Mapa de questões · 2º dia
Questão 155 — ENEM 2017 PPL
Um programa de televisão criou um perfil em uma rede social, e a ideia era que esse perfil fosse sorteado para um dos seguidores, quando esses fossem em número de um milhão. Agora que essa quantidade de seguidores foi atingida, os organizadores perceberam que apenas 80% deles são realmente fãs do programa. Por conta disso, resolveram que todos os seguidores farão um teste, com perguntas objetivas referentes ao programa, e só poderão participar do sorteio aqueles que forem aprovados. Estatísticas revelam que, num teste dessa natureza, a taxa de aprovação é de 90% dos fãs e de 15% dos que não são fãs.
De acordo com essas informações, a razão entre a probabilidade de que um fã seja sorteado e a probabilidade de que o sorteado seja alguém que não é fã do programa é igual a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Probabilidade (frequência relativa e probabilidade condicional)
- ⚡ Nível: Médio — o cálculo é simples, mas exige perceber que o sorteio acontece só entre os aprovados, não entre todos os seguidores.
- 🎯 Tema/Habilidade: Probabilidade aplicada a proporções populacionais (Competência de área 7 — compreender o caráter aleatório de fenômenos e associar probabilidades a eventos)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a razão entre a chance de o sorteado ser fã e a chance de ele não ser fã, sabendo que só concorrem ao sorteio os seguidores aprovados no teste?"
- Palavras-chave decisivas: aprovados, razão, fã / não fã
- Armadilha típica: usar direto a proporção original de fãs e não-fãs entre os seguidores (80% e 20%), esquecendo que o filtro do teste altera completamente quem concorre ao sorteio.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de recalcular a população elegível ao sorteio — os aprovados — e comparar as duas subpopulações dentro desse novo total, não do total original de um milhão.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Porcentagem como operador multiplicativo: "x% de N" significa multiplicar N por x/100; é a ferramenta usada para achar o número de fãs, não-fãs e aprovados em cada grupo.
- Partição do espaço amostral em etapas: os seguidores se dividem primeiro em fãs e não fãs; cada um desses grupos se divide de novo em aprovados e reprovados no teste. É um problema de duas partições sucessivas.
- Probabilidade pela regra de Laplace: se o sorteio é uniforme entre os aprovados, a probabilidade de o sorteado pertencer a um grupo é o tamanho desse grupo dividido pelo total de aprovados.
- Cancelamento do denominador comum: como as duas probabilidades comparadas (fã sorteado e não-fã sorteado) têm o mesmo denominador — o total de aprovados —, a razão entre elas se reduz à razão entre os números absolutos de aprovados de cada grupo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "apenas 80% deles são realmente fãs do programa" → define a partição inicial dos seguidores: 800 mil fãs e 200 mil não-fãs dentro do milhão de seguidores.
- Evidência 2: "só poderão participar do sorteio aqueles que forem aprovados" → o sorteio não ocorre entre o milhão de seguidores, mas apenas entre os aprovados no teste. Esse é o dado que redefine o espaço amostral relevante para o cálculo.
- Evidência 3: "a taxa de aprovação é de 90% dos fãs e de 15% dos que não são fãs" → fornece as taxas de aprovação condicionais de cada subgrupo, permitindo calcular quantos aprovados existem em cada um.
- Síntese: a resolução segue três etapas — (1) dividir os seguidores em fãs e não-fãs, (2) aplicar a taxa de aprovação em cada grupo para obter o número de aprovados de cada tipo, (3) comparar esses dois números, pois é exatamente entre eles que o sorteio de fato ocorre.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Dividir os seguidores em fãs e não-fãs
Total de seguidores: 1 000 000.
Fãs (80%): 0,80 × 1 000 000 = 800 000 fãs.
Não-fãs (20%): 0,20 × 1 000 000 = 200 000 não-fãs.
Subpasso 4.2 — Aplicar a taxa de aprovação e montar a razão pedida
Entre os fãs, 90% são aprovados no teste:
0,90 × 800 000 = 720 000 fãs aprovados.
Entre os não-fãs, 15% são aprovados no teste:
0,15 × 200 000 = 30 000 não-fãs aprovados.
