Mapa de questões · 2º dia
Questão 118 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia

A sequência de etapas indicadas na figura representa o processo conhecido como
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Genética e Biotecnologia (engenharia genética aplicada à saúde)
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar um fluxograma técnico com termos específicos (vetor, transdução, gene terapêutico) e diferenciá-lo de processos biotecnológicos parecidos
- 🎯 Tema/Habilidade: Terapia gênica ex vivo; competência de relacionar tecnologias de manipulação do material genético a suas aplicações na saúde
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual processo biotecnológico corresponde às quatro etapas do esquema: coleta de células do paciente, inserção de um gene terapêutico por meio de vetor, seleção/expansão das células modificadas e reintrodução no paciente?"
- Palavras-chave decisivas: vetor, gene terapêutico, reintrodução no paciente
- Armadilha típica: confundir o processo com "clonagem" (porque há cultivo e expansão de células) ou com "transformação genética" (termo genérico que também envolve incorporação de DNA exógeno), ignorando que o objetivo final é terapêutico e que as células retornam ao mesmo paciente que as forneceu.
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que o ciclo completo — paciente → laboratório → paciente, com inserção de um gene funcional para corrigir uma deficiência — é a definição operacional de terapia gênica.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Terapia gênica: conjunto de técnicas que introduzem, substituem ou corrigem genes nas células de um indivíduo para tratar uma doença de origem genética, geralmente inserindo uma cópia funcional de um gene defeituoso.
- Vetor (viral): "veículo" molecular, normalmente um vírus modificado e inofensivo, usado para carregar o gene de interesse até o interior da célula-alvo — é o meio de transporte da informação genética na terapia gênica.
- Transdução: processo de transferência de material genético para dentro de uma célula por meio de um vetor viral; é a etapa em que o gene terapêutico efetivamente "entra" na célula do paciente.
- Clonagem: produção de cópias geneticamente idênticas de um gene, célula ou organismo, sem que o objetivo seja necessariamente corrigir um defeito genético e devolver as células ao doador original.
- Crossing-over: troca natural de segmentos entre cromátides homólogas durante a prófase I da meiose; fenômeno espontâneo de recombinação, não uma técnica de laboratório.
- Transformação genética: termo mais amplo que designa a incorporação de DNA exógeno por uma célula (muito usado para bactérias captando plasmídeos ou plantas transgênicas), sem o compromisso específico com finalidade clínica em humanos.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado (a partir da figura)
A figura mostra um esquema circular com quatro setas numeradas conectando um paciente (silhueta humana), uma placa de cultivo superior e uma placa de cultivo inferior, com um vetor (círculo com símbolo de vírus) inserido no meio do trajeto.
- Evidência 1: "1. Coleta e cultivo in vitro das células do paciente" → as células de partida são do próprio paciente (processo autólogo), o que já descarta a clonagem reprodutiva.
- Evidência 2: "2. Transdução com vetor carregando o gene terapêutico" → "terapêutico" + "vetor" + "transdução" apontam diretamente para correção genética com finalidade clínica.
- Evidência 3: "3. Seleção e expansão das células com o gene terapêutico" e "4. Reintrodução das células modificadas no paciente" → o ciclo se fecha no mesmo paciente que forneceu as células, mostrando que a modificação tem como destino final tratá-lo.
- Síntese: as quatro etapas descrevem o protocolo clássico de terapia gênica ex vivo: retirar células do paciente, inserir nelas um gene funcional via vetor, multiplicar as células corrigidas e devolvê-las ao próprio paciente.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar origem e destino do material biológico
As setas 1 e 4 do esquema formam um ciclo fechado entre o paciente e o laboratório: a seta 1 leva células do paciente para a placa de cultivo, e a seta 4 devolve células modificadas ao mesmo paciente. Esse padrão "sai do paciente → volta para o mesmo paciente" já elimina a clonagem reprodutiva (que geraria um novo organismo, sem retorno terapêutico ao doador) e restringe as hipóteses a processos de correção genética voltados ao próprio indivíduo.
Subpasso 4.2 — Analisar a natureza da modificação genética (etapas 2 e 3)
Na etapa 2, um vetor carrega até as células cultivadas um "gene terapêutico" — é a transdução, momento em que o DNA exógeno é inserido nas células do paciente. Na etapa 3, ocorre seleção e expansão: apenas as células que incorporaram o gene terapêutico são multiplicadas, garantindo que a população a ser reintroduzida esteja geneticamente corrigida. Esse mecanismo — inserir gene funcional via vetor e selecionar as células corrigidas — é a assinatura técnica da terapia gênica, distinta de uma transformação genética genérica, que não exige esse controle de qualidade voltado à correção de uma doença humana.
