Mapa de questões · 2º dia
Questão 127 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 2º Dia
As fêmeas do mosquito da dengue, Aedes aegypti, têm um olfato extremamente refinado. Além de identificar as coleções de águas para oviposição, elas são capazes de detectar de forma precisa e eficaz a presença humana pela interpretação de moléculas de odor eliminadas durante a sudorese. Após perceber o indivíduo, voam rapidamente em direção à fonte alimentar, iniciando o repasto sanguíneo durante o qual podem transmitir o vírus da dengue. Portanto, o olfato desempenha um papel importante para a sobrevivência dessa espécie.
GUIDOBALDI, F.; MAY-CONCHA, I. J.; GUERENSTEIN, P. G. Morphology and Physiology of the Olfactory System of Blood-Feeding Insects. Journal of Physiology-Paris, n. 2-3, abr.-jun. 2014 (adaptado).
Medidas que interferem na localização do hospedeiro pelo vetor por meio dessa modalidade sensorial incluem a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia sensorial de insetos e ecologia de vetores (saúde pública)
- ⚡ Nível: Médio — exige rastrear no texto o mecanismo sensorial específico descrito e associar só a ele a alternativa correta, descartando medidas de controle vetorial que atuam por outras vias.
- 🎯 Tema/Habilidade: Percepção olfativa do Aedes aegypti na localização do hospedeiro e medidas que interferem nessa via sensorial (relação organismo-ambiente aplicada à saúde).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após a resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual medida impede especificamente que o mosquito detecte o odor humano pelo olfato, e não apenas reduz sua população ou barra seu acesso físico?"
- Palavras-chave decisivas: olfato, moléculas de odor, dessa modalidade sensorial
- Armadilha típica: confundir "qualquer medida de combate ao Aedes aegypti" com "medida que age sobre o olfato do mosquito". O texto cita várias frentes de combate ao vetor (criadouros, barreiras, higiene), mas o comando restringe a pergunta a uma única via: a sensorial/olfativa.
- O que a resposta precisa demonstrar: que a alternativa correta interfere diretamente na capacidade do mosquito de captar as moléculas odoríferas da transpiração humana, e não em outra etapa do ciclo de vida ou do comportamento do inseto.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Quimiorrecepção em insetos: mosquitos hematófagos possuem receptores olfativos concentrados nas antenas e nos palpos maxilares, capazes de detectar compostos voláteis liberados pelo corpo humano, como ácido láctico, amônia, ácidos graxos e CO2 exalado.
- Sudorese como fonte de pistas químicas: o suor carrega justamente essas moléculas voláteis; é por meio delas que a fêmea do Aedes aegypti "rastreia" o hospedeiro a distância, antes mesmo de enxergá-lo.
- Repelentes químicos: substâncias com princípio ativo (como DEET, icaridina ou IR3535) atuam mascarando o odor corporal ou bloqueando os receptores olfativos do inseto, tornando o hospedeiro quimicamente "invisível" para o mosquito.
- Medidas de controle vetorial multifatoriais: existem estratégias que atuam sobre etapas diferentes do problema — eliminação de criadouros (controle reprodutivo/larvário), barreiras físicas (impedem contato, não a detecção) e higiene pessoal (reduz resíduos, mas não interrompe a produção de suor). Nenhuma delas age sobre o sistema olfativo do inseto.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "detectar de forma precisa e eficaz a presença humana pela interpretação de moléculas de odor eliminadas durante a sudorese" → confirma que o mecanismo de localização do hospedeiro é químico-olfativo, não visual nem térmico.
- Evidência 2: "Medidas que interferem na localização do hospedeiro pelo vetor por meio dessa modalidade sensorial" → a expressão "dessa modalidade sensorial" retoma explicitamente o olfato, restringindo a busca a alternativas que atuem sobre essa via.
- Síntese: o texto monta um raciocínio em cadeia — sudorese gera moléculas de odor → olfato do mosquito capta essas moléculas → mosquito localiza e ataca o hospedeiro. A resposta correta deve quebrar esse elo específico (a captação olfativa), e não outro elo da cadeia epidemiológica da dengue.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar o mecanismo sensorial descrito
O texto é claro: a fêmea do Aedes aegypti localiza o ser humano interpretando moléculas voláteis liberadas pelo suor. Isso significa que qualquer medida candidata precisa ser avaliada por um único critério: ela impede, dificulta ou mascara a percepção olfativa dessas moléculas pelo mosquito?
