Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 2º dia
NaturezaQuímicaMédio

Questão 123ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia

Nos municípios onde foi detectada a resistência do Aedes aegypti, o larvicida tradicional será substituído por outro com concentração de 10% (v/v) de um novo princípio ativo. A vantagem desse segundo larvicida é que uma pequena quantidade da emulsão apresenta alta capacidade de atuação, o que permitirá a condução de baixo volume de larvicida pelo agente de combate às endemias. Para evitar erros de manipulação, esse novo larvicida será fornecido em frascos plásticos e, para uso em campo, todo o seu conteúdo deve ser diluído em água até o volume final de um litro. O objetivo é obter uma concentração final de 2% em volume do princípio ativo.

Que volume de larvicida deve conter o frasco plástico?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Química → Soluções, concentração e diluição (percentual em volume, v/v)
  • ⚡ Nível: Médio — a conta final é simples, mas exige entender que a quantidade de princípio ativo se conserva na diluição, e não confundir a concentração do frasco com a fração que ele ocupa no volume final.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Cálculo de concentração e diluição de soluções (%v/v) aplicado a um contexto de saúde pública — controle de vetores (Aedes aegypti).
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual o volume do larvicida concentrado (10% v/v) que, diluído em água até completar 1 litro, resulta numa solução final com 2% (v/v) de princípio ativo?"
  • Palavras-chave decisivas: 10% (v/v), diluído em água até o volume final de um litro, concentração final de 2% em volume
  • Armadilha típica: aplicar os 10% diretamente sobre o volume final de 1 L (10% de 1000 mL = 100 mL), ignorando que esse percentual descreve a concentração do larvicida dentro do frasco, e não a fração que o frasco deve ocupar no volume final.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de montar a equação de conservação da quantidade de soluto (princípio ativo) entre o estado concentrado (frasco) e o estado diluído final (1 L a 2%), isolando o volume do frasco.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Concentração em volume (%v/v): razão entre o volume do soluto (princípio ativo puro) e o volume total da solução, multiplicada por 100. Uma concentração de 10% v/v significa que, em cada 100 mL de solução, há 10 mL de soluto puro.
  • Diluição: processo de adicionar solvente (aqui, água) a uma solução, aumentando o volume total e reduzindo a concentração — mas mantendo constante a quantidade (o volume, no caso de %v/v) de soluto.
  • Conservação do soluto na diluição: C₁ × V₁ = C₂ × V₂, em que os índices 1 e 2 representam, respectivamente, a solução concentrada (antes, no frasco) e a solução diluída (depois, pronta para uso em campo). A igualdade decorre do fato de que a quantidade de princípio ativo não muda — apenas se redistribui em mais água.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "concentração de 10% (v/v) de um novo princípio ativo" → define C₁ = 10%, a concentração do larvicida tal como vem no frasco, antes de qualquer diluição para uso em campo.
  • Evidência 2: "todo o seu conteúdo deve ser diluído em água até o volume final de um litro" → define V₂ = 1000 mL, o volume final da solução pronta para aplicação, e deixa claro que o volume do frasco (V₁, a incógnita) é menor que 1 L, sendo completado com água.
  • Evidência 3: "obter uma concentração final de 2% em volume do princípio ativo" → define C₂ = 2%, a concentração desejada após a diluição.
  • Síntese: o enunciado fornece três das quatro variáveis da equação de diluição (C₁, C₂, V₂) e pede a quarta (V₁) — uma aplicação direta de C₁V₁ = C₂V₂, desde que o estudante identifique corretamente quem é o "antes" (frasco concentrado) e quem é o "depois" (solução final de 1 L).

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Montar a equação de conservação do princípio ativo

Na diluição, o volume de princípio ativo puro presente no frasco concentrado é exatamente igual ao volume de princípio ativo presente na solução final de 1 L, pois apenas se adiciona água — nenhum princípio ativo é criado ou eliminado no processo. Logo:

C₁ × V₁ = C₂ × V₂

Substituindo os valores conhecidos (C₁ = 10%, C₂ = 2%, V₂ = 1000 mL):

10% × V₁ = 2% × 1000 mL

Subpasso 4.2 — Isolar e calcular V₁

V₁ = (2% × 1000 mL) ÷ 10%

V₁ = (0,02 × 1000 mL) ÷ 0,10

V₁ = 20 mL ÷ 0,10

V₁ = 200 mL

Subpasso 4.3 — Verificação por dois caminhos

Caminho 1 (conservação do soluto): o volume de princípio ativo puro exigido na solução final é 2% de 1000 mL = 20 mL. Esse mesmo volume de princípio ativo puro precisa estar contido nos V₁ mL do frasco, onde ele representa 10% do total: 10% de V₁ = 20 mL → V₁ = 20 ÷ 0,10 = 200 mL. ✓ Confere com o resultado anterior.

