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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaFácil

Questão 127ENEM 2017 PPL

Os distúrbios por deficiência de iodo (DDI) são fenômenos naturais e permanentes amplamente distribuídos em várias regiões do mundo. Populações que vivem em áreas deficientes em iodo têm o risco de apresentar os distúrbios causados por essa deficiência, cujos impactos sobre os níveis de desenvolvimento humano, social e econômico são muito graves. No Brasil, vigora uma lei que obriga os produtores de sal de cozinha a incluírem em seu produto certa quantidade de iodeto de potássio.

Essa inclusão visa prevenir problemas em qual glândula humana?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia do Sistema Endócrino (eixo hipotálamo-hipófise-tireoide)
  • ⚡ Nível: Fácil — a questão exige apenas associar o iodo à síntese de um hormônio específico, tema amplamente reforçado por campanhas de saúde pública.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Glândulas endócrinas e distúrbios nutricionais (Competência de área 8 — compreender relações entre saúde pública, nutrição e fisiologia humana).
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "A iodação obrigatória do sal de cozinha existe para proteger o funcionamento de qual glândula?"
  • Palavras-chave decisivas: iodo, iodeto de potássio, DDI (distúrbios por deficiência de iodo)
  • Armadilha típica: confundir a glândula "afetada" com a hipófise, já que ela é quem estimula a tireoide via TSH — o candidato desatento associa "comando hormonal" a "glândula-alvo do iodo", quando na verdade é a tireoide que efetivamente usa o iodo para fabricar seus hormônios.
  • O que a resposta precisa demonstrar: reconhecimento de que o iodo é insumo direto e insubstituível na síntese dos hormônios de uma glândula específica, e não um regulador geral do sistema endócrino.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Tireoide: glândula endócrina em formato de borboleta, localizada na base anterior do pescoço, responsável por produzir tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3), hormônios que regulam o metabolismo basal, a produção de calor, o crescimento e o desenvolvimento do sistema nervoso.
  • Iodo (I): micronutriente obtido exclusivamente pela dieta (peixes, frutos do mar, algas e, no Brasil, o sal iodado); é captado pelas células foliculares da tireoide por meio da chamada "bomba de iodeto" e incorporado à tireoglobulina, etapa indispensável para formar T3 e T4.
  • Bócio endêmico: aumento visível do volume da tireoide, resultado da estimulação contínua e ineficaz pelo TSH quando falta iodo suficiente para completar a síntese hormonal; é o sinal clínico clássico da carência de iodo em populações inteiras.
  • Eixo hipotálamo-hipófise-tireoide: o hipotálamo libera TRH, que estimula a hipófise a secretar TSH, que por sua vez estimula a tireoide; porém a produção de TRH e TSH não depende de iodo — apenas a etapa final, na tireoide, exige esse elemento.
  • Cretinismo e hipotireoidismo congênito: deficiência severa de iodo durante a gestação ou primeira infância compromete o desenvolvimento neurológico do bebê, podendo causar retardo mental irreversível, surdez e baixa estatura — por isso a iodação do sal é considerada uma das medidas de saúde pública mais custo-efetivas já adotadas no mundo.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "distúrbios por deficiência de iodo (DDI) são fenômenos naturais e permanentes" → indica que o problema de saúde depende diretamente da geologia local (solos pobres em iodo, típicos de regiões montanhosas e distantes do litoral), não de um comportamento individual isolado.
  • Evidência 2: "lei que obriga os produtores de sal de cozinha a incluírem... iodeto de potássio" → remete à legislação brasileira de fortificação alimentar (regulamentada desde a década de 1950 e atualizada pela Portaria nº 2.359/2013 do Ministério da Saúde), que fixa uma faixa obrigatória de iodo por quilo de sal comercializado.
  • Síntese: a questão constrói uma cadeia causal simples — carência de iodo na dieta → prejuízo à síntese hormonal de uma glândula específica → distúrbios de saúde pública. Basta identificar qual glândula depende do iodo como matéria-prima para chegar à resposta.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Entender por que existem regiões "deficientes em iodo"

O iodo chega ao corpo humano pela alimentação, e sua concentração no solo e na água varia geograficamente: regiões montanhosas, áreas de solo lixiviado por chuvas intensas e locais distantes do mar tendem a ter alimentos pobres em iodo. Populações que dependem quase exclusivamente da produção local de alimentos nessas áreas ficam expostas a uma ingestão crônica insuficiente do elemento — daí o termo "distúrbios por deficiência de iodo" (DDI) descrito no enunciado.

