidade de oxigênio encontrado em seu solo" → define o fator abiótico-problema: hipóxia/anóxia do sedimento do mangue, que dificulta a respiração aeróbica das raízes.
  • Evidência 2: "característica morfológica comum aos três tipos de árvores" → exige uma estrutura presente simultaneamente em Rhizophora, Avicennia e Laguncularia — eliminando de imediato qualquer traço exclusivo de uma única espécie.
  • Síntese: a resposta correta precisa ser, ao mesmo tempo, (1) uma estrutura morfológica visível, (2) presente nas três espécies, e (3) funcionalmente ligada à captação de oxigênio — isso aponta diretamente para os pneumatóforos.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o problema fisiológico central

Em solos encharcados como os do mangue, a água ocupa os espaços entre as partículas do sedimento e impede a difusão do ar atmosférico para as camadas mais profundas. Somado a isso, a decomposição da matéria orgânica por microrganismos consome o pouco O2 dissolvido, tornando o solo anóxico logo abaixo da superfície. Para que as raízes das árvores realizem respiração celular aeróbica, o oxigênio precisa chegar até elas por uma via alternativa ao próprio solo saturado.

Subpasso 4.2 — Reconhecer a solução morfológica convergente

As três espécies desenvolveram raízes aéreas especializadas que se projetam para fora do substrato, expondo-se diretamente ao ar. Essas estruturas concentram lenticelas — pequenos poros na superfície — conectadas a um tecido de aerênquima, que conduz o gás por difusão até as regiões da raiz que permanecem submersas na lama. Esse conjunto (raiz aérea + lenticela + aerênquima) define o pneumatóforo, presente nas três espécies citadas, ainda que com formatos externos diferentes: em Avicennia schaueriana e Laguncularia racemosa, na forma de pequenas raízes eretas em "lápis" que emergem verticalmente da lama; em Rhizophora mangle, associado ao sistema de raízes adventícias emersas, que também desempenham função respiratória além de sustentação.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando com as cinco alternativas, apenas a presença de pneumatóforos descreve uma estrutura morfológica com função direta de captação de oxigênio, compartilhada pelas três árvores do mangue. Frutos, estômatos e formato foliar dizem respeito a outras funções biológicas (reprodução, trocas gasosas foliares, área de captação de luz) e não resolvem o problema específico da hipóxia do solo; já as raízes-escoras, apesar de reais e conhecidas, restringem-se a uma única espécie. O raciocínio converge exatamente para o gabarito oficial: E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ausência de frutos.

❌ Incorreta: a produção de frutos não tem relação nenhuma com a disponibilidade de oxigênio no solo. Além disso, as três espécies produzem frutos/propágulos — muitas, inclusive, exibem viviparidade (a semente germina ainda presa à planta-mãe), adaptação ligada à dispersão em ambiente aquático e não à hipóxia do sedimento.

B) ausência de estômatos.

❌ Incorreta: estômatos são as estruturas responsáveis pelas trocas gasosas (CO2/O2) e pela transpiração nas folhas; sua ausência inviabilizaria a fotossíntese. As espécies de mangue possuem estômatos normalmente (às vezes em menor densidade ou protegidos em criptas, como adaptação à salinidade), o que nada tem a ver com o oxigênio do solo.

C) presença de folhas largas.

❌ Incorreta: a largura da folha está associada à otimização da captação de luz e ao controle da perda de água por transpiração, não à obtenção de oxigênio pelas raízes. Várias espécies de mangue, aliás, têm folhas coriáceas e relativamente pequenas, e não largas.

D) presença de raízes-escoras.

❌ Incorreta: as raízes-escoras (rizóforos) são a característica emblemática de Rhizophora mangle, atuando principalmente na sustentação mecânica em solo instável. Elas não existem em Avicennia schaueriana nem em Laguncularia racemosa — logo, não é uma característica "comum aos três tipos de árvores" como exige o enunciado, mesmo sendo uma estrutura real do manguezal.

E) presença de pneumatóforos.

✅ Correta: os pneumatóforos são raízes aéreas com lenticelas e aerênquima que captam oxigênio atmosférico e o conduzem até o sistema radicular submerso na lama anóxica. Essa é a solução morfológica de valor adaptativo compartilhada pelas três espécies de mangue citadas no texto para contornar a baixa disponibilidade de oxigênio no solo.

🏆 Gabarito: E — a presença de pneumatóforos é a adaptação morfológica comum às três espécies de mangue, permitindo a captação de oxigênio atmosférico em um solo hipóxico e encharcado.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que descreve uma estrutura presente nas três espécies com função direta de resolver a limitação de oxigênio do solo do mangue — as demais ou são exclusivas de uma espécie (D) ou tratam de funções não relacionadas ao problema (A, B, C).
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente explora ecossistemas costeiros brasileiros (manguezal, restinga, mata atlântica), associando características morfofisiológicas dos organismos ao fator abiótico limitante do ambiente — aqui, a hipóxia do solo; em outras questões, a salinidade ou a luminosidade.
  • Generalização: sempre que o enunciado pedir uma "característica comum a vários organismos citados", elimine primeiro qualquer alternativa que descreva uma estrutura exclusiva de apenas um dos organismos mencionados — mesmo que ela seja tecnicamente correta e conhecida.
  • Dica de eliminação rápida: grife no enunciado expressões como "comum aos três" ou "compartilhada por todos" — isso já descarta alternativas com nomes técnicos ligados a uma única espécie (aqui, "raízes-escoras" pertence só a Rhizophora) e alternativas com termos "ausência de..." que contrariam funções vitais óbvias (fotossíntese, reprodução).
  • Conexões: adaptações de halófitas à salinidade (glândulas de sal, suculência foliar), viviparidade e dispersão de propágulos em ambientes aquáticos, ciclagem de matéria orgânica em solos anaeróbios.

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