Caminho 2 (fator de diluição): a concentração caiu de 10% para 2%, ou seja, foi diluída 10 ÷ 2 = 5 vezes. Se o volume final é 1000 mL e o fator de diluição é 5, o volume inicial é 1000 ÷ 5 = 200 mL. ✓

Os dois caminhos confirmam V₁ = 200 mL, valor que corresponde exatamente à alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) 10 mL

❌ Incorreta: erro de ordem de grandeza — equivale a dividir o volume final por um fator muito maior que o real (o correto é dividir por 5, não por 100). Um frasco de 10 mL diluído em 1 L geraria concentração final de apenas 0,1% — vinte vezes menor que a exigida.

B) 50 mL

❌ Incorreta: corresponde a usar um fator de diluição incorreto (20, em vez de 5), como se a concentração devesse cair de 10% para 0,5%. Um frasco de 50 mL diluído em 1 L geraria concentração final de apenas 0,5% — quatro vezes menor que os 2% pedidos.

C) 100 mL

❌ Incorreta: é a armadilha central da questão. Surge de aplicar diretamente os "10%" citados no enunciado sobre o volume final de 1 L (10% de 1000 mL = 100 mL), sem perceber que esse percentual descreve a concentração do larvicida dentro do próprio frasco, e não a fração que ele deve ocupar no volume final diluído. Um frasco de 100 mL diluído em 1 L geraria concentração final de 1% — metade do valor desejado.

D) 200 mL

✅ Correta: é o único volume que, diluído em água até completar 1 litro, mantém a quantidade de princípio ativo puro (20 mL) compatível tanto com a concentração de 10% do frasco quanto com a concentração final de 2% exigida em campo. Resulta diretamente da equação C₁V₁ = C₂V₂, com C₁ = 10%, C₂ = 2% e V₂ = 1000 mL.

E) 500 mL

❌ Incorreta: corresponde ao raciocínio ingênuo de "diluir pela metade" (1000 ÷ 2), como se a queda de concentração fosse proporcional a uma simples divisão por 2, ignorando a razão real entre 10% e 2% (que é 5, não 2). Um frasco de 500 mL diluído em 1 L geraria concentração final de 5% — mais que o dobro do valor pedido.

🏆 Gabarito: D — o frasco deve conter 200 mL de larvicida concentrado, único volume que, diluído em água até completar 1 litro, resulta na concentração final de 2% (v/v) exigida para uso em campo.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas 200 mL satisfaz simultaneamente as três condições do enunciado — concentração de partida de 10%, volume final de 1 L e concentração final de 2% —, pois é o único valor consistente com C₁V₁ = C₂V₂.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente contextualiza diluição e concentração de soluções em situações de saúde pública, agricultura ou indústria (soro fisiológico, agrotóxicos, medicamentos, produtos de limpeza), sempre testando se o estudante reconhece a conservação da quantidade de soluto como o princípio por trás da fórmula.
  • Generalização: em qualquer problema de diluição, a regra de ouro é C₁V₁ = C₂V₂ — a quantidade de soluto antes é igual à quantidade de soluto depois; o "antes" e o "depois" devem ser identificados com cuidado a partir do texto (quem é a solução concentrada e quem é a solução final).
  • Dica de eliminação rápida: calcule mentalmente o fator de diluição (concentração inicial ÷ concentração final = 10 ÷ 2 = 5) e divida o volume final por esse fator (1000 ÷ 5 = 200). Isso já aponta direto para a alternativa correta e permite descartar de imediato qualquer opção incompatível com essa razão — como a armadilha de aplicar os 10% direto sobre 1 L (alternativa C).
  • Conexões: o mesmo raciocínio se aplica à diluição de soro fisiológico, ao preparo de soluções de limpeza a partir de concentrados e ao cálculo de defensivos agrícolas — todos casos clássicos de conservação de volume de soluto em soluções diluídas.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.