Mapa de questões · 2º dia
Questão 116 — ENEM 2017 PPL
Para estudar os cromossomos, é preciso observá-los no momento em que se encontram no ponto máximo de sua condensação. A imagem corresponde ao tecido da raiz de cebola, visto ao microscópio, e cada número marca uma das diferentes etapas do ciclo celular.

Disponível em: www.histologia.icb.ufg.br. Acesso em: 6 mar. 2015 (adaptado).
Qual número corresponde à melhor etapa para que esse estudo seja possível?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Citologia / Ciclo Celular e Mitose
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer, numa imagem real de microscopia, o padrão morfológico específico de cada fase da mitose, e não apenas decorar a sequência textual das fases.
- 🎯 Tema/Habilidade: Grau de condensação cromossômica ao longo do ciclo celular; interpretação de imagem biológica para identificar a fase mitótica ideal de observação dos cromossomos.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Entre as cinco estruturas numeradas na fotomicrografia da raiz de cebola, qual mostra os cromossomos no momento de maior condensação, sendo por isso a etapa ideal para observá-los ao microscópio?"
- Palavras-chave decisivas: ponto máximo de condensação, observá-los, etapas do ciclo celular
- Armadilha típica: confundir "núcleo grande e bem corado" (interfase) com cromossomos condensados; ou achar que qualquer bloco escuro e compacto já representa a condensação máxima, incluindo a anáfase, quando na verdade ali os cromossomos já estão migrando e se sobrepondo.
- O que a resposta precisa demonstrar: que a condensação máxima do material genético ocorre na metáfase, quando os cromossomos estão isolados, visíveis individualmente e organizados — diferente da interfase (cromatina frouxa) e da anáfase/telófase (cromossomos aglomerados nos polos).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ciclo celular: sequência de interfase (G1, S, G2) e fase mitótica (prófase, metáfase, anáfase, telófase) percorrida pela célula entre duas divisões sucessivas.
- Condensação cromossômica: processo pelo qual a cromatina (DNA + histonas) se enovela progressivamente, formando os cromossomos visíveis ao microscópio óptico; inicia-se na prófase e atinge o ápice na metáfase.
- Metáfase: fase em que os cromossomos, já duplicados (cada um com duas cromátides-irmãs), estão totalmente condensados e organizados na placa equatorial, presos às fibras do fuso — é o estágio clássico usado em laboratório para contagem e análise cariotípica.
- Interfase: período entre divisões em que a cromatina permanece descondensada (para permitir transcrição e replicação do DNA), aparecendo ao microscópio como um núcleo homogêneo, sem cromossomos individualizados.
- Anáfase/telófase: momentos pós-metafásicos em que as cromátides-irmãs se separam e migram para os polos opostos da célula; permanecem condensadas, mas se sobrepõem em massas compactas, dificultando a distinção de cada cromossomo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (estruturas 1 e 2): núcleos arredondados, de coloração homogênea, sem fios ou linhas distinguíveis → indicam cromatina descondensada, padrão típico de interfase.
- Evidência 2 (estrutura 3): conjunto de filamentos curtos e grossos, dispostos radialmente em torno de um centro, formando um padrão em "estrela"/roseta → é a assinatura clássica da metáfase vista em corte polar, com cada cromossomo condensado e individualizado ao redor do eixo do fuso.
- Evidência 3 (estrutura 4): fios mais finos, alongados e emaranhados, sem organização radial definida → corresponde à prófase, fase em que a condensação ainda está em curso, mas incompleta.
- Evidência 4 (estrutura 5): dois blocos compactos, escuros e nitidamente separados um do outro, sem contorno de envoltório nuclear → sinaliza anáfase, com os dois lotes cromossômicos já segregados, migrando para polos opostos.
- Síntese: cruzando a exigência do enunciado ("ponto máximo de sua condensação") com o mapeamento morfológico da imagem, apenas a estrutura 3 reúne, ao mesmo tempo, condensação máxima e individualização visível dos cromossomos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconhecer o material biológico e a técnica
A imagem mostra células do meristema apical da raiz de cebola (Allium cepa), tecido clássico para o estudo do ciclo celular porque suas células se dividem de forma rápida e relativamente sincronizada, permitindo capturar, numa mesma lâmina, células em diferentes fases da mitose. A técnica é o esmagamento ("squash") com corante que se liga fortemente ao DNA, fazendo a cromatina condensada aparecer em tons escuros — quanto mais compacto e definido o formato, mais condensados estão os cromossomos naquele instante.