Subpasso 4.3 — Verificação: reunir as quatro etapas em um conceito único
Reunindo tudo: (1) coleta de células do paciente → (2) inserção de gene terapêutico por vetor → (3) seleção e expansão das células corrigidas → (4) reintrodução no próprio paciente. Esse ciclo completo, com finalidade terapêutica e retorno ao doador original, corresponde exatamente à definição de terapia gênica ex vivo, técnica já usada no tratamento de imunodeficiências genéticas graves e em pesquisas contra certos tipos de câncer. Nenhuma outra alternativa descreve esse ciclo com a mesma precisão.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) mutação.
❌ Incorreta: mutação é uma alteração na sequência do DNA que pode surgir espontaneamente ou ser induzida por agentes mutagênicos (radiação, produtos químicos), mas não descreve uma intervenção controlada e dirigida, com uso de vetor e gene terapêutico específico. A figura mostra uma inserção genética planejada e não uma alteração aleatória do material genético.
B) clonagem.
❌ Incorreta: clonagem é a produção de cópias geneticamente idênticas de um gene, célula ou organismo. Na figura não há geração de um novo indivíduo nem de uma cópia idêntica independente — as próprias células do paciente são modificadas e devolvidas a ele, o que foge do conceito central de clonagem.
C) crossing-over.
❌ Incorreta: crossing-over é um evento natural da meiose, em que cromátides homólogas trocam segmentos de DNA entre si, gerando variabilidade genética nos gametas. Não envolve cultivo in vitro, vetores virais ou qualquer manipulação laboratorial, elementos centrais e explícitos no esquema da questão.
D) terapia gênica.
✅ Correta: a sequência descrita — coleta de células do paciente, transdução com vetor carregando gene terapêutico, seleção/expansão das células corrigidas e reintrodução no paciente — é exatamente o protocolo de terapia gênica ex vivo, cujo objetivo é substituir ou complementar um gene defeituoso por uma versão funcional para tratar uma doença genética.
E) transformação genética.
❌ Incorreta: embora também envolva incorporação de DNA exógeno por uma célula, "transformação genética" é um termo mais amplo e genérico, tradicionalmente associado à captação de DNA por bactérias ou à produção de organismos transgênicos (plantas, por exemplo), sem o compromisso explícito com finalidade clínica humana e sem o ciclo de retorno ao paciente de origem. A presença do termo "gene terapêutico" e do trajeto paciente-laboratório-paciente torna "terapia gênica" a designação mais precisa e completa para o processo.
🏆 Gabarito: D — a figura representa passo a passo o protocolo de terapia gênica ex vivo: retirada de células do paciente, inserção de um gene terapêutico via vetor, seleção das células corrigidas e reintrodução no próprio paciente para tratar uma doença genética.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a alternativa D descreve o ciclo completo — paciente, inserção de gene terapêutico por vetor e retorno ao mesmo paciente — evidenciado pelas quatro etapas numeradas da figura.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer biotecnologia por meio de fluxogramas ou esquemas enxutos, exigindo que o estudante reconheça termos-chave (vetor, transdução, gene terapêutico, transgênico) e os associe ao processo correto, quase sempre contrastando conceitos de biotecnologia moderna com fenômenos de genética clássica.
- Generalização: sempre que um esquema mostrar inserção de um "gene terapêutico" por vetor com retorno das células ao mesmo paciente, trata-se de terapia gênica; se o processo gerar um organismo idêntico a partir de uma célula, é clonagem; se envolver troca de segmentos entre cromossomos homólogos na meiose, é crossing-over.
- Dica de eliminação rápida: elimine primeiro mutação e crossing-over, pois são fenômenos espontâneos/naturais que não usam vetores nem cultivo laboratorial; entre as opções restantes, procure a palavra "terapêutico" e o retorno ao paciente de origem para confirmar terapia gênica em vez de clonagem ou transformação genética genérica.
- Conexões: tecnologia do DNA recombinante, uso de vetores virais (adenovírus, retrovírus atenuados) em biotecnologia médica, doenças tratadas por terapia gênica (como imunodeficiência combinada severa) e técnicas mais recentes de edição gênica, como o sistema CRISPR-Cas9.
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