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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 122ENEM 2017 PPL

Uma mulher deu à luz o seu primeiro filho e, após o parto, os médicos testaram o sangue da criança para a determinação de seu grupo sanguíneo. O sangue da criança era do tipo O+. Imediatamente, a equipe médica aplicou na mãe uma solução contendo anticorpos anti-Rh, uma vez que ela tinha o tipo sanguíneo O−.

Qual é a função dessa solução de anticorpos?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Imunologia e Sistema Rh (incompatibilidade materno-fetal)
  • ⚡ Nível: Médio — exige entender o mecanismo da imunização passiva, não apenas decorar o termo "eritroblastose fetal"
  • 🎯 Tema/Habilidade: Resposta imune humoral, memória imunológica e profilaxia da doença hemolítica do recém-nascido
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que se aplica uma injeção de anticorpos anti-Rh em uma mãe Rh− logo após o parto de um bebê Rh+?"
  • Palavras-chave decisivas: anticorpos anti-Rh, imediatamente, tipo sanguíneo O−
  • Armadilha típica: confundir essa aplicação com uma "vacina" e marcar que ela serve para criar memória imunológica na mãe — é exatamente o oposto do que a solução faz.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a imunoglobulina anti-Rh age sobre as hemácias fetais que entraram na circulação materna, e não sobre o genoma do bebê, nem sobre o sistema imune já ativado da mãe.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Sistema Rh: classifica o sangue pela presença (Rh+) ou ausência (Rh−) do antígeno D na membrana das hemácias. É uma proteína de superfície que o organismo Rh− reconhece como "estranha" caso entre em contato com ela.
  • Sensibilização materna: ocorre quando hemácias fetais Rh+ atravessam a placenta e caem na corrente sanguínea da mãe Rh− — principalmente durante o parto, mas também em abortos, amniocenteses ou sangramentos gestacionais.
  • Resposta imune primária e memória: ao reconhecer o antígeno Rh, o sistema imune materno produz anticorpos e, mais importante, linfócitos B de memória. Numa gestação seguinte com feto Rh+, essa memória dispara uma resposta secundária rápida e maciça de anticorpos IgG, que atravessam a placenta.
  • Eritroblastose fetal (doença hemolítica do recém-nascido — DHRN): os anticorpos IgG maternos atacam e destroem as hemácias do feto Rh+ em gestações posteriores, causando anemia hemolítica grave, podendo levar à morte fetal.
  • Imunoglobulina anti-Rh (soro anti-D): anticorpos prontos, administrados de forma passiva à mãe Rh− logo após o parto, que se ligam às hemácias fetais Rh+ ainda circulantes no sangue materno e promovem sua remoção rápida — antes que o sistema imunológico da mãe as detecte e monte resposta própria.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "o sangue da criança era do tipo O+" → o bebê é Rh positivo, ou seja, suas hemácias carregam o antígeno D, estranho ao organismo da mãe.
  • Evidência 2: "ela tinha o tipo sanguíneo O−" → a mãe é Rh negativa e, portanto, está em risco de sensibilização caso receba hemácias Rh+ do filho.
  • Evidência 3: "Imediatamente ... aplicou na mãe uma solução contendo anticorpos anti-Rh" → o momento da aplicação é a chave: é feita logo após o parto, exatamente na janela em que hemácias fetais ainda circulam no sangue materno e antes que a resposta imune primária da mãe se estabeleça.
  • Síntese: o cenário descreve o protocolo clássico de profilaxia da incompatibilidade Rh (o chamado "soro anti-D"): a solução de anticorpos age rapidamente sobre as hemácias fetais residuais, impedindo que a mãe monte sua própria resposta imunológica contra o fator Rh.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Por que essa mãe corre risco?

Como a mãe é Rh− e o filho é Rh+, o pai necessariamente contribuiu com o alelo Rh+ (dominante). Durante o parto, é comum que uma pequena quantidade de sangue fetal atravesse a barreira placentária rompida e entre na circulação materna. Essas hemácias fetais carregam o antígeno D, que o sistema imunológico da mãe — que nunca teve contato com ele — reconhece como um invasor.

Subpasso 4.2 — O que aconteceria sem intervenção

Se nada fosse feito, o sistema imune materno processaria esse antígeno estranho, produziria anticorpos IgM (a resposta primária, geralmente lenta e que não afeta o primeiro filho) e, principalmente, geraria linfócitos B de memória específicos contra o fator Rh. Numa gestação futura, se o novo feto também for Rh+, a mãe já sensibilizada montaria uma resposta secundária extremamente rápida, com produção maciça de anticorpos IgG. Como o IgG atravessa a placenta, esses anticorpos atacariam as hemácias do novo bebê, causando eritroblastose fetal — hemólise grave, anemia, podendo ser fatal.