Subpasso 4.2 — Classificar cada estrutura numerada pelo grau de condensação
Ordenando os cinco números pelo grau crescente de organização/condensação cromossômica observado na imagem:
- 1 e 2 → núcleos interfásicos: cromatina difusa, sem cromossomos distintos — grau de condensação mínimo, nada a estudar em termos de morfologia cromossômica.
- 4 → prófase: cromatina em início de compactação, ainda filamentosa e emaranhada — grau intermediário, insuficiente para identificar cromossomos individuais.
- 3 → metáfase: cromossomos compactos, individualizados, organizados ao redor da placa equatorial em vista polar (o padrão em "estrela") — grau máximo de condensação, com cada cromossomo distinguível dos demais.
- 5 → anáfase: cromátides-irmãs já separadas, migrando para os polos em dois blocos compactos, porém sobrepostos entre si — condensação alta, mas cromossomos não mais individualizáveis.
Subpasso 4.3 — Verificação
Aplicando o critério do enunciado — condensação máxima para viabilizar a observação dos cromossomos — apenas um estágio combina os dois requisitos simultaneamente: cromossomos totalmente compactados e ainda distinguíveis uns dos outros. Esse estágio é a metáfase, correspondente ao número 3. Não por acaso, em laboratórios de citogenética as lâminas são preparadas justamente para capturar o maior número possível de metáfases (por vezes usando colchicina, substância que interrompe o ciclo celular nesse ponto), confirmando que a alternativa C é a resposta compatível com o gabarito.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 1
❌ Incorreta: a estrutura 1 é um núcleo em interfase, com cromatina descondensada e distribuída de forma difusa pelo núcleo; não há cromossomos individualizados para observar, o que inviabiliza exatamente o tipo de estudo pedido no enunciado.
B) 2
❌ Incorreta: mesmo raciocínio da alternativa A — a estrutura 2 também é um núcleo interfásico, com cromatina não condensada, apenas em outra célula do tecido; não representa, portanto, o ponto de condensação máxima.
C) 3
✅ Correta: a estrutura 3 corresponde à metáfase, fase em que os cromossomos atingem o grau máximo de condensação e permanecem organizados de modo individualizado — aqui, em vista polar, formando o característico padrão radial em estrela. É por isso o estágio ideal para observação e estudo morfológico dos cromossomos.
D) 4
❌ Incorreta: a estrutura 4 mostra cromatina em prófase, ainda em processo de condensação, com filamentos finos e emaranhados; a compactação não atingiu seu ponto máximo, o que dificulta a distinção precisa de cada cromossomo.
E) 5
❌ Incorreta: a estrutura 5 mostra a anáfase, com os cromossomos já segregados e migrando para os polos em dois blocos; embora condensados, estão amontoados e sobrepostos entre si, o que impede a análise individual de cada cromossomo.
🏆 Gabarito: C — a estrutura 3 mostra a metáfase, único estágio em que os cromossomos estão simultaneamente totalmente condensados e visualmente separados uns dos outros, sendo por isso o momento ideal para observá-los ao microscópio.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a metáfase (estrutura 3) reúne os dois requisitos do enunciado — condensação máxima e individualização dos cromossomos —, o que torna a alternativa C a única resposta compatível com a biologia celular descrita.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa imagens de mitose em raiz de cebola (ou de outras células vegetais/animais) para avaliar se o estudante reconhece as fases do ciclo celular por suas características morfológicas, e não apenas por memorização mecânica dos nomes das fases.
- Generalização: sempre que uma questão pedir "a melhor fase para observar/contar cromossomos", a resposta correta será a metáfase — é justamente o fundamento das técnicas de cariotipagem, incluindo o uso de colchicina para "travar" as células nesse ponto do ciclo.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato núcleos arredondados e homogêneos (interfase) e conjuntos de blocos já separados em polos opostos (anáfase/telófase); sobra apenas a estrutura com cromossomos compactos organizados em torno de um centro — essa é a metáfase.
- Conexões: cariótipo humano e diagnóstico de síndromes cromossômicas (ex.: trissomias), uso de colchicina em cultivo celular para pesquisa genética, comparação entre mitose e meiose.
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