Subpasso 4.2 — Rastrear o caminho do iodo até a glândula que o utiliza

Uma vez absorvido no intestino, o iodo circula no sangue como iodeto e é captado ativamente pelas células foliculares da tireoide. Ali, ele é oxidado e ligado a resíduos de tirosina na tireoglobulina, formando os precursores que dão origem à tri-iodotironina (T3) e à tiroxina (T4) — note que o próprio nome desses hormônios contém "iodo" ou seus derivados ("tri-iodo", "tireo"), reforçando a dependência estrutural. Sem iodo suficiente, a tireoide não consegue completar essa síntese, mesmo que a hipófise continue enviando TSH em quantidade normal ou aumentada.

Subpasso 4.3 — Verificação: a medida legal fecha o ciclo

Ao adicionar iodeto de potássio (KI) ao sal de cozinha em concentração regulamentada, a legislação garante que toda a população — inclusive em regiões geologicamente pobres em iodo — receba a quantidade mínima diária necessária para a tireoide sintetizar T3 e T4 normalmente. Isso previne diretamente o bócio, o hipotireoidismo e o cretinismo congênito, confirmando que a glândula protegida pela lei é a tireoide.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Hipófise.

❌ Incorreta: a hipófise participa do controle da tireoide ao secretar TSH, mas a produção de TSH não requer iodo como matéria-prima. O iodo é utilizado na etapa final, dentro da tireoide, para formar T3 e T4 — não na hipófise.

B) Tireoide.

✅ Correta: o iodo é insumo estrutural obrigatório para a síntese de tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4). Sua carência compromete diretamente essa glândula, causando bócio, hipotireoidismo e, em casos graves na gestação e infância, cretinismo com déficit cognitivo irreversível — exatamente o quadro de "distúrbios por deficiência de iodo" citado no enunciado.

C) Pâncreas.

❌ Incorreta: o pâncreas produz insulina e glucagon, hormônios envolvidos na regulação da glicemia, cuja síntese não depende de iodo em nenhuma etapa.

D) Suprarrenal.

❌ Incorreta: as glândulas suprarrenais secretam cortisol, aldosterona e catecolaminas (como a adrenalina), moléculas derivadas de colesterol ou de aminoácidos que não utilizam iodo em sua estrutura.

E) Paratireoide.

❌ Incorreta: as paratireoides regulam os níveis de cálcio no sangue por meio do paratormônio (PTH), processo completamente independente da disponibilidade de iodo no organismo.

🏆 Gabarito: B — apenas a tireoide utiliza o iodo como matéria-prima direta para sintetizar seus hormônios (T3 e T4); por isso a lei que obriga a iodação do sal de cozinha visa exclusivamente prevenir distúrbios nessa glândula.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre todas as glândulas endócrinas humanas, somente a tireoide incorpora iodo diretamente em sua molécula hormonal (T3 e T4); as demais glândulas listadas produzem hormônios peptídicos, esteroides ou aminas que não dependem desse elemento.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma relacionar políticas de fortificação alimentar a mecanismos fisiológicos específicos — além do iodo e da tireoide, aparecem com frequência o ferro na prevenção da anemia ferropriva e o ácido fólico na prevenção de defeitos do tubo neural durante a gestação.
  • Generalização: sempre que uma questão apresentar "nutriente X adicionado a alimento Y para prevenir doença Z", busque identificar qual molécula biológica-chave (hormônio, proteína, enzima) tem esse nutriente como componente estrutural direto — a resposta estará ligada ao órgão ou sistema que produz essa molécula.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato pâncreas, suprarrenal e paratireoide, pois seus hormônios (insulina/glucagon, cortisol/adrenalina, PTH) não têm qualquer relação estrutural com iodo. Entre hipófise e tireoide, lembre-se de que a hipófise apenas "manda o recado" (TSH) — quem efetivamente usa o iodo para produzir o hormônio final é a tireoide.
  • Conexões: eixo hipotálamo-hipófise-tireoide e seu mecanismo de retroalimentação negativa; outras políticas brasileiras de fortificação alimentar obrigatória (farinhas enriquecidas com ferro e ácido fólico); doenças endêmicas regionais ligadas à composição do solo.

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