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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 115ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia

Em uma atividade prática, um professor propôs o seguinte experimento:

Materiais: copo plástico pequeno, leite e suco de limão.

Procedimento: coloque leite até a metade do copo plástico e, em seguida, adicione lentamente 20 gotas de limão.

Levando-se em consideração a faixa de pH do suco de limão, a composição biomolecular do leite e os resultados que os alunos observariam na realização do experimento, qual processo digestório estaria sendo simulado?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia Humana (Sistema Digestório) e Bioquímica (proteínas e pH)
  • ⚡ Nível: Fácil — o experimento é simples e concreto (leite + limão), bastando associar acidez à ação do estômago
  • 🎯 Tema/Habilidade: Digestão de proteínas no estômago; competência de interpretar um experimento científico e relacioná-lo a um processo fisiológico real
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Ao pingar suco de limão (ácido) em leite (rico em proteína), qual etapa da digestão esse experimento reproduz?"
  • Palavras-chave decisivas: faixa de pH do limão, composição biomolecular do leite, resultados observados (coagulação/talhamento)
  • Armadilha típica: confundir "leite" com gordura e associar automaticamente a alternativas sobre bile ou lipídios (A e B), ignorando que a proteína (caseína) é o componente que reage ao ácido
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que um meio fortemente ácido desnatura/precipita proteínas, e que esse é exatamente o mecanismo do suco gástrico sobre proteínas no estômago

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Caseína: principal proteína do leite, responsável por sua cor branca e por ficar em suspensão coloidal (micelas) em pH próximo do neutro (~6,5-6,7).
  • pH do suco de limão: altamente ácido, entre 2 e 3, por causa do ácido cítrico presente no suco.
  • Desnaturação/coagulação proteica por ácido: quando o pH cai bruscamente, as micelas de caseína perdem estabilidade elétrica, se desestruturam e se agregam, formando grumos visíveis — o "talhamento" do leite.
  • Suco gástrico: secreção do estômago composta por ácido clorídrico (HCl, pH ~1,5 a 2,5) e a enzima pepsina (ativada pelo próprio ácido a partir do pepsinogênio), cuja função é iniciar a digestão química das proteínas, quebrando-as em polipeptídeos menores.
  • Relação experimento-fisiologia: o HCl gástrico produz, no estômago, o mesmo efeito que o limão produz no copo — desnatura a proteína do alimento, expondo-a à ação enzimática subsequente. É por isso que o leite ingerido literalmente coalha no estômago de bebês e adultos.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "faixa de pH do suco de limão" → sinaliza que o fator determinante do experimento é a acidez, não uma enzima específica adicionada; isso já elimina hipóteses ligadas a enzimas digestivas presentes na saliva, no pâncreas ou no intestino, que não estão em jogo aqui.
  • Evidência 2: "composição biomolecular do leite" → aponta diretamente para a proteína (caseína) como o alvo da reação, e não para os lipídios ou carboidratos (lactose) do leite, que não sofrem coagulação visível em meio ácido.
  • Evidência 3: "os resultados que os alunos observariam" → remete ao fenômeno visual do talhamento/coagulação do leite, um efeito clássico e facilmente reproduzível em sala de aula.
  • Síntese: o experimento isola uma única variável — pH baixo agindo sobre proteína — e pede que o aluno reconheça esse mesmo par (ácido + proteína) em algum local do sistema digestório. Esse local é o estômago, onde o HCl do suco gástrico desnatura as proteínas ingeridas antes da ação da pepsina.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o que reage no experimento

O copo contém leite (rico em água, lactose, gordura e, principalmente, a proteína caseína) e recebe gotas de suco de limão, cujo pH gira em torno de 2 a 3 devido ao ácido cítrico. Ao entrar em contato com o meio ácido, as micelas de caseína — que se mantêm dispersas em pH neutro por repulsão elétrica entre suas cargas — perdem essa estabilidade, se desestruturam (desnaturam) e se agregam em grumos sólidos, separando-se do soro líquido. Esse é o fenômeno do "leite talhado", visível a olho nu poucos segundos depois da adição do limão.

Subpasso 4.2 — Relacionar o fenômeno a um processo digestório real

No corpo humano, existe um ambiente com as mesmas características do limão adicionado ao leite: extremamente ácido (pH em torno de 1,5 a 2,5) e em contato direto com proteínas ingeridas. Esse ambiente é o estômago, cujo suco gástrico é secretado pelas células parietais (HCl) e principais (pepsinogênio). O HCl cumpre duas funções centrais: (1) desnatura as proteínas do alimento, desenrolando sua estrutura tridimensional — exatamente como o limão faz com a caseína do leite — e (2) converte o pepsinogênio inativo em pepsina ativa, enzima que passa a hidrolisar as ligações peptídicas, iniciando a digestão química das proteínas. Portanto, o talhamento do leite no copo é um modelo simplificado e visual da desnaturação proteica que ocorre no estômago.

Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação

Se o experimento envolvesse gordura sendo emulsificada (não coagulada por ácido), a resposta apontaria para bile ou suco pancreático. Se envolvesse amido sendo quebrado, apontaria para saliva. Se envolvesse peptídeos sendo finalizados em aminoácidos em ambiente neutro/alcalino, apontaria para suco entérico no intestino. Nenhum desses cenários corresponde ao que foi descrito: aqui há explicitamente um ácido reagindo com uma proteína, com efeito visível de coagulação — a marca registrada da ação do suco gástrico sobre as proteínas no estômago. Isso confirma a alternativa E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Ação da bile sobre as gorduras no duodeno.

❌ Incorreta: a bile não é uma enzima e não digere gorduras quimicamente — ela apenas emulsifica os lipídios (quebra grandes gotas de gordura em gotículas menores) para facilitar a ação da lipase. Além disso, o experimento não usa nenhuma substância gordurosa isolada nem reproduz emulsificação; ele mostra coagulação de proteína por ácido, algo completamente diferente do papel da bile.

B) Ação do suco pancreático sobre as gorduras.

❌ Incorreta: o suco pancreático contém a enzima lipase, que digere lipídios em ambiente levemente alcalino (neutralizado por bicarbonato), não ácido. O experimento não apresenta nem gordura sendo hidrolisada nem um meio básico — o limão é justamente ácido, o oposto do suco pancreático, o que já invalida essa opção.

C) Ação da saliva sobre os carboidratos na boca.

❌ Incorreta: a saliva contém amilase salivar (ptialina), que age sobre o amido (carboidrato) em pH neutro, próximo de 7. O experimento não usa amido nem reproduz um meio neutro; usa uma proteína (caseína) em meio fortemente ácido, cenário incompatível com a digestão salivar de carboidratos.

D) Ação do suco entérico sobre as proteínas no íleo.

❌ Incorreta: embora também envolva proteínas, o suco entérico atua no intestino delgado, em ambiente neutro a levemente alcalino (por causa do bicarbonato secretado pelo pâncreas que neutraliza o quimo ácido vindo do estômago), finalizando a digestão de peptídeos em aminoácidos. O experimento reproduz justamente um meio muito ácido, característica do estômago, e não do intestino — por isso essa alternativa erra o local e o pH do processo.

E) Ação do suco gástrico sobre as proteínas no estômago.

✅ Correta: o suco gástrico é fortemente ácido (HCl, pH ≈ 1,5-2,5) e atua sobre proteínas, desnaturando-as e permitindo que a pepsina inicie sua quebra em polipeptídeos. Isso reproduz com fidelidade o que ocorre no experimento: o ácido cítrico do limão desnatura e coagula a caseína do leite, simulando visualmente o efeito do ácido clorídrico gástrico sobre as proteínas ingeridas.

🏆 Gabarito: E — o experimento isola exatamente a combinação "ácido + proteína", que é a assinatura do suco gástrico atuando sobre as proteínas no estômago; nenhuma outra alternativa reúne esse par de condições.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa E combina o meio ácido (compatível com o pH do limão) com o alvo proteico (compatível com a caseína do leite) no local correto do tubo digestório, o estômago.
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de transformar experimentos caseiros e cotidianos (leite + limão, batata + água oxigenada, etc.) em modelos de processos fisiológicos, testando se o aluno consegue "traduzir" o fenômeno observado para o conceito biológico correspondente.
  • Generalização: sempre que uma questão descrever um ácido reagindo com uma proteína e causando coagulação/precipitação visível, associe imediatamente ao estômago (HCl + pepsina); se envolver gordura sendo dispersada em gotículas, pense em bile; se envolver amido sendo digerido, pense em saliva ou suco pancreático.
  • Dica de eliminação rápida: primeiro identifique o biomolécula-alvo (aqui, proteína — elimina C, que fala de carboidrato) e depois o pH do agente (aqui, ácido — elimina A, B e D, que descrevem ambientes neutros/alcalinos do intestino ou do pâncreas), restando apenas E.
  • Conexões: vale revisar também a ação da tripsina e da quimotripsina (suco pancreático sobre proteínas no duodeno) e o papel do bicarbonato na neutralização do quimo ácido antes de chegar ao intestino delgado.

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