Mapa de questões · 2º dia
Questão 95 — ENEM 2017 PPL

Disponível em: www.nature.com. Acesso em: 6 dez. 2012 (adaptado).
Considerando a filogenia representada, a maior similaridade genética será encontrada entre os seres humanos e:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Evolução e Filogenia dos Primatas
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretar corretamente um cladograma com datas de divergência, não apenas "olhar quem está mais perto" na figura
- 🎯 Tema/Habilidade: Leitura de árvores filogenéticas e parentesco evolutivo entre humanos e grandes primatas (competência de área 4 — compreender a evolução da vida)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "No cladograma dado, qual dupla de primatas compartilha o ancestral comum mais recente com o ser humano?"
- Palavras-chave decisivas: filogenia representada, maior similaridade genética, seres humanos e
- Armadilha típica: confundir "similaridade genética" com semelhança física aparente (por exemplo, achar que o gorila "parece mais humano" por ser maior ou mais robusto) em vez de usar o critério correto, que é o tempo de divergência marcado na árvore
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de localizar, no cladograma, o nó (ponto de ramificação) mais próximo do ramo humano e identificar quais outros táxons compartilham esse mesmo ancestral comum
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Filogenia (cladograma): diagrama em forma de árvore que representa as relações de parentesco evolutivo entre espécies, organizado a partir de ancestrais comuns; cada ponto onde os ramos se separam é chamado de nó.
- Ancestral comum mais recente (MRCA): o nó de ramificação representa o organismo do qual todos os ramos que dele partem descendem; quanto mais próximo (mais recente no tempo) for esse nó em relação aos ramos-alvo, maior é o parentesco evolutivo e maior a semelhança genética esperada entre eles.
- Regra de leitura de cladograma: para saber quem é "mais parente" de um táxon, não se olha a posição espacial no desenho, mas sim qual é o primeiro nó de ramificação encontrado ao "descer" pelo ramo daquele táxon — os grupos que compartilham esse nó são os parentes mais próximos.
- Homininae x Hominidae: gorila, chimpanzé, bonobo e humano formam a subfamília Homininae (parentesco mais estreito); o orangotango pertence à família Hominidae, mas diverge antes de todos os demais, sendo o "primo mais distante" do grupo.
- Gênero Pan: chimpanzé (Pan troglodytes) e bonobo (Pan paniscus) são espécies irmãs, resultado da divisão mais recente de toda a árvore — por isso compartilham entre si o ancestral comum mais próximo no tempo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
A figura apresenta um cladograma com cinco silhuetas de primatas — orangotango, gorila, ser humano, chimpanzé e bonobo, da esquerda para a direita — ligadas por ramos que se bifurcam em quatro nós, cada um com uma faixa de tempo estimada (em milhões de anos, m.a.) até o ancestral comum:
- Evidência 1: "1 a 1,5 m.a." (nó mais à direita, o mais raso/recente) → une chimpanzé e bonobo, indicando que essas duas espécies se separaram uma da outra há pouquíssimo tempo, geologicamente falando.
- Evidência 2: "5,5 a 7 m.a." (nó imediatamente anterior) → une o ramo humano ao ramo que já contém chimpanzé + bonobo, ou seja, o ancestral comum entre humanos e o par chimpanzé/bonobo viveu entre 5,5 e 7 milhões de anos atrás.
- Evidência 3: "8,5 a 12 m.a." e "9 a 13 m.a." (nós mais profundos, à esquerda) → mostram que gorila e, em seguida, orangotango se separaram do tronco comum em momentos ainda mais antigos, sendo portanto parentes mais distantes de todo o grupo, inclusive do ser humano.
- Síntese: como o nó que liga o ramo humano ao restante da árvore (5,5–7 m.a.) é o mesmo nó que une chimpanzé e bonobo entre si e ao humano, esses dois táxons compartilham com o Homo sapiens o ancestral comum mais recente dentre todas as opções — logo, são os parentes evolutivos mais próximos do ser humano representados na figura.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Localizar o ramo humano na árvore
No cladograma, o ser humano ocupa a posição central entre as cinco silhuetas. Para descobrir quem é seu parente evolutivo mais próximo, a estratégia correta é "descer" pelo ramo humano até encontrar o primeiro nó de bifurcação — esse é o ponto que define o grupo-irmão do ser humano na árvore.