Subpasso 4.3 — O papel da solução de anticorpos anti-Rh

A solução aplicada na mãe é uma imunização passiva: contém anticorpos anti-D já prontos, que circulam no sangue materno e se ligam especificamente às hemácias fetais Rh+ que passaram para a mãe durante o parto. Esses anticorpos marcam (opsonizam) as hemácias do bebê para destruição e remoção pelo sistema fagocitário da mãe (baço e fígado), eliminando-as da circulação materna rapidamente — antes que o sistema imunológico da mãe tenha tempo de "enxergar" o antígeno D e iniciar sua própria resposta imune. Sem o estímulo antigênico persistente, a mãe não desenvolve memória imunológica contra o fator Rh, e futuras gestações com fetos Rh+ ficam protegidas.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao confrontar esse mecanismo com as alternativas, apenas uma descreve corretamente a ação da solução: ela atua destruindo as hemácias (células sanguíneas) do bebê que estão na circulação materna — não modifica genes, não gera memória na mãe, não neutraliza anticorpos maternos (que ainda nem existem) e não altera o tipo sanguíneo da mãe.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Modificar o fator Rh do próximo filho.

❌ Incorreta: o fator Rh é uma característica geneticamente determinada, herdada dos pais no momento da fecundação. Nenhuma injeção de anticorpos é capaz de alterar o genótipo de uma futura gestação; a intervenção atua sobre o sistema imune materno, não sobre a genética do próximo filho.

B) Destruir as células sanguíneas do bebê.

✅ Correta: os anticorpos anti-Rh administrados se ligam às hemácias fetais Rh+ que passaram para a circulação materna durante o parto e promovem sua destruição/remoção antes que o organismo da mãe as reconheça como antígeno. Isso elimina o estímulo que levaria à sensibilização materna.

C) Formar uma memória imunológica na mãe.

❌ Incorreta: essa alternativa inverte o real objetivo do procedimento. A aplicação existe justamente para impedir que a mãe desenvolva memória imunológica contra o antígeno Rh — é essa memória, se formada, que causaria a destruição de hemácias em uma futura gestação Rh+.

D) Neutralizar os anticorpos produzidos pela mãe.

❌ Incorreta: no momento da aplicação (logo após o primeiro parto), a mãe ainda não produziu anticorpos anti-Rh, pois nunca havia sido exposta ao antígeno D. A solução age sobre as hemácias fetais circulantes, e não sobre anticorpos maternos preexistentes, que sequer existem nesse cenário.

E) Promover a alteração do tipo sanguíneo materno.

❌ Incorreta: o tipo sanguíneo (sistema ABO e fator Rh) é uma característica genética fixa do indivíduo, definida por seus alelos. A mãe continua sendo O− após o procedimento; a solução não interfere na expressão dos antígenos do próprio sangue materno.

🏆 Gabarito: B — a solução de anticorpos anti-Rh destrói as hemácias fetais Rh+ presentes na circulação da mãe antes que seu sistema imunológico as reconheça, prevenindo a sensibilização materna e protegendo gestações futuras.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra B é a única que descreve corretamente a ação farmacológica da imunoglobulina anti-Rh: eliminação física das hemácias fetais Rh+ na corrente sanguínea materna, e não qualquer efeito genético, imunológico duradouro ou sobre o próprio sangue da mãe.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra incompatibilidade Rh e eritroblastose fetal quase sempre em contexto de estudo de caso clínico (mãe Rh−, bebê Rh+), testando se o estudante entende a diferença entre resposta imune ativa (produzida pelo próprio organismo) e imunização passiva (anticorpos prontos administrados de fora).
  • Generalização: sempre que uma questão descrever "aplicação de anticorpos prontos" logo após um evento de exposição a antígeno, pense em imunização passiva — cuja função é eliminar rapidamente o antígeno, e não estimular memória imunológica (que é característica da imunização ativa, como as vacinas).
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que envolvam alteração genética (A) ou alteração do sangue da própria mãe (E), pois anticorpos não editam DNA nem trocam antígenos endógenos; em seguida, lembre-se de que "criar memória" (C) é o oposto do objetivo da profilaxia — isso já elimina três das cinco opções.
  • Conexões: compare com o mecanismo das vacinas (imunização ativa, que busca justamente formar memória) e com a diferença entre anticorpos IgM e IgG na resposta primária versus secundária, tema recorrente em imunologia no ENEM.

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