Somente esses 720 000 + 30 000 = 750 000 seguidores concorrem ao sorteio. Como o sorteio é uniforme entre eles:
P(sorteado é fã) = 720 000 ÷ 750 000
P(sorteado não é fã) = 30 000 ÷ 750 000
A razão pedida é:
Razão = P(fã) ÷ P(não fã) = (720 000/750 000) ÷ (30 000/750 000) = 720 000 ÷ 30 000 = 24
Repare que o denominador comum (750 000 aprovados) se cancela — por isso não é nem necessário calculá-lo para responder à pergunta; basta comparar diretamente os aprovados fãs com os aprovados não-fãs.
Subpasso 4.3 — Verificação
720 000 ÷ 30 000 = 24, valor que corresponde exatamente à alternativa D. Uma forma alternativa de checar: a razão também pode ser obtida multiplicando a razão populacional (800 000/200 000 = 4) pela razão das taxas de aprovação (90%/15% = 6): 4 × 6 = 24. As duas rotas convergem para o mesmo número, confirmando o resultado.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 1.
❌ Incorreta: sugeriria que a chance de o sorteado ser fã é igual à de não ser fã, ou seja, que fãs e não-fãs teriam a mesma representação entre os aprovados. Isso ignoraria tanto a diferença populacional (80% contra 20%) quanto a diferença de taxas de aprovação (90% contra 15%), que atuam na mesma direção e tornam os fãs largamente majoritários entre os aprovados.
B) 4.
❌ Incorreta: é exatamente a razão obtida usando apenas a proporção original da população total (800 000 fãs ÷ 200 000 não-fãs = 4), sem aplicar a taxa de aprovação. É a armadilha central da questão: quem ignora que só os aprovados concorrem ao sorteio para direto nesse valor.
C) 6.
❌ Incorreta: corresponde à razão entre as taxas de aprovação isoladas (90% ÷ 15% = 6), comparando apenas "quão mais fácil é um fã passar" sem levar em conta que também há mais fãs do que não-fãs na população original. Compara taxas, não quantidades absolutas de aprovados.
D) 24.
✅ Correta: é o resultado de comparar os 720 000 fãs aprovados com os 30 000 não-fãs aprovados (720 000 ÷ 30 000 = 24), que é a razão real entre as probabilidades pedidas, pois o sorteio ocorre exclusivamente entre os aprovados no teste.
E) 96.
❌ Incorreta: valor que surge de um erro de composição, como aplicar novamente a razão populacional sobre o resultado já correto (24 × 4 = 96), ou de outra combinação equivocada entre as taxas percentuais e as populações. Ultrapassa o que os dados do enunciado sustentam.
🏆 Gabarito: D — a razão pedida é 720 000 fãs aprovados dividido por 30 000 não-fãs aprovados, resultando em 24, porque o sorteio ocorre apenas entre os seguidores aprovados no teste, e não entre todos os seguidores.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: 24 é a única razão compatível com os dados, pois nasce diretamente da divisão entre o número de fãs aprovados (720 000) e o número de não-fãs aprovados (30 000), respeitando o fato de que o espaço amostral do sorteio é o grupo dos aprovados.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora combinar porcentagens em cascata — uma proporção populacional seguida de uma taxa condicional (aprovação, sucesso, ocorrência) — para testar se o candidato identifica corretamente qual é o "universo" final relevante para a probabilidade pedida.
- Generalização: sempre que o evento de interesse depende de um filtro (aprovação, seleção, qualificação), a probabilidade deve ser calculada sobre a população já filtrada, e não sobre a população inicial; a razão entre duas probabilidades desse tipo é sempre a razão entre as frequências absolutas dos grupos dentro do universo filtrado.
- Dica de eliminação rápida: se uma alternativa reproduz literalmente a razão bruta da população (4) ou a razão bruta das taxas (6), ela quase certamente ignora uma etapa do problema — multiplique as duas razões parciais (população × taxa) para chegar à resposta que combina toda a informação, o que aqui dá 4 × 6 = 24.
- Conexões: este tipo de questão se conecta a "probabilidade condicional" e ao "Teorema de Bayes" em versão simplificada, além de aparecer com frequência em problemas de tabelas de dupla entrada (contingência) no ENEM.
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