Subpasso 4.2 — Testar cada tipo de intervenção contra esse critério
Existem, em geral, três categorias de medidas de combate ao Aedes aegypti citadas ou sugeridas pelas alternativas: (1) controle reprodutivo/populacional (atuar sobre ovos, larvas e criadouros); (2) barreira física (impedir contato entre mosquito e pele); (3) interferência química direta no olfato (mascarar ou bloquear o odor corporal). Apenas a categoria (3) atua exatamente sobre "essa modalidade sensorial" mencionada no comando — as categorias (1) e (2) combatem o vetor por outras frentes, igualmente importantes na saúde pública, mas que não respondem ao que foi perguntado.
Subpasso 4.3 — Verificação
Repelentes corporais (cremes, loções, pomadas com princípio ativo) são formulados justamente para camuflar quimicamente o odor humano ou saturar/bloquear os receptores olfativos do mosquito, impedindo-o de reconhecer a fonte de sangue mesmo estando próximo dela. Essa é a única alternativa cujo mecanismo de ação bate exatamente com o que o enunciado pede: interferência na via olfativa de localização do hospedeiro.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) colocação de telas nas janelas.
❌ Incorreta: telas funcionam como barreira física, impedindo a entrada do mosquito no ambiente. Elas não impedem que a fêmea detecte o odor humano — ela continua percebendo as moléculas de suor pelo olfato normalmente, apenas não consegue atravessar a tela para completar o repasto. É controle de acesso, não interferência sensorial.
B) eliminação de locais de oviposição.
❌ Incorreta: essa medida atua no ciclo reprodutivo do mosquito, reduzindo o número de ovos, larvas e, consequentemente, de mosquitos adultos no futuro. É essencial no controle epidemiológico da dengue, mas não tem qualquer relação com o olfato das fêmeas já adultas em busca de sangue — atua antes e fora do processo de localização do hospedeiro.
C) instalação de borrifadores de água em locais abertos.
❌ Incorreta: essa medida é, na verdade, contraproducente, pois cria novas coleções de água paradas, que são potenciais criadouros do Aedes aegypti (a fêmea também usa o olfato para localizar água para oviposição, mas essa alternativa favorece o vetor em vez de combatê-lo). Não interfere no olfato de busca por hospedeiro humano.
D) conscientização para a necessidade de banhos diários.
❌ Incorreta: o banho remove temporariamente resíduos de suor da pele, mas a produção de suor e a liberação de moléculas odoríferas são processos contínuos do corpo humano, retomados em minutos ou horas. Não se trata de uma medida direcionada e eficaz de bloqueio olfativo — o refinadíssimo olfato do mosquito, descrito no texto, continua captando o odor corporal normalmente ao longo do dia.
E) utilização de cremes ou pomadas com princípios ativos.
✅ Correta: repelentes tópicos contêm substâncias químicas (como DEET, icaridina, IR3535 ou óleo de citronela) que mascaram o odor humano ou interferem diretamente nos receptores olfativos do mosquito, impedindo-o de reconhecer as moléculas do suor como sinal de "fonte alimentar". É a única medida entre as apresentadas que age exatamente sobre a modalidade sensorial olfativa citada no enunciado.
🏆 Gabarito: E — os repelentes químicos são a única medida listada que atua diretamente sobre o mecanismo olfativo descrito no texto, mascarando ou bloqueando a percepção das moléculas de odor humano pelo mosquito.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E interrompe o elo específico "olfato do mosquito → detecção do odor humano" citado no comando; as demais atuam em etapas diferentes do combate à dengue (reprodução do vetor, barreira física ou higiene pessoal).
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa textos sobre biologia de vetores (Aedes aegypti, dengue, zika, chikungunya) para testar se o candidato consegue ligar um mecanismo biológico específico (aqui, quimiorrecepção) a uma aplicação prática de saúde pública, sem se perder em conhecimentos genéricos sobre "combate ao mosquito".
- Generalização: em questões que descrevem um mecanismo biológico específico e depois perguntam por "medidas que interferem nesse mecanismo", elimine primeiro todas as alternativas que tratem de outros mecanismos (mesmo que corretos e relevantes), e mantenha apenas a que dialoga diretamente com o processo descrito no texto-base.
- Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que fale em "eliminar criadouros" ou "reduzir população" (ataca reprodução, não olfato) e qualquer uma que descreva "barreira física" (tela, mosquiteiro) sem menção a cheiro/odor — sobra quase sempre a opção ligada a produto químico aplicado no corpo.
- Conexões: fisiologia sensorial dos artrópodes (quimiorrecepção, receptores olfativos) e estratégias integradas de controle epidemiológico de arboviroses urbanas (dengue, zika, chikungunya, febre amarela urbana).
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