Subpasso 4.2 — Identificar o primeiro nó de divergência do ramo humano
Seguindo o ramo humano para baixo, o primeiro ponto de ramificação encontrado é o indicado pela seta "5,5 a 7 m.a.". Esse nó não conecta o humano a um único outro táxon isolado, mas sim ao ramo que já reúne chimpanzé e bonobo (que, por sua vez, se separaram um do outro muito mais recentemente, entre 1 e 1,5 m.a.). Isso significa que, do ponto de vista da árvore, chimpanzé e bonobo formam um grupo monofilético (clado) que é o grupo-irmão da linhagem humana.
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando os três tempos até o ancestral comum com o humano: (Chimpanzé + Bonobo) = 5,5–7 m.a.; Gorila = 8,5–12 m.a.; Orangotango = 9–13 m.a. Quanto menor o tempo até o ancestral comum, maior a proximidade evolutiva e, consequentemente, maior a similaridade genética esperada — fato hoje confirmado por sequenciamento genômico, que mostra humanos compartilhando cerca de 98-99% do DNA com chimpanzés e bonobos, proporção menor com gorilas e ainda menor com orangotangos. Isso confirma que a dupla mais próxima geneticamente do ser humano, entre as alternativas, é chimpanzé e bonobo, apontando para a alternativa D.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Gorila e bonobo.
❌ Incorreta: gorila e bonobo não formam um clado juntos na árvore — eles pertencem a ramos diferentes e só compartilham um ancestral comum no nó mais profundo (8,5–12 m.a.), que também inclui humano, chimpanzé e bonobo. Juntar essas duas espécies como "par mais próximo do humano" ignora a estrutura real do cladograma.
B) Gorila e chimpanzé.
❌ Incorreta: mesmo erro conceitual da alternativa A — gorila se separa do tronco comum antes (8,5–12 m.a.) da divisão que gera humano, chimpanzé e bonobo, portanto ele não compartilha com o chimpanzé um ancestral comum mais recente do que aquele que o chimpanzé compartilha com o humano.
C) Gorila e orangotango.
❌ Incorreta: essa dupla une justamente os dois táxons mais basais (mais antigos) da árvore, exatamente os que estão evolutivamente mais distantes do ser humano, e não mais próximos — é o oposto do que a pergunta pede.
D) Chimpanzé e bonobo.
✅ Correta: chimpanzé e bonobo compartilham com o ser humano o ancestral comum mais recente do cladograma (nó de 5,5 a 7 m.a.), sendo por isso as duas espécies geneticamente mais próximas do Homo sapiens entre as apresentadas na figura.
E) Bonobo e orangotango.
❌ Incorreta: essa combinação mistura o táxon do ramo mais recente (bonobo) com o táxon do ramo mais antigo e mais distante (orangotango) — os dois nem sequer compartilham um ancestral comum próximo entre si, muito menos representam a maior proximidade genética com o ser humano.
🏆 Gabarito: D — chimpanzé e bonobo são as espécies que, segundo o cladograma, compartilham com o ser humano o ancestral comum mais recente (5,5 a 7 milhões de anos), sendo portanto as mais próximas geneticamente entre as opções.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a única alternativa que reúne exatamente os dois táxons ligados ao ramo humano pelo nó de divergência mais recente é a D, pois chimpanzé e bonobo formam, juntos, o grupo-irmão da linhagem humana na árvore.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa cladogramas de evolução humana (muitas vezes retirados de artigos científicos reais, como o da Nature citado no enunciado) para testar se o estudante sabe que "proximidade evolutiva" se lê pela posição dos nós de ramificação, e não pela aparência física das espécies representadas.
- Generalização: em qualquer cladograma, os táxons mais aparentados são aqueles que compartilham o nó de divergência mais próximo (mais recente) em relação ao grupo em análise; quanto mais profundo (antigo) o nó comum, mais distante é o parentesco.
- Dica de eliminação rápida: localize o ramo do organismo perguntado (aqui, o humano), identifique o primeiro nó abaixo dele e leve em conta todos os táxons que "caem" desse mesmo nó — isso elimina de cara qualquer alternativa que combine dois táxons de ramos distintos e mais antigos, como as opções A, B e C.
- Conexões: este tema se conecta diretamente com "evidências da evolução" (anatomia comparada, genética molecular, fósseis) e com a classificação taxonômica dos primatas (famílias Hominidae e subfamília Homininae), assuntos que costumam aparecer juntos em questões de Biologia evolutiva no ENEM.
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